quarta-feira, 14 de agosto de 2013

        
          
Você se lembra de Ronald Biggs?

Por Tadeu Nascimento

                   Li num dos portais da Internet que Ronald Biggs comemora hoje, 08 de agosto,  50 anos de seu assalto a um  trem pagador de Londres. Biggs que cometeu o audacioso roubo no dia do seu 34° aniversário. Com 15 comparsas levaram 2,6 milhões de libras, que era uma grana pra sapecar elefante! Foi o maior evento midiático da Inglaterra de 1963. A opinião pública ficou fascinada por aqueles bandidos geniais e misteriosos. Mas todos foram presos. Biggs, no entanto, acabou fugindo da penitenciaria e se refugiou por 5 anos na Austrália, e depois mudou-se  em 1974 para o Rio de Janeiro e ali viveu, de "papo pro ar" por 31 anos. No mesmo ano, foi encontrado pelo jornal Daily Express no Rio De Janeiro. O repórter Colin MacKenzie recebera informações do paradeiro de Biggs, e os detetives da Scotland Yard  não tardaram a ir em seu encalço. No entanto ele não poderia ser extraditado, pois na época não havia compromissos recíprocos ou tratados de extradição firmados entre o Brasil e o Reino Unido.
                       Biggs, "de férias" na cidade maravilhosa, amancebou-se com uma esfuziante mulata,  dançarina de boate de nome bastante sugestivo, Raimunda de Castro e com ela teve um filho que o batizaram de Michael (Mike).  Mike viria a ser um dos meninos do grupo infantil Balão Mágico ( juntamente com Simony, Jairzinho, filho do cantor Jair Rodrigues) que fez muito sucesso no anos  80 o que acabaria trazendo uma fonte de renda para o pai. Biggs virou uma espécie de atração turística, uma parada obrigatória para artistas e celebridades em visita ao Rio. Até o paranormal Uri Geller, um israelense famoso por supostamente dobrar talheres com a força do pensamento, procurou Biggs com uma ideia para que ele o ajudasse, em um quadro de ilusionismo, em que Geller faria um trem desaparecer. Biggs, na época com a perna engessada devido a um tombo, respondeu: "Vamos ver se você é bom mesmo, Uri: conserte minha perna agora!" Seu status de foragido lhe rendeu grande fama e Biggs passou a frequentar capas de revista e não mais que de repente, seu rosto tornou-se estampa de camisetas por todo o Rio de Janeiro. E por 50 dólares poderia almoçar, tirar fotos, bater um papo com o maior assaltante da história que, aos olhos do irreverente carioca, se tornara uma celebridade!  Todo carnaval, o simpático Biggs surgia ao lado de belas mulheres ou de personalidades  da elite carioca.  Tornou-se uma espécie de play boy sem grana. Mas um dia a casa caiu.  Em 1990, Biggs foi sequestrado por um grupo de caçadores de recompensas que o levaram para o arquipélago de Barbados na América Central. Lá o sequestro foi desbaratinado e Biggs achou brechas na lei e acabou voltando para o Brasil. Escapolir-se  mais uma vez e agora de profissionais a mando do governo inglês o transformou em um anti-herói ou no mínimo, em um ladrão que deu certo. Engraçado, o povão sempre tem fascínio por esse modelo de bandido! Vide a história Lampião, o rei do cangaço! O leitor não se lembra de Leonardo Pareja que causou o maior "frisson" na mulheril de Goiânia, inclusive, recebendo visitas femininas na cadeia?
                    Em 1998, Biggs sofreu um derrame, que afetou sua fala. Foi o início de uma série de problemas médicos. Logo entrou em depressão. Em novembro de 2000, Mike encontrou o pai desacordado no banheiro, com os pulsos cortados.
"Foi aí que ele decidiu voltar à Inglaterra e se entregar", afirma Pickard. "Biggs estava falido, sem dinheiro, e sofria muito com o fato de seu tratamento estar custando tanto à família."
                   Biggs vendeu os direitos de exclusividade da cobertura de sua rendição para o tabloide inglês "The Sun", por, diz-se, 20 mil libras. Na época, a imprensa britânica disse que Biggs havia se entregado porque queria voltar ao país que amava. Chris Pickard, seu biografo, discorda: "Foi uma decisão financeira. Ron ( Biggs) estaria perfeitamente feliz vivendo até o fim da vida no Brasil".
Ronald Biggs ficou preso na Inglaterra de 2001 a 2009. Nesse tempo, sofreu diversos outros derrames. Acabou libertado devido à sua condição física.
                  Ele não tem muito tempo de vida e sabe disso. "Só quero viver meus últimos dias em paz. A liberdade é o maior prêmio que recebi", disse, na coletiva. "Meu último desejo é que minhas cinzas sejam divididas entre Londres, Austrália (onde vive sua primeira mulher e dois filhos) e Rio de Janeiro." Mas Biggs disse essa semana que tem muita saudade do Rio e gostaria de viver seus últimos dias na cidade maravilhosa.
Seedorf
E se o Botafogo for campeão e se cair neve no sertão 

Por Tadeu Nascimento 

                              
                               Nos meados da década de 80 o cantor Francis Hime,  gravou a música "E se" (de autoria dele e de Chico Buarque) onde  faz gozações com os fatos impossíveis ou quase.  E aí, ele pega o time da estrela solitária: "E se cair neve no sertão"/ E se o Botafogo for campeão. Pois, não há de ver, leitor,  que pouco anos depois tiveram que engolir o próprio verso, pois o Botafogo foi bi-campeão carioca 1989/90 e depois campeão brasileiro de 1995- série A.  A letra capciosa da canção faz alusão aos 21 anos que alvinegro carioca não erguia qualquer taça. 

                                   Depois de 13 partidas, um terço do campeonato brasileiro de 2013 o Botafogo está na ponta, juntamente com o Cruzeiro, com 25 pontos. O time mineiro está à frente, por saldo de gols. Mas em que pese os caprichos dos deuses do futebol, tudo conspira a favor do alvinegro carioca. Até na numerologia: a somatória de 1995, o ano que o Botafogo foi campeão brasileiro (1+9+9+5= 24 que por sua vez somados, 2+4 = 6)  e o ano de 2013 ( 2+0+1+3= 6). Os dois resultados redundam em 6! Eis, o que diz a ciência da numerologia. Outra passagem cabalística: Botafogo versus Flamengo, ano 1989. Botafogo, 21 anos sem ganhar nenhum campeonato. Mas com os deuses do futebol não se brinca: aos 21 (olhe a repetição dos 21!) minutos do 2º tempo! Em que data? Ora, no dia 21 de junho de 1989!  O baixinho Mazolinha , que calça chuteira nº 36, cruza para Maurício balançar as rede: 1x0 e o Botafogo campeão!  Pra quem não acredita, é bom lembrar de um outro fato, o do "Tri-campeonato da Seleção Brasileira" que é bastante curiosa: a somatória dos dois anos nos quais o Brasil sagrou-se campeão, diminuindo-se do ano em que perdeu em casa, em pleno Maracanã, resulta no Brasil Tri-campeão (1958+1962= 3920-1950= 1970).  Se não bastasse, o Brasil, na campanha para o "TRI", em 1970, no México,  enfrentou na 1ª fase a Tchecoslováquia, Romênia e Inglaterra. Exatamente nesta sequência. Pois não é que as iniciais desses 3 países formam a palavra "Tri"! Então, caro leitor, não é sintomático, o futuro do Botafogo em 2013? Sem contar que o alvinegro é o campeão carioca de 2013. E ainda está disputando, com grandes chances, a Copa do Brasil.   

                                Mas não é só isso: o Botafogo conta com um time organizado. Tem um goleiro de seleção, uma defesa firme, um meio de campo criativo com Gabriel, Lodeiro (da seleção Uruguaia) e Seedorf  (ex-Milan e ex-seleção da Holanda) e no ataque  Vitinho (um garoto de 18 anos, que segundo o mestre Zagallo, será um novo Jairzinho) e Rafael Marques que finalmente resolveu  dizer a que veio.

                                Seedorf. Capitulo à parte. O atleta negro precioso. Um diamante negro do futebol do 3º milênio. Grande jogador. Líder em campo. Mais que um homem simples e educado; ele é elegante. Tanto dentro das 4 linhas, quanto nas linhas gerais da vida.

                                Agora, como nada é perfeito nesse mundo- muito menos no mundo futebolístico- esperamos ter muita sorte com a arbitragem, pois o Botafogo sempre teve contra si a leviandade dos juízes. Certa vez, em 1981, jogando uma semi-final contra o São Paulo, fora de casa e o alvinegro, ganhando por 2x0, o homem de preto, ao 45 minutos do 1º tempo, marcou penalt inexistente pró São Paulo: Serginho Chulapa se jogou na área. E no 2º tempo pressionaram tanto, inclusive com invasão de campo e  inversões  de faltas a favor do time paulista, que resultou na vitória  do São Paulo, que o credenciou para jogar a final contra o Grêmio, naquele episódio em que o Serginho Chulapa foi expulso por ter chutado a cabeça do Leão, então goleiro do time gaúcho.  E então os deuses do futebol castigaram o tricolor paulista e o Grêmio com o gol de Baltazar, que recebera um passe da ponta esquerda do ex-botafogo Renato Sá, sagrou-se campeão Brasileiro daquele ano.

                                "Sonhar não custa nada"- diz o samba-enredo de 1992 da Mocidade Independente de Padre Miguel- e  é por essa  razão, que continuo sonhando.

                                Então, mesmo que precise  cair neve no sertão, o Botafogo será o campeão brasileiro de 2013!

                                É a "Operação Botafogo rumo a Tóquio 2014".

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cajuzinho rasteiro do cerrado

  Gostosuras de minha infância


Por Tadeu Nascimento



                 De vez em quando a gente cai na armadilha da memória e arranca de lá coisas do fundo baú. Hoje , por exemplo, no café da manhã havia uma bandeija com bolos cortados em quadrados de cor verde. Acho que o verde é devido a anilina. Lembrei-me da Padaria Natal da minha pequena Rio Verde, ainda com 35 mil habitantes. Hoje sua população é quase 6 vezes maior. Na padaria vendia-se o famoso "bolo de 3 cores". De repente me dei conta que muitas coisas boas não existem mais. Assim como o bolo tricolor, não mais se encontram a brevidade e nem o sonho (com pedaço de goiabada; os que existem hoje são com recheio exagerado de doce-de-leite com trocentas mil calorias, e claro, muito  enjoativo). Havia também uma iguaria sem igual: a flor de côco. Evidentemente com côco, mas em lascas, com leite moça. Em Goiânia, uma senhora nascida em uma fazenda perto de Rio Verde , dona Felicidade Guimarães (que nome interessante!), ainda vende essa rara e pequena maravilha que é a flor de côco com leite moça. Sem exagerar é uma felicidade. Seu nome e endereço se encontram no Google. A flor de côco de Dona Felicidade tem sabor de infância. Vale a pena conferir.
                E a saudade de coisas boas não param por aqui. No Bar do Ney na mesma rua, vendia-se sorvetes artesanais, feitos na hora, de creme holandês, de creme de ovos, de ameixa. Todos feitos sob o girar de uma hélice de uma máquina que engrossava o creme. Sorvetes na casquinha ou na taça com colherzinha de alumínio. Comia-se (ou tomava-se, como se dizia) também com Coca-Cola (vaca preta) e guaraná (vaca amarela). Tudo maravilha! Picolés de groselha e os também de 3 cores. No Bar do Ida Proto, na Rua Rui Barbosa e depois na Rua Edmundo Carvalho, fazia-se o sorvete de nome "Delícia" sabor de creme de ovos com abacaxi. O sorvete "Delícia" era o fino do fino!
               No Bar do João Surdo (João Proto de Souza/ Confeitaria Zigue-zague) vendia-se um pudim que nunca comi igual: o famoso- pelo menos em Rio Verde- "Lambe o Dedo": oitava maravilha do mundo!

               Com as frutas aconteceram o mesmo. Na casa do Sr. Carrinho Cunha (Carlos Cunha Sobrinho) havia um "pé de manga Bourbon" cujas frutas tinham grandes manchas pretas na casca e eram uma gostosura só. Hoje não se vê mais mangas Bourbon com pintas... Na casa da Donana, em frente onde hoje é o Tiro de Guerra, haviam jaboticabas graúdas e  extremamentes doces.  As que que existem hoje ficam muito a desejar. Nunca mais degustei mangas e jaboticabas como aquelas. Quantos anos não como cajuzinhos do cerrado, não aqueles de cajueiros de 3 metros, mas refiro-me aos pés de cajuzinhos "rasteiros" de 60 centímetros de altura. Existiam milhares desses cajueirozinhos perto do aeroporto da cidade.
              Mas como tudo que é bom dura pouco, infelizmente o que era doce se acabou. Como disse o escritor João Guimarães Rosa: "a felicidade se acha em  horinhas de descuido!" Deveria, pois, ter-me descuidado mais!
              A gente só é realmente feliz quando menino. Pena que passou.
                                     
O hétero cantor Falcão

O Dia do Homem no Brasil



Por Tadeu Nascimento
                                                     

                               Hoje, 15 de julho, no Brasil, comemora-se o Dia do Homem. Ou deveria. Embora o Dia Internacional do Homem  seja comemorado no dia 19 de novembro. Não me cumprimentaram e também não vi ninguém cumprimentar qualquer homem pelo dia de hoje. Passou em branco. É certo e sabido que o dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março e que elas recebem flores, homenagens dos políticos, dos professores, dos apresentadores de TV, enquanto os homens recebem tão somente a indiferença. Desconhecem que, quem gasta grana e afeto com as mulheres, somos nós, os deletáveis  marmanjos. Pois então lanço aqui o meu manifesto contra essa injustiça.
                                     Aproveito esse momento de insatisfações, onde muitos dos manifestantes não sabem contra o que estão contestando e nem o que desejam afinal. São mais uma turma de rebeldes sem causa. E no meio desses, outros se agarram no modismo da rebeldia e aproveitam para dar o seu grito! O mais evidente:  o de se sair do armário! Onde, de certo, tinham algum relacionamento com cabides. Nunca neste país -como diria um certo ex-presidente- saiu tanta gente do armário. Não tenho nada contra, nem a favor, pelo contrário. Cada um vive como bem lhe aprouver. Por via das dúvidas, é bom reafirmar que não sou homofóbico! Mas que a coisa está estranha, não tenho dúvida. O ator José de Abreu (o Nilo, da novela Avenida Brasil), do nada, sem que ninguém o questionasse, resolveu sair do armário e jogar a chave fora. Acontece que a sua esposa veio a público garantir que Zé de Abreu é macho sim! Portanto, não se sabe em quem  acreditar, se no próprio ou em quem administra o pedaço mais importante do próprio.  Trata-se da era das incertezas: lembro-me do escândalo ocorrido há uns vinte anos que envolvia Chico Buarque e Daniela Mercury. A fofoca da época era a de que se apaixonaram e que esse "afair" foi a causa da separação do casal Chico Buarque-Marieta Severo. Nada anormal. Até então, pensava-se que que Daniela tinha queda por homens! E agora, nesse ano 13 do terceiro milênio, também, sem que ninguém  questionasse, vem a mesma Daniela Mercury, arrebentando a porta do armário, como se dissesse "Sou, mas quem não é"? E ainda, de mãos dadas com sua namorada, com quem  teve 15 anos de "amor I love you"! 

                                    É bom lembrar que as paradas gays no Brasil são coisa de menos de 20 anos. Pesquisando no Google encontrei que 1ª Parada Gay ocorreu em São Paulo em 1997. E se alastrou por todo o país.
                                    E o papo hétero continua. Felix, o personagem da novela "Amor à vida", quando foi descoberto pela esposa que ele era um extraditado de armário,  jurou voltar para o guarda-roupa, trancá-lo e dele nunca mais sair. Como disse, está tudo muito estranho. Vai chegar o dia que  você será apresentado a alguém e esse ser de sexo inimaginável há de perguntar-lhe se você  é do sexo normal, homo, bi ou tri sexual,  alternativo, genérico, tico-tico no fubá, metro-sexual (ou centímetro-sexual)! É, meu amigo, o mundo está virando gay!
                                    E se deixarmos, caro leitor hétero, nós que seremos os anormais. E quando isso acontecer, seremos humilhados, zombados e não poderemos nem servir o Exército! Ir ao estádio de futebol, nem pensar! Por falar em futebol, já pensou, daqui a pouco  os campeonatos brasileiros de futebol serão com jogadores gays! Com pernas depiladas, batom e esmalte!  E as  faltas? "Desculpa-me querida, foi sem querer!" E ainda pode acontecer, leitor hétero,  você  namorar uma "hétero" (não existe hétera), o que não seria um comportamento, digamos, politicamente correto.
                                    Daqui a uns dias, ser heterossexual (isso mesmo, com dois esses) é ser minoria. Se já não é! Se é assim, é bom que respeitem as minorias! E mais ainda, a última das minorias! Por conta disso, garanto ao leitor, que  logo teremos Paradas Hétero em todas cidades- mesmo que pequenas. E quem não for, você já sabe, pertence ao grupo de lá! O que acabaria provocando uma grande heterofobia! Eis o meu protesto!
                                   Diante da minha contestação, que é uma rebeldia com justa causa, convido todos os héteros (homens e mulheres, evidente),  para o dia 15 de julho do ano que vem para participar da 1ª Manifestação dos Héteros  de Goiânia, onde comemorar-se-á o amor ao sexo oposto! Onde também serão homenageados os mais eloquentes héteros do Brasil, entre eles os saudosos Vinicius de Moraes, Leila Diniz, Chica da Silva, o compositor e cantor Chico Buarque, os atores Paulo César Pereio, Jesse Valadão, o ex-jogador de futebol Paulo Cesar Caju, o cantor cearense Falcão ("Homem é homem, macaco é macaco, menino é menino, veado é veado..."), entre outros, regada a uísque, cerveja, amendoins, ovos de codorna, torresmos e outras comidinhas e, claro, muitos héteros afagos!
                                  Portanto,  não se esqueçam, dia 15 de julho de 2014, a 1ª Manifestação de Héteros de Goiânia, na comemoração  do  dia do Homem no Brasil!
                                   Estarei lá, mesmo que sozinho!
                                   Héteros do meu Brasil ainda varonil, essa classe não pode ser desunida!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Blue Jeans

Ave, blue jeans!

 Por Tadeu Nascimento 



    Se Jesus estivesse hoje perambulando por aí (perambulando no melhor dos sentidos), na certa estaria vestido com uma calça blue jeans e talvez com uma camiseta branca tipo Hering. Pois, é evidente que ninguém, em pleno século XXI,  se vestiria com os trajes do ano zero de nossa era. Pergunto então, qual seria a roupa que o mestre usaria no ano de 2013, depois dele próprio? Não dá pra imaginar Jesus de terno e gravata! Por sua natureza humilde, Jesus usaria uma roupa simples. Possivelmente um blue jeans. E pensando bem, o jeans é a roupa mais interessante que existe. A mais simples, a mais democrática, pois tanto o pobre quanto o rico fazem dele a sua segunda pele. Talvez porque a calça jeans e camiseta branca sejam a expressões maiores das palavras liberdade e simplicidade.

                 Num outro sentido, o binômio jeans e camiseta talvez seja uma espécie de resposta aos conservadores de terno e gravata que se enclausuram nos escritórios das grandes cidades, visando grana. Uma espécie de provocação inconsciente. Se existisse o blue jeans à época da Revolução Francesa, certamente seria o traje- também inconsciente- dos sans-culottes (revolucionários que auto se denominavam os sem culotes, pois culotes eram as calças apertadas usadas pelos nobres da corte), pois encaixaria perfeitamente como roupa de batalha contra a nefasta nobreza. Uma bandeira pró-igualitarismo. Mas sem o cunho do comunismo. Liberdade por liberdade.


                 O sociólogo norte-americano Daniel Akst escreveu em 2009, no Wall Street Journal, que o blue jeans é uma profunda contradição de um aspecto da sociedade ocidental, sobretudo da burguesia: "Como é possível que a burguesia se vista de um modo que não representa o que ela é?" Mas é justamente, o contraditório que a juventude busca. Uma rebeldia contra a própria burguesia. É do próprio veneno que se produz o antídoto. E foi sempre assim. A Revolução francesa não fora feita pelos burgueses? Pois bem, a calça jeans e camiseta branca seriam a "personificação" do legado francês "Liberté, égalité, fraternité". O mesmo Daniel Akst, afirma no mesmo artigo que "há uma linha direta entre a queda da Bastilha e o blue jeans". Eis, a grande sacada desse sociólogo!


                 Fica ainda uma outra análise sobre essa calça azul com rebites: o de contornar, mais do que qualquer outra roupa, o corpo da mulher. E até a do homem. A capa do álbum dos Rolling Stones, lá por volta de 1975, traz um rapaz, talvez Mick Jagger, pois não aparece o rosto, dentro de um jeans desbotado, bastante apertado, revelando o volume de suas partes íntimas. Marylin Monroe, em 1946, aparece num painel publicitário vestindo um blue jeans com o umbigo à mostra, moda que fixaria 50 anos depois. E a moda do blue jeans pegou. E ficou. E eis que se tornou um dos maiores símbolos do século XX. E continua sendo, no atual século.


                Quem nunca teve uma calça jeans? Quando aqui chegou a famosa calça Lee, foi como uma febre contagiosa! No início, só playboy filho de barão usava.  Mas nas telas de cinema surgiam James Dean e Marlon Brando lançando moda para o mundo inteiro. Mas eis que chegaram os Beatles. Pronto, o blue jeans entra para calçada da fama. Desde então foi o sonho de consumo de toda a minha geração! E o índigo blue virou até versos de músicas: “.../ a velha calça desbotada ou coisa assim... ('Detalhes' de Roberto Carlos)”. Fiquei imensamente feliz quando minha mãe deu-me uma. E eu a vestia como se eu fosse um beatle, mas infelizmente roubaram-na no varal. Depois veio a calça Lewis, ainda mais bonita. Roubaram-na também. Contudo, podem continuar me roubando que não abandonarei a simpática e revolucionária calça azul com rebites, pois mesmo hoje, com os meus cabelos gris, continuo usando o bom e universal blue jeans.


               Quer ser diferente? Seja como todo mundo, use jeans!

domingo, 9 de junho de 2013

Alexandre, o Grande e seu cavalo "Bucéfalo" na tela de cinema
O cavalo na história, na literatura e no cinema


 Por Tadeu Nascimento

                 O cavalo, além de ser um dos animais mais belos da natureza, teve um papel importante na história. E não menos que isso, na literatura e no cinema. E muitos se tornaram famosos. Alexandre, o Grande tinha o seu que ele o batizou de "Bucéfalo" e o romano  Calígula, o quarto César, tinha o "Incitatus" que o imperador queria nomeá-lo cônsul, mas Calígula morrera antes! Napoleão Bonaparte tivera vários, mas os principais foram o "Blanc" que não era branco (por isso a pegadinha: Qual a cor do cavalo branco do Napoleão? Claro, a resposta é: Blanc!) E o "Vizir", presente de um sultão na sua campanha no Egito. "Vizir", que significa príncipe, levou o imperador de Paris a Moscou na guerra contra Rússia em 1812. Assim como o levou, o trouxe daquele distante país, numa temperatura de 60 graus abaixo de zero.
                Na literatura, o magricelo Dom Quixote montava o seu também esquelético "Rocinante". Na literatura gibiniana, o Zorro americano tinha o "Silver", enquanto o seu companheiro, o índio Tonto, montava o malhado "Escoteiro". Já Dom Diego de Las Vegas, o Zorro mexicano tinha o belíssimo cavalo negro, "Tornado". Lembra-se, o leitor, do Zorro, no recente filme no cinema (depois na TV) interpretado por Antônio Banderas em seu negro e imponente cavalo? Diga-se de passagem que Zorro mexicano, além de original, era infinitamente melhor do que o Zorro americano. Tanto nos quadrinhos, quanto nas telas de cinema ou na telinhas de TV.
               O pacato médico Dr. Robledo que virava o "Cavaleiro Negro" , tinha um pangaré que, enquanto o seu dono se transformava em herói mascarado, ele se transformava no fogoso "Satã"! Quem não se lembra do herói "Fantasma", o "Espírito que anda", que vivia nas profundas florestas de Bangala, fictício país africano, tinha o seu cavalo "Herói" e o seu cachorro "Capeto", além da namorada "Diana Palmer", funcionária da ONU? Nas telas do cinema em " O último pistoleiro" John Wayne montou no seu imponente "Dólar". E ainda não se deve esquecer do imenso cavalo de madeira, famoso presente de grego, criado por Homero na sua obra monumental, "Ilíada", que ficou para sempre.
               Já nos desenhos, o "Pica Pau" tinha como seu amigo o cavalo "Pé de Pano". Só que, quem montava sobre o outro era o "Pé de Pano"! E ainda existia- tanto nas telinhas quanto nos gibis- o Pepe Legal. Criação genial da dupla Hanna e Barbera. Pepe era um bom e engraçado cavalo mexicano e tinha como companheiro o burrico "Babalu". Assim como havia o Zorro de capa e espada, havia também o "El Kabong"de capa e violão. Então, quando Pepe Legal ficava com o seu auter ego "inflado", ele se transformava no justiceiro mascarado, o "El Kabong". Como disse, sua arma, ao invés de um uma espada ou mesmo um revolver, era um violão que também tinha nome: "Kabonger"! E o El Kabong com seu Kabonger, não havia vilão que resistia, pois o justiceiro quebrava o Kabonger na cabeça do seu desafeto. O nome Kabong é pelo barulho do violão quebrando (e as cordas se arrebentando) nas cabeças dos seus desafetos: kaboooooong! Acredito que ainda exibem na TV esse herói das crianças, assim como acredito que ainda existe o gibi do simpático e inocente "Pepe Legal".