quinta-feira, 5 de agosto de 2010


Duas estrelas: a minha e a do Botafogo


Por Tadeu Nascimento


Feliz no jogo, infeliz no amor (e vice-versa) é um dos mais conhecidos ditos populares. Não tenho que concordar com essa máxima. O Botafogo, time do meu coração, já fez o diabo comigo. Pra começar, ficou 21 anos sem ganhar um campeonato e só conseguiu tal façanha- depois de um longo jejum- graças a uma obra cabalística: no dia 21 de junho de 1987, aos 21 minutos do segundo tempo, justamente contra o seu arqui inimigo, Flamengo. Imagine o leitor, se realmente prevalecesse essa máxima, eu não teria- justamente na época que o Botafogo não ganhava nada, uma filha- única- que amo tanto, cuja mãe, é torcedora- advinha de que time- do Mengão, claro.
A vida tem sido assim. O Botafogo foi finalista do Campeonato Carioca nos 5 últimos anos e ganhou apenas um. E tal qual o meu time, eu quase fui feliz nestes 5 anos. Estou me referindo a minha vida particular. Quando iríamos (o Botafogo nos gramados e eu na vida) passar a mão na taça da felicidade, vem o destino e chuta a bola na trave, ou o juiz apita falta, ou uma bandeirinha exibicionista- que sairia na Playboy- ergue a famigerada bandeira, coisas que impedem de sermos felizes.
A minha estrela e a do Botafogo, andam quase sempre apagadas. Ás vezes, uma labareda vem iluminar o nosso caminho. O botafogo já foi rebaixado (2002)- pra Segundona do Brasileirão- ou quase, por muitas vezes, como no ano passado. Eu- nem é bom falar-, vivo sempre tentando me manter na primeira divisão do meu campeonato particular. Às vezes caio também. Aliás, o Botafogo e eu, infelizmente, sofremos a síndrome da perseguição: "tem coisas que só acontecem com o Botafogo" e, claro, comigo. Sempre achamos que somos injustiçados- pra não falar, ludibriados. Mas o que fazer? O cidadão muda de cidade, de país, de mulher, de até de sexo, mas não muda de time.
Coincidência ou não, a estrela sempre foi característica dos perseguidos: os judeus tinham como o símbolo uma estrela de 5 pontas, a de Salomão, como a do alvinegro carioca. Depois, com a perseguição de Hitler, os judeus adotaram (na sua bandeira) uma seis pontas- acho que é por mais um sofrimento-, a estrela de Davi. Se o Botafogo fosse um time israelense, teria sua sede ao lado do Muro das Lamentações e seria trapaceado pelos times do Hamas, do Hezbollah, ou do Fatah, sei lá! Só ganharia dos Kibutz Futebol Clube que seria o Vila Nova deles. O Botafogo e eu somos totalmente passionais. Vivemos de ilusões. Mal surge um razoável jogador, ou ganha uma partida de um time de renome, pronto, somos os melhores do mundo! Lotamos os estádios, vestimos a camisa do time, contamos vantagens mil. Basta uma derrota para um time pequeno e logo caímos na real. Na vida pessoal, não é diferente, quando entendo que tudo está bem, eis que cai um chuvisco que se transforma em tempestade, o teto desaba e o sonho acaba.
Botafogo Futebol e Regatas. Há muitos anos, ouvi de um comentarista esportivo que deveriam excluir o sobre nome Regatas- pois se o Botafogo é o clube mais supersticioso do Brasil, "a diretoria do clube deveria entender que o azar do time está no prefixo 'Re' que puxa as 'gatas' para trás e isso não é legal! Daí a sina de ser re-bai-xa-do, ou quase. Acho,- defendia ele- que se mudassem pra Posgatas ou Progatas, cabalisticamente o Botafogo seria o maior de todos"- Faz sentido.
Pra terminar, estive no Rio de Janeiro em junho de 2009. Final do Campeonato Carioca. Botafogo x Flamengo. Uma voz sobrenatural (talvez de algum parente meu Almeida) ou a minha insegurança, aconselharam-me a não ir ao Maracanã. Não fui. Dito e feito: o Mengo foi campeão e o Bota, vice. E bota vice nisso! Pela terceira vez consecutiva! Mais uma vez, quase feliz. No céu do Rio estouravam foguetes e rojões! Me senti um idiota, por torcer para um time que tem vocação pra ser vice. Vice é pior que ex-namorado, ex-marido. É algo parecido com ex-corno. Ex-corno não existe, mas o cidadão antes de ser corno, poderia ter sido feliz um dia, mas vice nunca é feliz; é um ser que existe-não-exite! Serve pra quê? A gente nunca se lembra de quem foi vice de qualquer coisa! O Brasileirão/2010 está na 11ª rodada campeonato e o Botafogo se encontra na faixa do rebaixamento (escrevo esta crônica no dia 30 de julho). Lá vai o Tadeu para o mesmo destino! Mais uma vez. Mas um dia, o Bota vai ser muito feliz e eu também. Como viu o leitor, sou um otimista!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Amar é... cair de quatro
Por Tadeu Nascimeno


Os amores, por mais desastrados que foram nas nossas vidas, são muito importantes, posto que ocupam nossas lembranças. Uns mais, outros menos. Com eles aprendemos, choramos, tivemos filhos, tivemos grandes momentos, brigamos, também fizemos as pazes, viajamos, nos entregamos de alma, nos separamos, nos distanciamos, nos... até nunca mais, seja feliz. Quis o destino que seria preciso passar por todos esses amores. Fico a imaginar, quando o sol das nossas vidas baixar na linha do horizonte; quando a morte estiver batendo nas nossas portas, eu me perguntaria: o que foi feito de fulana? O que ela estaria fazendo hoje? Ela estaria mais gorda? Ela se cortou nos cabelos? Será que se envelheceu, tanto quanto eu? Será que ela sabe, se eu ainda existo? Será que ela sabe que padeço do diabetes? Será que guardou mágoas de mim, ou será que não tive importância alguma na sua vida? E de Beltrana, que acabou com o nosso relacionamento para se casar com outro, e que passou a viver às turras com o marido, será que ela o deixou? Mudou-se para Paris? Jurava ela que não morreria antes de morar, pelo menos um ano, em Paris? Nunca mais, tive dela notícias. Como era bela! E o que foi feito daquela que eu tinha absoluta certeza que eu enlouqueceria sem o seu amor? E ainda daquela outra que achava que eu seria último homem da sua vida e que- no entanto- me trocou por outro 5 anos mais novo e que dias depois ela também foi trocada por uma, 10 anos mais nova? Eu sei, isto acontece com todo mundo.
Ficção à parte, não me arrependo de nenhum relacionamento, aliás, sou eternamente grato. Peço sinceras desculpas pelas faltas cometidas- que não foram poucas- Por ação ou por omissão. Sei que a vida é um sopro de tão rápida e que é preciso que sejamos intensos- isto, sei que fui- senão os relacionamentos morreriam rapidamente por inanição e não teria sentido esta crônica. Para viver um grande amor não é só preciso ser um bom sujeito, ter muito peito- peito de remador- como dizia Vinicius de Moraes, mas também é preciso cair...cair de quatro e é por isso que os meus joelhos (e o coração) estão sempre escalavrados! Por mais que sejamos ridículos (o amor é ridículo), cafonas (o amor é brega), tolos (o amor é insano) e que acabemos dando com os burros n'água, os amores são inesquecíveis.
Quem, caro leitor, honestamente, não se lembra de alguém que um dia mexeu com a sua vida? Não muito raro, amores se reencontram décadas depois, já avôs e avós, e que se acertam e misturam as suas intimidades já bastante conhecidas, num gesto de uma nova promessa de amor para sempre.
Reencontros. Imagine você admirando títulos de livros através de uma vitrine de um shopping e de repente, reflete no vidro a imagem de alguém que um dia você se entregou de corpo e alma e rapidamente você se vira como tivesse levado um choque de 220 volts e os seus olhares se cruzam e ela o cumprimenta sem graça, com um "oi, tudo bem?", e você, com a voz embargada, repete a mesma pergunta e acabam sem saber como estão porque apenas se perguntaram e não se responderam nada. E você fica sem chão o resto da noite; fica fora do ponto e atônito, sua mente navega num passado que gostaria que não estivesse. Anda alguns passos bem medidos e se vira para trás, justamente quando ela também volta o rosto e depois de flagrados os olhares, baixa a cabeça e vai tomar um chope para acalmar o coração (pra isso, serve o chope). Parece que ainda existe uma pequena chama que só faltaria alimentá-la. Gostaria de perguntar tantas coisas, de dar um abraço apertado, talvez um beijo, mas a distância que se perdeu no tempo, impede. Votam a caminhar em sentidos opostos. Fatos como esse, são os que nos levam a nos perguntar sobre as pessoas que passaram pelas nossas vidas e que servem para confirmar que foram muito importantes. Que bom que inventaram o chope!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cinturinha de Pilão


O sexy appeal das mulheres

Por Tadeu Nascimento

Falemos da atração feminina, falemos do sexy appeal das mulheres. Sexy appeal são nuances de atração entre humanos. Atração que se baseia em muitos detalhes como na visão, no odor, nos pequenos e sutis sinais como a voz, o movimento de cada um. É quando alguém exala sensualidade. É o que muitas vezes entendemos por tesão.
A química da atração é um mistério. Pode ser por um corpo num todo ou por uma parte específica deste. Tem homens para todo tipo de tesão. Há quem tem atração/tesão por pés. São os chamados podólatras. Esses fazem apaixonados discursos enaltecendo o tamanho, a delicadeza, o formato, os detalhes das unhas de um par de pés bem cuidados. Outros, por nádegas grandes (seriam nadególatras ou bundólatras?). Existem os que são atraídos por saboneteiras- dos ombros- que só existem em mulheres magras. Há quem defende teses sobre o sexy appeal que possuem as mulheres de peiadores (tornozelos) finos. Quando menino, ouvi muitas vezes os mais velhos dizendo "Nada melhor que uma cabrochinha de 'piador' fino!" ou ainda "Dou uma fazenda por uma mulata de 'piador' fino!"" Esses obcecados por essa parte final das canelas, viajam na batatinha imaginando o poder da libido dessas mulheres. Outros, ao contrário, deliram por mulheres que tem o sexy appeal nas pernas torneadas e roliças. Tem aqueles que se vem enroscados num par de pernas de uma mulher magra e esguia como uma gazela. Muitos sucumbem diante de um par de seios com bicos apontados pra lua ou ainda por um colo de seios bem harmonioso. Conheço um cidadão que perde o rumo quando vê uma escurinha e quanto mais caída pra negritude, mais se desorienta; assim como há que tem tesão por gordinhas; por mulheres com cabelos tipo Joãozinho, bem curtinhos. Há também quem é chegadinho a mulheres com bocas grandes. Quando cursava universidade, tive um amigo que tinha frisson por axilas. Para ele, certas mulheres tem o sexy appeal debaixo dos braços. Ele se justificava dizendo que a axila tem o formato que lembra o órgão sexual feminino. E ele realmente não tirava os olhos das axilas às mostras, de qualquer mulher que estivesse próxima, principalmente se a mulher tivesse as axilas depiladas há poucos dias. Outro conhecido, tinha tesão por mulheres com sardas. "Por mim, todas mulheres deveriam tomar banho de sol com peneira para se enfeitarem com sardas!"-, brincava. Vai entender os homens!..Tem gosto pra tudo e pra todos.
Mulheres com cinturas finas. Não há quem não admire e não se desconcerte. Mulheres com esta anatomia- tem um par de covinhas um pouquinho acima da região glútea e tal qual as formigas, tem nádegas empinadas, arredondadas e perfeitas- Cinturinhas finas também chamadas de pilão elevam a testosterona a níveis insuportáveis e provocam quase sempre doloridos torcicolos, alucinações e principalmente insônias nos machos convictos, garantem os bundólatras. A bem da verdade, as mulheres que mexem com a nossa libido e que nos fazem suspirar, trazem-nos felicidade e dão sentido às nossas vidas. Amém.

quinta-feira, 15 de julho de 2010



O vendedor de algodão-doce

Por Tadeu Nascimento


Já vem de alguns anos, a obsessão do empresário Eike Batista em ser o homem mais rico do mundo. Para ele a felicidade passa pela vaidade de ser o homem mais cobiçado do planeta. Não pelo que é, mas pelo que tem. Problema dele. Pragmático, não se importa se dele querem só o dinheiro. Aliás, grande parte sua riqueza material é herança de seu pai Eliezer Batista, presidente da Companhia Vale do Rio Doce, na época da ditadura. Ex-esposo da linda Luma de Oliveira, Eike viu o poder de sua grana, ser rebaixado às cinzas, quando Luma o traiu com um simples policial do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Pior ainda quando, meses depois, ela desfilou na Marquez de Sapucai, - mais uma vez semi-nua- com uma coleira no pescoço, escrito Eike, sugerindo perdão e submissão ao marido traído. O mundo todo viu tamanho mico. Problema dele. Divorciaram-se. Em 2008, Eike numa coletiva à imprensa, disse que no ano seguinte, seria o homem mais rico do mundo. Os fiscais da Receita Federal, diante de tamanha exteriorização de riquezas, fizeram-lhe uma visitinha que lhe causou uma pequena dor de cabeça e algumas multas de alguns milhares de reais. Neste caso, não se tratou de um simples mico, mas de um King Kong. Problema dele.
Eduardo de Tal, anda- à noite- a passos largos, quase correndo, carregando como quem carrega um estandarte, um tubo de PVC cravado de palitos com algodão-doce coloridos envolvidos em saquinhos plásticos que ele vende pelo simples valor de um real, a unidade. Com um pequeno boné que protege a sua cabeça de senhor de meia idade com poucos cabelos, da friagem da noite, atravessa boa parte da cidade, a pé, vencendo 15 kms na vinda e outros tantos para voltar para sua pequena casa escondida, perto do trevo que dá destino à Inhumas, além de outras distâncias indefinidas de bar-em-bar. Uma versão urbana e atual de Dom Quixote. Faça frio ou chuva, o nobre guerreiro de açúcar- sem se derreter e sem se render- percorre os bares de Goiânia a vender doçura. E o mais interessante, a venda não é para crianças, mas para adultos, quase sempre para mulheres. Se não bastasse tanta singeleza, traz sempre no bolso da camisa dezenas de "santinhos" com dizeres religiosos que não são mais que convites para se interagir com Deus que ele distribui aos seus clientes. É de se perguntar: como este pobre homem, vive sempre a sorrir? Com que força tem este pobre andarilho-vendedor que percorre- de bem com a vida- os quatro cantos do Setor Oeste, do Marista, do Bueno às vezes, nas horas altas da madrugada?
A princípio, parece um pobre coitado. Não o é. Eduardo é apenas um homem simples, humilde, que estampa na face um sorriso imenso de causar inveja. Acho que este é o seu único mal- se realmente causa. Eduardo não tem problemas existenciais, não corre o risco de sequestro, não paga duplicatas, não tem cheques pre-datados a cobrir e tampouco, recebe cheque sem fundos e o melhor, não tem o fisco como algoz. Sempre que o encontro, faço-lhe a mesma pergunta:
-Meu amigo, você ainda é feliz?
E ele, me reponde com um sorriso largo:
-Felicíssimo!
E com esta certeza fica, para mim, mais evidente que precisa-se de muito pouco pra ser feliz!

quarta-feira, 7 de julho de 2010


Johnny Depp e suas tatuagens


Até que o raio laser nos separe

Por Tadeu Nascimento



É sabido que a cirurgia plástica tem muito contribuído para beleza das mulheres. Nada contra. Todavia, sempre fui adepto às coisas naturais, principalmente as que se referem ao corpo humano. E tudo que força a barra, me intriga. As tatuagens e os piercings, por exemplo. Outro dia, vi uma mulher, cujo corpo, lembrava mais uma das pinturas de Salvador Dali. Quando ela se sentou e cruzou as pernas, a tatuagem que trazia em uma das pernas, causava a impressão de um relógio se derretendo. Na nuca, uns dizeres que eu não sei era em grego, japonês ou em dialeto africano. Sem contar que pendia três argolinhas em uma das narinas; nas orelhas, dois enfeites que pareciam duas rolhas enfiadas nos lóbulos. Imagino- melhor nem ousar- o que se poderia estar grafado ou incrustado no resto corpo que ficava por debaixo dos panos. E para completar, um par de olheiras roxas que sugeria que era filha de Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro. Uma agressão ao bom senso. Quem conhece a banda de rock Sepultura, sabe que seus componentes são todos tatuados com as figuras mais horripilantes, inclusive com a figura do demo. Há quem goste de uma borboleta, um beija-flor ou uma rosa, em tamanhos delicados, tatuados no corpo. Tudo bem, estou até acostumando, mas ainda prefiro a pele imaculada. Acho- não, tenho certeza- que estou ficando muito careta!
Quais são as razões dessas agressões ao próprio corpo? A internet está cheia de fotografias de pessoas estranhas que cometem tais atitudes. Outro dia, entrando no elevador, todo distraído, dei-me de cara com um casal- suponho, de namorados- ambos, com dois chifrinhos sob a pele da testa, tal qual, "o coisa ruim" que habita as profundezas. Nas costas de ambos, inúmeras tatuagens. Os cabelos coloridos dela, sugeriam uma homenagem as araras brasileiras; os dele, aos índios moicanos (cabeça raspadas nos lados). Passado o susto, me perguntei: o que estes dois seres estranhos querem mostrar? Agredir a sociedade? Rebelar-se contra o quê? Mais um casal de rebeldes sem causa ou seria uma resposta ao mundo, por serem filhos de pais separados? Os pais não estiveram presentes para educá-los? Faltou amor? Lar desajustado? Por que muitas das tatuagens são feitas nas costas, na bunda, na nuca, se os próprios tatuados não conseguem vê-las? Outros, vão mais além, tatuando quase o corpo todo! Aliás, sempre me pergunto, quando me surge alguém assim: por que uma moça tão bonita estragou a sua pele desse jeito?.. O leitor, já imaginou, se a tatuagem fosse obrigatória a todos os humanos? Isso me remete aos versos de "Disparada" de Geraldo Vandré: "Porque gado a gente ferra/... mas com gente é diferente..." Qual o prazer em suportar tais desenhos picotados, se não temos pele grossa dos bichos? Não posso acreditar que seja simplesmente, modismos. Que me respondam os psicólogos e psiquiatras!
Há poucos dias vi- creio que na Uol.com, ou na Glogo.com- um rol de pessoas que se submeteram a raios laser, para tirar de seus corpos, tatuagens de desafetos que num passado próximo, foram seus amores "ad eterno". Como fosse possível, apagar parte do passado. Neste caso, não se trata de agressões ao corpo e a sociedade, mas de atos impensados que quase sempre, resultam em grandes enganos. Mal gosto à parte, a cantora brasileira Kelly Key deletou- através de raio laser- da panturrilha, a cara do cantor Latino. O artista que havia também jurado amor absoluto pela parceira e com ela teve uma filha, retribuiu o gesto na mesma dose. Mas assim que começou a namorar o empresário Mico Freitas, Kelly fez uma homenagem ao novo namorado, no pescoço. A atriz Débora Secco, tirou da pele- também com ajuda do laser- o nome de Falcão- que também tem várias tatuagens e uma imensa cabeleira rastafari-, cantor de rap, artista pós-moderno que ofende os meus ouvidos e de quem tem bom gosto. A modelo Viviane Araújo, por sua vez, declarou o seu amor, tatuando no seu antebraço o nome do cantor Belo (condenado por ligação com o tráfico de drogas) e, após o término do namoro, apagou a tatuagem com sessões de laser. O ator Johnny Depp, quando noivo da atriz Winona Ryder, tatuou "Winona Forever". No entanto, a relação não durou muito e Johnny, o " Don Juan de Marco", mudou a frase para "Wino Forever, ou seja "Bêbado Forever". Faz sentido! Acredito que uma das profissões de sucesso, num futuro próximo, será a dos especialistas em apagar tatuagens com raio laser. Tira João, entra Joaquim; sai Maria, (das Dores), entra Maria (das Graças); Sai Jesus Cristo, entra Che Guevara. Sai fulana, entra beltrana. E por aí, vai.
Tempos modernos. O amor agora é registrado à agulha e expulso a laser, o raio. Conheço um cidadão que tirou o nome do "filho" inscrito em um das suas próprias pernas por que descobriu que não era o pai da criança. O DNA, decididamente, também se uniu ao laser para desunir os casais. E o rebento que se arrebente. E com isso, as pessoas vão se revelando cada vez mais carentes e inseguras. E eu, me tornando mais careta e mais quadrado.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Rua Rafael Nascimento

Rio Verde - GO


A primeira vez e o primeiro porre a gente nunca esquece


Por Tadeu Nascimento

A primeira vez e o primeiro porre são como- para as mulheres- o primeiro sutiã, a gente nunca esquece. Assim diria Washington Olivetto. No caso delas- da primeira relação- sabem o nome, o sobrenome do cidadão e jamais se esquecerão do dia, mês e ano. Podem até demorar alguns minutos, esmiuçando a memória, mas logo se lembrarão dos detalhes. Já para os homens, a coisa é bem diferente: lembram-se que fora com uma empregada de sua casa ou da vizinha e não tem a menor idéia do nome e nem se lembra como era ela; ou ainda, que fora com uma amiga de uma irmã que caidinha por ele e se deixou levar e a coisa aconteceu. Poderá até lembrar do nome da "vítima", porque a irmã atirou-lhe na cara por diversas vezes,- ameaçando contar para os próprios pais- mas não sabe o sobrenome e muito menos a data. Ou ainda, que foi num bordel, levado pelo irmão mais velho. Estou me referindo a coisas de trinta anos ou mais, porque hoje, a coisa é bem estranha. O cidadão nem sabe o que fez depois que saiu da boate. Ela muito menos.
No meu caso, a primeira vez não houve nada de diferente: Tímido, com 13 anos, mas com testosterona saindo pelas orelhas e, com os amigos contadores de vantagens que sustentavam que já haviam experimentado o sexo oposto- naturalmente, eu me sentia muito desconfortável, por só ficar na vontade. Primeiro filho, não tinha irmão mais velho, a quem recorrer. Então, um dia, resolvi dar um basta na precisão. Trabalhava, no cinema de minha avó, em Rio Verde, um amigo da família, de nome Evilázio com quem tinha horas de papo e um dia, provoquei um assunto que se referia a sexo. Ele desconfiado da conversa sem-pé, sem-cabeça, perguntou-me se eu já havia me deitado com uma mulher e eu, para me manter na condição de machão- disse-lhe que sim. O que era uma tremenda mentira. E ele me disse " Então, vamos mais tarde à putaria?!"- desafiando-me a ir junto. Meus pais estavam em Goiânia. Lá fui eu, com as pernas tremulando.
Lá chegando, adentramos numa casa onde estavam seis ou sete mulheres bebendo em meio a fumaças de cigarro, sob uma luz pálida. Evilázio, experiente na arte da putaria declarou a todas:
- Este meu amigo, é virgem! Quem quer tirar o cabaço dele?- perdoa-me, o leitor, pela vulgaridade das palavras, mas era o linguajar do lugar e da época.
Risos à parte, uma mulher, de pele clara, cabelos loiros, quarentona que para época, seria o equivalente a sessentona de hoje- pois estava um tanto desgastada- de pronto e em alto e bom som, gritou:
- Eu!- E levantando-se da cadeira, pegou-me pelas mãos: "Vem cá, meu anjo!" E me arrastou para um quarto escuro e sob uma luz azul ainda mais pálida- não era a luz negra de hoje, mas uma lâmpada pintada de azul- e começou a se despir e eu tremia com uma vara verde... Quando vi a mulher toda nua, só pedi que Deus me ajudasse e Ele piedosamente me ajudou. De lá, saí com o ego maior do que uma jaca! A partir daí, fiquei em paz comigo! Não sei o nome dela, não me lembro do seu rosto, da data da aventura libidinosa e nem de mais de algum detalhe, mas o preâmbulo do acontecido está guardado no mais recôndito de minha memória.
O primeiro porre, 1969. Tinha eu 15 anos e havia mudado para Goiânia para cursar o científico no Ateneu Dom Bosco. Na Semana Santa, eis me de volta a Rio Verde como um rapazinho metido a moderno: os cabelos descendo pelas orelhas, roupas da moda e sapatos mocassins (cidade grande vende ilusões para o interiorano!) Havia um bar na Rua Rafael Nascimento que era o bar da moda, de então. Ali, enveredei-me com alguns amigos, com algumas garrafas de cerveja e me esqueci da hora e da rigidez da educação de meu pai. Nunca havia chegado em casa depois das dez e já se passava da uma da manhã. Não mais que de repente, meu pai, chega ao bar, de pijama, e me chama com a voz nada amigável. Levantei-me, tonto, e fui ao seu encontro. Tentei dialogar com ele com a voz enrolada e com o bafo pra lá de alcóolico. Não tive guarida. O amigo e doce professor Clóvis, transformou-se numa fera e levou-me para casa, carregando-me pelas orelhas. Cheguei a ficar alguns centímetros acima do chão- diziam meus amigos que viram- às gargalhadas- meu pai me guiando pelas orelhas! Um vexame total e inesquecível! Até hoje, meus amigos ainda zombam de mim por este vexame. Não me importo, era o meu pai! E que saudades tenho dele! E assim, entre estas e outras lembranças, fui me tornando o homem que hoje sou.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pai e Filho
Ao Prof. Clóvis Leão de Almeida

Por Tadeu Nascimento


Meu pai querido,
Onde está você? Olho para todos os lados e não o encontro, neste momento mais difícil da minha vida! Você que sempre me socorria, onde estava no momento em que eu me vi -totalmente impotente- diante de minha mãe que se exauria nos meus braços? Naquele momento de desespero eu me lembrava o quanto você, doente, dizia que quando estivesse do "outro lado da vida", iria ajudar muito a minha mãe- como se tivesse íntima ligação com os santos ou com as entidades espirituais! Pois é, somente você, pai, poderia, agora, dar-me força e coragem para enfrentar a vida. E a causa deste socorro é justamente a ausência da pessoa com quem você mais conviveu: ela, a Zaira, sua amada, sua flor de maracujá. Foram 54 anos de casados. Você se foi e ela passou a chorar, às escondidas, pelos cantos da casa! Pôxa, pai, quando você se foi, me agarrei nas saias dela, para suportar a sua ausência! Agora, preciso de você, justamente porque perdi a pessoa mais importante da minha existência: a minha mãe, a sua companheira!
Que faço eu, agora? O que devemos fazer agora, eu e os seus outros 5 filhos, seus 10 netos, que vivíamos sob a tutela carinhosa de sua companheira? Você partiu para outra dimensão e ela se desdobrou-se em zêlo para comandar a família!
A Rua Rafael Nascimento não tem mais graça. Ficou um imenso vazio. Era uma rua que por décadas, tinha as marcas da alegria. Agora é uma rua de saudades. Nâo tem mais Avó Tília, Tia Olga, Tio Iron, Tio Itu, Tia Marilene, a Rafaelita. Todos partiram. A cadeira que você sentava no Calçadão e que a minha mãe passou a ocupar, foi recolhida- para todo sempre- para o último cômodo da casa! Como a vida é dura!
Estou ilhado neste mundo de pretéritos. Restam-nos os exemplos, os ensinamentos e a saudade de vocês dois. Duas pessoas que viveram exclusivamente para os filhos. Contudo, aceito com resignação os desígnios de Deus. Ninguém tem destino diferente. A morte é a única certeza. Mas com toda minha tristeza, devo lhe dizer: foi uma honra tê-lo tido, como pai! Um homem doce, generoso e de paz. E foi uma felicidade ter tido uma mãe que tive. Um ser maravilhoso, que só agora, entendo a sua grandeza! Um presente de Deus.
À minha frente, está uma fotografia sua, todo garboso de terno e gravata, bigodinho à Clark Gable, dedicada à minha mãe, onde você subscreveu: "À Zaira, para que nunca se esqueça do seu Clóvis". Você tinha 22 anos, ela 15. A história de vocês- que se perpetuará nos seus descendentes- é coisa do destino!
Você sempre dizia: "A vida é feita de momentos!" Realmente, confirmo eu. Passamos momentos maravilhosos enquanto vocês dois estavam conosco! Lembra-se das Bodas de Ouro de vocês dois, comemoradas no Hotel Kanachuê em Goiânia? As fotografias revelam como éramos felizes! Pois é, pai, o tempo é implacável! E este momento é um dos mais difíceis pelos quais, já passei.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mãe e Filho

Aos órfãos do mundo

Por Tadeu Nascimento

Existe uma distância imensa entre a perda do próprio pai ou da própria mãe e a dor de um amigo, quando este perde um dos seus genitores. A distância está em viver na pele, a profunda dor. E a ordem natural das coisas é os filhos enterrarem seus pais. Pobre Maria que viu seu filho morrer na cruz! Mas também é imensamente triste, ver/sentir uma criança de 5 anos que não tem mais a mãe. Não é o natural da vida, a criança "enterrar" a mãe! Sigmund Freud dizia: "O homem só se torna adulto quando perde o pai!" Trata-se de uma alusão ao filho de não mais responder pelos seus atos a mais ninguém, a não ser a si próprio. Mas Freud não se refere o tempo da infância e sim, o da maturidade. No entanto, a perda da mãe é uma catástrofe: empobrece de amor o homem, pois é uma dor ainda mais intensa, indescritível e desoladora que tira muito da alegria de viver do filho. Nesta crônica que dedico a todos os órfãos, quero falar justamente da perda da mãe.
O romper do "cordão umbilical da existência" entre a mãe- que morreu- e o filho é como tirar de um ser o próprio chão. É como um astronauta do lado de fora da nave e por algum motivo, se rompe o cordão que unia os dois, o astronauta e a cápsula espacial. Há de se ficar à deriva no espaço. Perdido no infinito azul, sem jamais voltar à terra que também é mãe. É como barco sem porto, um passarinho sem ninho. Um filhote de leão, perdido da mãe, sai pela floresta, triste, sem rumo, sem norte. Indefeso, mal sabe ele a força e ferocidade que um dia, seria capaz. Eu não estou imune a esta dor. Há quase 5 anos perdi o meu pai. Um pai generoso e um grande amigo. Perdi a minha mãe recentemente. Uma mãe maravilhosa e uma mulher de fibra! Contudo, a dor da perda de quem me gerou no ventre, foi mais grave.
Não sei onde está o meu norte. É difícil aceitar, compreender que eu não tenho mais mãe. Só sei que- pelo resto da vida- quando estiver a sós e a saudade bater, muitas lágrimas derramarei.
Desde o surgimento da humanidade o homem busca a mãe: Não é inglória a frase "Eu quero a minha mãe!" O poeta Gabriel Nascente no final da década de 80, estampou em out-doors na cidade, uma frase, para mim, inesquecível: "Mãe, dá um jeito no mundo!" Quando o perigo se aproxima, nada mais forte que a proteção da mãe. O substantivo mãe, abarca muitos significados: proteção, alimento, afeto, sacrifício, etc. O escritor russo Máximo Gorki em sua maravilhosa obra "Mãe", retrata o que uma genitora é capaz de fazer pelo filho. Pelaguea Nilovna, uma senhora idosa, simplória, distribuía panfletos pró-comunismo nas portas das fábricas de Moscou, contra o Czar, sem saber do que se tratava, embora soubesse do tamanho perigo que corria, tudo por amor ao filho que militava contra o governo. Somente a mãe é capaz de oferecer a própria vida em holocausto para salvar a do filho: aos poucos vai percebendo o ideal revolucionário que vivia o filho. Quando este é deportado, a mãe toma seu lugar para dar continuidade à luta.
Hoje sou mais um órfão no mundo. De acordo com Freud, tornei-me adulto. Um adulto que não passa de um menino triste que quer- mais do que nunca- a mãe. A saudade lateja no meu peito. A certeza de nunca mais ver, abraçar, beijar- quem me trouxe ao mundo, dói-me n'alma. Uma dor imensa e profunda. Nunca imaginei que seria tão difícil passar por esse momento. Quem tem a felicidade de ter mãe, deve vivê-la na sua plenitude, porque um dia há de se acabar. Como disse um primo, também órfão: "A gente, se torna órfão, não quando se perde o pai, mas quando se perde a mãe!" É quando se perde o colo de quem mais o ama! Eis uma das razões que o ser humano, não mais que de repente, se aparenta ter envelhecido muito, num breve espaço de tempo.
Carlos Drumond de Andrade em seu poema "Para Sempre" sensibilizou-me: "Por que Deus permite que as mães vão embora?/ Mãe não tem limite,/ É tempo sem hora,/ Tempo que não apaga quando sopra o vento/ E chuva desaba./ Veludo escondido/ Na pele enrugada,/ Água pura, ar puro/ Puro sentimento./ Mãe na sua graça é eternidade/ Porque Deus se lembra/- mistério profundo-/ De tirá-la um dia?/ Fosse eu o rei do mundo,/ Baixava uma lei:/ Mãe não morre nunca!/ Mãe ficará sempre junto ao filho/ E ele, velho embora,/ Será pequenino com um grão de milho.
E sobre a dor, o mesmo Drumond escreveu: "Não, meu coração não é maior que o mundo./ É muito menor./ Nele não cabem nem as minhas dores./ Por isso gosto tanto de me contar./ Por isso me dispo,/ Por isso eu me grito,/ Por isso frequento os jornais, me expondo cruamente nas livrarias: preciso de todos."
Órfãos do mundo: agora sou mais um, entre vocês, a pertencer a esse triste "Bloco (que sobrevive) da saudade", pois meus risos nunca mais serão libertos, minhas palavras terão um "que" de incertezas e o meu coração não deixará de se alimentar de saudades.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nelson Rodrigues


Nelson Rodrigues e a mediocridade de Dunga

por Tadeu Nascimento




"Amigos",- começava assim as crônicas esportivas de Nelson Rodrigues. O autor de "A pátria de chuteiras" e "À sombras das chuteiras imortais", nas suas crônicas, entre tantos assuntos, se aproximava ao máximo do humano e dos defeitos deste. Quem já leu Nelson Rodrigues, sabe o talento que se emanava de seus dedos sobre uma máquina de escrever! Mas, se ainda estivesse entre nós, o escritor cronista e dramaturgo, arrepiaria os cabelos com a relação dos selecionados de Dunga para a copa do mundo na África do Sul. A pátria (agora- com o arremedo- de chuteiras, pela falta de qualidade dos jogadores e pela mediocridade do técnico) não merece tanto descaso! Ricardo Teixeira inventou um técnico soberbo: um leigo que se acha sábio- por nunca ter sido técnico- com evidentes pés de barro. Vejamos: deixou de fora Ronaldinho Gaúcho em plena qualidade técnica e voando baixo no Milan e convocou Kleberson do Flamengo, seis meses sem jogar. Convocou o ótimo Kaká, mas também sem jogar e em recuperação e deixou de lado o genial jogador santista Neimar, o mais lúcido e lépido jogador do Brasil, por achá-lo ainda muito jovem para seleção. Mas se Kaká não se recuperar a tempo, ou ainda, se ele machucar novamente, quem o substituiria a contento? O soberbo Dunga, ignora as convocações de Pelé com 17 anos (1958) e Edu com 16 (1970)- ambos do Santos. Júlio Batista, bom jogador, mas longe de ser um craque de seleção foi escolhido em detrimento de Alexandre Pato, um cracasso. Se tivéssemos um técnico adepto ao futebol arte, Pato estaria no time titular.
Amigos,- como dizia Nelson Rodrigues- Dunga conseguiu a proeza de desinventar a seleção. Agora é o futebol de resultado, do ocupar espaço e do não deixar jogar. Aliás, esta seleção é cara do então jogador Dunga que foi apenas um razoável atleta de futebol. Sua característica acaba sendo uma mistura de prepotência de Cláudio Coutinho (1978/ Argentina) com insanidade de Sebastião Lazzaroni (1990/ Itália), cujas lembranças são as mais tristes da história do nosso futebol. Coutinho, cheio teorias mirabolantes como a do "over lap", ponto futuro e até, pasmem, que cada time deveria ter um jogador a menos, para que o jogo tivesse mais gols. Um jornalista atento lhe perguntou: "se é para resultar em mais gols, não seria mais inteligente aumentar o tamanho das traves do gol?" Em suma, estes três foram os maiores enganos da CBF. Alguém pode dizer se o Grafite merece a amarelinha? É certo, a falta de um centroavante talentoso, mas, ruim por ruim, o destemperado Adriano do Flamengo é de longe, melhor que Grafite!
Seria muito interessante um ataque com Robinho, Alexandre Pato e Neimar (do Santos) Não importa quem ocuparia o lugar de centroavante. Na Copa de 70, Zagalo improvisou o meia atacante Tostão como centroavante e ele deu show!; o ponta de lança Jarzinho do Botafogo, na ponta direita e que acabou sendo o artilheiro da Copa de 70! Continuando: no meio de campo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká. Paulo Henrique Ganso poderia ser reserva de luxo de Kaká (ou Neimar, ou Fred do Fluminense). Lembro-me de Telê Santana- tendo ao seu dispor um elenco de craques- tentando um lugar adequado para Sócrates que jogava de centroavante, mas não convencia. Então recuou o Doutor para o meio campo. Montou um ataque quase perfeito: Sócrates, Zico, Eder, Serginho e Paulo Isidoro (deveria ser Reinaldo do Atlético Mineiro, no lugar de Serginho). E ainda, apoiando o ataque, os Falcão e Cerezo. Alguém precisa gritar para o Dunga que a Seleção é lugar de craque e o de craque, é na seleção!
Resta agora, contar com a sorte e pedir a Deus para iluminar os pés de Robinho e Nilmar, porque o meio campo claudica nos pés de Kleberson, Elano, Gilberto e Josué. Poderemos sofrer, novamente o outro vexame, tal qual aquele exposto por Lazaroni! Quem não se lembra do Valdo "Enceradeira", na copa da Itália, título bastante apropriado, pois ficava rodopiando no meio campo e não progredia as jogadas para o ataque? Dunga foi driblado com facilidade por Maradona, que, ainda passando por Alemão (do Botafogo) magistralmente, deu um passe com açúcar e com afeto para o Caniggia que marcou o gol que desclassificou a seleção brasileira. Valdo e Dunga eram as estrelas de Lazaroni! Aliás, a chamada "Nova era Dunga", foi um termo criado por Lazaroni!
O teimoso Telê Santana se tivesse ouvido a voz das ruas, teria melhor sucesso! Convocaria, em 1982, Copa na Espanha, o centroavante Reinaldo e o goleiro Raul, do Flamengo. No segundo tempo, contra a Itália, Serginho erra cara-a-cara com o gol, jogada que Reinaldo dificilmente erraria! Todavia, de uma forma ou de outra, Telê foi um vencedor, pois devolveu à história o futebol arte, alegre, que ficou para eternidade. Poderia ser seguido por todos, mas a mediocridade de Dunga não o deixa se pensar como Telê, pois Lazaroni impregnou de cupim a cabeça de Dunga!
Amigos, Nelson Rodrigues, onde estiver, deve estar impaciente e preparando para seus leitores- de outro plano- uma crônica mordaz contra o que está acontecendo com a sua pátria de chuteiras!

quarta-feira, 12 de maio de 2010


Mulheres bonitas só fazem bem à saúde

Por Tadeu Nascimento


Os cientistas são mesmos uns malucos. Segundo uma pesquisa realizada por uma universidade de Valência, Espanha e publicada esta semana, a presença da mulher bonita faz mal para o homem. Quando li, quase sofri uma síncope! Pensei comigo: daqui a pouco jiló em pó, será adoçante. A explicação dos notáveis: o nível de cortisol produzido pelo corpo humano sob tensão física e psicológica pode aumentar muito quando o homem é deixado sozinho perto de uma bela mulher. O cortisol está relacionado à impotência, a doenças cardíacas e ao diabetes. Com isto estaria provado cientificamente porque que um homem gagueja perto de uma bela mulher; troca as palavras e até erra o itinerário no trânsito. Na possibilidade de conquistá-la, eleva muito o cortisol, garantem os estudiosos. Isto tem a haver com a adrenalina que diminui o fluxo de sangue nas artérias para conter a emoção, podendo provocar até, a impotência no cidadão, na hora "H".
Disse, um dia, Vinicius de Moraes: "As feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental!" O belo é a arte de proporcionar o sentimento de êxtase, de prazer que são momentos de felicidade. Toda a natureza é dependente da beleza. Se não, não existiria a primavera, a estação que os animais mais se acasalam. Imagine o mundo sem primavera! Mas, voltando à premissa dos cientistas de que a beleza feminina faz mal ao homem, fica difícil aceitar que as feias não fazem mal. Isto os cientistas não garantem! Se somos todos mortais, então que morramos felizes perto de belas mulheres! Quem não quer uma morte feliz? Se possível com o cortisol nas alturas, pois a emoção é uma das coisas mais interessantes da vida. Pois o bom, é justamente isto: estes descompassos, estes “erros” humanos que provam o honesto interesse do homem por uma mulher. Assim como a adrenalina corre nas artérias do coração do trapezista que salta sem a rede de proteção; no coração do piloto motociclista que corre a 300 Km por hora; no coração do pára-quedista que salta de 10 mil pés de altura, assim também ocorre com quem está sob o império da química da atração por uma bela mulher! A emoção é tão importante que se fosse vendida na farmácia na certa eu seria dela, o seu melhor cliente.
O caro leitor, já imaginou a vida sem emoção, ou melhor, não se emocionar perto de uma bela mulher? Então, que querem os cientistas? Que sejamos gelados, insensíveis como eles que não acreditam em Deus, e que- para eles- o amor é apenas uma ilusão? De que vale a vida sem amor? Eis o porquê do ser humano se preocupar cada vez mais com o poder econômico do que com o seu semelhante. Ora, a beleza essência do amor! E é bom que se diga que nos idiomas antigos, a palavra amor era rica em sinônimos. No sânscrito havia 96 palavras para dizer "amor"; no persa antigo, 80; em inglês há apenas uma (justamente nos países mais capitalistas do mundo). A pobreza idiomática revela o empobrecimento moral, segundo o historiador equatoriano Eduardo Mora-Anda. Ao longo do tempo esses cientistas malucos estão tirando os vernáculos mais bonitos do dicionário da vida. E com seus corações de aço, querem nos tirar o mais importante da vida: a emoção!
Este tema, me faz lembrar um verso de uma canção da década de setenta, de Eduardo Godim e Paulo Cesar Pinheiro: “O importante é que as nossas emoções sobrevivam!”
Conclusão: se as mulheres bonitas fazem mal a nós, homens, as feias nos fazem bem menos felizes!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Praça da Igreja de São Sebastião Rio Verde-GO

Saudades de um menino de Rio Verde


Por Tadeu Nascimento


Nasci em um leito no Hospital Santa Terezinha, “nas mãos” do Dr. Walter Pereira de Castro em 1954, em Rio Verde. Passei a infância e parte da juventude nesse rincão. Quis o destino que eu me afastasse de lá, para estudar, casar-me, descasar-me, amadurecer-me. Mas este mesmo destino zombeteiro está cada vez mais, me puxando de volta, tal qual um grande imã que atrai um minúsculo prego. Não reluto com isto, até porque, gostaria que o meu corpo fosse ali sepultado no jazigo onde se encontram os restos mortais de meu pai, Clóvis Leão de Almeida. Assim, como do pó vim e ao pó voltarei, peço humildemente que deixem meus restos mortais, onde repousarão um dia os de minha mãe- que se juntarão aos de meu pai. Embora, distante de onde nasci, nunca me esqueci e tampouco deixei de acompanhar o dia-a-dia de minha terra-mãe. Cultivo com água perfumada da saudade, os anos que ali vivi. Rodei mundo (meu mundo é muito pequeno, não passou de Ribeirão Preto). O menino, filho do professor Clóvis, continua vivo em mim e dele nunca me apartei e nunca me apartarei. Como o escritor Fernando Sabino deixou para o seu epitáfio “Nasci homem, morri menino”, no meu, gostaria que ali registrassem “Nasci menino e morri menino”.

Pois sou o mesmo menino que via nos anos da década de 60, o impoluto prefeito Dr. Paulo Campos atravessando a rua quando ia pra casa descansar do dia trabalhado na prefeitura; que viu o Sr. Aristogogo, gerente dos Móveis Testa, quando os militares, no início da famigerada ditadura, o levaram, juntamente com Sr. Jarbas da Veterinária e o advogado Affonso Rodrigues do Carmo por serem esquerdistas. O mesmo menino que via a figura do Sr. Manoel Filosino, homem de posses, de cabelos encanecidos, pés descalços, com seu enorme e fiel cachorro negro, vendendo alfaces e outras folhas numa bacia também enorme. O mesmo menino que via o dentista Almiro de Moraes subindo, de manhã, com balde de leite da sua chácara- e no caminho distribuindo aos amigos- na baixada que daria acesso, anos mais tarde, ao Clube Campestre. O mesmo menino que via o doce e folclórico João Proto de Sousa, o João Surdo, lendo os jornais do Rio de Janeiro atrás do balcão da Confeitaria Zig-Zag e às vezes bronqueando os jogadores de snooker: “Camundongo, num pode!”; que assistia aos domingos o programa de auditório da Rádio Difusora, do imenso Martinelli; que conheceu Eurico Veloso do Carmo (Nenzinho Veloso), um homem de bem- por 3 vezes prefeito de Rio Verde; o ínclito Dr. Cesar Bastos andando solitário, mas com elegância única. O mesmo menino que era amigo do Tim (Ricardo Campos Sobrinho), personagem importantíssimo na minha juventude, pois era professor de quase todos de minha geração, odontólogo e boêmio, mas que cumpria com suas obrigações profissionais com sacerdócio. No carnaval passava os quatro dias de festa com um penico (nunca usado) cheio de cerveja e com várias salsichas dentro; do Sebastião Fernandes Rattes, o Tão Rattes (que juntamente com o prof. Tim não perdia uma Copa do Mundo. Estiveram presentes na Copa do Mundo do México, da Alemanha, da Argentina. Naquele tempo, quase ninguém conseguia tal proeza ). Voltaram do México triunfantes e desfilaram pelas ruas com sombreiros que são aqueles chapéus mexicanos enormes. Tim foi presidente dos Clubes Rioverdense e Campestre e Rei Momo por muitos anos; dos médicos Alcyr Mendonça, Júlio Emerich, Edsel (Sheco) Emerich tiveram grande importância na cidade e deixaram-me belas recordações. O mesmo menino que conheceu o Bar do Ney, em frente ao Cine Rio Verde que por muito tempo foi reduto da boemia da cidade; o Bar do Milton Jayme, onde se reunia para se discutir política e espalhar fofocas; o Bar do Hotel Minas Goiás do Manoel de Mello, na Praça 5 de Agosto que servia tira-gostos de massa de pastel gratuitos aos clientes. São lembranças de um tempo, para mim, maravilhoso.

Os tipos da cidade. Toda cidade tem seus personagens engraçados ou malucos. Em Rio Verde tínhamos o mulato Bem-Bem, cuja lenda, dizia que era um superdotado sexualmente e que uma dona de um prostíbulo mandava dar-lhe banho e que o perfumasse para suas noites de lascívia; o Pedro Biriba que ameaçava roubar as crianças desobedientes; a Jorja (deve ser Georgia), que também ameaçava levar as crianças malcriadas no saco que trazia consigo; o Mané Côco que andava fardado e ficava apitando o trânsito (e ainda multava o "infrator") no centro da cidade e ainda a telúrica Maria Florista que vivia no pavimento inferior do coreto, andava com flores nos cabelos, outras tantas nas mãos e levantava o vestido rodado pra quem quisesse ver sua partes pudicas. Por baixo do vestido, só vento: não usava calcinhas.

Incêndio do Cine Rio Verde. O cinema faz parte da minha vida. Fui criado entre ingressos, cartazes e telefonemas do público que indagava sobre o filme do dia. Meu avô materno Rafael Nascimento fundou o Cine Rio Verde em 1944. Com a sua morte, minha avó, Dona Tília, como era conhecida, ia para a bilheteria da casa de filmes e sempre levava um ou mais netos com ela. Em 1964, precisamente em 29 de maio, o cinema ardeu em chamas. O povo solidário, tentou, baldeando água, conter as chamas. Em vão. Foi a maior fogueira que eu já vi: um espetáculo dantesco! Um dia marcante na minha vida. O menino, filho do professor Clóvis, chorou ao ver o cinema da sua avó consumir-se no fogo. Achava que não mais veria Johnny Weissmuller na pele de Tarzan; Charton Heston em Bem Hur; Charles Chaplin em “Luzes da ribalta”. Quem assistiu o filme "Cinema paradiso", cuja história, é a de um menino que gostava muito de cinema e vê o prédio do cinema se queimando, pode entender o que- na vida real- se passou comigo. Todavia, com muito esforço, a família, no dia 31 de dezembro do mesmo ano, inaugurou o novo Cine Rio Verde com o filme “Os dez mandamentos”, com Charton Heston.

Todos os personagens (exceção ao Dr. Walter de Castro- com a graça de Deus- que até hoje medica no Hospital Santa Maria, em Goiânia) citados nesta crônica se foram desta vida, mas para mim são inesquecíveis. Fica a saudade de um menino cravada no peito de um homem.