quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ayman Al-Zawahri, médico egípcio, agora, o nº 1 da Al-Quaeda com Bin Laden


Osama, Obama e Obrahma

Por Tadeu Nascimento

Prefiro não escrever sobre assunto que é manchete no momento. Primeiro porque torna-se maçante para o leitor abrir o jornal e ver muitos títulos de artigos ou de crônicas sobre o mesmo assunto e que no dia anterior foi repisado nos jornais televisivos e portais da Internet. Segundo porque, muito das vezes, a notícia carece de exatidão. O que poderia causar enganos irremediáveis. No entanto, eis me aqui, a contragosto, a entrar nessa seara, pois observei dois disparates ocorridos nos últimos dias: O casamento do príncipe Willians com Kate Middleton e a morte de Osama Bin Laden. O primeiro foi ofuscado pelo outro. Se não existisse a notícia da morte do saudita (pelos americanos), o casamento na casa de Windsor estaria nas primeiras páginas dos jornais por várias semanas, talvez meses. O leitor, por sua vez, seria iludido com a pompa e outras futilidades da realeza britânica. Mas aí veio o Bin Laden, mesmo morto, estragar (mais uma vez) a festa mais esperada do milênio, cujo barulho, ecoaria por muitos meses se não fosse atropelada pela mídia americana com a morte do terrorista da Al-Qaeda, cujo efeito, na certa, durará décadas. A mídia é maior especialidade dos ianques e nesse quesito, são os melhores do planeta. Se por um lado, durariam apenas meses as baboseiras palacianas dos Windsor, por outro, o da morte do terrorista, uma grande dúvida: o mundo ficará para todo o sempre sem saber a verdade sobre a morte do terrorista da Al-Qaeda, pois não há prova material, uma vez que ninguém viu (a não ser- se realmente aconteceu- os pouquíssimos soldados que levaram e atiraram o corpo de Osama ao mar). Assim como o assassinato do ex-presidente John Kennedy, não se sabe- e não se saberá nunca, sobre a verdade dos fatos ocorridos em Dallas, Texas, em 22 de novembro de 1963, posto que a dúvida se instalou ad eternum sobre o crime. Quem foram os mandantes? Que organização criminosa está por trás do assassinato de Kennedy? Por que Jack Ruby matou dois dias depois, à queima roupa, Lee Oswald, o assassino de Kennedy, fortemente protegido por seguranças, sendo que Ruby padecia de uma doença grave e que ele mesmo, Ruby, sabia que teria poucos meses de vida e que de fato, meses depois veio a óbito, tendo como causa-morte o mal do qual padecia?
Engraçados e contraditórios os ianques: Sandan Houssein foi executado à frente as câmeras, em tempo real para todo o planeta, de forma espetaculosa: um ato que envergonha a raça humana. Fica a dúvida: se Osama Bin Laden foi realmente morto pelos americanos em 02 de maio de 2011, próximo a Islamabad, Paquistão ou mataram-no de araque, pois o saudita, na verdade, estaria morto há muitos meses, talvez anos e por causas naturais, devido a vida inóspita que vivia? E que essa notícia alavancaria a reeleição de Barak Obama, como de fato está ocorrendo? E que o governo americano deveria agir rápido fabricando tal notícia, antes que a própria Al-Qaeda declarasse ao mundo que o seu líder maior morrera em 2001, por exemplo? Seria uma oportunidade perdida por conta dos americanos, se não ousassem na mentira, pois são expert em fabricar notícias? Pois bem, é justamente isso que acredito. Segundo as pesquisas americanas, a aceitação popular do presidente depois da morte de Bin Laden subiu consideravelmente, visto que Barak Obama tornou-se um super-herói, o "El Vingador" do "sofrido" povo americano em face da derrubada das Tôrres Gêmeas em New York, em 11 de setembro de 2001. Mas pairam grandes dúvidas: será que os americanos estão blefando, em face de inúmeras contradições entre a secretária de defesa Hillary Clinton e diretor da CIA, Leon Pannetta e outros porta-vozes da Casa Branca?
Os americanos, como disse, são mestres em inventar acontecimentos. No episódio de 11 de setembro de 2001 não publicaram uma foto sequer do quarto avião que fora abatido no ar sobre o estado da Pensilvânia e tampouco dos estragos na fazenda onde caíram os destroços da aeronave. Muito estranho a relação dos nomes dos passageiros onde constavam 75 % de latinos anônimos. Outro fato do mesmo dia: O outro avião que implodiu contra o Pentágono, como mostram as fotografias e imagens televisivas, são como a de um míssil que teria sido disparado paralelamente ao chão e nunca de uma colisão de uma aeronave, como o governo americano afirmou. Caso fosse um avião, o estrago não seria- como foi, só frontal, sem atingir a parte superior daquele prédio e sim, danificaria uma área bem mais extensa, principalmente o teto do prédio de 5 lados. E o mais intrigante: não se viu pela tv, jornais, um pneu, um pedaço do avião que impludiu contra o Pentágono! Sem o 11 de setembro de 2001, dificilmente o então presidente George W. Bush conseguiria se reeleger. O funesto 11 de setembro de 2001, foi o preço de sua reeleição.
Enquanto uns comemoram o assassinato de Bin Laden, muitos ingênuos esquiam na maionese. Outros, espertos, aproveitam da desgraça alheia para aparecer mais que o rei sol, aproveitando dos inocentes eleitores, como o nobre vereador da cidade goiana de Anápolis, Valmir Jacinto (PR) que pediu em plena sessão plenária, um minuto de silêncio pela morte do companheiro Osama Bin Laden. E pasme o leitor, o nobre edil é formado em matemática, pós-graduado em Estatística, Gestão Pública e professor concursado pela Fundação Educacional do Distrito Federal. E o mais surpreedente: todos vereadores presentes votaram a favor. Qualquer dias desses, o companheiro vereador poderá receber a visita de um companheiro membro da Al-Qaeda e minutos depois a dos agentes da CIA. E por falar em ingênuos ou inocentes, lembrei-me de um vereador de Rio Verde, pela ARENA- época cinzenta da ditadura-, Lazinho Despachante, especialista em cerveja de qualquer marca desde que seja acompanhada por uma branquinha- que num debate acalorado sobre a mudança das casas de mulheres de vida facílima para um lugar mais distante- pois a zona meretrícia se aproximava, a cada dia, mais do centro da cidade-, interveio magistralmente:
- Pela ordem, Sr. Presidente! Sr. Presidente, exijo que esta casa tenha mais respeito com o "meretríssimo" juiz de direito desta cidade, caso contrário o Exército de Brasília vai prender todo mundo aqui!
- Nobre vereador Lazinho Despachante...- disse o presidente da casa legislativa- ...não estamos entendendo o que a Vossa Excelência quer dizer com... Exército de Brasília?.. Estamos discutindo, nobre vereador, sobre a mudança da zona meretrícia de lugar!...
- Pronto! Agora o senhor ofendeu a esposa do "meretríssimo" juiz! O senhor quer levar a "meretríssima" esposa do juiz, pra onde? Ora, senhor presidente, quem é o senhor, para mudar a “meretríssima” para algum lugar? A vossa excelência está criando grande angu com caroço para Câmara Municipal e por isso, vai ser o primeiro a ser preso, porque eu mesmo sou testemunha que senhor ofendeu o “meretríssimo” juiz e agora, ofendeu a mulher dele! Ofender o juiz e sua família é coisa de comunista! É o que tenho a dizer, senhor presidente, senhores vereadores! E tenho dito!

domingo, 24 de abril de 2011

O Fotógrafo da vida

Por Tadeu Nascimento

Cabeça de cronista é uma doidura. Todavia, o cronista é o fotógrafo da vida que retrata qualquer coisa que lhe chame atenção, cuja máquina, não precisa desligar e nem recarregar a bateria. João do Rio, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Sérgio Porto, foram grandes retratistas da vida. Mário Prata e Danuza Leão estão por aí, nos jornais, registrando melhores ângulos do cotidiano. Entretanto, Nelson Rodrigues e Rubem Braga foram imbatíveis. Tudo que vemos de interessante, fotografamos com as nossas lentes multi-neuro-focais-sentimentais e passamos em forma de texto aos leitores. Digo na segunda pessoa do plural- porque- longe de me incluir nesse seleto grupo de olheiros do tempo- não posso me eximir do que faço, para não cair em falsa modéstia, em face do papel, também modesto, de cronista que exerço, o que muito me apraz.
Há poucos meses, em um caixa de supermercado, vi um casal- casados- que os conhecia apenas de nome- já na casa dos setenta- se comunicando quase por telepatia. Mal trocaram algumas palavras. Pensei comigo: será que eles ainda se amam, fazem amor? Ou, ainda, por não terem mais pra onde correr, apenas se toleram? Tornaram-se apenas irmãos? Todavia, apesar da idade, não se aparentam incapazes para o sexo. Mas, outro dia, lamentavelmente, noticiaram-me que ele sofreu um infarto... A esposa estava tentando manter-se equilibrada. Soube que ela está no mínimo atônita, ante a possível perda. Ah, o amor!- falei cá com meus santos protetores-, Nada mais sublime! O que vale o dinheiro ou o poder diante da morte? Eis, a grande armadilha que a lei dos cosmos nos preparou! E que- por outro lado, nada mais é que a beleza da vida. O amor não deveria ser o fim, mas principalmente o meio, a longa estrada que deveríamos seguir para alcançar o fim. É o que temos e o que nos resta: viver a coisa mais preciosa da vida. A fora isso, tudo é supérfulo ou engano. Continuei divagando: como seria o cotidiano daquela senhora depois da morte de seu companheiro? Uma vida insossa, semi-estática diante das telenovelas, com um novelo a tricotar, aguardando a vez de partir desta vida? "A solidão é fera, a solidão devora". E o desamor, meu caro Alceu Valença, um veneno.
De imediato, lembrei-me de minha mãe. Depois que meu pai se foi para outra dimensão, minha mãe perdeu o viço, o brilho do olhar, a alegria pela vida. A vida que ela gostava tanto. As festas, os passos de tango, os vestidos de baile, os seis filhos lindos e bem cuidados. O ciúme pelo meu pai garboso e sedutor, dentro de um terno bem talhado. Tudo que tinha luz, foi-se apagando depois daquele 6 de dezembro de 2005, quando o meu velho partiu para sempre, até se apagar de vez, em 24 de maio de 2010, quando minha mãe despediu-se vida. A casa nº 276 da Rafael Nascimento ficou imensa e fria. Silenciosa e triste. Naquela calçada está faltando ele e naquela mesa (da copa/cozinha) está faltando ela. Rio Verde que não deveria se madurar, madurou-se de vez (contrariando a minha vontade e o verso "Verde que te quero verde" de Federico Garcia Lorca). Muitos frutos foram ao chão. Outros estão brotando nos lares, agora dos netos. Pena que a civilização cristã judaica não nos ensinou a perder. Principalmente a quem amamos. Na religião budista, a morte é apenas o fim de uma tarefa. A tarefa de evoluir o espírito.
Voltando ao casal no supermercado. O marido (empurrou o carrinho de mantimentos) e a esposa, caminharam para o carro. Como também eu havia passado pelo caixa, segui-os de perto até ao estacionamento. Ainda me lembro quando guardavam as compras no porta-malas: ela abriu um dos saquinhos, sem lhe dizer nada, com ternura angelical, rasgou o papel que envolvia a barra de chocolate e a levou até a boca do companheiro pra ele morder...
"O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém" (Reginaldo Bessa- Festival Abertura, Rede Globo, 1975).

sexta-feira, 18 de março de 2011

José Saramago


Se eu tivesse um coração de ouro

Por Tadeu Nascimento

Numa escola bastante conceituada de Goiânia, uma professora passou para os seus alunos do 1º grau, uma tarefa que consistia em dissertar sobre um tema, senão complicado, porém muito interessante: "Se eu tivesse um coração de ouro". Comecei a divagar sobre o tema e conclui que se trata de uma pequena armadilha. Pois, seria o mesmo discorrer sobre "Se eu fosse um bom menino ou uma boa menina". Mais incisivo ainda: "Se eu fosse bom". Imaginei os possíveis textos que seriam escritos pelos inocentes aprendizes. Uns, na certa, diriam que alimentariam aqueles que estivessem com fome; outros, que levariam os pobrezinhos mal vestidos para próprias casas e dariam muitas de suas roupas; outros, que dariam uma casa para cada pobre, etc. Porém, além de interessante, o título é muito intrigante e portanto, cabe algumas observações. Para se ter um coração de ouro não precisa ser rico. Basta ser bom. Bom, na melhor concepção da palavra. Fazer o bem sem olhar a quem. Ser bom sem esperar ser reconhecido por sua bondade. Cometer ações positivas, generosas, sem se vangloriar desses atos. O que a mão direita dá, a mão esquerda não vê. Quando eu estudava em Uberaba e ao buscar todos os meses, a mesada, através do Banco do Brasil, que meu bom e velho pai me enviava de Rio Verde, via o humilde Chico Xavier numa longa fila a receber sua pequena aposentadoria. E na determinada agência bancária, sempre havia muitas pessoas pobres esperando pela chegada do mestre espiritualista. Chico passava por todos eles e os cumprimentava com aperto de mãos e depois os abraçava. Mas ao aperta-lhes as mãos, entregava a cada um, um valor em dinheiro- bem dobradinho- que tirava discretamente do bolso do paletó- para que ninguém visse. Era o cuidado para que não explicitasse a menor ostentação. Vi, não só uma vez, pedintes, estendendo-lhe as mãos como se clamassem por uma ajuda, e o Chico com alguma coisa na mão direita fechada entregava a cada um deles (um valor que não se via o quanto) e em seguida, fechava a mão do pobre cidadão. E assim repetia a mesma ação com outro necessitado. E como num ensinamento de uma aula prática, deixava a lição para que fizéssemos caridade sem vaidade. Sem demonstrar que "somos bonzinhos". Pois declarar-se caridoso é ter lucro sobre o necessitado, além de humilhar o ajudado. Dessa forma, não é caridade; é exibicionismo. Segundo os ensinamentos de Cristo, a caridade é uma oportunidade que o Criador nos dá para evoluirmos. Portanto quem presta caridade deve agradecer ao Altíssimo pela oportunidade de realizá-la.
Seria interessante os nossos educadores ensinassem aos nossos filhos, serem bons no tempo presente, possível, praticável e não num tempo condicional, tipo "se eu tivesse o coração de ouro." Ser bom é a compreensão da evolução humana. Há de se ensinar os princípios morais. Destes fluirão a bondade, o respeito aos semelhantes. Respeitar a vida, os princípios da natureza como meio ambiente nada mais são do que respeitar a terra mãe, os nossos irmãos, os nossos filhos, os nossos netos, a humanidade.
Para ser bom, exige-se ações inteligentes. De nada adianta promessas de boas atitudes, se amanhã mesmo, aquele pedinte ainda continuar na esquina de sua casa. Se nada fizermos para pressionar as autoridades para melhorar os nossos hospitais públicos. Se não cobrarmos dos governantes um futuro descente para nossas crianças, dando-lhes escolas de melhor qualidade; o fim das drogas que arrebentam com a juventude, além de tantas ações que diminuem o sofrimento dos que mais precisam de ajuda. No âmbito particular, devemos nos cobrar o porquê das nossas indiferenças. Por exemplo, de não irmos a um abrigo de velhos, dedicar uma hora de nosso tempo a aqueles que estão no fim da vida e que esquecemos, com certa dose de hipocrisia, que estamos, inevitavelmente, trilhando o mesmo caminho dos idosos. Ser bom é base de qualquer religião. No budismo, um dos principais princípios é a comiseração (dó): ser bom é sofrer com os que sofrem. Contudo, fico com o pensamento de José Saramago, um dos maiores escritores e humanistas do século XX: "Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu é de carne e sangra todo dia".

quinta-feira, 3 de março de 2011


Caetano Veloso


Carta aberta a Caetano Veloso

Por Tadeu Nascimento


Caetano,
Acompanho suas criações, mesmo antes de "Alegria, alegria" que conquistou o 4º lugar, à frente de "Maria carnaval e cinzas" que chegou em 5º, do já famoso Roberto Carlos, no Festival da Record em outubro de 1967. E sua música foi a que mais fez sucesso entre as concorrentes. Mais do que "Roda viva" de Chico, 3º lugar; "Domingo no parque" de Gil, que obteve 2º lugar e "Ponteio" de Edu Lobo, 1º lugar. Todo mundo canta "Caminhando contra o vento/ Sem lenço sem documento..." Tomei conhecimento de sua existência quando ouvi a sua primeira música gravada "Só pra chatear", também de 1967, -antes do festival- na voz de Ronnie Von (que resultou num grande sucesso). Mesmo hoje, poucas pessoas sabem que os versos líricos de "Só pra chatear", "A rosa vermelha é do bem querer/ A rosa vermelha e branca hei de amar até morrer", é de sua autoria. Você foi para mim o John Lennon brasileiro. Lamentavelmente há muito tempo não é mais. Renego o gênio que faz questão de pisar na própria arte. Até suas posições políticas tornaram-se bem diferentes das defendidas por Lennon. Convenhamos, quem criou "Luz do Sol"; "Sampa"; "Desde de que o samba é samba", não pode ser o mesmo quem compôs "Só tenho inveja dos seus orgasmos múltiplos..."(versos da idiota canção "Homem" do álbum Cê), salvo se tiver tido uma crise de inveja das mulheres ou de um egocentrismo exacerbado ou ainda, se passou a se achar um deus, pois não está nem aí para o seu público, aliás, ultimamente só tem feito melodias medíocres, ao estilo Olodum, com a percussão sobrepondo outros instrumentos e para completar, letras de péssimo gosto. E com isso, afronta quem espera meses, ano inteiro, por álbum de qualidade e não um CD com uma "Um tapinha não dói". Seu negócio é criar polêmica, chocar o público. Ora, se você quer dar o troco a alguns críticos, responda-os pelos jornais e/ou TV; porém, não faça seus fãs de idiotas. Vender uma imagem, ou um produto, usando da boa fé das pessoas ...Isto tem nome: estelionato intelectual. Querer gravar uma canção que não é sua, ótimo. Você gravou em tempos idos, a belíssima "Chuvas de Verão" de Fernando Lobo; "Charles Anjo 45" de Jorge Ben, "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos" de Roberto Carlos; o samba enredo "É hoje" (Minha alegria atravessou o mar/ E ancorou na passarela...) dos sambistas Didi e Maestrinho da União da Ilha; e até "Coração materno" de Vicente Celestino que você interpretou lindamente (adjetivo que você usa não raramente) além de outras tantas. Por que então, descer tanto, em termos de qualidade, como o funk "Um tapinha não dói", cara? Certa vez, você disse que gravar Odair José, Fernando Mendes é gritar contra o apartheid social brasileiro. Ora, isso é mera desculpa. Pra você pouco importa se é arte ou não. E nem toda música é arte. Imagine Mozart tocando a ridícula "Florentina" do Tiririca, ou Pavarotti cantando "Pare de tomar a pílula" de Odair José!
Sei que para um simples mortal como eu, é difícil entender um criador, um talentoso artista. Mas como disse Milton Nascimento o artista tem que ir onde o povo está! E não adianta dar chiliques por ter gente questionando as suas criações. Por volta de 1981, você ofendeu Raimundo Fagner. Textualmente você disse: "Fagner é uma merda!" Grosserias à parte, o cantor cearense, a bem da verdade, caiu em qualidade, mas não chegou aos extremos em que você insiste em ficar. E os seus fãs- desde sempre querem o Caetano, lírico ou veemente, mas sensível, não só como letrista, mas como criador de melodias como "Os argonautas"; "London London"; "Terra"; "Podres Poderes"; "Fora de Ordem"; "Meu Bem, meu mal"; "O quereres", "O ciúme" e outras. Houve um tempo que eu tinha todos seus discos. Hoje, depois de ouvir os seus dois últimos CDs, decidi não comprar mais nenhum e ainda faço campanha para ninguém comprar. Desculpe a franqueza, mas é a única maneira que vejo, para você voltar ao estilo de antes.
Caetano, queremos o Caetano de outrora. Não um Caetano que compõe para os pseudos intelectuais que o querem só para eles. Como se eles tivessem exclusividade para entender suas canções. Desafio, pois, quem gosta de últimos trabalhos, mesmos entre os falsos intelectuais, que cante uma música completa dos seus álbuns Cê ou Zie e Zee (que em italiano significa tios e tias- título brega). Ora, boas canções são aquelas que todo mundo canta em reuniões em casa, em barzinhos; debaixo do chuveiro, etc. Decididamente não gosto do Caetano desde milênio. Gosto do outro Caetano. O do século passado.
Mas, cá entre nós, Caetano é Caetano. Ou não.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Roberta e Protógenes

A princesa e o sapo que virou príncipe


Por Tadeu Nascimento


A vida é mesmo surpreendente. Um dia você está por cima e no outro, vai ao chão. Mais surpreendente ainda, quando você estando por baixo, consegue magistralmente- mesmo contando com a sorte- dar volta por cima. Há 2 anos, o delegado federal Protógenes Queiroz por determinação de Juiz federal Fausto de Sanctis, prendeu na Operação Satiagraha o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, juntamente com ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Nagi Nahas, por crimes contra o sistema financeiro e outras ilicitudes. A força econômica de Dantas fez com o STF, através de seu presidente à época, Gilmar Mendes, determinasse a sua soltura. Em pouco mais de 24 horas, o mesmo Juiz De Sanctis determina o mesmo delegado Protógenes a nova prisão de Dantas. O presidente do STF, num fato inédito, manda soltar o banqueiro novamente e arma uma guerra surda contra De Sanctis e Protógenes. Afastaram o delegado do caso e depois das atividades normais da PF. Outro juiz federal, Ali Masloum, começa a perseguir Protógenes e o acusa de quebra de sigilo e outras irregularidades fabricadas. O ínclito delegado passou a viver um inferno zoodiacal. Parecia acabado profissionalmente e ainda correndo perigo de morte. Sua residência foi vasculhada pela polícia federal. Seus filhos e esposa passaram dias difíceis. Mas, o honrado Protógenes, sabendo da repercussão positiva de seu trabalho, vê uma saída diante do imenso problema a enfrentar. Decidiu-se então, candidatar-se a deputado federal. Conseguiu se eleger.
Abre-se parênteses para uma observação. Conheci Protógenes Queiroz em Campos do Jordão em de agosto de 2009. Estava acompanhado de sua esposa de então- uma bela mulher, diga-se. Cidadão simples, solícito, gentil e elegante. Interpelei-o para cumprimentá-lo pela sua coragem e determinação em enfrentar o todo poderoso Daniel Dantas. Conversamos uns 30 minutos. Disse-me que concorreria a uma cadeira de deputado federal pelo PDT ou pelo PCB. Fecha-se parênteses.
Despedi-me acreditando que o delegado seria perseguido até o fim da vida, ou até sofreria um atentado contra sua vida. Acabou se candidatando pelo PCdoB, por São Paulo. Daniel Dantas nutre pelo delegado um sentimento negativo que não sossegaria enquanto não acabasse com ele. Mas aí vem o imponderável destino e impõe o seu jogo. Em meio a campanha eleitoral conhece Roberta Luchsinger e com ela começa um relacionamento amoroso. E com isso, separa-se da primeira esposa. Não seria nada extraordinário o fato de recomeçar uma vida a dois. Acontece que Roberta Luchsinger é a principal herdeira do grupo Credit Suisse, segundo maior banco da Suíça, país que se evidencia não só pelos melhores relógios do mundo, os melhores chocolates, mas também pelos bancos mais ricos do mundo. O parlamentar desconversa o fado de estar envolvido com uma mulher, além de belíssima, ser herdeira de uma fortuna. O relacionamento não é do tipo passageiro, superficial, diz uma amiga de Roberta: o delegado deputado e a futura banqueira estão apaixonadíssimos. E o mais promissor: Roberta espera filhos gêmeos de Protógenes. Segundo a mesma fonte estão se preparando para se casar.
Desejo felicidades aos nubentes, mas gostaria mesmo era de ter visto a cara do todo poderoso Daniel Dantas e a do nada simpático ministro do STF Gilmar Mendes quando souberam que Protógenes se casará com a principal herdeira do segundo maior banco suíço- muito mais rica que Dantas- o que o tornará muito, muito poderoso e que não será nada fácil persegui-lo e que ele realmente é um homem de sorte. E saberão que eles são os causadores da felicidade de Protógenes, pois se não fosse suas perseguições, o sapo que virou príncipe, não seria deputado e provavelmente não conheceria a banqueira. Devem estar mordendo o canto da boca. E o melhor, passarão a acreditar em contos de fadas. Pelo menos na versão masculina.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Praça 5 de Agosto (Rio verde - GO)


Pedro Biriba, Bem-Bem & Cia.

Por Tadeu Nascimento


Toda cidade do Brasil tem seus tipos populares que são aqueles que entendemos por doidos, engraçados ou irreverentes. Na década de 70, em Rio Verde, havia muitos. E o mais popular deles era o Pedro Biriba. Um pedinte que andava pela cidade com um saco às costas e amedrontava a criançada. Feio que nem ele só, de fala enrolada, com seu aspecto mongol, baixinho, andado cambaleante, de barbicha, dentro de um terno tamanho 2 números acima do seu e de chapéu. Além de um pau de vassoura, que muitas vezes lhe servia de porrete, quando alguém lhe fazia alguma zombaria. Seu itinerário era os quarteirões que se estendem da Praça 5 de Agosto até a Praça Major Frederico Jayme (Praça das Palmeiras). Perambulava pelas calçadas da antiga prefeitura, Bar do Milton Jayme, Posto do Darlô (Rui Barbosa), Bar do Hotel Minas Goiás, Bar do Ney (Rua Rafael Nascimento). Pedro Biriba lembrava o personagem Carlitos de Charles Chaplin, só que ao estilo terceiro mundo: brejeiro, tupininquim. Um Carlitos dos pobres. Morreu de velho.
Mané Côco. Este era hilário. Se gabava major do Exército. Moreno escuro, alto e de andado imponente- como sua patente exigia. Trajava um paletó escuro, tipo farda de gala, com muitas medalhas, galões nos ombros, botões dourados, botas, capacete e binóculo pendurado no pescoço. Andava com altivez e elegância com sua inseparável espada... de plástico! Ficava nos cruzamentos com apito na boca e com os braços em movimento controlando o trânsito. Fazia ponto no Bar do Milton Jayme. Ai de quem desobedecesse a sua norma particular de trânsito. Lavrava multa ao infrator na palma da própria mão.
Bem-Bem. Mulato, cabeça raspada, mudo, de beiços grossos e caídos. Andava puxando uma perna. Ficava meses sóbrio. Nesse estado era calmo e humilde. Mas quando se embebedava tornava-se insuportável. Assim era Bem-Bem. Dizia o folclore de Rio Verde que o nome Bem-Bem se devia ao fato de ele ser bem dotado sexualmente. "Ele tem um bem...bem grande!" Acabou virando Bem-Bem. Existia uma história que uma dona de uma casa de prostituição gostava de ter relação íntima com o dito cujo. Mandava seus subalternos buscá-lo, dar-lhe banho e perfumá-lo para passar uma noite com o seu Bem-Bem dotado.
Maria Florista. Parecia uma personagem do filme Hair. À época, não era feia e tinha uns 30 anos de idade. Andava com flores no cabelo, nas mãos e nas estampas da roupa de chita. Não raramente levantava a saia para quem quisesse ver seus pormenores e seus etcéteras. Morava no porão do coreto, na praça da igreja São Sebastião. Num aniversário da cidade, 5 de agosto, época de ditadura, desfilava os alunos das escolas da cidade. No palanque armado na praça 5 de Agosto, às autoridades civis, militares e eclesiásticas (todos os discursos da época eram mencionados tais autoridades), estavam governador/interventor, não sei se era Gal. Ribas Júnior ou Gal. Meira Mattos, o também folclórico prefeito Eurico (Nenzinho ) Veloso, vereadores, o vigário da paróquia, as senhoras impolutas da sociedade. Lá vem subindo a rampa da praça os alunos do Colégio Martins Borges com sua fanfarra eletrizante, sob o comando do prof. Ottoniel Almeida Leão, o encrencado e temperamental prof. Otto (tio paterno deste cronista). Prof. Otto era outro ser folclórico da urbe. Quando lhe chamavam pelo apelido Cocó, ele respondia em alto e em bom som- não importava o lugar- pra quem quer que fosse: "Cocó é ... da sua vó!" As reticências são aquilo mesmo que o leitor está imaginando. Voltando a Maria Florista: No ponto auge do desfile, em frente ao palanque, à frente da fanfarra, os atletas malabaristas, vestidos de branco, entre eles Joãozinho do João Surdo, Waldir e Onildo Proto faziam a pirâmide humana. E na ponta da pirâmide Joãozinho erguia a bandeira do Brasil. Logo atrás, as meninas balizas "plantavam bananeiras" e se exibiam com outras estripulias. A fanfarra repicava seus taróis. Palmas e mais palmas para os atletas e fanfarristas. Eis que Maria Florista, no alto de sua habilidade artística-esportiva, resolve participar do desfile: misturou-se com as moças-balizas e começou a plantar bananeira justamente em frente ao palanque, sob os olhares austeros das autoridades. Só que a nossa heroína não usava calcinha. E nunca se depilava. E tome visão panorâmica e tome risadas cinemascôpicas. A banda marcial desafinou-se; Miranda, o tocador de pratos esquentou as orelhas do tocador de surdo que estava à sua frente; o Cocó ficou irado, o prefeito enrubesceu-se, o vigário fez o sinal da cruz e essa história ficou para sempre. Pelo menos na minha memória.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A imagem diz tudo


Amores encharcados
Por Tadeu Nascimento

São 23 horas desta quinta-feira, a primeira de fevereiro de 2011. Uma tempestade caiu em Goiânia. Foi uma tarde que ninguém deveria ter saído de casa. Nem os guardas de trânsito. A chuva caiu sem avisar. Não deu tempo nem para as cigarras anunciarem o toró que estava por vir. João-de-barro não pôs o bico fora de casa. Sapos, só não se afogaram aqueles que fugiram para Guapó. Se fosse ontem, diria que foi Iemanjá- que é do dia 02 de fevereiro- quem fez tanta água despencar do céu. Nunca vi Goiânia com tamanha chuva. Vale lembrar que a enchente de São José está distante 44 dias. Tal qual um rio, a água que veio do céu, desceu caudalosa pela avenida Goiás (e em outras vias paralelas) procurando o mar. Antes porém, de chegar ao mar, foi se misturar com as águas do córrego Capim Puba que logo se une ao Rio Meia Ponte que por sua vez, desaguará no Rio Paranaíba que cairá no Rio Grande que se misturará com Rio Paraguai que se unirá com o Rio Uruguai e que, por fim, encontrará seu destino na liberdade salgada do Atlântico, lá na divisa do Uruguai com Argentina.
Mulheres levantando vestidos para não encharcá-los ainda mais; sapatos nas mãos. Homens empurrando automóveis e motocicletas. Semáforos endoidecidos. Velocidade de tartaruga nas longas serpentinas de carros. Pisca-piscas ligados. O trânsito em pleno caos. Guardas de trânsito? Nenhum. Não estamos acostumados com caos. Goiânia é uma cidade abençoada por Deus. O criador inventou o planalto central a quem pudesse fazer o melhor uso dele. No meio ao caos, sob uma marquise, um casal de namorados encharcados pela chuva, fazia o melhor uso deste planalto central, se abraçando, fazendo carícias, desafiando a moral e os bons costumes dos conservadores que ali passavam, expondo-se um despudor como o de Romeu e de Julieta em Verona. O amor é belo. O mundo se derretendo e o casal se contorcendo de tesão. Se Noé, ali passasse com sua arca, na certa, levaria o casal filhos de Eros para a preservação da espécie. Acelerei meu neurônios: Imagine os dois enxutos e "secos" um pelo outro!
Se o Rio de Janeiro que é a cidade maravilhosa, tempestades e deslizamentos de morros são uma constância; se a mais rica do país, São Paulo, além da poluição, o trânsito desafia a paciência de jó dos paulistanos, aqui é diferente. Goiânia, se não é um paraíso, é uma cidade ainda prazerosa. Só falta um mar para ser perfeita. Mas, se aqui tivesse mar, nunca seria perfeita, porque teria também deslizamentos de morros, tufões como em Santa Catarina e o custo de vida fatalmente seria muito caro, e o trânsito seria uma doidura. Por fim, se em Goiânia houvesse mar, como disse uma amiga: "Seria tão bom que não ia prestar!" Melhor ser quase-perfeita. Lembrei-me de São João Bosco que em 1883, num sonho, (premonição) viu que o Brasil central seria um dia a salvação do planeta. Mais propriamente onde se situa Goiás.
Voltemos à chuva. Como é bela a juventude! A tempestade é um bom motivo para os jovens extravasarem seus hormônios. Tal qual Jorge então Ben e não Ben Jor na antológica "Que maravilha". Lembra-se? "Ela vem toda de branca/Toda molhada e despenteada/... Com a chuva molhando seu corpo lindo que eu vou abraçar/...A gente no meio da rua do mundo, no meio da chuva/ A girar,que maravilha ". Os corpos molhados de romeu e de julieta do cerrado definiam bem as suas siluetas e intenções no momento apoteótico do "boca com boca" que acabaram por compor um quadro cinematográfico. Talvez de Franco Zeffirelli ou de Federico Fellini com trilha sonora de Jorge Ben Jor. As pessoas que ali passavam – não davam importância à torrencial a chuva que caia- contorciam os pescoços, admirando (talvez invejando) a audácia dos amantes. Chuva? Que chuva?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


Martinho da Vila
"Já tive mulheres de todas as cores... "


Cria da minha costela


Por Tadeu Nascimento


Antes era o nada. Aí, Deus criou o mundo. No sétimo dia, o criador, achando o mundo sem sentido, criou o homem. Mas para Ele o planeta ainda continuava sem graça. Então o Altíssimo entendeu que faltava pimenta. Nesse instante, Deus antecipou Machiavel: tirou do homem uma costela e fez a mulher. E deu a obra por encerrada. Pronto: estava criada a maior encrenca de todo sempre! Desde então, o macho, o homo- mais erectus do que sapiens-, não sabe viver sem a cria de sua costela, como canta Chico Buarque. Vive a cobrar eternamente o que lhe foi tirado no princípio do princípio. Dependência química de costela. É uma cobrança inconsciente, pois, depois de Adão, todo ser humano é gerado na barriga da mulher. E ainda, sob suas costelas. Entretanto, os cromossomos xx não entendem os xy e vice versa. E quase sempre vão às turras. Mas, assim como os homens, as mulheres são tanto quanto culpadas, pois cultivam a cultura machista: filho homem pode bolinar- e outras coisinhas mais- a filha do vizinho. Mas a filha há de se comportar como uma santa! Esse é o entendimento da mãe que age, conscientemente, de acordo com o pai, seu parceiro, que não é nada mais do que um filho da mãe. Conclusão: a mulher é tão machista quanto ao homem. Eis, a raiz dos conflitos! João Batista teve a sua cabeça exposta numa bandeja a pedido de Salomé. Sansão perdeu o cabelo e o tesão por Dalila. Nicéia Pitta pisou na goela de Celso Pitta.
Contudo, nunca entendi, ao certo, os símbolos dos dois sexos. O masculino representado por um círculo com uma seta para cima, tal qual um pênis pronto pra batalha e o feminino, por um outro círculo com uma cruz para baixo. Aí que não entendi. Por que uma cruz e ainda para baixo? Matutei todas as possibilidades. Seria, talvez, para lembrar que Jesus morreu na cruz, e como Ele, os homens seriam por elas crucificados de cabeça para baixo? Ou tal símbolo, representaria que as vidas delas são uma cruz? Nem tanto. Desde o tempo das cavernas as mulheres são mais longevas, posto que os homens sempre se expõem mais aos perigos da guerra e da caça, além de não se extravasarem (e nem desestressarem) como as mulheres com suas menstruações mensais. Todavia, garante a ciência que se trata da instintiva preservação da espécie, tanto que em quaisquer estatísticas de longevidade, de qualquer tempo, o homem vive menos do que a mulher. Insisti na pesquisa e encontrei uma justificatica que ainda não me conveceu: o círculo com a seta pra cima tem relação com Marte, deus da guerra, por isso, a seta (lança). Já o círculo com a cruz para baixo (Vênus), é uma alusão ao espelho de mão que se usava antigamente (com uma cruz abaixo do espelho redondo). Continuo desententido.
A vida é breve. Morre-se de susto, de bala ou vício. Morre-se de quaisquer moléstias. E ainda em pleno século 21, adentrando a Era de Aquário, a era do progresso humano, ainda morre-se e se mata por amor. "A vida é arte do encontro/ Embora haja tanto desencontro pela vida", declarou, viniciusmoraesmente, o poeta da paixão. E não adianta contestar, pois a vida é feita de momentos. É tudo que nos resta. A vida é muito breve para cometermos tolices. Tolices que podem estragar a relação e mais do que isso, quebrar o encanto. Como disse Marcel Proust: "O amor é uma maldição (ou loucura) que só se acaba quando se perde o encanto."
E assim, encanto vai, encanto vem. Martinho da Vila é perfeito quando canta "Mulheres". Então passam por nossas vidas mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores. Umas malucas, desequilibradas; outras confusas, de amor e de paz. Outras, arrogantes como águias na montanha; outras más como serpentes.

Desde os tempos imemoriais os relacionamentos têm sido assim. Quando se imagina que tudo vai bem como um lago manso, eis que se surge uma turbulência e carrega a paz para as profundezas. Até quando há de se insistir nesse desencontro? Até quando as deusas com TPM governarão essa eterna guerra dos sexos? Por fim, querida, cria da minha costela, tanto eu como você, somos todos filhos da mãe!