sábado, 8 de junho de 2013

Jesus, O Sublime Peregrino

O sublime peregrino 

Por Tadeu Nascimento 

  A vida de Jesus sempre me fascinou. Todavia, a vida do Messias segundo Novo Testamento é muito intrigante. A começar pelos dias que antecederam o nascimento do mestre. Então vejamos: Se Jesus viria ao mundo para salvar a humanidade, porque aproximadamente 2 mil crianças- de até 2 anos- foram assassinadas na caça daquele que viria para salvar a humanidade? Jesus, segundo a ficção inteligentíssima de José Saramago em "O Evangelho, segundo Jesus Cristo", diz que ainda menino, Jesus teve uma briga com seus pais biológicos pelo motivo de terem-no poupado do tenebroso infanticídio cometido por ordem de Herodes, o Grande que não queria a vinda do Messias, conforme afirmavam as profecias! Se Jesus, veio ao mundo para salvar a humanidade, porque milhares de crianças morreram por sua causa? O mesmo Saramago, na mesma obra, levanta outra tese interessantíssima: quando Jesus ressuscitou Lázaro, Maria Madalena num gesto quase acusatório, exclamou ao mestre: Jesus, ninguém nunca cometeu tantos pecados ao ponto de ter que morrer duas vezes! Jesus, ao ouvir tal observação, encheu os olhos d'agua! Pois reviver Lázaro seria retardar sua ida aos braços do Pai!
Outra questão intrigante: Jesus tinha medo da morte? Parece ilógico tal pergunta. O Filho do Homem nos seus últimos minutos na cruz, disse: "Pai, tu me abandonaste?" No entanto, é preciso lembrar que Jesus era humano, tanto que caiu ao chão por algumas vezes no seu Calvário e sangrou no mesmo caminho do Gólgota e também após ser crucificado! Ainda na crucificação Jesus disse ao Pai: "Pai, afasta de mim esse cálice!" O que significa afastar d'Ele o cálice amargo da morte!
                       Em outra passagem, agora no Evangelho de Mateus (Vr. 12), um mensageiro chega a Jesus e diz: "Sua mãe e seus irmãos estão a sua procura!" Jesus respondeu: "Eu não tenho mãe e tampouco irmãos!" E em seguida diz: minha mãe e meus irmãos são todos vocês que aqui estão!- Jesus referindo-se a multidão que o ouvia. Estaria Jesus violando o 5º Mandamento da Lei de Deus por não honrar pai e mãe?
Em outra passagem, um discípulo que O acompanhava, perguntou: "Senhor, que devo fazer para alcançar o céu?" Respondeu o mestre: "Deixe tudo e me acompanhe!" O mesmo homem disse então "Senhor, vou enterrar o meu pai e virei logo para segui-lo!" Jesus então disse peremptoriamente: "Deixe que os mortos enterrem seus mortos!" Estaria o doce Nazareno desdenhando a morte ou deixando de ser solidário com tal discípulo?
                      Entretanto, a mais interessante das observações seria: por que Jesus ressuscitou-se justamente para Maria Madalena e pra duas outras mulheres ao invés de aparecer ressuscitado para os seus 12 apóstolos que por sua vez iriam levar os seus ensinamentos do Cristo para toda humanidade?
                       Por outro lado, outras passagens da vida de Jesus também não são levadas em conta. Jesus nunca tocou em uma moeda ou qualquer forma de dinheiro! Outra importante observação: Jesus era vegetariano! No Novo Testamento não consta um só momento que o mestre tenha se alimentado de carne! Mesmo no episódio da multiplicação dos peixes e pães o Divino Nazareno não se alimentou de peixes.
                       Contudo, sabemos que o mestre sempre esteve radiante de sabedoria. Embora sendo filho enviado de Deus Pai, também era humano e sofria pela humanidade. E todos episódios da vida de Jesus são exemplos a ser seguidos pós nós, simples mortais. Na verdade, em todos os fatos ocorridos por Jesus tinha uma razão de ser. A cada passagem existe uma mensagem do sublime peregrino. A questão do infanticídio cometido por Herodes, Jesus deixou a mensagem da não violência. Na ressurreição de Lázaro, Jesus deixou a mensagem que a fé move montanhas. Quanto a sua mãe e seus irmãos, o mestre deixa a máxima que todos nós somos irmãos e não somente os que têm o mesmo sangue. Quanto ao discípulo que iria enterrar o próprio pai Jesus deixou implícito que não existe morte e sim vida eterna, que a alma é o que importa, posto que ela é imortal.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Paul McCartney 
 
Um Beatle na terra do pequi.


Por Tadeu Nascimento

                               Sempre pensei que eu nunca assistiria os Beatles de perto. Ou, um deles ao menos. Mas eis que Paul Mccartney vem a Goiânia nos primeiros dias de maio do ano da graça de 2013. Digo o antigo "ano da graça" porque a sua vinda é realmente uma graça de Deus e, claro, de Paul. E isto é muito bom, pois será mais um dado importante para minha biografia e sei que essa é oportunidade única.  Lembro-me de que quando era menino, falava-se na vinda de Frank Sinantra no Brasil que nunca se realizava.  E muitas pilérias versavam sobre o tema. Até uma peça de teatro foi a cartaz em São Paulo e Rio de Janeiro com nome "O dia que Frank Sinatra veio ao Brasil". Mas era apenas uma sátira. Até que um dia, pimba, eis o Sinatra no Brasil! Foi um evento tão importante que o Maracanã lotou para ver o  artista dos velhos olhos azuis. Até o beijoqueiro, um português maluco que tinha mania de beijar quem fosse famoso, inclusive o Papa João Paulo II (e por isso foi preso por precaução em São Paulo, mas acabou beijando o pontífice em Belém do Pará) foi tirar uma lasquinha, subindo no palco e beijando de surpresa o Sinatra que acabou por lhe desferir um safanão, defenestrando-o de perto de si, enquanto a segurança vinha socorrê-lo retirando o seboso beijoqueiro do além-mar!
                                  Inimaginável Paul na terra do Anhanguera. Terra onde imperam (ai, meu Deus, até quando?) as trilhas sonoras das duplas Leandro e Leonardo; de Zezé de Camargo e Luciano e  Bruno e Marrone.  Seria o prenúncio da Era de Aquarius, com sua nova cultura e que essa nova era estaria fincando suas raízes nesse cerrado? Com isso, ouso acreditar , num futuro próximo, que  aqui virão grandes vultos da música internacinal a soltarem a  suas vozes como o italiano Andrea Boccelli,  a canadense Diana Krall, o escocês Rod Stwart e outros astros de primeira grandeza, além de peças de teatro de renome como as apresentadas na Broadway como "O fantasma da ópera ", "Carmen" (de Bizet), além do Circ du Soleil! Coisas de primeiro mundo!
                                 Mas acontece que foi preciso 50 anos pós lançamento do primeiro disco dos Beatles, "Please, love-me please", para  que um Beatle tivesse a ousadia de vir a Goiás para espinhar a língua com o nosso pequi.
                                 Acredito que muitos milhares de beatlemaníacos lotarão  o Estádio Serra Dourada e que ficarei bem longe do palco onde Paul e seu piano, soltarão os seus sustenidos e bemóis. Talvez eu o verei pequenino no meio das parafernálias eletrônicas. Não importa. Ele estará lá cantado "Across the universe", "Hey jude", "Yesterday"  e outras maravilhas para  minha geração (e também pra outras). É como se ele cantasse para minha juventude. Juventude que me escorre  pelos os dedos. E nada mais saudável e belo que se imaginar jovem.
                                 Contudo, sei que fcarei feliz em reencontrar muitos conteporâneos do tempo inesquecível- pelo menos para mim- do Lanche Americano da Rua 8, centro de Goiânia, da Discoteca Liverpool, também na Rua 8 e do Bazar Paulistinha, na Av. Anhanguera, onde os beatlemaníacos se concentravam. Isto lá para as bandas de 1970.
                                  Sir Paul McCartney, seja bem-vindo à terra do pequi!

sábado, 23 de março de 2013

Papa Francisco

Sai Bento e entra Chico 

 Por Tadeu Nascimento




                              Sai Bento e entra Chico. Acho que o personagem Chico Bento- do gibi de Mauricio de Souza- deve estar rindo à toa, pois nunca o seu nome esteve tão na moda. Tudo por conta do jogo de campeonato no Vaticano. Entretanto, Chico parece ter mais habilidade que Bento. Pelo menos Chico é todo rizonho e o seu antecessor, um tanto sem graça. Os noticiários disseram que o nome Francisco I foi sugestão do arcebispo de São Paulo, D. Claúdio Hummes. Presente de grego de um brasileiro para um argentino, pois resta saber qual São Francisco o papa portenho quis homenagear. Se o de Assis ou o Xavier. Se o de Assis, ótimo! Só que o papa da época o perseguiu até a morte. Seu nome foi amaldiçoado pelo Vaticano. Francisco de Assis era muito humilde, fez voto de pobreza, dedicou sua vida aos pobres e amava os animais e o meio ambiente. Se confirmado a homenagem do papa ao franciscano, este acabou dando o troco mesmo "pos morten", ao emprestar o seu nome para o ocupante do posto mais nobre do igreja católica. Dante Alighieri disse que "Francisco de Assis foi uma luz que brilhou sobre o mundo" e que ele foi maior figura do cristianismo desde Jesus.
                                  O papa argentino poderia mesmo seguir os exemplos de São Francisco de Assis e destribuir a riqueza da igreja para os mais pobres, ao invés de se preocupar com o banco do Vaticano como tem sido com os outros papas. E seria nobérrimo também se ele se desobrigasse da vida nababesca da cúpula católica. Assim, seria uma verdadeira homenagem a São Franscico de Assis ou mesmo a São Franscico Xavier.
                                  Na festa da posse na Capela Sistina a presidenta do nosso país deu uma espetada no papa quando ela lhe disse: Deus é brasilero! Uma alusão que "se o papa é argentino, Deus é brasileiro!". O papa deu um sorriso sem graça, quase verde-amarelo.
                                  De fato, não vai ser fácil suportar os argentinos. Já se gabam tanto por ter o melhor jogador de futebol do mundo, Leonel Messi, imaginem agora também o papa. Sem contar o Maradona e o tango! Mas o papa Chico parece ser um cara bom. Já o papa alemão Joseph Ratzinger foi soldado de Hitler e ser nazista nunca foi algo de se orgulhar.
                                  O nome Francisco me faz lembrar um outro Francisco, o Cândido Xavier, ou simplesmente Chico Xavier que eu tive a felicidade de conhecê-lo pessoalmente, em Uberaba. Tão humilde, tão pobre, tão cristão quanto o seu homônimo de Assis. Eu trabalhava em uma loja ao lado do Banco do Brasil, onde Chico ia retirar no dia 30 de cada mês a sua aposentadoria. Caridoso, enchia os bolsos de notas de dinhero em forma de bolihas de papel e distribuia aos pobres que ficavam ali a espera de Chico. E ele entregava a quantia a cada um, com a mão fechada, pois "o que a mão direita dá, a esquerda não pode saber!". O Chico Xavier sim, mereceria uma grande homenagem. Mas a igreja com seu orgulho milenar, no alto do seu pedestal de ouro, assim como renegou e perseguiu São Francisco de Assis, não teria humildade em prestar homenagem ao espírita brasileiro que tanto honrou o nome de Francisco.
                                   Por falta de exemplos não será desculpa para que Francisco I não seja um papa digno do cargo que exerce.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012



Oscar Niemeyer

Carta aberta a Oscar Niemeyer


Por Tadeu Nascimento



                         Caro Niemeyer,



               Quero me expressar que a sua genialidade como artista me impressiona, mas o seu o lado humanista, toca-me muito mais! Porém, algumas coisas me deixam inquieto. Principalmente agora que chegou sua hora. Bem, você sempre se definiu como ateu. Então, suponhamos que Deus exista! O que você diria ao Criador diante de sua magnitude? Imagino que questionaria, principalmente, o porquê de tantas injustiças no mundo! Claro, qualquer um questionaria! Pois é, a vida é um mistério! "Vida, a que será que se destina?", disse o Caetano Veloso. Entretanto, sabemos que os não ateus devem amar a Deus e ao próximo. E a maneira mais perfeita de amá-los é servir a ambos, através da solidariedade.
               Justamente aí, na palavra solidariedade, que está a pedra angular (ou curva , se preferir) da minha inquietude. Você nos ensinou que vida só tem o seu porquê na solidariedade! Aliás, você nos ensinou muitas coisas. Que é possível viver 105 anos sem deixar de acreditar na vida. Que é possível ser ateu praticando a solidariedade do mais nobre cristão. Que a vida é um sopro, passageira e contraditória. Que "A gente tem que sonhar senão as coisas não acontecem!"

               Ensinou-nos que a arquitetura não é importante, mas a vida, sim! Ensinou-nos também que a sua arte é curva como o próprio universo é curvo. E que a beleza de suas obras foram inspiradas nas curvas das mulheres que você amou. Nada mais humano! Faz-me lembrar uma frase genial que vi num para choque de caminhão: "Nas curvas de uma mulher capotei o meu coração!" Entretanto, repito, a sua hora chegou. Você capotou. Você partiu. Você ficou...para sempre. Aliás, você ficará quase onipresente: na Pampulha de Belo Horizonte; no sambódromo do Rio de Janeiro; no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no prédio, também curvo, da Copam; no Memorial da América Latina, ambos em São Paulo. Na Espanha, França, Itália. Nos longínquos Israel e Argélia. Ainda- que poucos sabem- você estará presente, para todo o sempre, no prédio das Nações Unidas em Nova Iorque como um de seus projetistas. E notoriamente em Brasília, a sua filha mais exuberante! Não haverá um só dia nesse país que não se verá os frutos da interferência de sua mão habilidosa na paisagem brasileira. Mesmo nos lugares mais recônditos do Brasil, onde não há uma única de obra de sua arquitetura, todos os dias mostrarão Brasília nos telejornais. Enquanto existir os carnavais, o Sambódromo haverá de reverenciar o seu nome. Isso sem contar, a partir de agora, as inúmeras ruas e avenidas que levarão o seu nome! Não há como escapar de você! Você estará sempre presente!

              Pois é, caro Oscar, você foi um poeta do concreto e um comunista convicto. Aliás, é conflitante falar de você no tempo passado. Você não foi, você é! Você acabou por desmoralizar o tempo! Tornou-se imortal! Na verdade, você tornou-se atemporal!
Lembro-me de algumas de suas frases geniais: "Amo a vida e a vida me ama. Somos um casalzinho insuportável!". "A vida nos leva onde ela quer. Cada um vem e escreve sua histórinha e vai embora. Não vejo segredo em levar a vida!" Outra, totalmente poética: "Quando se vê um arvoredo, o mais importante não são as árvores , mas o espaço entre elas!".

              Fico a imaginar quem é você. Um ser errante que anda na contramão da humanidade? Um comunista cristão sem assumir-se como tal? Uma reencarnação de Pitágoras? De Sócrates? De Aristóteles? De Micheangelo, De Da Vinci? Você tem muito desses homens iluminados, pois você foi e é uma usina de luz! Daqui a milhares de anos você estará, juntamente com os grandes pensadores da Grécia antiga e dos gênios da Renascença, no panteão dos grandes homens da humanidade! Enquanto milhares de poderosos serão esquecidos no caldo da História! Já o nome do criador genial de Brasília, do Sambódromo, dos CIEPS será sempre lembrado. Você realizou o que o semi deus Aquiles não conseguiu realizar: ser sempre lembrado. Aquiles só é lembrado por sua obsessão em ser nunca esquecido! Homero, deve estar surpreso e com inveja de você!

            Que sorte a minha, ser contemporâneo de Vinicius de Moraes, Darcy Ribeiro, Chico Xavier e Oscar Niemeyer!