quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Seedorf
E se o Botafogo for campeão e se cair neve no sertão 

Por Tadeu Nascimento 

                              
                               Nos meados da década de 80 o cantor Francis Hime,  gravou a música "E se" (de autoria dele e de Chico Buarque) onde  faz gozações com os fatos impossíveis ou quase.  E aí, ele pega o time da estrela solitária: "E se cair neve no sertão"/ E se o Botafogo for campeão. Pois, não há de ver, leitor,  que pouco anos depois tiveram que engolir o próprio verso, pois o Botafogo foi bi-campeão carioca 1989/90 e depois campeão brasileiro de 1995- série A.  A letra capciosa da canção faz alusão aos 21 anos que alvinegro carioca não erguia qualquer taça. 

                                   Depois de 13 partidas, um terço do campeonato brasileiro de 2013 o Botafogo está na ponta, juntamente com o Cruzeiro, com 25 pontos. O time mineiro está à frente, por saldo de gols. Mas em que pese os caprichos dos deuses do futebol, tudo conspira a favor do alvinegro carioca. Até na numerologia: a somatória de 1995, o ano que o Botafogo foi campeão brasileiro (1+9+9+5= 24 que por sua vez somados, 2+4 = 6)  e o ano de 2013 ( 2+0+1+3= 6). Os dois resultados redundam em 6! Eis, o que diz a ciência da numerologia. Outra passagem cabalística: Botafogo versus Flamengo, ano 1989. Botafogo, 21 anos sem ganhar nenhum campeonato. Mas com os deuses do futebol não se brinca: aos 21 (olhe a repetição dos 21!) minutos do 2º tempo! Em que data? Ora, no dia 21 de junho de 1989!  O baixinho Mazolinha , que calça chuteira nº 36, cruza para Maurício balançar as rede: 1x0 e o Botafogo campeão!  Pra quem não acredita, é bom lembrar de um outro fato, o do "Tri-campeonato da Seleção Brasileira" que é bastante curiosa: a somatória dos dois anos nos quais o Brasil sagrou-se campeão, diminuindo-se do ano em que perdeu em casa, em pleno Maracanã, resulta no Brasil Tri-campeão (1958+1962= 3920-1950= 1970).  Se não bastasse, o Brasil, na campanha para o "TRI", em 1970, no México,  enfrentou na 1ª fase a Tchecoslováquia, Romênia e Inglaterra. Exatamente nesta sequência. Pois não é que as iniciais desses 3 países formam a palavra "Tri"! Então, caro leitor, não é sintomático, o futuro do Botafogo em 2013? Sem contar que o alvinegro é o campeão carioca de 2013. E ainda está disputando, com grandes chances, a Copa do Brasil.   

                                Mas não é só isso: o Botafogo conta com um time organizado. Tem um goleiro de seleção, uma defesa firme, um meio de campo criativo com Gabriel, Lodeiro (da seleção Uruguaia) e Seedorf  (ex-Milan e ex-seleção da Holanda) e no ataque  Vitinho (um garoto de 18 anos, que segundo o mestre Zagallo, será um novo Jairzinho) e Rafael Marques que finalmente resolveu  dizer a que veio.

                                Seedorf. Capitulo à parte. O atleta negro precioso. Um diamante negro do futebol do 3º milênio. Grande jogador. Líder em campo. Mais que um homem simples e educado; ele é elegante. Tanto dentro das 4 linhas, quanto nas linhas gerais da vida.

                                Agora, como nada é perfeito nesse mundo- muito menos no mundo futebolístico- esperamos ter muita sorte com a arbitragem, pois o Botafogo sempre teve contra si a leviandade dos juízes. Certa vez, em 1981, jogando uma semi-final contra o São Paulo, fora de casa e o alvinegro, ganhando por 2x0, o homem de preto, ao 45 minutos do 1º tempo, marcou penalt inexistente pró São Paulo: Serginho Chulapa se jogou na área. E no 2º tempo pressionaram tanto, inclusive com invasão de campo e  inversões  de faltas a favor do time paulista, que resultou na vitória  do São Paulo, que o credenciou para jogar a final contra o Grêmio, naquele episódio em que o Serginho Chulapa foi expulso por ter chutado a cabeça do Leão, então goleiro do time gaúcho.  E então os deuses do futebol castigaram o tricolor paulista e o Grêmio com o gol de Baltazar, que recebera um passe da ponta esquerda do ex-botafogo Renato Sá, sagrou-se campeão Brasileiro daquele ano.

                                "Sonhar não custa nada"- diz o samba-enredo de 1992 da Mocidade Independente de Padre Miguel- e  é por essa  razão, que continuo sonhando.

                                Então, mesmo que precise  cair neve no sertão, o Botafogo será o campeão brasileiro de 2013!

                                É a "Operação Botafogo rumo a Tóquio 2014".

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cajuzinho rasteiro do cerrado

  Gostosuras de minha infância


Por Tadeu Nascimento



                 De vez em quando a gente cai na armadilha da memória e arranca de lá coisas do fundo baú. Hoje , por exemplo, no café da manhã havia uma bandeija com bolos cortados em quadrados de cor verde. Acho que o verde é devido a anilina. Lembrei-me da Padaria Natal da minha pequena Rio Verde, ainda com 35 mil habitantes. Hoje sua população é quase 6 vezes maior. Na padaria vendia-se o famoso "bolo de 3 cores". De repente me dei conta que muitas coisas boas não existem mais. Assim como o bolo tricolor, não mais se encontram a brevidade e nem o sonho (com pedaço de goiabada; os que existem hoje são com recheio exagerado de doce-de-leite com trocentas mil calorias, e claro, muito  enjoativo). Havia também uma iguaria sem igual: a flor de côco. Evidentemente com côco, mas em lascas, com leite moça. Em Goiânia, uma senhora nascida em uma fazenda perto de Rio Verde , dona Felicidade Guimarães (que nome interessante!), ainda vende essa rara e pequena maravilha que é a flor de côco com leite moça. Sem exagerar é uma felicidade. Seu nome e endereço se encontram no Google. A flor de côco de Dona Felicidade tem sabor de infância. Vale a pena conferir.
                E a saudade de coisas boas não param por aqui. No Bar do Ney na mesma rua, vendia-se sorvetes artesanais, feitos na hora, de creme holandês, de creme de ovos, de ameixa. Todos feitos sob o girar de uma hélice de uma máquina que engrossava o creme. Sorvetes na casquinha ou na taça com colherzinha de alumínio. Comia-se (ou tomava-se, como se dizia) também com Coca-Cola (vaca preta) e guaraná (vaca amarela). Tudo maravilha! Picolés de groselha e os também de 3 cores. No Bar do Ida Proto, na Rua Rui Barbosa e depois na Rua Edmundo Carvalho, fazia-se o sorvete de nome "Delícia" sabor de creme de ovos com abacaxi. O sorvete "Delícia" era o fino do fino!
               No Bar do João Surdo (João Proto de Souza/ Confeitaria Zigue-zague) vendia-se um pudim que nunca comi igual: o famoso- pelo menos em Rio Verde- "Lambe o Dedo": oitava maravilha do mundo!

               Com as frutas aconteceram o mesmo. Na casa do Sr. Carrinho Cunha (Carlos Cunha Sobrinho) havia um "pé de manga Bourbon" cujas frutas tinham grandes manchas pretas na casca e eram uma gostosura só. Hoje não se vê mais mangas Bourbon com pintas... Na casa da Donana, em frente onde hoje é o Tiro de Guerra, haviam jaboticabas graúdas e  extremamentes doces.  As que que existem hoje ficam muito a desejar. Nunca mais degustei mangas e jaboticabas como aquelas. Quantos anos não como cajuzinhos do cerrado, não aqueles de cajueiros de 3 metros, mas refiro-me aos pés de cajuzinhos "rasteiros" de 60 centímetros de altura. Existiam milhares desses cajueirozinhos perto do aeroporto da cidade.
              Mas como tudo que é bom dura pouco, infelizmente o que era doce se acabou. Como disse o escritor João Guimarães Rosa: "a felicidade se acha em  horinhas de descuido!" Deveria, pois, ter-me descuidado mais!
              A gente só é realmente feliz quando menino. Pena que passou.
                                     
O hétero cantor Falcão

O Dia do Homem no Brasil



Por Tadeu Nascimento
                                                     

                               Hoje, 15 de julho, no Brasil, comemora-se o Dia do Homem. Ou deveria. Embora o Dia Internacional do Homem  seja comemorado no dia 19 de novembro. Não me cumprimentaram e também não vi ninguém cumprimentar qualquer homem pelo dia de hoje. Passou em branco. É certo e sabido que o dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março e que elas recebem flores, homenagens dos políticos, dos professores, dos apresentadores de TV, enquanto os homens recebem tão somente a indiferença. Desconhecem que, quem gasta grana e afeto com as mulheres, somos nós, os deletáveis  marmanjos. Pois então lanço aqui o meu manifesto contra essa injustiça.
                                     Aproveito esse momento de insatisfações, onde muitos dos manifestantes não sabem contra o que estão contestando e nem o que desejam afinal. São mais uma turma de rebeldes sem causa. E no meio desses, outros se agarram no modismo da rebeldia e aproveitam para dar o seu grito! O mais evidente:  o de se sair do armário! Onde, de certo, tinham algum relacionamento com cabides. Nunca neste país -como diria um certo ex-presidente- saiu tanta gente do armário. Não tenho nada contra, nem a favor, pelo contrário. Cada um vive como bem lhe aprouver. Por via das dúvidas, é bom reafirmar que não sou homofóbico! Mas que a coisa está estranha, não tenho dúvida. O ator José de Abreu (o Nilo, da novela Avenida Brasil), do nada, sem que ninguém o questionasse, resolveu sair do armário e jogar a chave fora. Acontece que a sua esposa veio a público garantir que Zé de Abreu é macho sim! Portanto, não se sabe em quem  acreditar, se no próprio ou em quem administra o pedaço mais importante do próprio.  Trata-se da era das incertezas: lembro-me do escândalo ocorrido há uns vinte anos que envolvia Chico Buarque e Daniela Mercury. A fofoca da época era a de que se apaixonaram e que esse "afair" foi a causa da separação do casal Chico Buarque-Marieta Severo. Nada anormal. Até então, pensava-se que que Daniela tinha queda por homens! E agora, nesse ano 13 do terceiro milênio, também, sem que ninguém  questionasse, vem a mesma Daniela Mercury, arrebentando a porta do armário, como se dissesse "Sou, mas quem não é"? E ainda, de mãos dadas com sua namorada, com quem  teve 15 anos de "amor I love you"! 

                                    É bom lembrar que as paradas gays no Brasil são coisa de menos de 20 anos. Pesquisando no Google encontrei que 1ª Parada Gay ocorreu em São Paulo em 1997. E se alastrou por todo o país.
                                    E o papo hétero continua. Felix, o personagem da novela "Amor à vida", quando foi descoberto pela esposa que ele era um extraditado de armário,  jurou voltar para o guarda-roupa, trancá-lo e dele nunca mais sair. Como disse, está tudo muito estranho. Vai chegar o dia que  você será apresentado a alguém e esse ser de sexo inimaginável há de perguntar-lhe se você  é do sexo normal, homo, bi ou tri sexual,  alternativo, genérico, tico-tico no fubá, metro-sexual (ou centímetro-sexual)! É, meu amigo, o mundo está virando gay!
                                    E se deixarmos, caro leitor hétero, nós que seremos os anormais. E quando isso acontecer, seremos humilhados, zombados e não poderemos nem servir o Exército! Ir ao estádio de futebol, nem pensar! Por falar em futebol, já pensou, daqui a pouco  os campeonatos brasileiros de futebol serão com jogadores gays! Com pernas depiladas, batom e esmalte!  E as  faltas? "Desculpa-me querida, foi sem querer!" E ainda pode acontecer, leitor hétero,  você  namorar uma "hétero" (não existe hétera), o que não seria um comportamento, digamos, politicamente correto.
                                    Daqui a uns dias, ser heterossexual (isso mesmo, com dois esses) é ser minoria. Se já não é! Se é assim, é bom que respeitem as minorias! E mais ainda, a última das minorias! Por conta disso, garanto ao leitor, que  logo teremos Paradas Hétero em todas cidades- mesmo que pequenas. E quem não for, você já sabe, pertence ao grupo de lá! O que acabaria provocando uma grande heterofobia! Eis o meu protesto!
                                   Diante da minha contestação, que é uma rebeldia com justa causa, convido todos os héteros (homens e mulheres, evidente),  para o dia 15 de julho do ano que vem para participar da 1ª Manifestação dos Héteros  de Goiânia, onde comemorar-se-á o amor ao sexo oposto! Onde também serão homenageados os mais eloquentes héteros do Brasil, entre eles os saudosos Vinicius de Moraes, Leila Diniz, Chica da Silva, o compositor e cantor Chico Buarque, os atores Paulo César Pereio, Jesse Valadão, o ex-jogador de futebol Paulo Cesar Caju, o cantor cearense Falcão ("Homem é homem, macaco é macaco, menino é menino, veado é veado..."), entre outros, regada a uísque, cerveja, amendoins, ovos de codorna, torresmos e outras comidinhas e, claro, muitos héteros afagos!
                                  Portanto,  não se esqueçam, dia 15 de julho de 2014, a 1ª Manifestação de Héteros de Goiânia, na comemoração  do  dia do Homem no Brasil!
                                   Estarei lá, mesmo que sozinho!
                                   Héteros do meu Brasil ainda varonil, essa classe não pode ser desunida!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Blue Jeans

Ave, blue jeans!

 Por Tadeu Nascimento 



    Se Jesus estivesse hoje perambulando por aí (perambulando no melhor dos sentidos), na certa estaria vestido com uma calça blue jeans e talvez com uma camiseta branca tipo Hering. Pois, é evidente que ninguém, em pleno século XXI,  se vestiria com os trajes do ano zero de nossa era. Pergunto então, qual seria a roupa que o mestre usaria no ano de 2013, depois dele próprio? Não dá pra imaginar Jesus de terno e gravata! Por sua natureza humilde, Jesus usaria uma roupa simples. Possivelmente um blue jeans. E pensando bem, o jeans é a roupa mais interessante que existe. A mais simples, a mais democrática, pois tanto o pobre quanto o rico fazem dele a sua segunda pele. Talvez porque a calça jeans e camiseta branca sejam a expressões maiores das palavras liberdade e simplicidade.

                 Num outro sentido, o binômio jeans e camiseta talvez seja uma espécie de resposta aos conservadores de terno e gravata que se enclausuram nos escritórios das grandes cidades, visando grana. Uma espécie de provocação inconsciente. Se existisse o blue jeans à época da Revolução Francesa, certamente seria o traje- também inconsciente- dos sans-culottes (revolucionários que auto se denominavam os sem culotes, pois culotes eram as calças apertadas usadas pelos nobres da corte), pois encaixaria perfeitamente como roupa de batalha contra a nefasta nobreza. Uma bandeira pró-igualitarismo. Mas sem o cunho do comunismo. Liberdade por liberdade.


                 O sociólogo norte-americano Daniel Akst escreveu em 2009, no Wall Street Journal, que o blue jeans é uma profunda contradição de um aspecto da sociedade ocidental, sobretudo da burguesia: "Como é possível que a burguesia se vista de um modo que não representa o que ela é?" Mas é justamente, o contraditório que a juventude busca. Uma rebeldia contra a própria burguesia. É do próprio veneno que se produz o antídoto. E foi sempre assim. A Revolução francesa não fora feita pelos burgueses? Pois bem, a calça jeans e camiseta branca seriam a "personificação" do legado francês "Liberté, égalité, fraternité". O mesmo Daniel Akst, afirma no mesmo artigo que "há uma linha direta entre a queda da Bastilha e o blue jeans". Eis, a grande sacada desse sociólogo!


                 Fica ainda uma outra análise sobre essa calça azul com rebites: o de contornar, mais do que qualquer outra roupa, o corpo da mulher. E até a do homem. A capa do álbum dos Rolling Stones, lá por volta de 1975, traz um rapaz, talvez Mick Jagger, pois não aparece o rosto, dentro de um jeans desbotado, bastante apertado, revelando o volume de suas partes íntimas. Marylin Monroe, em 1946, aparece num painel publicitário vestindo um blue jeans com o umbigo à mostra, moda que fixaria 50 anos depois. E a moda do blue jeans pegou. E ficou. E eis que se tornou um dos maiores símbolos do século XX. E continua sendo, no atual século.


                Quem nunca teve uma calça jeans? Quando aqui chegou a famosa calça Lee, foi como uma febre contagiosa! No início, só playboy filho de barão usava.  Mas nas telas de cinema surgiam James Dean e Marlon Brando lançando moda para o mundo inteiro. Mas eis que chegaram os Beatles. Pronto, o blue jeans entra para calçada da fama. Desde então foi o sonho de consumo de toda a minha geração! E o índigo blue virou até versos de músicas: “.../ a velha calça desbotada ou coisa assim... ('Detalhes' de Roberto Carlos)”. Fiquei imensamente feliz quando minha mãe deu-me uma. E eu a vestia como se eu fosse um beatle, mas infelizmente roubaram-na no varal. Depois veio a calça Lewis, ainda mais bonita. Roubaram-na também. Contudo, podem continuar me roubando que não abandonarei a simpática e revolucionária calça azul com rebites, pois mesmo hoje, com os meus cabelos gris, continuo usando o bom e universal blue jeans.


               Quer ser diferente? Seja como todo mundo, use jeans!

domingo, 9 de junho de 2013

Alexandre, o Grande e seu cavalo "Bucéfalo" na tela de cinema
O cavalo na história, na literatura e no cinema


 Por Tadeu Nascimento

                 O cavalo, além de ser um dos animais mais belos da natureza, teve um papel importante na história. E não menos que isso, na literatura e no cinema. E muitos se tornaram famosos. Alexandre, o Grande tinha o seu que ele o batizou de "Bucéfalo" e o romano  Calígula, o quarto César, tinha o "Incitatus" que o imperador queria nomeá-lo cônsul, mas Calígula morrera antes! Napoleão Bonaparte tivera vários, mas os principais foram o "Blanc" que não era branco (por isso a pegadinha: Qual a cor do cavalo branco do Napoleão? Claro, a resposta é: Blanc!) E o "Vizir", presente de um sultão na sua campanha no Egito. "Vizir", que significa príncipe, levou o imperador de Paris a Moscou na guerra contra Rússia em 1812. Assim como o levou, o trouxe daquele distante país, numa temperatura de 60 graus abaixo de zero.
                Na literatura, o magricelo Dom Quixote montava o seu também esquelético "Rocinante". Na literatura gibiniana, o Zorro americano tinha o "Silver", enquanto o seu companheiro, o índio Tonto, montava o malhado "Escoteiro". Já Dom Diego de Las Vegas, o Zorro mexicano tinha o belíssimo cavalo negro, "Tornado". Lembra-se, o leitor, do Zorro, no recente filme no cinema (depois na TV) interpretado por Antônio Banderas em seu negro e imponente cavalo? Diga-se de passagem que Zorro mexicano, além de original, era infinitamente melhor do que o Zorro americano. Tanto nos quadrinhos, quanto nas telas de cinema ou na telinhas de TV.
               O pacato médico Dr. Robledo que virava o "Cavaleiro Negro" , tinha um pangaré que, enquanto o seu dono se transformava em herói mascarado, ele se transformava no fogoso "Satã"! Quem não se lembra do herói "Fantasma", o "Espírito que anda", que vivia nas profundas florestas de Bangala, fictício país africano, tinha o seu cavalo "Herói" e o seu cachorro "Capeto", além da namorada "Diana Palmer", funcionária da ONU? Nas telas do cinema em " O último pistoleiro" John Wayne montou no seu imponente "Dólar". E ainda não se deve esquecer do imenso cavalo de madeira, famoso presente de grego, criado por Homero na sua obra monumental, "Ilíada", que ficou para sempre.
               Já nos desenhos, o "Pica Pau" tinha como seu amigo o cavalo "Pé de Pano". Só que, quem montava sobre o outro era o "Pé de Pano"! E ainda existia- tanto nas telinhas quanto nos gibis- o Pepe Legal. Criação genial da dupla Hanna e Barbera. Pepe era um bom e engraçado cavalo mexicano e tinha como companheiro o burrico "Babalu". Assim como havia o Zorro de capa e espada, havia também o "El Kabong"de capa e violão. Então, quando Pepe Legal ficava com o seu auter ego "inflado", ele se transformava no justiceiro mascarado, o "El Kabong". Como disse, sua arma, ao invés de um uma espada ou mesmo um revolver, era um violão que também tinha nome: "Kabonger"! E o El Kabong com seu Kabonger, não havia vilão que resistia, pois o justiceiro quebrava o Kabonger na cabeça do seu desafeto. O nome Kabong é pelo barulho do violão quebrando (e as cordas se arrebentando) nas cabeças dos seus desafetos: kaboooooong! Acredito que ainda exibem na TV esse herói das crianças, assim como acredito que ainda existe o gibi do simpático e inocente "Pepe Legal".

sábado, 8 de junho de 2013

Jesus, O Sublime Peregrino

O sublime peregrino 

Por Tadeu Nascimento 

  A vida de Jesus sempre me fascinou. Todavia, a vida do Messias segundo Novo Testamento é muito intrigante. A começar pelos dias que antecederam o nascimento do mestre. Então vejamos: Se Jesus viria ao mundo para salvar a humanidade, porque aproximadamente 2 mil crianças- de até 2 anos- foram assassinadas na caça daquele que viria para salvar a humanidade? Jesus, segundo a ficção inteligentíssima de José Saramago em "O Evangelho, segundo Jesus Cristo", diz que ainda menino, Jesus teve uma briga com seus pais biológicos pelo motivo de terem-no poupado do tenebroso infanticídio cometido por ordem de Herodes, o Grande que não queria a vinda do Messias, conforme afirmavam as profecias! Se Jesus, veio ao mundo para salvar a humanidade, porque milhares de crianças morreram por sua causa? O mesmo Saramago, na mesma obra, levanta outra tese interessantíssima: quando Jesus ressuscitou Lázaro, Maria Madalena num gesto quase acusatório, exclamou ao mestre: Jesus, ninguém nunca cometeu tantos pecados ao ponto de ter que morrer duas vezes! Jesus, ao ouvir tal observação, encheu os olhos d'agua! Pois reviver Lázaro seria retardar sua ida aos braços do Pai!
Outra questão intrigante: Jesus tinha medo da morte? Parece ilógico tal pergunta. O Filho do Homem nos seus últimos minutos na cruz, disse: "Pai, tu me abandonaste?" No entanto, é preciso lembrar que Jesus era humano, tanto que caiu ao chão por algumas vezes no seu Calvário e sangrou no mesmo caminho do Gólgota e também após ser crucificado! Ainda na crucificação Jesus disse ao Pai: "Pai, afasta de mim esse cálice!" O que significa afastar d'Ele o cálice amargo da morte!
                       Em outra passagem, agora no Evangelho de Mateus (Vr. 12), um mensageiro chega a Jesus e diz: "Sua mãe e seus irmãos estão a sua procura!" Jesus respondeu: "Eu não tenho mãe e tampouco irmãos!" E em seguida diz: minha mãe e meus irmãos são todos vocês que aqui estão!- Jesus referindo-se a multidão que o ouvia. Estaria Jesus violando o 5º Mandamento da Lei de Deus por não honrar pai e mãe?
Em outra passagem, um discípulo que O acompanhava, perguntou: "Senhor, que devo fazer para alcançar o céu?" Respondeu o mestre: "Deixe tudo e me acompanhe!" O mesmo homem disse então "Senhor, vou enterrar o meu pai e virei logo para segui-lo!" Jesus então disse peremptoriamente: "Deixe que os mortos enterrem seus mortos!" Estaria o doce Nazareno desdenhando a morte ou deixando de ser solidário com tal discípulo?
                      Entretanto, a mais interessante das observações seria: por que Jesus ressuscitou-se justamente para Maria Madalena e pra duas outras mulheres ao invés de aparecer ressuscitado para os seus 12 apóstolos que por sua vez iriam levar os seus ensinamentos do Cristo para toda humanidade?
                       Por outro lado, outras passagens da vida de Jesus também não são levadas em conta. Jesus nunca tocou em uma moeda ou qualquer forma de dinheiro! Outra importante observação: Jesus era vegetariano! No Novo Testamento não consta um só momento que o mestre tenha se alimentado de carne! Mesmo no episódio da multiplicação dos peixes e pães o Divino Nazareno não se alimentou de peixes.
                       Contudo, sabemos que o mestre sempre esteve radiante de sabedoria. Embora sendo filho enviado de Deus Pai, também era humano e sofria pela humanidade. E todos episódios da vida de Jesus são exemplos a ser seguidos pós nós, simples mortais. Na verdade, em todos os fatos ocorridos por Jesus tinha uma razão de ser. A cada passagem existe uma mensagem do sublime peregrino. A questão do infanticídio cometido por Herodes, Jesus deixou a mensagem da não violência. Na ressurreição de Lázaro, Jesus deixou a mensagem que a fé move montanhas. Quanto a sua mãe e seus irmãos, o mestre deixa a máxima que todos nós somos irmãos e não somente os que têm o mesmo sangue. Quanto ao discípulo que iria enterrar o próprio pai Jesus deixou implícito que não existe morte e sim vida eterna, que a alma é o que importa, posto que ela é imortal.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Paul McCartney 
 
Um Beatle na terra do pequi.


Por Tadeu Nascimento

                               Sempre pensei que eu nunca assistiria os Beatles de perto. Ou, um deles ao menos. Mas eis que Paul Mccartney vem a Goiânia nos primeiros dias de maio do ano da graça de 2013. Digo o antigo "ano da graça" porque a sua vinda é realmente uma graça de Deus e, claro, de Paul. E isto é muito bom, pois será mais um dado importante para minha biografia e sei que essa é oportunidade única.  Lembro-me de que quando era menino, falava-se na vinda de Frank Sinantra no Brasil que nunca se realizava.  E muitas pilérias versavam sobre o tema. Até uma peça de teatro foi a cartaz em São Paulo e Rio de Janeiro com nome "O dia que Frank Sinatra veio ao Brasil". Mas era apenas uma sátira. Até que um dia, pimba, eis o Sinatra no Brasil! Foi um evento tão importante que o Maracanã lotou para ver o  artista dos velhos olhos azuis. Até o beijoqueiro, um português maluco que tinha mania de beijar quem fosse famoso, inclusive o Papa João Paulo II (e por isso foi preso por precaução em São Paulo, mas acabou beijando o pontífice em Belém do Pará) foi tirar uma lasquinha, subindo no palco e beijando de surpresa o Sinatra que acabou por lhe desferir um safanão, defenestrando-o de perto de si, enquanto a segurança vinha socorrê-lo retirando o seboso beijoqueiro do além-mar!
                                  Inimaginável Paul na terra do Anhanguera. Terra onde imperam (ai, meu Deus, até quando?) as trilhas sonoras das duplas Leandro e Leonardo; de Zezé de Camargo e Luciano e  Bruno e Marrone.  Seria o prenúncio da Era de Aquarius, com sua nova cultura e que essa nova era estaria fincando suas raízes nesse cerrado? Com isso, ouso acreditar , num futuro próximo, que  aqui virão grandes vultos da música internacinal a soltarem a  suas vozes como o italiano Andrea Boccelli,  a canadense Diana Krall, o escocês Rod Stwart e outros astros de primeira grandeza, além de peças de teatro de renome como as apresentadas na Broadway como "O fantasma da ópera ", "Carmen" (de Bizet), além do Circ du Soleil! Coisas de primeiro mundo!
                                 Mas acontece que foi preciso 50 anos pós lançamento do primeiro disco dos Beatles, "Please, love-me please", para  que um Beatle tivesse a ousadia de vir a Goiás para espinhar a língua com o nosso pequi.
                                 Acredito que muitos milhares de beatlemaníacos lotarão  o Estádio Serra Dourada e que ficarei bem longe do palco onde Paul e seu piano, soltarão os seus sustenidos e bemóis. Talvez eu o verei pequenino no meio das parafernálias eletrônicas. Não importa. Ele estará lá cantado "Across the universe", "Hey jude", "Yesterday"  e outras maravilhas para  minha geração (e também pra outras). É como se ele cantasse para minha juventude. Juventude que me escorre  pelos os dedos. E nada mais saudável e belo que se imaginar jovem.
                                 Contudo, sei que fcarei feliz em reencontrar muitos conteporâneos do tempo inesquecível- pelo menos para mim- do Lanche Americano da Rua 8, centro de Goiânia, da Discoteca Liverpool, também na Rua 8 e do Bazar Paulistinha, na Av. Anhanguera, onde os beatlemaníacos se concentravam. Isto lá para as bandas de 1970.
                                  Sir Paul McCartney, seja bem-vindo à terra do pequi!

sábado, 23 de março de 2013

Papa Francisco

Sai Bento e entra Chico 

 Por Tadeu Nascimento




                              Sai Bento e entra Chico. Acho que o personagem Chico Bento- do gibi de Mauricio de Souza- deve estar rindo à toa, pois nunca o seu nome esteve tão na moda. Tudo por conta do jogo de campeonato no Vaticano. Entretanto, Chico parece ter mais habilidade que Bento. Pelo menos Chico é todo rizonho e o seu antecessor, um tanto sem graça. Os noticiários disseram que o nome Francisco I foi sugestão do arcebispo de São Paulo, D. Claúdio Hummes. Presente de grego de um brasileiro para um argentino, pois resta saber qual São Francisco o papa portenho quis homenagear. Se o de Assis ou o Xavier. Se o de Assis, ótimo! Só que o papa da época o perseguiu até a morte. Seu nome foi amaldiçoado pelo Vaticano. Francisco de Assis era muito humilde, fez voto de pobreza, dedicou sua vida aos pobres e amava os animais e o meio ambiente. Se confirmado a homenagem do papa ao franciscano, este acabou dando o troco mesmo "pos morten", ao emprestar o seu nome para o ocupante do posto mais nobre do igreja católica. Dante Alighieri disse que "Francisco de Assis foi uma luz que brilhou sobre o mundo" e que ele foi maior figura do cristianismo desde Jesus.
                                  O papa argentino poderia mesmo seguir os exemplos de São Francisco de Assis e destribuir a riqueza da igreja para os mais pobres, ao invés de se preocupar com o banco do Vaticano como tem sido com os outros papas. E seria nobérrimo também se ele se desobrigasse da vida nababesca da cúpula católica. Assim, seria uma verdadeira homenagem a São Franscico de Assis ou mesmo a São Franscico Xavier.
                                  Na festa da posse na Capela Sistina a presidenta do nosso país deu uma espetada no papa quando ela lhe disse: Deus é brasilero! Uma alusão que "se o papa é argentino, Deus é brasileiro!". O papa deu um sorriso sem graça, quase verde-amarelo.
                                  De fato, não vai ser fácil suportar os argentinos. Já se gabam tanto por ter o melhor jogador de futebol do mundo, Leonel Messi, imaginem agora também o papa. Sem contar o Maradona e o tango! Mas o papa Chico parece ser um cara bom. Já o papa alemão Joseph Ratzinger foi soldado de Hitler e ser nazista nunca foi algo de se orgulhar.
                                  O nome Francisco me faz lembrar um outro Francisco, o Cândido Xavier, ou simplesmente Chico Xavier que eu tive a felicidade de conhecê-lo pessoalmente, em Uberaba. Tão humilde, tão pobre, tão cristão quanto o seu homônimo de Assis. Eu trabalhava em uma loja ao lado do Banco do Brasil, onde Chico ia retirar no dia 30 de cada mês a sua aposentadoria. Caridoso, enchia os bolsos de notas de dinhero em forma de bolihas de papel e distribuia aos pobres que ficavam ali a espera de Chico. E ele entregava a quantia a cada um, com a mão fechada, pois "o que a mão direita dá, a esquerda não pode saber!". O Chico Xavier sim, mereceria uma grande homenagem. Mas a igreja com seu orgulho milenar, no alto do seu pedestal de ouro, assim como renegou e perseguiu São Francisco de Assis, não teria humildade em prestar homenagem ao espírita brasileiro que tanto honrou o nome de Francisco.
                                   Por falta de exemplos não será desculpa para que Francisco I não seja um papa digno do cargo que exerce.