sexta-feira, 30 de novembro de 2012


Os Carnavais de Rio Verde 
 (Da série: "Eu era feliz e tinha certeza disso") 

Por Tadeu Nascimento





                     Nada era melhor que passar o carnaval em Rio Verde! Isso, nas décadas de 1960, 1970. No Clube Rioverdense, ou no Clube Campestre. Todos-  tanto em um quanto no outro- foram inesquecíveis. Como diria a moçada de hoje: o bicho pegava! Não sei se antes da minha geração os carnavais de Rio Verde eram tão bons quanto aos  que me refiro. Por isso, pra mim, inesquecíveis. Tanto os carnavais quanto os seus carnavalescos. Nos anos sessenta, quando os dias de momo eram só no Rioverdense, a rapaziada esquentava os tamborins no bar do Ney, vizinho ao clube e os seus principais foliões eram o então professor Sherlock Homes da Silva, Kleper Silva (Kepim) Dalton Cunha, Tão Rattes, Mauricio Toledo, Celso Teixeira Leão, Domingos Tata Moni, Luis Cunha. Todos com alegria incomum. Na rua, em frente ao clube, na Kombi do Ernesto Pagires vendia-se confetes, serpentinas, máscaras e lanças perfume. Lembro-me com saudades de quando meu pais compravam na mesma Kombi, os tubos dourados da Rhodia e os colocavam nos bolsos de minha calça e eu, depois, garboso, subia as escadas do clube. Mal sabia qual a graça que tinha em cheirar lança-perfume! Para um menino, valia esguinchar seu conteúdo nos foliões!
                     A década seguinte, foi, para mim, a dos melhores carnavais. Alguns ocorreram no Campestre, outros no Rioverdense. O dublê de odontólogo e professor Tim Campos (Ricardo Campos Sobrinho)- o maior carnavalesco rioverdense de todos os tempos- era sempre o rei Momo. O obeso Tim saía, animadíssimo, às ruas, durante dia, (e com ele uma turma de foliões) vestido de rei Momo e em uma das suas mãos um penico com cerveja e salsichas (boiando), cantando as marchas de então (não é mesmo, Maria Astolfina?). Passavam nas casas dos conhecidos e ofereciam cerveja (do penico, repito) e quase todos bebiam! "Dona Tília- gritava Tim- é carnaval, Dona Tília! Prova um pouco da minha cerveja!" E Dona Tília, apesar de diabética, dava uma bebericada no impoluto penico! Evando Campos então compôs uma marchinha em sua homenagem que o próprio Tim também passou a cantar e que até hoje está na memória de quem viveu aqueles dias felizes: "Tim,/ Ôh, Tim,/ Que onda é essa de você brincar assim?!" No ano seguinte era a principal marchinha que o Tim e seus camaradinhas cantavam pelas ruas! E toma Cerveja!
                   Abro aqui um parágrafo (poderia ser um parêntese) pra dizer que o alegre Tim Campos, passado os quatro dias de reinado de Momo, voltava a ser o responsável e sério professor de Ciências no Colégio Martins Borges. Em tempo de aulas, a Sua Magestade dos carnavais subia, infalivelmente, às 6:45 da manhã, a pé- com um monte de livros e diários de classe sob as axilas- a rua Cel. Vaiano Vaiano, para ministrar suas aulas.
                   Voltando: mesmo quando o carnaval era no Campestre, os foliões esquentavam os tamborins no Bar em frente ao clube Rioverdense e também nas manhãs de domingos e nas terças-feiras gordas de carnaval no Bar do Hotel Minas Goiás (Manoel de Melo). No salão lotado, além o folclórico Tim Campos, Tata Moni, Iashide Matomoto, Jerônimo Carmo de Moraes davam show à parte com seus passes engraçadíssimos! Blocos de Pierrôs e Colombinas cortavam o salão. Confetes e serpentinas salpicavam o chão. Nas mesas, garrafas de cervejas da Brahma e da Antártica, uisques White Horse, Passport e o nacional Theacher's.  Zé Barbeiro, por anos, puxava, no gogó, as históricas marchinhas de momo executadas pelos integrantes da “Furiosa”, a banda do Neném Minu. No ar, o inebriante e delicioso cheiro dos já proibidos lanças-perfumes que vinham do Paraguai. Sem contar os "Cheirinhos da Loló" fabricados em fundo de quintal! E toma alegria!
                   Ano seguinte àquele que o Caetano Veloso gravou "Chuva, suor e cerveja", acho que em 1973, num carnaval no Campestre, a banda do Neném Minu, a pedidos, executou essa marchinha por dezenas de vezes e a galera pedia mais ! Contagiante!
                  Quase não havia brigas. Todos se conheciam e eram amigos. As diferenças políticas eram esquecidas do lado de fora do calendário do Rei Momo. Dezenas de visitantes de Goiânia, Brasília, Uberlândia e outras urbes se vestiam com as cores da alegria e se tornavam foliões nos clubes de Rio Verde. Quantos casais iniciaram seus romances ali, nos cantos e nas penumbras do salão? Quantos primeiros (e outros tantos) beijos ao som da marcha "Máscara Negra" de Zé Keti: "Quanto riso/ Oh, quanta alegria...Vou beijar-te agora/ Não me leve a mal/ Hoje é carnaval!"
                  Saudades de todos esses personagens e daqueles inesquecíveis carnavais.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012


Lennon e Yoko na campanha pela paz 


 Voltemos ao "Faça amor, não faça gerra"!


Por Tadeu Nascimento


             Antes, meus amigos, é bom que se diga, não me considero saudosista. No decorrer dessa crônica se verá que penso e olho para o futuro. Isto posto, vamos ao texto: nos últimos 40 não surgiu um único movimento que desse um rumo à paz ao planeta! Digo isso porque gostaria que houvesse uma nova luz que nos conduzisse, pois estamos na iminência de uma nova guerra que poderá ser mundial! Dessa vez, de consequências inimagináveis! Que Deus nos proteja! Acontece que a humanidade ainda insiste nas guerras para suprir seus desejos sempre insanos. É preciso que se evite esse grande mal. Nem que para isso inventemos um novo movimento aos moldes dos hippies das décadas de 60/70. Não se trata simplesmente repetir, até porque as circunstâncias são outras- no entanto, clamo por uma nova ordem altruísta! Isso também não quer dizer que faço apologia às drogas. Aliás, nunca usei qualquer tipo de drogas ilícitas. Não o fiz porque- diante de tantas loucuras no mundo- sempre soube que o maior barato é a lucidez. 
                 Como defendeu Karl Marx em "18 Brumário", a história se repete pela primeira vez como tragédia e a segunda como uma farsa. Sei, portanto que nada se repete tal e qual, no entanto, gostaria que a mocidade tomasse as rédeas do mundo. Reparem no passado: apesar dos jovens venderem a imagem de irresponsáveis, são eles que enfrentam as ditaduras e outras injustiças pelas ruas do mundo. Meses atrás, em todas grandes cidades da Europa, no mesmo dia e hora, a juventude estava contestando nas ruas contra o sistema financeiro do Euro! A Europa tremeu! Todavia, os jovens nunca desejam guerras. Sempre foram obrigados pelos os mais velhos- em nome da pátria- irem às guerras!  E seria maravilhoso- mais uma vez- se fossem novamente os jovens com flores, roupas coloridas e belas canções a clamar pela paz.  Só a juventude pode mudar os rumos do mundo! Assim como Cristovão Colombo, Vasco da Gama, Fernando Magalhães, Pedro Álvares Cabral. Todos, a época dos descobrimentos, não tinham mais de 20 anos! Talvez  consigamos antecipar e reverter o que seria o desastre.
                 Atualmente a pobreza intelectual, tanto musical como literária, é gritante. Quem sabe, reeditaremos o que foi o fim dos anos 60 e em toda década de 70, tempo que a cultura fervia e espalhava pelo mundo. Apesar de autodenominar-se de contracultura, posto que era contra a cultura reinante da época, o movimento era sim, uma fonte de cultura, principalmente no campo da música. Na literatura surgiram os talentosos Gore Vidal, Gabriel Garcia Marques, Mário Vargas Llosa. Ultimamente, emergiu apenas o genial José Saramago. No universo da música, leia-se rock e pop, surgiram nos Estados Unidos e na Europa grandes talentos. Em 1969 os festivais jorraram criatividade. Woodstock , o mais famoso deles, revolucionou o mundo. Jimmy Hendrix, Joe Coker, The Who, Carlos Santana e tantos outros. Os Beatles, os Rolling Stones, embora não tivessem participado dos festivais, imprimiram o tom dessa revolução que pôs um pouco de ordem no mundo. John Lennon e Yoko Ono fizeram campanha a favor da paz, numa cama, de pijamas, durante uma semana no Hotel Hilton de Amsterdã (1969). Dias depois John e Yoko gravaram "Give peace a chance". No entanto, anos depois, desencantado, Lennon escreveu a bela canção "God" e nela, o famoso verso "Dream is over" (O sonho acabou). Outras bandas seguiram os mesmos passos. A campanha contra a Guerra do Viet-Nan foi a causa das mudanças. Era preciso dar um basta no número de jovens tombados em campos de batalha! E a pressão fora tão grande que, por fim, deram um fim na mau-fadada guerra. Porém, muitos argumentam que se não houvesse a guerra não haveria os hippies. Não dá pra saber. Pois isso é metafísica- além de uma discussão meramente dialética!


               Nas ruas, roupas coloridas, calças apertadas (com bocas de sino), chinelas de couro. E não era incomum jovens com flores nas mãos. "Faça amor, não faça guerra!" era a nova ordem mundial. Nos Estados Unidos, os jovens não mais se alistavam nas forças armadas com intuito de fugir da famigerada guerra e consequentemente não conseguiam trabalho. Com isso, iam se juntando nas esquinas da América. Foi assim que os jovens deram o troco aos governantes. Milhares de "marginais" na América que se tornariam milhões em todo mundo. Cabelos longos e barbas de semanas. O violão era uma coisa muito comum nas calçadas e dava nova cor ao rock e ao blue. A "mariejuana" inspirava os rebeldes aparentemente sem causa. Na verdade, todos ingredientes estavam na panela! E os conservadores, como sempre, torceram os narizes. 


            Cá, na terra brasilis, o Novos baianos, grupo musical que viviam em uma comunidade hippie, gravaram em 1972,  talvez o mais belo disco de vinil ("Acabou chorare") das últimas 4 décadas.
            Longe de querer cultura à custa de guerra, mas, com certeza, surgiriam novos J.Lennon, M. Jagger, assim como novos Gil, Caetano e Chico. Por falar em talentos, quantos compositores brasileiros com qualidade despontaram nas últimas décadas? O último foi Cazuza! Djavan está na mídia desde 1975, ano do Festival Abertura da Globo. John Lennon tinha razão: pra ser feliz é preciso voltar a sonhar
 

               
Não mate o menino que existe em você! 

  Por Tadeu Nascimento

                     "O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe", disse Jean Jacques Rosseau, filósofo iluminista francês, morto 10 anos antes da Revolução Francesa. Enquanto criança, não se tem maldade. Tudo é bom e maravilhoso. Mas o meio a faz sofrer: amarguras, perdas e descrença em relação a vida. Com efeito, o ser humano vai se tornando mau. Ás vezes, bicho fera! Os maiores genocidas da humanidade nasceram sem maldade. Napoleão foi uma criança como outra qualquer. Hitler e Stalin também. Jack, o estuprador, idem. Os combates entre os soldados são impostos aos jovens que matam quem nunca viram (seus iguais, filhos de Deus pai)! Tornam-se neuróticos de guerra e depois, em tempo de paz, por qualquer motivo banal, serve pra tirar a vida de seu semelhante; já os mandantes são homens idosos, loucos por grana- sentados em suas poltronas macias com copos de uísque do lado- que mandam em generais também velhos, muitos deles, setentões carcomidos pelas ganância, crueldade e insensibilidade!
Qualquer menino, por mais perigoso que seja o lugar onde nasce, não sabe o que é maldade. Nas favelas das grandes cidades crianças nascem ouvindo tiros de metralhadoras! E a maioria delas não sabem- ou não conhecem- quem são os seus pais. As mães tiram os seus sustentos em casas de madames (ou nos prostíbulos), enquanto os filhos são "educados", nas ruas, por bandidos! Que futuro terão esses pequeninos, se aos 10 anos já portam um trabuco na cintura? Esperar de uma criança que ela seja um homem de bem ou uma senhora feliz é exigir demais de quem nasceu apanhando (e continua) da vida!
Se você quer um mundo melhor, comece a não aceitar qualquer tipo de maldade. Seja justo com o seu semelhante e não aceite entrar no jogo de quem quer levá-lo ao confronto. Por que nos vendemos tão barato, se a vida é brevíssima? O que querem esses senhores que comandam as guerras, se lhes restam pouco tempo de vida? Deixar o espólio da guerra para seus futuros herdeiros e nesse caso transformá-los em novos genocidas? Trata-se de mentes doentias que vieram deteriorando ao longo do tempo. Pergunta-se, como se portarão esses seres perversos perante o pai criador? Deus há de lhes perguntar: por que você matou um filho meu, seu irmão? Por causa de dinheiro? E agora que você desencarnou, para que lhe serve o poder que por ele fez tantas atrocidades?
Os homens nascem inocentes. Como prova dessa inocência , basta lembrarmos das vésperas de Natal e do amor crianças pela figura do Papai Noel; da alegria delas pelos palhaços e outros artistas circenses, e nas suas distrações quando estão lambendo sorvete. Em todos esses momentos elas estão simplesmente felizes ! Por que interrompemos esse caminho? Porque destruímos o que é bom? Porque corremos tanto sobre uma esteira rolante em busca daquilo que realmente não precisamos? Como seríamos felizes, se não tivéssemos levado a vida tão a sério? Profissão, grana, futuro, sexo pelo sexo, poder, orgulho; inveja; vaidades mil e o pior: rancor!
Na década de 80, em Goiânia, um pai chegou bêbado em casa e já foi espancando a esposa. O filho de 12 anos, vendo a mãe levar socos e pontapés, vai até a parte superior do guarda-roupas e retira de lá o revólver do pai, calibre 38, e descarrega a arma no peito do próprio genitor! Resumo da opereta: Um pai assassinado, uma mãe viúva e um filho órfão e assassino! Nada disso teria acontecido se o pai não agisse com tal crueldade o que acabou em tragédia! Qual é o grau de culpa desse menino de 12 anos? Já não basta o peso moral que ostentará pelo resto da vida, por ter tirado a vida do próprio pai? Será que quanto mais o tempo passa nos tornamos mais perversos e ambiciosos? Por isso que peço para que não percamos a inocência, a doçura que moram nos corações das crianças! A razão de nossa passagem por essa vida está em evoluirmos!
O escritor psicanalista alemão Wilhelm Heich em sua grande obra "O assassinato de Cristo" dedica esta às crianças do mundo. Diz ele que o homem já sofre agressões logo ao nascer. Primeiramente, pela luz exterior nunca vista. Depois pelo rompimento do cordão umbilical e o pior, no caso do macho , a circuncisão (principalmente os judeus). Esta última é uma violência intensa contra um ser pequenino que não tem como se defender.
O notável escritor mineiro Fernando Sabino encomendou para sua lápide: "Nasci homem, morri menino"! Quanto a mim, um simples cronista, gostaria deixar para o túmulo : "Nasci menino, morri menino!"
menino!"

terça-feira, 23 de outubro de 2012

 A Era de Aquário

        Amar é o verbo mais difícil de se praticar

Por Tadeu Nascimento



Desde o dia que Moisés desceu do Monte Sinai com os 10 Mandamentos da Lei de Deus, sabemos que o ato de amar deveria ser a razão do nosso viver. Pelo menos é o que sustentam as culturas cristã e judaica. No entanto, o ser humano tem fracassado ao longo de sua existência. O ódio, a ganância, a vaidade e outros pecados têm consumido os corações dos homens. Se isso não fosse verdade, não precisaria que Jesus viesse à Terra para reafirmar o 2º Mandamento das Tábuas de Moisés, "amai o próximo como a ti mesmo". Cristo- defende Chico Xavier-, "não nos pediu muita coisa, não exigiu que escalássemos o Everest ou que fizéssemos grandes sacrifícios. Ele só pediu que amássemos uns aos outros!" Todavia, todos os dez mandamentos poderiam ser resumidos em um só: Amem uns aos outros! Ou simplesmente, amem! Mas devido à ignorância dos homens daquele tempo, foi preciso destrinchar o verbo amar em 10 mandamentos! Se assim compreendêssemos, não haveria roubos, assassinatos, desonra aos pais e muitos menos guerras. Não haveria a abominável pena de morte. Não haveria cadeias. Não haveria polícia. Não haveria armas. Não haveria leis (inclusive a que Moisés nos deixou). Não haveria sangue derramado! Também não haveria o mais contraditório dos erros humanos, o crime passional. Por conta desse último, quantos relacionamentos terminam em sangue? Quem ama, não mata! E por consequência, também não faria sentido o perdão. O perdão só existe pela nossa deficiência, pois não amamos sem olhar a quem, como, de fato, deveríamos.
          Amamos somente os mais próximos! Uma mãe já tem o seu perdão empenhado antes do erro do filho! Ou seja, quem ama não precisa pedir perdão e/ou mesmo perdoar... Essa máxima deveria ser para toda humanidade, pois somos realmente filhos do mesmo Pai. Mas enquanto atrasados que somos o perdão é o mais nobre e a mais difícil forma de caridade. Por outro lado, dar esmola, é forma mais fácil de praticar a caridade, portanto a de menor valia. Agora, perdoar o seu inimigo que é o "x" da questão! É algo que requer altruísmo, uma dose imensa de humanismo. É descer do topo do próprio orgulho. Perdoar seu inimigo é, na prática, a mais profunda oração a Deus! E por misericórdia divina, quando perdoamos alguém, o Pai nos tira o imenso fardo que carregamos nos ombros! O fardo pesado da mágoa.  Jesus ofereceu a outra face quando lhe esbofeteou o rosto- entendo esse gesto como o mais belo da história da humanidade! Ah, se a humanidade prestasse atenção na história de Jesus...
          Em Pernambuco, na pequena cidade de Exu, perdura uma guerra de mais cem anos entre 2 famílias. As famílias Sampaio e Alencar. Por conta de vinganças já morreram mais de cem filhos de ambos os clãs. As dores, os ódios, não deixam o perdão ser praticado. A questão é: até quando isso vai perdurar?
         Vi, essa semana, o filme "Tropa de Elite 2" e fiquei impressionado com a iniquidade humana! E como se mata no Rio de Janeiro, mais e principalmente nas favelas cariocas! Apesar de ótimo filme e da interpretação do excelente ator Wagner Moura, a história retrata a triste realidade brasileira! O que se rola atrás das ações dos governos, das polícias e das milícias que compõem os sistema e o quanto os inocentes sofrem nas favelas! Quanta maldade! As favelas são necessárias para manter os inescrupulosos no poder! No entanto, - e aí, fazemos de conta que somos cegos- as favelas são compostas também de trabalhadores: garis, garçons, mecânicos, camelôs, etc. Caso contrário as madames da zona sul teriam que fazer o papel de garçonetes, varrerem as ruas da cidade maravilhosa, etc.! Mas a indiferença, a falta de comiseração para com o próximo, a riqueza dos bairros nobres desafiando a pobreza dos morros- tal qual uma metástase- alimentam o mal de qualquer comunidade. Trata-se, na verdade, da falta de amor. De amor ao próximo.
          Quantos crimes pelo mundo afora, são articulados na calada da noite para que na manhã seguinte as mães derramem lágrimas pelos filhos assassinados? Inacreditável tamanha impiedade para com os pais, e o pior, para com os filhos das vítimas! É natural pensarmos que quem tira a vida de outrem não acredita em Deus! E muito menos acredita na justiça divina! Matar alguém é matar um filho de Deus, nosso Pai!
          Desde menino leio, ouço que estamos prestes a entrar na Era de Aquários. Era que se iniciaria mais ou menos nas últimas décadas do século XX. E, no entanto, já estamos na segunda década do século XXI e ainda não raiou a luz da justiça! Seria a era da sabedoria, da paz, da harmonia. Um tempo, no qual o ser humano teria como foco o bem estar do próximo! Seria uma era em que se reinaria a solidariedade, que nada mais é que o amor ao próximo. Então, olho para o horizonte do futuro e não vejo nada! Cadê esse tempo que não chega nunca?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Rio Verde - GO

        O incêndio do Cine Rio Verde (Memórias de um menino de Rio Verde) 


 Por Tadeu Nascimento 
18: 45 horas do dia 29 de maio de 1964. O jovem Geovane revisava os rolos de fita que seriam reproduzidos na tela do Cine Rio Verde. Naquele tempo, havia racionamento de energia elétrica. Da Av.Presidente Vargas acima havia energia até às 20 horas  e o restante da cidade a energia elétrica só era ligada, após as oito horas da noite. As sessões, nos dias de semana, se iniciavam também as oito da noite. Geovane, como de praxe, corria a fita com os dedos para se certificar se não havia algum rasgo que comprometesse a projeção da imagem na tela do cinema. Acidentalmente um rolo de fita encostou-se numa vela acesa sem que ele, Geovane, percebesse. A fita, material altamente inflamável, fez com que  o fogo rapidamente se propagasse.  Em poucos minutos a cabine de projeção estava em chamas.  Mas ainda não suficiente para chamar atenção dos vizinhos ou de quem passasse por ali. Geovane não consegue aplacar o fogo e sai às pressas com queimaduras em um braço. Alguns minutos depois, ergue-se uma fogueira enorme. O Cine Rio Verde estava totalmente em chamas!
             Contava eu com 10 anos de idade e recuperando-me de uma caxumba, doença que hoje nem se fala mais. Morávamos na casa de minha avó, Tília Jayme Nascimento, enquanto meu pai construía a nossa casa. O referido cinema pertencia a minha avó materna. Com 39 graus de febre acordei-me com os gritos de minha avó e de minha mãe, desesperadas diante da tragédia. Levantei-me da cama assustado e vi o reflexo do vermelho da chama invadindo todo quarto. O prédio do cinema ficava na mesma rua, 5 terrenos após da casa de minha avó. Voltei-me o corpo para a janela que refletia o fogo: nunca vira  tamanha fogueira. Aliás, já se passaram 48 anos e nunca vi outra de tamanha proporção. Em 1970, se a minha memória não estiver enganada quanto ao ano, vi um incêndio incomum na Av. Anhanguera com a Rua 6, Centro de Goiânia. Era uma loja de roupas masculinas. Acho que o nome da loja era San Remo. No entanto, não fora do tamanho do incêndio dantesco do Cine Rio Verde.
             Lembro-me muitíssimo bem que no dia 31 de maio, domingo, iria passar na tela "Os dez mandamentos", grande sucesso de Cecil B. de Mille com Charton Heston e Yul Brinner. Quis o destino, que o incêndio ocorresse na sexta-feira e não no sábado ou domingo que tinham duas sessões. O que poderia resultar em uma tragédia maior. Em suma: não morreu alguém.
            Acontece que este cinema faz parte da minha história, da minha pobre biografia. Desde pequenininho, eu frequentava cinema. O prédio do cinema era como mais um cômodo de minha casa. Minha avó Tília trabalhava na bilheteria (com a sua caçula Rafaelita no colo) e meu pai (para aumentar a renda da família) era dono da bomboniere do mesmo cinema. A minha infância foi muito focada nos astros hollyoodianos como Tarzan,  Zorro, Robin Hood, Hércules e também pelos nossos heróis da Antlântida Filmes como Grande Otelo, Ankito, Mazzaropi, Zé Trindade ...
             Em meio a tanta confusão entre o desespero em face do prejuízo e o socorro para apagar o fogo, assisti uma cena que nunca esqueci: a solidariedade do povo de minha terra. Duas longas filas onde, de mãos em mãos, passavam-se dezenas de galões e baldes com água  para controlar o fogo. Algumas  pessoas se queimaram nos braços, nas pernas em gestos heróicos para evitar que se alastrasse o fogo para as casas vizinhas. A luta contra as chamas durou-se a noite toda. Todavia o cinema queimou-se por inteiro, restando apenas uma de suas paredes.  Levaram-me para casa do Dr. Alcyr Mendonça. Na casa de minha avó era impossível dormir. Na manhã seguinte, fui ver o que restou: somente carvão. Nada mais. Foi como se tirassem um pedaço de mim. Na casa de minha avó, a tristeza de um velório.  
             As imagens da televisão ainda não haviam chegado a Rio Verde. As únicas casas de diversão eram o Cine Rio Verde e o Cine Bagdá. No dia seguinte ao incêndio, meus tios se reuniram para  definir o que fazer com o resto que sobrara do cinema, ou seja, com o terreno vazio que ali ficou. Decidiram construir um novo cinema. Sete meses depois, em 31 de dezembro inaugurava-se, com grande festa, o novo Cine Rio Verde com o filme "Os dez mandamentos". Quatro anos depois a minha família construiu outro cinema, o Cine Presidente, na Av. Presidente Vargas.  Mas depois chegaram as transmissões de televisão e quase todos cinemas de rua em todo planeta fecharam suas cortinas encerraram suas portas. Salas de cinema com qualidade, só nos shoppings centers.
              30 anos depois deste incêndio, assisti o filme Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore/1988. Ganhador do Oscar, versão melhor filme estrangeiro.O enredo se passa numa pequena cidade da Sicilia, Itália, antes da chegada da televisão, onde um menino,Totó (Salvatore Cascio), se apaixonou por cinema  e tornou-se amigo do progecionista, Alfredo (Philippe Noiret, o mesmo ator de "O poeta e o carteiro") e que,  num certo dia, viu o  prédio do cinema arder em chamas. E ele chorou...Mas essa história aconteceu comigo!- me surpreendi. Aquele menino da ficção sofreu o que eu sofri  na vida real, ao ver desaparecer nas chamas um mundo mágico de uma sala de progeção, que é a arte do cinema. A arte que encanta o mundo inteiro.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Adele


Adele, a herdeira dos Beatles



Por Tadeu Nascimento

Havia um tempo em que um álbum fonográfico- era assim que se chamava um disco de vinil, um LP- tinha 70%, 80% de músicas excelentes e, não raramente, alguns trabalhos são e sempre serão maravilhosos. Os Beatles, por exemplo, em todos seus álbuns, principalmente, o "Sgt. Pipper's Loney Hearts Club Band" (tido como melhor álbum da história fonográfica, pela crítica especializada). Roberto Carlos, "Em Rítmo de aventuras" é todo lindo! Maria Bethânia, em "Molambo", idem. Caetano, no 1º álbum (Alegria, alegria) e o 2º (Os argonautas) é o máximo. Os novos baianos em "Acabou chorare" é, todo ele, obra prima! Décadas se passaram. Agora, uma música razoável é nome do CD, do DVD e do show e o resto é apenas o resto. A regra geral é vender mediocridade! Estamos exaustos de tantas ofensas sonoras. Ninguém imaginaria que surgisse algo tão bom como os Beatles! Mas, eis que surge uma exceção, uma grata novidade: Adele. A princípio, eu conhecia uma ou duas de suas músicas. Mas inocentemente, sem esperar muito da cantora, deixei tocar todo o seu CD. Meu inglês é paupérrimo, mas como é sabido, a música, assim como a pintura, é universal: abraça todas as mentes, todos os corações. Pois assim, me fez o CD de Adele. Tome nota! E compre! E curta! São baladas no melhor estilo soul e rock. Diga-se rock de bom gosto. Adele lembra os melhores tempos do Beatles, dos Stones, de Simon and Garfunkel. Em alguns momentos, faz você dançar sozinho, assim como nos faziam os meninos de Liverpool! Tente ouvir pela segunda vez: vai se apaixonar, assim como aconteceu com todo mundo quando ouviu John, Paul, George e Ringo. Sugiro a quem goste de música de bom gosto a comprar os dois últimos álbuns de Adele. Isto feito, sente-se na sua sala, à média luz, de preferência sozinho (pelo menos, uma vez na vida), abra uma cerveja bem gelada ou beberique um uisquezinho honesto e fique por conta de curtir o momento. Não há quem não viaje ... Se o CD é lindo, imagine o DVD! Trata-se de um Show gravado ao vivo Royal Albert Hall (lotação é de 8000 pessoas), em Londres, onde a inglesinha arrasou! Imagine 8000 pessoas cantando com ela! Emocionante! Então a gordinha herdeira dos Beatles chorou e com ela o público inteiro. E não duvide que você poderá chorar também! Não há quem não se se apaixone por essa artista. Wonderful! Très joulie! Simplesmente genial!
Pouco conhecida no Brasil, Adele é ganhadora de 8 Gremmy Awards com apenas 27 anos! Nascida Adele Laurie Bule Adkin, a cantora é uma londrina, loirinha, gordinha, muito bonita, com os cabelos à moda dos anos 50, com as pontas viradas para cima e bem comportada nas suas vestes, tal qual, uma velha novidade que se vê em ábuns de fotografias dos anos 50, 60, (caberia muito bem num filme de Elvis Presley!). Mas a sua voz belíssima, os acordes dos violões, e principalmente os solos de pianos em algumas músicas são a última coisa da modernidade fonográfica. Parece um contra-censo, mas sugere, e muito, uma volta no tempo! Imagine uma pop star bem comportada, ligth, assim como iniciaram os inocentes Beatles- e no entanto com canções vigorosas, tal qual os trabalhos dos meninos de Liverpool. E não sem razão que seu último Cd, pela primeira vez na Inglaterra, depois da era Beatles alcançou tanto sucesso quanto a banda liderada por Lennon e Mccartney. Destaque para a canção "Someone like you" chegou ao primeiro lugar das paradas de sucesso no Reino Unido, enquanto o álbum também permaneceu como número um no país. Na canção “Rolling in deep” sente-se muito a influência dos Beatles. Aliás, quase todo disco. Quem só a ouviu e nunca a viu no vídeo, imagina-a -com certeza- uma cantora ao estilo da rebelde Amy Winehouse- dona também de uma voz poderosa-quase todos pop-stars, carregados de tatuagens e de outras irreverências! Mas, Adele, nem de longe sugere qualquer rebeldia e muito menos, a apologia às drogas, ao álcool! Aliás, está passando da hora dos influenciadores de opinião (todos artistas, inclusive) serem normais, se vestirem sem agressões, se portarem como cidadãos comuns. Ser simples é tão bonito e bem possível de ser imitado. Quem está investindo nessa nobre artista é tão genial quanto a própria! Adele é um fenômeno! Exercite, pois, leitor, sua inteligência: reviva Beatles, reviva os melhores momentos de sua vida! Ouça Adele: simplesmente belo!