terça-feira, 23 de outubro de 2012

 A Era de Aquário

        Amar é o verbo mais difícil de se praticar

Por Tadeu Nascimento



Desde o dia que Moisés desceu do Monte Sinai com os 10 Mandamentos da Lei de Deus, sabemos que o ato de amar deveria ser a razão do nosso viver. Pelo menos é o que sustentam as culturas cristã e judaica. No entanto, o ser humano tem fracassado ao longo de sua existência. O ódio, a ganância, a vaidade e outros pecados têm consumido os corações dos homens. Se isso não fosse verdade, não precisaria que Jesus viesse à Terra para reafirmar o 2º Mandamento das Tábuas de Moisés, "amai o próximo como a ti mesmo". Cristo- defende Chico Xavier-, "não nos pediu muita coisa, não exigiu que escalássemos o Everest ou que fizéssemos grandes sacrifícios. Ele só pediu que amássemos uns aos outros!" Todavia, todos os dez mandamentos poderiam ser resumidos em um só: Amem uns aos outros! Ou simplesmente, amem! Mas devido à ignorância dos homens daquele tempo, foi preciso destrinchar o verbo amar em 10 mandamentos! Se assim compreendêssemos, não haveria roubos, assassinatos, desonra aos pais e muitos menos guerras. Não haveria a abominável pena de morte. Não haveria cadeias. Não haveria polícia. Não haveria armas. Não haveria leis (inclusive a que Moisés nos deixou). Não haveria sangue derramado! Também não haveria o mais contraditório dos erros humanos, o crime passional. Por conta desse último, quantos relacionamentos terminam em sangue? Quem ama, não mata! E por consequência, também não faria sentido o perdão. O perdão só existe pela nossa deficiência, pois não amamos sem olhar a quem, como, de fato, deveríamos.
          Amamos somente os mais próximos! Uma mãe já tem o seu perdão empenhado antes do erro do filho! Ou seja, quem ama não precisa pedir perdão e/ou mesmo perdoar... Essa máxima deveria ser para toda humanidade, pois somos realmente filhos do mesmo Pai. Mas enquanto atrasados que somos o perdão é o mais nobre e a mais difícil forma de caridade. Por outro lado, dar esmola, é forma mais fácil de praticar a caridade, portanto a de menor valia. Agora, perdoar o seu inimigo que é o "x" da questão! É algo que requer altruísmo, uma dose imensa de humanismo. É descer do topo do próprio orgulho. Perdoar seu inimigo é, na prática, a mais profunda oração a Deus! E por misericórdia divina, quando perdoamos alguém, o Pai nos tira o imenso fardo que carregamos nos ombros! O fardo pesado da mágoa.  Jesus ofereceu a outra face quando lhe esbofeteou o rosto- entendo esse gesto como o mais belo da história da humanidade! Ah, se a humanidade prestasse atenção na história de Jesus...
          Em Pernambuco, na pequena cidade de Exu, perdura uma guerra de mais cem anos entre 2 famílias. As famílias Sampaio e Alencar. Por conta de vinganças já morreram mais de cem filhos de ambos os clãs. As dores, os ódios, não deixam o perdão ser praticado. A questão é: até quando isso vai perdurar?
         Vi, essa semana, o filme "Tropa de Elite 2" e fiquei impressionado com a iniquidade humana! E como se mata no Rio de Janeiro, mais e principalmente nas favelas cariocas! Apesar de ótimo filme e da interpretação do excelente ator Wagner Moura, a história retrata a triste realidade brasileira! O que se rola atrás das ações dos governos, das polícias e das milícias que compõem os sistema e o quanto os inocentes sofrem nas favelas! Quanta maldade! As favelas são necessárias para manter os inescrupulosos no poder! No entanto, - e aí, fazemos de conta que somos cegos- as favelas são compostas também de trabalhadores: garis, garçons, mecânicos, camelôs, etc. Caso contrário as madames da zona sul teriam que fazer o papel de garçonetes, varrerem as ruas da cidade maravilhosa, etc.! Mas a indiferença, a falta de comiseração para com o próximo, a riqueza dos bairros nobres desafiando a pobreza dos morros- tal qual uma metástase- alimentam o mal de qualquer comunidade. Trata-se, na verdade, da falta de amor. De amor ao próximo.
          Quantos crimes pelo mundo afora, são articulados na calada da noite para que na manhã seguinte as mães derramem lágrimas pelos filhos assassinados? Inacreditável tamanha impiedade para com os pais, e o pior, para com os filhos das vítimas! É natural pensarmos que quem tira a vida de outrem não acredita em Deus! E muito menos acredita na justiça divina! Matar alguém é matar um filho de Deus, nosso Pai!
          Desde menino leio, ouço que estamos prestes a entrar na Era de Aquários. Era que se iniciaria mais ou menos nas últimas décadas do século XX. E, no entanto, já estamos na segunda década do século XXI e ainda não raiou a luz da justiça! Seria a era da sabedoria, da paz, da harmonia. Um tempo, no qual o ser humano teria como foco o bem estar do próximo! Seria uma era em que se reinaria a solidariedade, que nada mais é que o amor ao próximo. Então, olho para o horizonte do futuro e não vejo nada! Cadê esse tempo que não chega nunca?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Rio Verde - GO

        O incêndio do Cine Rio Verde (Memórias de um menino de Rio Verde) 


 Por Tadeu Nascimento 
18: 45 horas do dia 29 de maio de 1964. O jovem Geovane revisava os rolos de fita que seriam reproduzidos na tela do Cine Rio Verde. Naquele tempo, havia racionamento de energia elétrica. Da Av.Presidente Vargas acima havia energia até às 20 horas  e o restante da cidade a energia elétrica só era ligada, após as oito horas da noite. As sessões, nos dias de semana, se iniciavam também as oito da noite. Geovane, como de praxe, corria a fita com os dedos para se certificar se não havia algum rasgo que comprometesse a projeção da imagem na tela do cinema. Acidentalmente um rolo de fita encostou-se numa vela acesa sem que ele, Geovane, percebesse. A fita, material altamente inflamável, fez com que  o fogo rapidamente se propagasse.  Em poucos minutos a cabine de projeção estava em chamas.  Mas ainda não suficiente para chamar atenção dos vizinhos ou de quem passasse por ali. Geovane não consegue aplacar o fogo e sai às pressas com queimaduras em um braço. Alguns minutos depois, ergue-se uma fogueira enorme. O Cine Rio Verde estava totalmente em chamas!
             Contava eu com 10 anos de idade e recuperando-me de uma caxumba, doença que hoje nem se fala mais. Morávamos na casa de minha avó, Tília Jayme Nascimento, enquanto meu pai construía a nossa casa. O referido cinema pertencia a minha avó materna. Com 39 graus de febre acordei-me com os gritos de minha avó e de minha mãe, desesperadas diante da tragédia. Levantei-me da cama assustado e vi o reflexo do vermelho da chama invadindo todo quarto. O prédio do cinema ficava na mesma rua, 5 terrenos após da casa de minha avó. Voltei-me o corpo para a janela que refletia o fogo: nunca vira  tamanha fogueira. Aliás, já se passaram 48 anos e nunca vi outra de tamanha proporção. Em 1970, se a minha memória não estiver enganada quanto ao ano, vi um incêndio incomum na Av. Anhanguera com a Rua 6, Centro de Goiânia. Era uma loja de roupas masculinas. Acho que o nome da loja era San Remo. No entanto, não fora do tamanho do incêndio dantesco do Cine Rio Verde.
             Lembro-me muitíssimo bem que no dia 31 de maio, domingo, iria passar na tela "Os dez mandamentos", grande sucesso de Cecil B. de Mille com Charton Heston e Yul Brinner. Quis o destino, que o incêndio ocorresse na sexta-feira e não no sábado ou domingo que tinham duas sessões. O que poderia resultar em uma tragédia maior. Em suma: não morreu alguém.
            Acontece que este cinema faz parte da minha história, da minha pobre biografia. Desde pequenininho, eu frequentava cinema. O prédio do cinema era como mais um cômodo de minha casa. Minha avó Tília trabalhava na bilheteria (com a sua caçula Rafaelita no colo) e meu pai (para aumentar a renda da família) era dono da bomboniere do mesmo cinema. A minha infância foi muito focada nos astros hollyoodianos como Tarzan,  Zorro, Robin Hood, Hércules e também pelos nossos heróis da Antlântida Filmes como Grande Otelo, Ankito, Mazzaropi, Zé Trindade ...
             Em meio a tanta confusão entre o desespero em face do prejuízo e o socorro para apagar o fogo, assisti uma cena que nunca esqueci: a solidariedade do povo de minha terra. Duas longas filas onde, de mãos em mãos, passavam-se dezenas de galões e baldes com água  para controlar o fogo. Algumas  pessoas se queimaram nos braços, nas pernas em gestos heróicos para evitar que se alastrasse o fogo para as casas vizinhas. A luta contra as chamas durou-se a noite toda. Todavia o cinema queimou-se por inteiro, restando apenas uma de suas paredes.  Levaram-me para casa do Dr. Alcyr Mendonça. Na casa de minha avó era impossível dormir. Na manhã seguinte, fui ver o que restou: somente carvão. Nada mais. Foi como se tirassem um pedaço de mim. Na casa de minha avó, a tristeza de um velório.  
             As imagens da televisão ainda não haviam chegado a Rio Verde. As únicas casas de diversão eram o Cine Rio Verde e o Cine Bagdá. No dia seguinte ao incêndio, meus tios se reuniram para  definir o que fazer com o resto que sobrara do cinema, ou seja, com o terreno vazio que ali ficou. Decidiram construir um novo cinema. Sete meses depois, em 31 de dezembro inaugurava-se, com grande festa, o novo Cine Rio Verde com o filme "Os dez mandamentos". Quatro anos depois a minha família construiu outro cinema, o Cine Presidente, na Av. Presidente Vargas.  Mas depois chegaram as transmissões de televisão e quase todos cinemas de rua em todo planeta fecharam suas cortinas encerraram suas portas. Salas de cinema com qualidade, só nos shoppings centers.
              30 anos depois deste incêndio, assisti o filme Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore/1988. Ganhador do Oscar, versão melhor filme estrangeiro.O enredo se passa numa pequena cidade da Sicilia, Itália, antes da chegada da televisão, onde um menino,Totó (Salvatore Cascio), se apaixonou por cinema  e tornou-se amigo do progecionista, Alfredo (Philippe Noiret, o mesmo ator de "O poeta e o carteiro") e que,  num certo dia, viu o  prédio do cinema arder em chamas. E ele chorou...Mas essa história aconteceu comigo!- me surpreendi. Aquele menino da ficção sofreu o que eu sofri  na vida real, ao ver desaparecer nas chamas um mundo mágico de uma sala de progeção, que é a arte do cinema. A arte que encanta o mundo inteiro.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Adele


Adele, a herdeira dos Beatles



Por Tadeu Nascimento

Havia um tempo em que um álbum fonográfico- era assim que se chamava um disco de vinil, um LP- tinha 70%, 80% de músicas excelentes e, não raramente, alguns trabalhos são e sempre serão maravilhosos. Os Beatles, por exemplo, em todos seus álbuns, principalmente, o "Sgt. Pipper's Loney Hearts Club Band" (tido como melhor álbum da história fonográfica, pela crítica especializada). Roberto Carlos, "Em Rítmo de aventuras" é todo lindo! Maria Bethânia, em "Molambo", idem. Caetano, no 1º álbum (Alegria, alegria) e o 2º (Os argonautas) é o máximo. Os novos baianos em "Acabou chorare" é, todo ele, obra prima! Décadas se passaram. Agora, uma música razoável é nome do CD, do DVD e do show e o resto é apenas o resto. A regra geral é vender mediocridade! Estamos exaustos de tantas ofensas sonoras. Ninguém imaginaria que surgisse algo tão bom como os Beatles! Mas, eis que surge uma exceção, uma grata novidade: Adele. A princípio, eu conhecia uma ou duas de suas músicas. Mas inocentemente, sem esperar muito da cantora, deixei tocar todo o seu CD. Meu inglês é paupérrimo, mas como é sabido, a música, assim como a pintura, é universal: abraça todas as mentes, todos os corações. Pois assim, me fez o CD de Adele. Tome nota! E compre! E curta! São baladas no melhor estilo soul e rock. Diga-se rock de bom gosto. Adele lembra os melhores tempos do Beatles, dos Stones, de Simon and Garfunkel. Em alguns momentos, faz você dançar sozinho, assim como nos faziam os meninos de Liverpool! Tente ouvir pela segunda vez: vai se apaixonar, assim como aconteceu com todo mundo quando ouviu John, Paul, George e Ringo. Sugiro a quem goste de música de bom gosto a comprar os dois últimos álbuns de Adele. Isto feito, sente-se na sua sala, à média luz, de preferência sozinho (pelo menos, uma vez na vida), abra uma cerveja bem gelada ou beberique um uisquezinho honesto e fique por conta de curtir o momento. Não há quem não viaje ... Se o CD é lindo, imagine o DVD! Trata-se de um Show gravado ao vivo Royal Albert Hall (lotação é de 8000 pessoas), em Londres, onde a inglesinha arrasou! Imagine 8000 pessoas cantando com ela! Emocionante! Então a gordinha herdeira dos Beatles chorou e com ela o público inteiro. E não duvide que você poderá chorar também! Não há quem não se se apaixone por essa artista. Wonderful! Très joulie! Simplesmente genial!
Pouco conhecida no Brasil, Adele é ganhadora de 8 Gremmy Awards com apenas 27 anos! Nascida Adele Laurie Bule Adkin, a cantora é uma londrina, loirinha, gordinha, muito bonita, com os cabelos à moda dos anos 50, com as pontas viradas para cima e bem comportada nas suas vestes, tal qual, uma velha novidade que se vê em ábuns de fotografias dos anos 50, 60, (caberia muito bem num filme de Elvis Presley!). Mas a sua voz belíssima, os acordes dos violões, e principalmente os solos de pianos em algumas músicas são a última coisa da modernidade fonográfica. Parece um contra-censo, mas sugere, e muito, uma volta no tempo! Imagine uma pop star bem comportada, ligth, assim como iniciaram os inocentes Beatles- e no entanto com canções vigorosas, tal qual os trabalhos dos meninos de Liverpool. E não sem razão que seu último Cd, pela primeira vez na Inglaterra, depois da era Beatles alcançou tanto sucesso quanto a banda liderada por Lennon e Mccartney. Destaque para a canção "Someone like you" chegou ao primeiro lugar das paradas de sucesso no Reino Unido, enquanto o álbum também permaneceu como número um no país. Na canção “Rolling in deep” sente-se muito a influência dos Beatles. Aliás, quase todo disco. Quem só a ouviu e nunca a viu no vídeo, imagina-a -com certeza- uma cantora ao estilo da rebelde Amy Winehouse- dona também de uma voz poderosa-quase todos pop-stars, carregados de tatuagens e de outras irreverências! Mas, Adele, nem de longe sugere qualquer rebeldia e muito menos, a apologia às drogas, ao álcool! Aliás, está passando da hora dos influenciadores de opinião (todos artistas, inclusive) serem normais, se vestirem sem agressões, se portarem como cidadãos comuns. Ser simples é tão bonito e bem possível de ser imitado. Quem está investindo nessa nobre artista é tão genial quanto a própria! Adele é um fenômeno! Exercite, pois, leitor, sua inteligência: reviva Beatles, reviva os melhores momentos de sua vida! Ouça Adele: simplesmente belo!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012



Mim Tarzan, Tu Chita



Por Tadeu Nascimento


Em pleno século 21, ainda tem gente que insiste em não cair na real. Um cidadão britânico resolveu virar Tarzan. É sério. O então segurança de shopping, DeWet Du Toit, 24 anos, abandonou o emprego nesse começo de 2012 e se mudou para as selvas africanas. Decididamente não pretende mais pagar gasolina e tampouco pedágios, carma dos londrinos. A viação cipó, agora é o seu único meio de transporte e ainda, de quebra, se livrou do IPTU, de taxas de energia elétrica e água, morando nas gripas das árvores. O dito cujo, poderia se mirar no Rei Arthur ou em Robin Hood, ambos da mitologia inglesa , ou ainda nos personagens do cinema tipo James Bond (Sean Cornery) ou mesmo o hilário Mr. Bean (Rowan Atkinson), personagens (e atores) ingleses. No entanto, os achou demasiados bonzinhos e muito chegados ao estilo fru-fru! Acabou por encontrar o seu herói na literatura gibilesca: "Tarzan, o rei da selva", do americano Edgar Rice Borroughs. Tarzan briga é com leão, leopardo, crocodilo de igual pra igual, apenas com uma faca, ao contrário do 007, que sem o menor esforço, usa pistola automática pra matar os inimigos! Tarzan não toma uísque, come pencas de bananas! Tarzan não põe fogo nas florestas, defende a selva! É naturalista e corretamente ecológico!- analisou Mr. Du Toit. Aliás, segundo o livro e os gibis, Tarzan é oriundo da mais fina flor da sociedade inglesa. A estória (com a letra "e") começa com um desastre de avião, na África onde morrem todos passageiros, exceto um bebê que foi resgatado por uma macaca que o criou como filho. Krig-Ha, Bandolo! Se não fosse o acidente, Tarzan teria sido um lorde, um Sir, ou um representante na Câmara dos Comuns, o parlamento inglês.

Mas qual o garoto, antes da era dos computadores, que não era fã de Tarzan, do Zorro, do Super-Homem, do Batman, do Fantasma? Quando eu era menino pequeno lá em Rio Verde das Abóboras, tinha eu um vizinho de muro, de nome Alberto Arantes, filho do relojoeiro João Ataídes, que subia quase todas as tardes nas gripas da Mangueira do quintal de sua casa, juntamente com o seu irmão caçula Nenê (Humberto). Ele naturalmente era o Tarzan (e por tais peripécias ganhou o apelido -para sempre- de Tarzan); Nenê, o Boy e pra fechar a aventura, escalava sua vó de mais de 70 anos, Dona Antônia para ser a Chita! Amarrava uma corda num galho da mangueira e tome grito de Tarzan! Com uma faca de mesa sem ponta, enfiada no calção, ele pulava, se segurando no cipó, pra salvar o Boy e a Chita que estavam sendo persiguidos por uma onça faminta que já vinha saltando de galho em galho. E lá vem a onça! Então, Tarzan se atracava com a felina invisível, desde os galhos do pé de manga até ao chão de terra batida. E tome golpes de judô, box, capoeira, etc. Tudo no invisivel! Coitada da onça, apanhava mais que pandeiro de escola de samba! Dona Chita, quer dizer, Dona Antônia, solidária à aventura, tinha que bater palmas, gritar vivas ao Tarzan, fazer micagens tal qual a chipanzé do cinema! E Tarzan, vencedor da peleja com a onça, batia com os punhos fechados no peito e gritava: "Krig-Ha, Bandolo!" "Mim Tarzan, o rei da selva!" E os vizinhos, cansados das repetidas bagunças cinematográficas, protestavam, em vão, aos gritos: "Eu já vi esse filme!"; "Muda o filme!"; "A onça trabalha melhor que esse Tarzan depois da gripe!" "Cadê o Zorro?" "Prefiro o Mazzaropi!" Mas artista é artista: todo dia tinha reprise! Ás vezes em outros dias, mudava o enredo: Tarzan, amarrava o boy e a Chita com a mesma corda no tronco da árvore e tome “tchan!”, “ai!”, “ui!”, “morra pele vermelha!” Eram os índios imaginários sendo derrotados pelo Tarzan, o rei da selva! Na África não tem índios americanos mas na selva do nosso Tarzan das abóboras tinha! E muitos. A avó e o irmão, às vezes ficavam horas amarrados no pé de manga. O Nenê começava chorar e a simplória Dona Antônia perdia paciência e prometia dar uma surra de cinto no Tarzan, se ele não os libertassem de imediato. De nada adiantava. Também a surra nunca acontecia. E o medo de perder o papel de Chita no dia seguinte?!

Já o moderno Tarzan inglês espera que logo algum Steven Spielberg o tire da realidade e o leve para a ficção, antes que algum gorila se apaixone por ele.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


Os Paradoxos da Vida

Por Tadeu Nascimento


Tem coisas que nunca entenderei. Entre elas, o porque das mulheres se encantarem por gatos. Achar que um homem bonito é um gato. "Ah, ele é um gato!" Que contra-senso! Não sei onde existe relação entre o bicho homem e o bicho gato. Na hora de levar o animal para "passear", aliviar o bicho que mia de suas necessidades fisiológicas, não se vê alguém levar um gato, mas sim, o seu querido cachorrinho (ou cachorrão). Aliás, os cachorros estão sempre acompanhados pelas madames e mocinhas (e vice versa) em todas as ruas, sob coleira ou não! O gato, por sua vez, é um dos animais mais traiçoeiros, preguiçosos, se alimenta de ratos e vagabundeiam pelas madrugadas virando latas de lixo! Depois o cachorro que é vira-lata! A dona gata faz ninhada no estuque da sua casa e não o deixa dormir. E não adianta colocar a felina em um saco e levá-la para bem longe, 40 0u 50 kms de distância. Dois dias depois, eis a gata magra, esquálida, de volta para o estuque de sua casa! O cachorro sim, é o melhor amigo do homem e mais, das mulheres. Protege a casa de assaltos, brinca com os seus filhos, serve de guia para cegos e até morre por seu dono! Daí, o termo "fidelidade canina". E, se não bastasse, ainda temos que ouvir as mulheres zombando dos homens: "O que adianta sermos gatas, se eles são cachorros e preferem as galinhas!
Mas também, não entendo quando os homens chamam as mulheres- digamos-, com traseiros avantajados, de cachorras. Lembra-se da música funk "...E as cachorras/ E as preparadas..."? Assim também não entendo quando se diz vestir as calças e calçar as meias. Não seria mais lógico calçar as calças e vestir as meias? Também me intriga, por que as moças usam as calças com cós tão baixo deixando transparecer as penugens do baixo ventre e ficam o tempo todo puxando a mini blusa para baixo tentando tampar os mistérios do triângulo das bermudas! Ora, é pra exibir ou pra esconder? Decidam! Muitas desfilam com calças tão baixas- que acabam expondo os segredos dos seus cofrinhos. Outras, de tão distraídas, escancaram não os seus cofrinhos, mas os labirintos do Banco Central. É pra poupar ou para gastar?
Nunca entendi o ditado "caiu como uma luva". Ora se a luva cai é porque estava sobrando na mão, portanto, não é a perfeição que o ditado insinua! A língua portuguesa, a última flor do Lácio, é uma confusão só! O termo "pois não" é sim e "pois sim" é sim também!- Vai entender!
Outra contradição: se é proibido, no mundo inteiro, dirigir um automóvel com velocidade superior a 100 km/h (e em algumas rodovias brasileiras, até 120 km/h) por que permitem fabricar tais veículos com motores capazes de alcançar 240, 280, 300km/h. Ainda sobre automóveis: o bafômetro é para coibir o uso de bebidas alcoólicas ao volante. Para os homens da lei, tanto faz consumir um litro de uísque, 10 garrafas de cerveja ou mesmo apenas um chope , um copo de vinho ou um bombom de licor. Um bêbado é igualado a um cidadão sóbrio. E tome multa pesada! E tome um ano carteira de habilitação suspensa! E tome injustiça! Os senhores deputados e senadores com seus folgados salários têm motoristas (pagos pelos contribuintes), são os inventores dessa lei mal feita. Os ricos não reclamam, justamente, pelas mesmas razões! Qual o inocente que acredita que tomam a carteira de motorista de um deputado federal (ou de senador) e que o obrigue a responder processo administrativo, por conta de dirigir depois de ingerir bebida alcoólica? E para os drogados, cadê cocainômetro, o maconhômetro e outros aferidores de viajantes alucinados? Estes podem dirigir livremente? Quantos, então, trocarão a bebida pela droga? Quanta incoerência! Sem contar que notáveis como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende a descriminação da maconha! Se uma hora dessas liberarem a maconha, neguinho vai dirigir “numa boa” enquanto o outro não poderá ingerir uma taça de chope. Para o STF, qualquer quantidade ingerida de álcool e dirigir é crime! Absurdo!
Também não entendo as regras gramaticais. Se o plural da palavra "todo" com as duas vogais "o" pronunciadas sonoramente fechadas e a palavra "corno" no seu plural pronuncia-se "cornos" com as duas vogais "o" abertas! E ao se tratar de pessoas traídas voltam a se fechar: "Cambada de cornos!" Com os "os" fechados. Só porque se trata de insulto? Também me é contraditório o termo "prova inválida" que rola nos meios jurídicos. Prova é prova e ponto. Outra aberração aceita na literatura jurídica é o termo "... alterações posteriores" mas os doutos juízes, desembargadores e jurisconsultos, muitos deles professores com títulos de doutorado, PHD etc, aceitam e ainda confirmam tal redundância nas suas decisões judiciais! Ora, todas alterações são sempre posteriores!... Prefeitura municipal: por acaso existe prefeitura estadual ou federal? Nos telejornais os apresentadores noticiam "a criação de novos empregos". Alguém consegue criar algo velho? Assim, as redundâncias, para eles tão naturais, que se referem aos generais de exército (só existem generais de exército!); despesas com gastos (despesas e gastos são as mesma coisa!); "O escritor Fulano de Tal em sua autobiografia..."(se é autobiografia, já é sua...) "Só que existe um pequeno detalhe" (alguém já viu um grande detalhe?) Sem contar "Erário público", "Planos para o futuro" "Encarar de frente" etc. Pois bem, caro leitor, queria apenas entender porque ninguém se toca, nem os revisores pagos para evitar esses terríveis pleonasmos. Realmente não dá para encarar! Nem de frente... Nem de lado... Nem de costa!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


A química que atrai nossos corpos

Por Tadeu Nascimento


Você é a grande causa. Quando alguém surge na sua vida não é só por força do destino. Como disse o filósofo espanhol Ortega y Gasset, "Eu sou eu + minhas circunstâncias". As circunstâncias entram com uma pequena cota-parte. Então, quando alguém entra na sua vida, é por que você está receptivo(a). Na verdade, a sua vulnerabilidade abriu uma porta para que esse alguém entrasse. Se ficou, ou ainda permanece, é porque você precisava ou ainda, precisa dessa pessoa. Por mais que se desentendam. A comunhão termina quando não mais se necessitam, não mais se completam, eis a verdade. De repente a pessoa virou uma porta, ou um jarro, uma estante, ou um toco, como gosta de me dizer um grande amigo. Você passa por ela (ou ele) e nem percebe! Acontece, porém, quando acaba uma relação, sempre alguém sai perdendo. Paciência: o mundo gira, a fila anda, e me dá licença que eu preciso respirar!
Voltando a vulnerabilidade. A natureza nos dotou de uma substância chamada feromônio que- como jocosamente sugere o nome- é um hormônio "fera". Brincadeira à parte, a palavra deriva do grego e significa "que transmite excitação". Feromônios são substâncias que funcionam como mensageiros entre seres da mesma espécie, desencadeando respostas fisiológicas e comportamento previsíveis; mas às vezes, nem tanto. Trocando em miúdos: depois de se conhecer alguém, seja o que Deus quiser! Trata-se fundamentalmente da preservação da espécie. E o poder de "detectar" está na ponta dos nossos narizes. O papel do olfato nos seres humanos é inegável, basta lembrarmos da bilionária indústria de perfumes. Pois bem, se o cheiro dele(a) combinou, pronto: bateu! É ele, o cheiro, que nos arrasta para as relações amorosas. Então, estar vulnerável é estar com os feromônios a ponto de bala! E de imediato os neurotransmissores captam e respondem a mensagem do outro corpo! Mas, justamente aí, que entra outro personagem da química na história: a testosterona, o hormônio do desejo sexual. E se não bastasse, outra substância pode- aí que mora o perigo!- compor a santíssima trindade: a dopamina! Substância esta que inventa e alimenta a paixão. Que nome mais sugestivo! Estar apaixonado é de certa forma estar dopa(mina)do! Que química maluca! E depois, eu que sou irresponsável por eu me apaixonar! Que doidura!
E batendo tudo no liquidificador, resulta uma síntese ainda mais complexa: o interesse. Mas onde quero chegar? Estou apenas tentando desvendar o labirinto para que se possa conhecer o porquê do amor! Continuemos: e aí, chega-se a conclusão que o amor se confunde com interesse. O leitor pode até discordar dessa tese. No entanto, lamento contrariá-lo, mas é sim! Interesse, nesse caso, é o subproduto das vontades desses dessas substâncias. Não se trata, aqui, do econômico-financeiro. Analisemos, pois, sem hipocrisia: a vida só é movida por interesse! Aliás, o amor, produto coado de tal mistura, mais que interesse, é posse (consentida, mas posse). Não adianta fingir. Não estou me referindo, repito, a posse-matéria-cifrão que é algo imoral e pernicioso. Discutir a relação, por exemplo, é confirmar se o amor (neste caso, posse) ainda existe. Basta perguntar pra si mesmo- no escuro de seu quarto (caso você desconfiasse que seu parceiro(a) tivesse um caso)- se você não cobraria dele(a)? Pois discutir a relação, não passa de um ajuste de contas: um cobrando, o outro se defendendo. Poderia até, fazer perguntas "inocentes" mas com claro intuito de descobrir alguma escorregada do dito cujo! Então, enquanto eu for seu, é porque eu deliberei, estou deliberando. Enquanto existir o nosso relacionamento é porque você me é interessante e eu lhe pertenço. É estar-se preso por vontade, como diz a bíblia (Corintios 1:13). Não há vergonha alguma nisso. E óbvio que serve tanto para o homem quanto para mulher. Enquanto suas pernas me convidarem a rodopiar a dança do acasalamento e eu sentir o frisson que mora no topo da felicidade; enquanto sua boca colar na minha, gerando energia capaz de provocar o "vesúvio" que habita em mim, a entrar em erupção; enquanto a luz, própria de quem ama, trouxer-me a paz que necessitam os deuses, você me é interessante e de você não me apartarei. Eis, o feromônio (o hormônio fera, o hormônio do amor) somado a dopa(mina) aos embalos das testosteronas aguçadas! Em suma, somos laboratórios ambulantes a cumprir a norma divina do "crescei e multiplicai!" É a explicação de sermos um amontoado de neurotransmissores antenados para atrair e sermos atraídos pela frequência de ondas energéticas do sexo oposto que por acaso chamamos de magnetismo.
Portanto, o filósofo Ortega Y Gasset que eu refiro nas primeiras linhas desta crônica acertou em cheio, embora naquele tempo, ainda não se soubesse dos poderes dos feromônios (a excitação) e muito menos dos efeitos alucinógenos da dopamina (a paixão) e da fome da testosterona (a libido). Alguém disse, não sei onde, que a natureza é perfeita!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sócrates


Sócrates, o poeta que escrevia versos com os calcanhares

Por Tadeu Nascimento

Três dias antes da morte de Sócrates, havia eu escrito, com tristeza, uma crônica sobre o possível fim de um dos maiores jogadores do futebol brasileiro. Mais do que isso, sobre o ser humano admirável que foi Sócrates. Com a notícia do seu passamento, em razão de inúmeras notícias sobre sua morte, aguardei alguns dias para publicar a minha admiração pelo Doutor Sócrates. Eis, o texto:
"Sócrates, o brasileiro, está próximo do fim. A nação lamenta a possível perda. Sócrates se encontra na UTI de um hospital em São Paulo. Nome grego e sobrenome brasileiro, este herói dos estádios, ao contrário de Aquiles (herói de Homero) cujo ponto fraco era o calcanhar, Sócrates fez desta parte da anatomia seu forte. Claro, o cérebro esteve sempre no comando. Assim como o poeta passa para o papel, o que criou na mente, ele, com o calcanhar escrevia arte. Imagino que o grego Aquiles- se não fosse ficção- morreria de inveja! Tróia moderna é Ribeirão Preto. O passe de calcanhar é uma jogada inventada ainda nos tempos de jogador do Botafogo de Ribeirão. Dizia o camisa 8 da seleção que a "jogada de calcanhar" foi inventada para compensar a sua lentidão em campo devido ao seu biotipo (alto e magro), pois os jogadores rápidos têm suas estaturas justamente ao contrário. Mas o Olimpo de Sócrates seriam os gramados dos estádios do Morumbi, Maracanã, Serra Dourada, Sarrià (Espanha) e tantos outros. Eternizou-se no Corinthians e na Seleção Brasileira. Não suportou o frio e a frieza de Florença e do time da Fiorentina e voltou para terra brasilis como Ulisses (Odisseu), amigo de Aquiles, voltou para Ítaca.
Pisciano como eu (veio ao mundo 5 dias depois de mim), nascido em Belém (Pa), este sonhador -perdoa-me o pleonasmo- quase utópico e um tanto anárquico (era contra qualquer ordem estabelecida), tanto que o técnico Telê Santana não o convenceu, enquanto na seleção brasileira, a abandonar o cigarro! Foi o criador da também utópica democracia corinthiana, movimento político único na história do futebol! Um ser tão pisciano (sonhador) que batizou seu filho caçula de Fidel Brasileiro! Estrela dos gramados e do Pinguim de Ribeirão Preto, entre outras choparias, é médico ortopedista formado naquela cidade. Abandonou a carreira de futebolista depois de defender as cores do Flamengo e um por último, uma rápida passagem pelo Santos. Sócrates não tinha mais paciência com a hipocrisia dos cartolas do futebol brasileiro.
Sócrates foi estrela também no palanque das "Diretas Já", em abril de 1984, ao lado de Tancredo, Ulisses Guimarães, Brizola, Arraes, Lula, Fernando Henrique, Chico Buarque, Fafá também de Belém, Betinho, Ziraldo, Osmar Santos, o locutor de esportes, e outras personalidades. Sócrates- magricelo- que quando marcava um gol comemorava o feito, com o andado que sugere um gafanhoto pedalando bicicleta- indiferente, como se não fosse ele a causa- do principal: o gol. Só depois de alguns anos passou a comemorar com alegria seus gols. O doutor não verá o seu Corinthians ser campeão brasileiro de 2011 no próximo domingo. UTIs não têm televisão, mas para Sócrates deveriam abrir exceção, afinal ele é o Doutor Sócrates. Exagero, à parte, o Magrão está em estado gravíssimo! Sócrates, jogador frio que se explodiu de alegria quando fez o primeiro gol do Brasil (naquela copa de 1982) contra a Rússia e depois contra a Itália ao fazer o 2º gol, empatando - que no final, os italianos acabaram nos vencendo por 3x2 e ganhando a copa do mundo de 1982. Ele novamente, marcaria o primeiro gol da seleção (contra a Espanha) na copa do México em 1986.
Sócrates tornou-se cronista. Escreve bem: foi destaque da revista semanal "Carta Capital", onde assina uma coluna por muitos anos. Equilibrado, ponderado e muito educado, nunca se achou melhor que outros jogadores. Ao contrário de Edson Arantes do Nascimento que sempre diz que o Pelé foi o melhor do mundo; de Diego Maradona que se arvora detentor da mesma façanha, Sócrates, modesto, sempre dizia que o Zico (Flamengo) era o melhor jogador do Brasil. Pra quem não sabe, Sócrates dirige um programa de entrevistas no Canal Brasil (Tv por assinatura). E em uma delas, foi com o jornalista esportivo Juca Kfuri. Está na Internet. Basta procurar no Google, o blog do Juca. Vale a pena ver.
Sócrates foi artilheiro do campeonato paulista pelo Botafogo de Ribeirão Preto em 1976 com 15 gols (um grande feito!); três vezes campeão paulista pelo Corinthians (1979,1982 e 1983), campeão carioca pelo Flamengo em 1986. Foi considerado pela FIFA como um dos 125 melhores jogadores de futebol vivos da história. Está no mesmo grupo composto por Pelé, Tostão, Maradona, Cruijff, Beckenbauer e outros grandes jogadores, felizmente, vivos."
Nelson Rodrigues, Antônio Maria, Ary Barroso, se vivos estivessem, escreveriam poemas sobre o Doutor Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, ou simplesmente, "Doutor" ou "Magrão".
Sócrates morreu em 04 de dezembro, na véspera da última partida que garantiu o título ao Corinthians de Campeão Brasileiro de 2011.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Diana Krall

Os Melhores Clips Musicais do Youtube

Por Tadeu Nascimento


Assim como colecionador de versos, sou amante de vídeoclips musicais de bom gosto. E pensando nisso, levo aos leitores que me privilegiam ao longo dos últimos 3 anos os 21 clips musicais do Youtube que entendo os melhores que já vi e que, de fato, os escolhi com cuidado que o assunto requer. A começar por Diana Krall- "The look of love" do genial Burt Barcharach". Trata-se de um trabalho de efeitos especiais, onde a belíssima cantora canadense 'canta num outdoor'. Maravilhoso! A seguir os outros dezenove: Brian Adams acompanhado do grande violinista Paco de Lucia numa taberna interpretando a canção principal do filme Don Juan de Marco: magistral!; Michael Jackson com a canção de protesto em defesa do meio ambiente, clip censurado pelo governo Bush por acusar os governos do 1º mundo pela destruição do meio ambiente; Marisa Monte em clip oficial cantando e dançando com o lutador da UFC, Anderson Silva, elegantemente bem vestido- uma beleza!; “Marisa Monte em dueto com a argentina Julieta Venegas em “Ilusão”; Caetano Veloso em ”Você não me ensinou te esquecer”, do filme Lisbela e o prisioneiro”; Caetano no palco interpretando "Fina estampa" que é o fino do fino; Pavarotti e Caetano cantam de Luis Bonfá "Manhã de carnaval" numa praça, ao ar livre, na província de Modena, Itália, show em benefício as crianças do Cambogia e do Tibet; Raimundo Fagner interpretando a música versão de "Durango romance" de Bob Dylan "Romance no deserto"; Paul McCartney com Michael Jackson em "Say Say, Say"; a versão de "Fina Estampa" na interpretação da belíssima argentina Soledad Pastorutti- lindo!; “Andrea Bocelli e Sara Brightman que dispensa comentário em Time say goodbye”; a imortal "What a wonderful word" na voz de Louis Armstrong; "All is need is love" do filme 'Across the universe' com Jim Sturgess; Carlos Santana e Rob Thomas em "Smooth lirycs"; Djavan em "Faltando um pedaço" , com apresentação do ator Andy Garcia no Gremy Latino Awards: 1º lugar; e na sequência, cinco clips dos Beatles inclusive 3 deles no famoso terraço que parou o trânsito uma rua movimentada de Liverpool, em 1969l, o mesmo terraço que 35 anos depois foi filmado "Across the Universe, citado acima. E por derradeiro, uma homenagem a Lennon:”Paul McCartney tribute to Lennon” com Paul,Elton John, Stting, Elton Jonh, Eric Calpton, Mark Knofler (Dire Straits) e Phil Collins (na bateria)- excelente! Aliás, todos os clips são belos!
Aproveite as festividades de fim de ano e curta os videosclips!
Antes, porém, é bom lembrar que se deva escrever no devido espaço (no youtube.com) os nomes dos clips, exatamente como se segue abaixo e de preferência, esperar baixar por completo o vídeo antes de assistir.

Como não poderia deixar de ser, a relação é bem eclética:

1- Diana Krall- "The look of love"
2- Brian Adams- Have you ever really loved a woman?
3- Michael Jackson- Earth song
4- Ainda bem- Marisa Monte com Anderson Silva
5- Marisa Monte e Julieta Venegas- Ilusão
6- Caetano Veloso- Lisbela e o prisioneiro
7- Caetano Veloso- Fina Estampa
8- Pavarotti e Caetano Veloso- Manhã de carnaval
9- Raimundo Fagner- Romance no deserto
10- Paul McCartney e Michael Jackson- Say, Say, Say
11- Soledad Pastorutti- Fina Estampa
12- Andrea Bocelli ft Sara Brightman Time say Goodbye Con te partiró
13- What a wonderful word- Louis Armstrong
14- All is need is love- Jim Sturgess
15- Carlos Santana e Rob Thomas- Smooth lirycs
16- Djavan "Faltando um pedaço"
17- Beatles-Get Back
18- I've got a feeling, The Beatles
19- The Beatles- Don’t Let Me Down
20- John Lennon- Come Togheter (live)
21- Paul McCartney, Sting, Elton John, Eric Clapton, Mark Knofler, Phil Collins- tribute to Lennon.

Feliz Ano Novo!

domingo, 18 de dezembro de 2011


Lira de um menino de Rio Verde

Por Tadeu Nascimento

Na minha terra existe uma praça com 5 imensas palmeiras (imperiais) plantadas há quase 50 anos. A praça leva o nome de Major Frederico Gonzaga Jayme. A minha terra é Rio Verde. Lembro-me bem quando foram plantadas por um funcionário da prefeitura, um velho (e mal humorado) italiano de olhos azuis de nome Palastrino, na administração de Paulo Campos. Acredito que elas vingaram, graças a braveza do italiano que as protegia das traquinagens da molecada. Imagino que elas alcançam uns 12 metros. Em meio as suas palmas existem uma colônia de araras e outra de periquitos. Elas vestidas de amarelo-azul, eles de verde-verde. Tais como a bandeira nacional. Diariamente, quando a aurora lança suas cores no horizonte e quando o sol se desbota na outra vertente, as araras cortam o céu- exibindo seus vôos de liberdade sobre a rua, onde me vi crescer. Cumprem um trajeto de 45º de longitude, rasgando o céu- como se voassem para Goiânia à tarde e voltassem no outro dia com os primeiros raios da manhã. Mas, na verdade, a viagem é bem mais curta: vão dormir aos pares (elas são monogâmicas, ou seja, nunca cometem "adultério"!) em outras palmeiras mais jovens, as da AV. Presidente Vargas. Esse aero-caminho de ida e vinda de todos dias, passa sobre a casa da minha vida, a casa de meus pais. Enquanto as araras gorjeiam em pleno vôo, os periquitos se reúnem na beirada do telhado da casa de minha história, numa algazarra alegre (como se estivessem num boteco), para "por o papo em dia". Tento decifrar suas "conversas". É como se eles, os periquitos, discutissem sobre a minha presença naquela casa: "Quem é esse cara que acabou de chegar?" Responde outro periquito: "É o primogênito do Prof. Clóvis, que era o dono da casa, falecido há 6 anos! "Ele se parece com a mãe dele, Dona Zaira, lembra-te dela?" Como ela era brava, aliás era a mulher mais brava do mundo! Uma leonça! Tinha um enorme ciúme do Prof. Clóvis e ele, liso, escorregadio como enguia, dominava a fera! Conheceste o prof. Clóvis? Era um homem calmo, lia muito e adorava uma cervejinha! Pois é, viveram juntos por mais de 50 anos! Ambos, pessoas boníssimas que estão fazendo muita falta!" Enquanto isso, as araras com seus gorjeios me enviam em pleno vôo, uma mensagem, um "avegrama", como diria Vinícius de Moraes no seu poema "Patriazinha": "Tadeu, um dia vais voltar pra sua patriazinha que é Rio Verde e dela, nunca mais vais sair!..."
A Praça dos Coqueiros, como é conhecida, tem alma assim como as praças dos grandes romances. Praça que por muitos anos serviu de espaço para circos e festas juninas: palco de minha infância. Praça dos tilintares das bolinhas de gude, dos peões a rodopiar e das pipas no céu (que chamávamos de raias). Praça dos meus amigos Laurinho e Marcinho Campos, Leão (Pedro da Silveira), Nasir, Jerry e Barchira Okde (filhos de Hasse Okde), Adalberto "Moita" (por onde anda você?); do Aparicinho Toledo e de seus irmãos "Carretel" e Érica; do Zaga (Luis Gonzaga Cruvinel), hoje no TCE-GO; do Clóvis "Picolé" Guimarães (hoje em Cuiabá). Do Emilinho Baylão e do gordinho de calças curtas Emilinho Hannun (hoje, funcionário da Saga Veículos, em Goiânia).
O tempo viaja rápido demais. O ontem está ficando velho demais. E quanto ao hoje, eu com os cabelos gris, quando vou ao meu chão natal, passo pela "praça dos Coqueiros", miro o lábaro estrelado, o mesmo pedaçinho de céu, que agora é governado pelos periquitos verdes-que-te-quero-verdes e araras ouro-anis, me vejo menino lançando ao céu imensas pipas que a minha mãezinha encomendava ao Ozorinho Arantes, hoje publicitário de renome em Goiânia. E ele as fazia com maior esmero. Eu, dentro de minhas calças curtas, controlando a pipa com linha grossa e carretilha de madeira apoiando contra o meu corpo. E lá, no teto do mundo uma dezena de outras pipas disputando espaço e beleza. No chão da praça, as palmeiras, ainda pequenas, se erguiam para o céu, assim como eu para vida. Minha mãe me via feliz e isso- me lembro bem- deixava-a mais feliz ainda. Ah, que saudades do amor de minha mãe! Décadas se passaram e as palmeiras estão frondosas e eu, aqui, me desgastando com o tempo.
Sentado à mesa, ao ar livre, do "Quinta Essência", olho para os 4 cantos da praça, para as 5 palmeiras, para o azul infinito, me dá vontade de inverter a lógica do tempo e pedir ao nobre garçom 2 chopes; um pra mim e outro para o meu mais querido parceiro, meu pai. E repetiria muitas vezes: "Garçom, por favor, mais 2!" Mas ele não está ali. E nunca mais vai compartilhar um chope comigo. Um vazio enorme enche meu peito. Vem a vontade de chorar. Eu sei que esse é o preço que pagarei (sempre) por ter vivido dias felizes. Não tenho como impedir a lágrima que cai.
Ah...Palmeiras de minha praça, se soubesses de minha saudade... chorarias também.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011


O melhor afrodisíaco da vida

Por Tadeu Nascimento

Sempre defendi a tese que só existem dois mistérios indecifráveis na vida. Em primeiro lugar a morte, pois ninguém voltou do outro lado, pra contar o que rola por aquela banda. Embora, acredito que a alma é imortal. Se não, qual seria o sentido desta vida? Viver, morrer e acabou? Tem que haver um porquê do sol, da lua, do ser humano, do amor e até da própria "morte"! Todavia, respeito quem não crê que haja outra vida depois dessa. E o segundo mistério é o sexo oposto. Bem, esse minha amiga, talvez seja quase complicado quanto ao primeiro. Nem a mãe sabe o que pensa o filho. Tanto o homem quanto a mulher jamais saberão o que pensa o outro. E uma das coisas que mais me intriga- e chega a ser engraçado- são as contradições das mulheres; suas mudanças de opiniões. Exemplo: conheci mulheres que por muitos anos, cultivaram sonhos- com estereótipos de beleza de um Brad Pitt, de um Tom Cruise e sonhavam com eles ao ponto de babarem nos travesseiros. Victor Fazano, ator de novelas, teve seus dias de glória nas fronhas de muitas mocinhas brasileiras. Todavia, o ator bonitão despencou do alto dos sonhos das dondocas, depois que ele se confessou homossexual. Sumiu da mídia! Lamento amiga, mas gosto é gosto! Há de se perguntar: a beleza se confunde com felicidade? Pode ser, mas só até certo ponto. Na hora “dos finalmentes”, nos altares da vida, se casam com seres, cujos biótipos são totalmente contrários as pretensões de antanho. Algumas, passam a ter frissons por carecas; outras por homens de tamanho reduzido- tipo amostra grátis; outras por barrigudinhos- ou barrigudões- ou ainda por coroas de cabelos pintados com Gressin 2000. No frigir dos ovos, o fetiche por homens, ditos bonitos, é muito relativo. Embora, claro, exista um padrão de homem bonito. Que o Gianechini é um homem bonito, assim como Johnny Depp é óbvio, mas na hora da onça beber água, casam-se com o supra sumo de feiúra. Treino é treino; jogo é jogo! Com isso, fica claro que a beleza não governa eternamente as mulheres. A verdade é que as mulheres são muito pragmáticas. Sabem que a realidade é bem diferente da fantasia. O que está no mundo do possível e o que está no mundo dos sonhos. Não estou me referindo as que se apresentam "honestas", mas que se vendem facilmente a qualquer malandro que aparece com uma camionete Hillux último ano. Acontece que muitas dessas não imaginam que irão se casar com os ditos cujos e de quebra acompanhados de oficial de justiça com intimações judiciais a tira-colo. Mas isso é apenas um detalhe. Está no DNA feminino uma palavrinha mágica: segurança! Segurança econômica, óbvio. E quando tomam consciência disso, muda o foco em relação aos homens. Acho que estão corretas. A mulher é mais pragmática que o homem. Qual a mãe que gostaria que a filha se casasse com um duro na vida?

Mas afinal, o que mais atrai a mulher por determinado homem? Melhor, o que deve fazer o homem para ser atraído por uma mulher. A famosa escritora chilena, Isabel Allende autora do best seller "Casa dos Espíritos", numa entrevista à revista Play Boy, creio que na década de 90, sobre o que mais excitava as mulheres sexualmente, respondeu: A inteligência. O repórter, surpreso, indagou o porquê da afirmativa, ela respondeu: "Se você não sabe, fique sabendo que o ponto G está nos ouvidos! E é perda de tempo procurá-lo em outro lugar!" E disse mais: "Ah, o ponto G, esse é o paraíso secreto que leva os homens a explorações minuciosas! Pois saiba, não temos um ponto G, mas dois, um de cada lado da cabeça e não é preciso tirar nossas roupas para nos deixar em êxtase! Falem rapazes! Digam tudo que sentem por nós! Não há estimulante sexual mais forte que as palavras de amor! Não há como se apaixonar sem gostar do que ouve do outro! O melhor afrodisíaco da vida é uma declaração de amor!" A exteriorização da inteligência masculina é o que determina a atração feminina.
Já com os homens, o violino toca notas ainda mais complicadas. Tirante os picaretas e outros canalhas, os homens buscam mulheres que sejam belas em todos sentidos. Não se leva muito em conta a grana. Pode até ser paupérrima, mas sendo bela, elegante... Estou falando de projeto de vida a dois. Só que aí, amiga , para encontrá-la é raríssimo nesse mundo imediatista.

Agora, no que tange ao simples sexo, a performance, por exemplo, de Paola Oliveira, de Guilhermina Guinle não sobrevive mais que poucos minutos na cabeça de um homem. Por mais que a bunda de Juliana Paes seja algo estonteante, é tão passageira quanto da Mulher Melancia ou ainda, da Mulher Samambaia: não passam de pôsteres em borracharias! Pra nós, homens, não há sonho com atrizes de cinema ou de TV. Nunca ouvi dizer- de algum amigo- que ele tenha sonhado com Angelina Joule, por exemplo. Na verdade, passada a fase da puberdade, o que mais nos excita é aquela que esteja- no tempo presente- vivendo conosco uma história de amor, ou que tenha expectativa de dias inesquecíveis. Mesmo que um dia, a história acabe. Pois a mulher quando ama quer se entregar de corpo e alma ao ser amado. Razão pela qual entendo que o melhor afrodisíaco do mundo- perdoa-me o linguajar popular- é a mulher que quer "te dar"! E quando ela chega a tal ponto é porque existe um mínimo de sentimento. O desejo feminino é o que determina o sucesso na relação. Que seja, pois, infinito enquanto dure!- disse o poeta da paixão. Enquanto o fogo arder, nada mais sublime. Apagada a chama, acabou, como tudo nesta vida acaba. C'est la vie!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

"Allons enfants de la patrie"

A Marselhesa (Avante, filhos da pátria!)


Por Tadeu Nascimento



Não é exagero afirmar que o hino nacional da França é o mais belo de todos. Embora o Hino Nacional Brasileiro seja muito bonito, o hino francês é de uma beleza única. O dos EUA, por sua vez, tem uma tristeza de marcha fúnebre. A Marselhesa, oficializada como hino quando das comemorações do 1º centenário da Revolução Francesa (1889) é um brado heróico, canção com espírito de esperança, um hino que mexe com os brios de quem a ouve e emociona quem a canta. Como não poderia deixar de ser, a Marselhesa tem muitas histórias em torno de si. Seu autor, Claude Joseph Rouget de Lisle, capitão da artilharia do exército, a compusera em 1792 em Strasburgo para os seus concidadãos. Rouget de Lisle era monarquista, o que quase o levou a guilhotina. Mas antes de tudo era um compositor. A letra que se inicia por chamar os filhos da pátria a lutar contra a tirania; uma melodia de compassos curtos, próprios de das canções militares, porém tem a doçura de uma obra de Mozart. "Allons, enfants de la patrie/ Le jour de glóire est arrivé/ Contre nous de la tyrannie/ L'étandard sanglant est leve" (Avante filhos da pátria/O dia da glória chegou/ Contra nós a tirania/ O estandarte de sangue se levanta". Tem seu ponto máximo no refrão "Aux armes citoyens! Formez vos bataillons! ("Às armas cidadãos! Formem seus batalhões!") A palavra francesa "enfants" vem da mesma raiz latina de infância, infantil, infante. La Marselhaise levava originalmente o nome de "Canto de guerra do Exército do Reno". Reno é uma região da França por onde passa o rio do mesmo nome. O prefeito de Straburgo, Barão Dietriche, pediu a Rouget de Lisle que ele fizesse uma canção de guerra para encorajar as tropas na guerra contra o exército austríaco. O poeta a compôs em apenas uma noite, em 24 de abril de 1792. Meses depois, na noite da queda da Bastilha, a tropa do exército que vinha de Marselha cantava pela primeira vez em Paris o "Canto de guerra do Exército do Reno". No dia seguinte, milhares de parisienses cantavam pelas ruas "Allons enfants de la patrie!.."

A curiosidade maior é por conta da vida do compositor. Rouget de Lisle, filho de um casal de aristocratas, inconscientemente fez a canção mais revolucionária de toda a história mundial. A mãe, Jeanne Madeleine brigava sempre com o filho, acusando-o de traidor, de um dos responsáveis pelo o sangue que estava derramando por toda França. Tudo por ser o autor do hino dos revolucionários, do hino encorajador do povo que destruiu a realeza e nobreza da França! Mal imaginava que a história havia reservado ao seu filho um lugar no ápice do panteão da glória! Que um dia La Marselhaise seria o Hino da França. O mais belo de todos os hinos do planeta! Tchainkovisk e Schumann a tinham como uma obra de grande beleza e qualidade.

Certa vez foi perguntado a um parisiense o que ele fez nos 10 anos que duraram a Revolução Francesa, ele respondeu simplesmente: "Vivi!" É pouco?- pergunto ao leitor. É de se imaginar o quanto aqueles dias foram conturbados! Uma década de incertezas, fome, tiroteios, barricadas, prisões, patíbulos, guilhotinas...Foram 10 anos únicos na história da humanidade, algo inusitado, espetacular, no sentido mais trágico da palavra. Imagine testemunhar o rolar para o cesto as cabeças de Luis XVI, Maria Antonieta, Marat, Danton, Charlotte Corday, Camilo Desmolins, Lavoisier, Robespierre. A ascensão do megalomaníaco Napoleão Bonaparte. Ver a Revolução devorar seus filhos. Tudo dentro de uma só década! E ainda, depois, após outra década, ver Napoleão preso e os seus 530 mil soldados tombarem nos campos de batalha. Se não bastassem viver um dos momentos mais importantes da história universal, romper com os laços de família, com os amigos da aristocracia, Rouget de Lisle foi da glória ao ostracismo. Seu fim de vida foi melancólico, para não dizer miserável. Maltrapilho, ficava nas tabernas, bebendo vinho barato, posto que ficara pobre com a Revolução e depois amaldiçoado pela a monarquia que fora restaurada. Ninguém acreditava- quando, já sexagenário, com seu violino, executava nas madrugadas de boemia a sua obra maior- que aquele pobre diabo era realmente o autor da imortal La Marselhaise, que um dia seria oficializada Hino Nacional da França.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011


Bye bye, Capitalismo



Por Tadeu Nascimento


Foi uma longa espera, mas agora está acontecendo. O capitalismo está ferido de morte. Quando atinge a classe média do mundo todo; quando tiram dos bolsos daqueles que sempre tiveram bons empregos e geladeira recheada; quando se vê que se restarão somente a classe rica e classe pobre, aí o bicho pega! É o que está acontecendo nos EUA e na Europa! Não custa lembrar que a Revolução Francesa só foi possível quando a classe média da época, a burguesia, foi para as ruas lutar contra a realeza e contra as corporações. Não é mais possível a concentração de riquezas nas mãos de poucos. Nas principais países desenvolvidos e em desenvolvimento sopitam manifestações populares contra o capitalismo. Se nunca as manifestações populares obtiveram êxito, foi porque estas eram diversas e próprias de cada país. Mesmo assim, em 1968 uma grande onda mundial de revoltas populares mudou o rumo do planeta, embora não conseguissem vencer o capitalismo. Nos Estados Unidos, as grandes passeatas foram contra a Guerra do Vietnan; na França pela reforma política; na Thecoslováquia contra a ditadura soviética; no Brasil contra a ditadura militar. Eram revoltas diversas.
As verdades absolutas que defendem o capitalismo caminham para o brejo. Depois que instalaram o satélite de comunicação na órbita terrestre, não há mais verdade que se esconda e nem mentira que se perdure. O hacker australiano Julio Assange dono site Wiki Leakes, foi preso em Londres por divulgar documentos sigilosos sobre a Guerra do Afeganistão, mensagens pessoais da ex-candidata a presidente dos EUA, Sarah Palin e o pior, publicou no seu site cerca de 250 mil documentos sigilosos da diplomacia americana em novembro de 2010. Não adianta prendê-lo, ou mesmo matá-lo, outros ocuparão seu lugar. Não há dúvida que o mundo tornou-se uma aldeia.
A comunicação ficou mais ágil que as conversas de um cidadão com seu vizinho de rua. O que acontece em Tókio fica-se sabendo na mesma hora em Chique-chique no Ceará, em Cumari em Goiás, em Uruguaiana no Rio Grande do Sul, em Mombain na Índia. São as redes sociais, como Facebook, Orkurt, Twiter e outros caminhos da Internet como Youtube, Hotmail, Gmail etc. interagindo a humanidade. Elas são tão importantes nas vidas dos cidadãos como é o pão de cada dia. E não há censura que segure! Por conseqüência, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas na Europa e nos Estados Unidos neste sábado e domingo (15 e 16 de outubro/2011) para protestar contra o sistema bancário global (leia-se capitalismo) tudo por conta das redes sociais. A onda de insatisfações lastra como rastilho de pólvora! O padrão de vida caiu (e tende a cair ainda mais) em quase todo planeta! Daí as revoltas. Na Grécia, contra o arrocho salarial e o desemprego instituídos pelo governo para salvar bancos- com o dinheiro do contribuinte- em nome de salvar a economia- e com isso a população enfrenta a polícia e promove quebra-quebra de vidraças das instituições bancárias. Na França, contra o governo que protege os bancos (Nicolas Sarkoszy está prestes a perder a sua reeleição para o candidato socialista). Na Espanha a greve dos Indignados toma conta das grandes cidades. Em mais de 100 cidades americanas há revoltas contra o sistema financeiro. Em Nova York, milhares de manifestantes cercam o centro financeiro de Wall Stret, clamando -pela primeira vez- por aumento de impostos para os ricos para solucionar a crise que naufraga os EUA. Até a sólida Alemanha enfrenta greves porque o governo salvou o segundo maior banco do país. O grito é um só: contra o capitalismo que aí está!
Atenção, senhores políticos, banqueiros e donos de incorporações! Em 2008 o ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq, Bernard Madoff, deu um tombo no sistema financeiro americano em 110 bilhões de dólares e foi condenado a 150 anos de prisão! Golpe maior do qualquer outro no Brasil. O mundo mudou. Em Brasília, na porta do Congresso; em São Paulo, ao longo da av. Paulista; no Rio, na Av. Atlântica etc. As passeatas tupiniquins ainda são contra a praga da corrupção, pelo fato da crise ainda não ter chegado por aqui, mas a hora que chegar... A verdade é que pela primeira vez na história, em todo o planeta, milhões de pessoas (sem bandeiras partidárias) protestam em sincronia contra o capitalismo desumano, onde cada vez mais o rico enriquece e o pobre empobrece. E no mesmo balaio a revolta contra políticos que optam- quase todos- pelos banqueiros em detrimento do eleitor. Em suma: privatizam os lucros e socializam os prejuízos! Quem não se lembra do famigerado PROER do governo de FHC que injetou milhões de reais para salvar o Banco Econômico, o Banco Nacional e outros e mesmo assim, esses mesmos bancos quebraram? Não tem cabimento um diretor de banco receber salários de R$ 300 mil reais/mês para que depois, o governo banque suas quebradeiras! Os governos salvam os bancos com o dinheiro do povo! Tem sido sempre assim e o povo... Bem... o povo, como de costume, que se lasque!
Não tenho vocação para adivinho, mas sei que uma nova ordem vem aí! O capitalismo, mos moldes que aí está, a nos explorar até a alma, está agonizando! Com certeza virá um capitalismo sem as presas vampirescas que sempre sugaram o povo. Talvez um socialismo menos utópico, mais realista e sem as mãos pesadas como as de Stalin. A escravatura não caiu? Quando imaginaríamos um negro na Casa Branca? Uma presidente do Brasil? Em cada banco de escola não terá um computador? Alguma coisa está prestes a acontecer. E ai, meu caro, os homens do dinheiro terão que devolver o excesso antes que seja tarde demais. Ou através de impostos sobre grandes fortunas ou através de revoltas que podem desaguar na terceira guerra mundial- e o barco está mais para uma nova revolução! Não é difícil deduzir que terão que entregar os dedos para não perderem os braços. Quem viver verá!
Neste momento em que escrevo esta crônica, madrugada de 26/10, nos Estados Unidos, a pátria do capitalismo, continuam protestos contra a ganância e a corrupção. Houve confrontos com policiais e centenas de manifestantes foram presos na Califórnia, Georgia e New York
Os governantes que lançaram o satélite, se soubessem no que ia dar, jamais fariam o que fizeram e nós estaríamos ainda escrevendo em um teclado de uma velha máquina de escrever Olivetti...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011


Elano e Nívia

O amor e outros desastres

Por Tadeu Nascimento

Esta crônica poderia também se chamar de "Armadilhas da vida" ou " Crônica do amor ferido". O fato tornou-se público. Trata-se da atriz Nívea Stelmann e de Elano, jogador de futebol do Santos. O jogador teve um caso amoroso com a atriz global. Nada demais. Aliás, tudo de bom. Amar é única razão dessa vida. Mas aí que mora o perigo! Ninguém sabe das armadilhas que o amor arquiteta. O caso foi parar na justiça. Elano Bruner entrou com uma representação por danos morais acusando Nívea de enviar para a ex-esposa e para sede do Santos Futebol Club fotografias e áudios da intimidade do casal. Nívia contra-ataca e diz que também acionará Elano por invasão de domicílio, atentado ao pudor e danos morais.

Não é a primeira vez que casos de amor de jogador de futebol com atriz ou cantora tornam-se escândalos em jornais e na TV. O mais famoso foi o de Garrincha e Elza Soares. Tiveram um amor tórrido e desastrado que teve episódios como o acidente automobilístico onde morreu o único filho do casal. A história de Mané e Elza termina. Para sempre. Embora se amassem até a morte como os trágicos Romeu e Julieta.

Quando Elano e Nívea começaram a se relacionar ele ainda era casado com Alexandra. No início de 2011 o jogador do Santos se separou judicialmente da esposa. O romance com Nívea durou um ano. Mas enquanto juntos, pareciam viver um conto de fadas. Nos jornais e revistas Nívea se mostrava em estado de graça! Elano, por sua vez, jogando bem na seleção. No entanto- não se sabe o porquê-, quando a seleção brasileira estava disputando a Copa América na Argentina o craque santista terminou com Nívea por telefone. No mesmo dia Elano postou no Twiter que estava solteiro mais uma vez.

Praga de urubu em jogador canarinho. Vieram as quartas de final e o jogo foi contra a seleção do Paraguai e foi decidido nos pênaltis. Elano bate e erra. André Santos, Thiago Silva e Fred também erram. Um desastre! O Brasil é eliminado. Como desgraça pouca é bobagem, dias depois, pelo campeonato brasileiro o Santos que vencia o Flamengo por 3X0 menosprezou o adversário que conseguiu diminuir:3X2. Veio a oportunidade para selar a vitória do Santos com um pênalti. Quem vai cobrar? Ele, Elano. Despretensiosamente, com a cabeça na lua ou talvez pensando em uma atriz da Rede Globo, Elano chuta bisonhamente e erra o pênalti. E o Flamengo vira para 5X4! Maravilha para o Flamengo e desastre para o Santos! Desequilíbrio emocional? Azar? Inferno zoodiacal? Tudo conspira contra!

Em agosto tenta se reatar com Nívea. Ela o evita. Elano insiste. Chega ao disparate de pular o muro da casa atriz em um condomínio nobre do Rio de Janeiro para falar com ela. Nívea posta no Twiter "Bom dia!..homem-aranha mesmo..."

Dias depois, Elano volta a se relacionar com a sua ex-esposa. Nívea teve conhecimento e ficou indignada, para não dizer possessa. Iniciam-se os escândalos na mídia. Mágoas à parte, é evidente que o amor está lançando suas farpas! Para machucar. Para não se deixar esquecer.

Não acredito que as barras dos tribunais decidirão o fim da história de amor entre a atriz e o jogador. Ainda há muitos pênaltis a serem convertidos em gols no palco das vidas de Elano e Nívea. A novela não terminou e o campeonato está apenas começando.