quinta-feira, 29 de setembro de 2011


John Lennon e Mike Jagger

Sou um daqueles garotos que amavam os Beatles e os Rolling Stones


Por Tadeu Nascimento


"O passado é uma roupa velha que não nos serve mais", nos lembram versos de uma canção do cearense Belchior. Tudo bem, mas depende do ponto de vista. Do ápice da montanha da saudade, a visão do passado nos servem muito bem! Quando nos olhamos nos álbuns de fotografia, vemos o quanto éramos bregas. Aliás, as palavras brega e cafona surgiram naquela época. Época das mudanças: 1968 a 1978. Anteriormente, para se referir a alguém fora de moda, dizia-se que a pessoa era démodé, antiquada, de mal gosto, deselegante etc. Época em que os rapazes se vestiam com calças boca de sino, camisetas esbirradas, sapatos de saltos altos e sem meias, cintos largos com fivelões, e o mais chocante: os cabelos descendo pelas omoplatas. Elas, com mini saias tão curtas que qualquer poça d'água refletia suas delícias anatômicas. E, no entanto, nos achávamos o máximo! Quem se vestia ao contrário era quadrado! Naquele tempo, não se exibia os cofrinhos, mas as mini blusas denunciavam os umbiguinhos e as curvas da cintura; os vestidos curtos provocam imaginações interessantes... Não se usava tatuagens e os bíceps eram normais. Barriga de tanquinho era somente uma parte da anatomia feminina de quem exercia a honrada profissão de lavadeira. Homem usando brinquinhos, só em filmes de piratas. Dançávamos o rock e também de rostos colados. Diferentes do punk, do than, da dança da garrafa e de outras malemolências eróticas-imbecís, com músicas (e letras) mais imbecís do que eróticas que incomodam qualquer inteligência mediana.
Acontece que o passado sempre está fixo. Seja nos álbuns de fotografias ou nas nossas lembranças. O futuro, ao contrário, é tão amplo quanto incerto e não cabe nas nossas mentes. Rapazes com cabelos compridos eram seres tão modernos quanto aos de hoje que usam tatuagens. Usar calças com boca de sino era tão comum quanto usar calças de cós baixo, reveladoras de segredos dos cofrinhos das gatinhas nesse inicio da segunda década deste milênio.

Todavia, cabelos longos eram sinônimo de rebeldia. Os conservadores nos olhavam com desdém, quando não nos acusavam de vagabundos. Até porque, ficávamos mais expostos do que os jovens de agora, pois andávamos, quase todos a pé. "Cabelos longos, idéias curtas"!, "Rebeldes sem causa!"- denegriam-nos, os conservadores. O fato é que nós os incomodávamos muito. E nós os chamávamos de trogloditas ou de caretas. Pouco se falava ainda em drogas, isso até por volta de 1975, quando elas chegaram como praga social. A polícia, naquele tempo de fusquinha, fazia questão de nos encher o saco. Tínhamos que portar documentos, principalmente a carteira de trabalho, sob pena de passear na delegacia. No interior do país, havia muitos delegados que- por pura maldade- faziam questão de raspar as cabeças dos playboys cabeludos que ousavam passear nas cidades de suas jurisdições, nas férias. Além da estampa irreverente, havia o rock and roll que irritava a velha guarda que se orgulhava da trilha sonora de suas vidas que eram arcaicas quantos são trágicos os tangos de Gardel. Os tons saiam graves nas vozes de Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Carlos Galhardo e de outros melodramáticos. As músicas deles se agonizavam diante das novidades dos Beatles e dos Rolling Stones. As campanhas contra a guerra do Vietnam e a bandeira do sexo livre faziam com que os conservadores- que para nós- ainda estavam na era da pedra lascada- tivessem pesadelos. O sexy livre que imaginávamos não é este do "fiquei com ela ontem e hoje já estou com outra", mas sim o sexo livre para o amor. Maior exemplo disso era o amor do casal Jonh Lennon e Yoko Ono. Nas telas dos cinemas rodavam Romeu e Julieta...nus como o amor é absoluto. E a música do filme "A time for us" estourava nas rádios nas vozes de Johnny Mhatis e Andy Willians. Enquanto na vida real, demorava-se meses para levar uma garota para cama, isso quando acontecia.

Demorou um tempão para aceitar-nos sem reservas. Mas tempo foi passando e, aos poucos, aceitaram-nos e até alguns se aderiram aos cabelos cumpridos.

Embora bregas aos olhos de hoje, fomos felizes. O mundo pelo qual "brigávamos" era o da paz. Queríamos o fim das guerras, das desigualdades, da Kun Kux Klan, do Apartteid na África do Sul. O mundo que hoje vivemos está muitíssimo longe do ideal, mas conseguimos passos importantes. A democracia como fato consumado no ocidente, principalmente na América Latina e no Leste Europeu e a rebeldia contra as guerras (que ainda, lamentavelmente, persistem) cuja máxima ficou pra história: "Faça amor não faça guerra!" são frutos da rebeldia dos cabeludos que amavam os Beatles e os Rolling Stones. E ainda os amam. E muito.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Seu Luiz Oliveira, o Don Juan do Sertão e suas mulheres


Distinto Garanhão


Por Tadeu Nascimento

Tem coisas que só acontece no Brasil. Em Rio Verde (GO), por exemplo, um cidadão (nascido em Pirenópolis) - parente meu- teve mais de 100 filhos! Seu nome: Frederico Gonzaga Jayme. Frederico era irmão do senador Luis Gonzaga Jayme que empresta seu nome a uma rua do setor Campinas em Goiânia. O senador, por sua vez, fora assassinado no Hotel dos Estrangeiros, Rio de Janeiro, adivinhe por quê? Porque fora pego nu com a esposa de seu assessor de gabinete. O marido traído o matou, quando o senador, ainda pelado, tal qual Adão antes de morder a maçã, se escondia atrás de um relógio de pêndulo! Tal episódio ocorreu em 29 de janeiro de 1921. Mas, voltemos ao Frederico: apesar de que a centena e algumas unidades de filhos foram com 7 mulheres, convenhamos, 100 filhos é algo extraordinário! Sem contar que conviviam entre si em razoável harmonia, na então pequena Rio Verde no idos de 1920. Feito heróico de quem teve apenas 42 anos de vida! Essas peculiaridades humanas me fascinam.

Esta semana surgiu num portal de notícias um cidadão de 90 anos que teve 69 filhos! O notável genitor em série reside no município de Campo Grande, sertão de Rio Grande do Norte. Claro, perto do meu parente Frederico Jayme, ainda é um principiante! Mas acontece que o distinto garanhão tem 17 filhos com a primeira mulher (falecida), cujo nome era Francisca. Logo depois se casou com outra Francisca, agora Maria Francisca, e com ela teve mais 17 filhos. Outros 15 com a cunhada Ozelita Francisca e- pasmem!- 13 com a sogra, dona Francisca Maria da Silva. "A gente foi se conhecendo melhor...e tive 13 filhos com ela!" (Vai gostar de Chiquinha lá em Mossoró!). Desejar a cunhada, é até compreensível pelo fato de ser a pessoa mais parecida com sua esposa- embora nunca aceitável-, mas a sogra é demais! E por conseguir encarar a sogra- e com ela ter uma prole de 13 filhos- no quesito testosterona ganha longe de meu parente Frederico Jayme! Tem que ir não só para as páginas do Guinness Book , mas também para o Devil Book ( livro de records do capeta) ! Os outros sete filhos (que faltam para se chegar ao total de 69) são frutos de relacionamentos, digamos, extraconjugais- embora ele não tem certeza, não nega que é o pai. Bill Clinton, o Mister Testosterona, deve estar morrendo de inveja!

Justifica o aposentado Luiz Costa de Oliveira, que o seu romance com a cunhada se deu quando a sua esposa estava nos períodos de gestação e resguardo. Ozelita, ia cuidar da irmã. Enquanto isso, entre eles, “ia rolando um clima”. Depois, com o número incessante de gestações e resguardos das duas irmãs, muitas vezes concomitante, o Dom Juan das Caatingas em face de “na falta de tu, vai tu mesmo!", se acochambrou com a sogra. Paquerador nato e insaciável, o nosso anti-herói é muito modesto: "A gente passa e as mulheres ficam olhando...Não sou bonito como dizem, mas tenho as minhas qualidades! Mas também não escondo que sempre fui namorador. A melhor coisa do mundo é mulher, e meu divertimento era namorar. Preferi que meus namoros ficassem em casa, e elas se entenderam. Nunca houve uma briga, pois eu lembro muito bem que dava conta de todas, além de trabalhar muito na roça para sustentar todos os meus filhos. Nunca faltou nada para ninguém”, disse. Todas dividem a casa, a comida e o amor de seu Luis, por mais de 40 anos. E o mais interessante é que eles moram numa casinha com apenas 1 quarto, sala, cozinha e banheiro! "Não tem muito conforto, mas dá pra fazer amor. E quando eu faço amor é sempre na mesma casa, no mesmo quarto, na mesma cama", disse Oliveira.

O segredo para tanta vitalidade. "Não bebo, não fumo, me alimento bem e durmo melhor ainda". Mas será que sobra tempo para dormir? Quanto a se alimentar bem, leia-se muita rapadura! E põe rapadura nisso! Oliveira não quis explicar como faz para se dividir entre as três mulheres na mesma casa. A minha casa é pequena, mas tem espaço pra todas. Pra fazer amor, não tem hora e nem lugar, basta querer."- garante o Dom Juan do Sertão. Como encontram espaço, tempo e privacidade para fazer amor, ninguém sabe.

E pensar que na Europa os casais tem, em média, menos que dois filhos!.. Só no Brasil. Oh, terra abençoada! O que não falta aqui é rapadura!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Keanu Reeves como Buda


Seremos todos "bundistas"

Por Tadeu Nascimento

Muitos de meus amigos vão pegar no meu pé por conta dessa crônica. Mas não tenho como fugir, é meu ofício. Vamos lá. Se você é chegado a um churrasco, então aproveite, porque, daqui a alguns anos- lamento decepcioná-lo- será cada vez mais difícil degustar um pedaço de vaca no espeto ou na panela. Provavelmente seus netos não terão esse prazer. Somos as últimas gerações a ingerir carne vermelha. O mundo- daqui uns anos- trocará a carne bovina, suína, ovina, por peixes, crustáceos, moluscos e outros bichos d’agua. Aliás, apesar dos interesses dos ricos criadores de gado, campanhas contundentes contra o consumo da carne bovina estarão em evidências. Coisas do 3º milênio. Um estudo publicado pela FAO- Food and Agriculture Organization voltado para alimentação e agricultura, assegurou que os bovinos estão entre os maiores responsáveis pela emissão de gases causadores do aquecimento global. E tal aquecimento, por sua vez, é a causa dos tsunamis, tufões, terremotos e de outras catástrofes. O relatório intitulado "A grande sombra da Agricultura" afirma que os bovinos geram mais gases de efeito estufa do que o setor de transporte em todo o mundo, com sua incessante queima de combustíveis a base de petróleo. E segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente- PNUMA, agência da ONU- além dos desmatamentos para pasto, o gado vacum, com seus puns, isso mesmo, puns, gases, flatulências, estão aquecendo o planeta. Assim como os tubos de aerozol exalam gases que destroem a camada de ozônio, os puns das vacas estão aumentando o efeito estufa do planeta, posto que são ricos em gás metano (CH4) que é 21 vezes mais prejudicial que o famoso dióxido de carbono (CO2) ao homem e a natureza. E ainda de acordo com o mesmo relatório, o gado bovino emite, através de seus puns, 4 toneladas de metano ao ano em comparação às 2,7 toneladas de CO2 emitidas por carros populares. O eterno beatle Paul McCartney está liderando uma campanha contra a criação dos gado bovino e suíno em prol do não aquecimento do planeta. Enquanto aqui na terra brasilis, o estado de Goiás, detém "com muito orgulho", o título do maior rebanho de gado do país. Por via de consequência, é o estado campeão em exalar de puns de vacas e de bois. (Oh, trem bão é Goiás!). Sinto-me orgulhoso em ser goiano, mas quando se fala nesse tipo de ranking, saio de fininho, pois não tenho terra nem debaixo da unha e muito menos, uma bezerrinha para poluir o meio ambiente!
E ainda- é bom que se diga- que a maioria das áreas desmatadas da Amazônia, por exemplo, não são aproveitadas para agricultura, mas sim à pecuária. Além das toxinas da carne, os hormônios, o colesterol, inimigo número um das artérias do coração humano, o aquecimento global pelos puns bovinos será um dos fortes argumentos para as campanhas ambientalistas- que serão cada vez mais ferrenhas- contra os desmatamentos, impostas por todas nações mundo- e ainda mais e principalmente, pela razão econômica em face do crédito de carbono. Ao invés de se queimar áreas, visando criação de gado, ganharão muito mais vendendo a peso de ouro o crédito de carbono em função da preservação da floresta. O que poderá dar sobrevida ao planeta com o reflorestamento.
Além de tudo isso, existe uma tese na qual os animais que se alimentam de carne de outros animais são mais ferozes. Partindo dessa premissa seremos mansinhos-mansinhos. Portanto, sugiro que você vai já se acostumando, se deliciar com outras alternativas como lobós no espeto, lambaris ao termidor, pererecas com manjericão etc. Não será tão difícil. Como disse, acostuma-se. Na Índia, 90% da população, desde os tempos do Buda, não se consome carne de qualquer bicho. Com isso, especializaram-se em temperos para enriquecer sua culinária. Ficaram tão bons nesse quesito que tais medidas chamaram a atenção da Europa nos séculos XIV e XV: as especiarias da Índia. Em busca de ingredientes que melhorassem a (insossa) comida europeia, acabaram por levar os navegantes ao descobrimento das Américas no famoso episódio do "Caminho para as Índias." A nós moscada, o cravo da Índia, a canela, cana-de-açúcar e até muitas frutas como- pasmem!, a manga que poucos sabem que é indiana. Seu nome científico é "mangifera indica” ( pronuncia-se mangífera índica) que significa fruta de comer (manjar) aos pedaços (da Índia). Segundo muitos gastrônomos, a comida indiana é a melhor do mundo! Com isso, talvez em face da alimentação vegetariana, tenhamos alguns gurus, avatares, ascetas, sidartas gualtamas e até, quem sabe, um dalai lama, por que não? Vai chegar o dia em que o capiau vai dizer: "Nóis tá virando tudo bundista!"

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


Steve Jobs


Steve Jobs e seu pai biológico

por Tadeu Nascimento


Se você ainda não tem um tablet, com certeza, um dia, fará uso de um. O tablet é o filho mais novo da era do computador. Assim como o telefone celular, todo mundo terá o seu. Seu inventor: Steve Jobs. Mas você sabe quem é Steve Jobs? Conhece sua história? Então, peço-lhe licença para contar. Porém, antes, é preciso começar pelos últimos acontecimentos. Jobs é o criador e ex-presidente da Apple Inc. Mais do que um magnata, é um gênio do mundo moderno. Afastou-se da empresa devido a doença que o acomete. Agora imaginemos como tudo começou. Em 1954, um imigrante sírio chamado Abdulfatth John Jandali engravidou a jovem Joanna Simpson. Em 24 de fevereiro de 1955 em San Francisco, Califórnia, nasce o rebento. O pai dela, um tirano, segundo Jandali, foi contra a união dos dois, por ele ser sírio. Joanna decidiu entregar a criança para adoção. Jandali aceitou a decisão, mas por ele, o filho não seria adotado. A adoção foi feita por Paul e Clara Hagopian Jobs que o batizaram de Steve Paul Jobs. Quando completou 17 anos, entrou na universidade Reed Colled em Portland, Oregon. Seis meses depois é obrigado a abandonar a universidade, devido aos seus altos custos. Aos 20 anos ficou fascinado pela eletrônica e então a sua vida tomou um novo rumo.
Meio século se passou e Jandali nunca mais teve notícias do filho. Somente alguns anos atrás, ficou sabendo que Steve Jobs era o filho que ele havia entregado para adoção há 56 anos. Jandali atualmente trabalha como vice-presidente de um cassino em Nevada, EUA. Mas o destino, que às vezes, parece ser perverso, apenas cumpre a lei da causa e efeito ou da ação e reação
: Jobs adquiriu um câncer perverso. No pâncreas. Jandali vê, pelos noticiários, seu filho- com o nariz de árabe, igualzinho ao seu- definhar-se para morte. Não existe um só dia que os portais eletrônicos não falam de seu filho biológico. Pois Jobs é um dos homens mais importantes e ricos do mundo. Todavia, é um homem muito modesto- mesmo com sua fortuna de mais de 8 bilhões de dólares- que aparece nas premiações vestido de tênis branco, calça jeans e com a sua indefectível camiseta preta de mangas longas. Por algumas vezes, tentou comunicar-se com Jobs através de email. Em vão. Todavia não teve coragem de falar com filho ao telefone e muito menos encontrá-lo pessoalmente. "Meu orgulho sírio não quer de forma alguma que pensem que estou interessado na sua fortuna".

Jandali, com quase 80 anos, declarou que quer conhecê-lo antes que seja tarde. Mas, parece que as mãos do destino estão atadas. Só há uma forma de aproximá-los: Jandali terá que lutar pela aproximação com o filho biológico. Para Jobs, esse senhor é apenas o seu pai biológico. Para Jandali, um abraço de Jobs é o perdão para o maior de seus pecados! É tirar de seus ombros um grande fardo que é o seu remorso! Jobs está muito debilitado e não cabe a ele estender a mão a quem um dia o abandonou, mesmo que a decisão final fosse da mãe. Que preço terá agora de pagar! Vai dizer o quê, ao filho abandonado? Bater à porta do quarto do hospital e dizer:" Oi, eu sou seu pai!? Jandali vai ter que se curvar até ao chão e pedir perdão ao filho e a Deus por uma negligência cometida quando rapaz! Quem é esse estranho a me visitar?- diria o assustado Jobs, no leito, diante de seu pai biológico! "Isso pode soar estranho, disse Jandali, mas eu não estou preparado, mesmo que um de nós esteja no leito de morte, a pegar o telefone e ligar pra ele. Ele terá que fazer isso. Um convite para um café com ele faria de mim um homem muito feliz."

No momento, não se vê o interesse material, mas o humano. O pai carregando o seu remorso a caminho do fim da vida e o filho cambaleando para a morte. Jobs, um ser predestinado a vencer, a dar a volta por cima, agora não está dando a volta nem por baixo. Dono da empresa que mais lucrou nos Estados Unidos nos últimos dois anos, está carregando a sua cruz, a caminho do calvário.

De filho adotado ao topo da tecnologia. Steve Jobs é um gênio do mundo digital, criador do iPod, do tablet iPad que está revolucionando o mundo. iPad é um produto que substitui biblioteca, videoteca, toca cds, possui rádio, internet, tudo em um único e compacto aparelho. Jandali também confessou que apesar de entender pouco de informática e apesar disso ele possui um Mac, um iPhone e um iPad. "Eu olho para essas coisas e não acredito que Steve foi quem as criou", disse."

E o tempo- para eles- continua em alta velocidade... Quem dará o primeiro passo desse encontro?

Moral desta história: o dinheiro não compra tudo e somente o amor pode fazer um novo final, mesmo diante da morte.

sábado, 27 de agosto de 2011


Previsão maia

Você está preparado para o (quase) fim do mundo em 2012 ?

Por Tadeu Nascimento


Quando menino ouvia dizer que o mundo acabaria no ano 2000. "Mil anos passarão; dois mil anos não passarão!"- diziam os mais velhos, garantindo que a profecia está na Bíblia. Só que a Bíblia não traz tal previsão. A propósito, é bom lembrar que o calendário foi mudado pelo papa Gregório XIII, em 1582, para o devido ajuste na folhinha, em face do dia ter na verdade 23 horas, 56 minutos e 4 segundos e não 24 horas. A diferença de quase 4 minutos ao longo das décadas traria confusão ao calendário pois a cada ano, o carnaval se aproximava mais da semana santa. O verão ocuparia os meses que antes seria de inverno. No entanto, o tempo passou, não aconteceu nada e já estamos em 2011. Porém, nunca me preocupei com previsões.
Mas, segundo uma previsão maia, grande parte do mundo será destruída em dezembro de 2012. Dois terços da população desapareceram da face da Terra. Não se sabe se será por causas naturais (geológicas) ou em razão de uma guerra nuclear. O hemisfério norte desaparecerá! Isto quer dizer, o México, os Estados Unidos e Canadá, a Europa e quase toda Ásia. O que seria como se cortasse o planeta ao meio e jogasse o norte do planeta no lixo, o acabaria virando o mundo de pernas para o ar! Desastre total, de consequências inimagináveis! Segundo a previsão maia, o planeta vai sofrer grande convulsão que terá início em 22/12/ 2012. Uma data bem cabalística, onde os números 1, 2 e 12 se repetem. Tal previsão seria para mim mais uma bobagem, se não fosse um artigo de Weimar Muniz de Oliveira (magistrado aposentado, portanto, um homem merecedor de todos os créditos) de 3 páginas!, na edição de 1º de junho de 2011 do Diário da Manhã, onde o articulista narra uma entrevista com Geraldo Lemos Neto, amigo de intimidade de Chico Xavier, concedida a presidente da Folha Espírita de São Paulo, Marlene Nobre, na qual o entrevistado, conta o diálogo entre ambos e nele Chico Xavier revela que o planeta Terra sofrerá grandes transformações a partir de 22/12/2012 que durarão até 2019. Portanto, 7 anos de convulsões! "O aquecimento global é um fato. O Jornal Nacional noticiou a poucos meses que a calota polar estará totalmente dejelada em meados de 2012" Disse Geraldo Lemos. Nesta entrevista conta que Chico também se referiu a obra "A caminho da luz" escrito pelo espírito de Emmanuel, psicografado por ele, Chico, publicado em 1938, que já falava sobre a grandes mudanças nas primeiras décadas do século XXI. Interessei-me pelo livro. E de fato o livro me impressionou, não só pelo rico conteúdo que narra a historia da humanidade até 1938, mas o que viria acontecer, daí para frente, como a 2ª Grande Guerra no ano seguinte (que duraria até 1944) e o que aconteceria no início do século XXI: "Uma tempestade de amarguras varrerá toda a Terra. Os filhos de Jerusalém de todos os séculos devem chorar, contemplando essas chuvas de lágrimas e de sangue que rebentarão das nuvens pesadas de suas consciências enegrecidas." "Vive-se agora na Terra, um crepúsculo, ao qual sucederá profunda noite, depois da treva surgirá uma nova aurora , onde o homem espiritual estará unido ao homem físico para sua marcha gloriosa".

Levando em conta as agressões que meio ambiente vem sofrendo pelo homem, cujas consequências resultam no aquecimento do planeta, terremotos, tsunames, inundações, ciclones etc, uma hora o planeta não vai suportar; levando em conta a chamada Falha de Sant Andrew , na Califórnia (UEA) que é uma fenda no terreno que tende parte do Estado se romper do continente, o que causaria uma catástrofe para o país americano além de outros males geológicos ao planeta; levando em conta a ira dos fanáticos membros da Al-Qaeda e do Taliban, as loucuras incendiárias do presidente do Iran, Mahamoud Ahmadinejad e do presidente da Coréia do Norte, Kim Jong Il, e a frieza do imperialismo americano que tem na guerra a solução para sua crise econômica gerando riquezas com a indústria bélica, farmacêutica e logística de guerra e depois ainda repassar a conta aos países aliados; levando em conta o número de armas atômicas existentes no planeta, não seria ilógico ou irracional crer que o mundo um dia acabasse em caos.
Voltando a entrevista com Chico Xavier: o médio disse que o Brasil, pelo seu povo generoso exemplificará a verdadeira fraternidade recebendo todos habitantes desterrados do planeta, o que resultaria em que o nosso país seria repartido em várias nações. A Região Norte seria ocupada pelos americanos, canadenses e mexicanos. A Região Sul (unindo-se a Argentina e Uruguai) seria governada pelos europeus, a Região Nordeste pelos russos e que somente parte do Sudeste e Centro Oeste e Distrito Federal permanecerá com os brasileiros. As cidades litorâneas do Brasil seriam também engolidas pelo oceano. Lembrei-me de quando cursava o científico (2ª grau) no Ateneu Dom Bosco em Goiânia, li a biografia de Dom Bosco onde ele faz a previsão que o Brasil Central, mais precisamente na região que um dia seria Goiânia e Brasília seria um dos lugares mais importantes do mundo! Lembrei-me também da obra espírita Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho" pelo espírito de Humberto de Campos. E se não bastasse, me veio a memória a excelente obra/ ensaio (não espírita) do austríaco Stefan Zweig, "Brasil, o país do futuro" escrito em 1941.

A confirmar tal catástrofe, que destino tem Goiás em face da humanidade? E que destino esse, de vivermos justamente nesse lugar fadado a ser o porto seguro do mundo? O que Deus está nos preparando? Por que eu, por que você, nascidos aqui, ou goianos por adoção, viventes abaixo do Paralelo 13, temos que ser protagonistas do maior desastre da história?

Até então- enquanto não chegar a hora- tudo não passa de um especulação banal e idiota as previsões do quase fim do mundo. Mas se isso se confirmar? Não vai dizer depois que você não sabia! Não custa prestar mais atenção na vida e tornar-se um ser humano melhor.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011


Jesuino e o capitão Herculano


Um cordel na telinha de tv

Por Tadeu Nascimento


Cordel Encantado, da Rede Globo, conseguiu uma proeza: transformar uma literatura de cordel em novela. Autores da façanha: Duca Rachid e Thelma Guedes. Parabéns a ambos acertaram em cheio. Trata-se de uma miscelânea, digamos, cordelínea, da melhor qualidade. Um folhetim de realismo fantástico que traz uma saborosa fábula com aroma e gosto do nordeste com nuances de conto de fadas. Passados mais de 70 anos das mortes de Lampião, Maria Bonita e Corisco, os livretos de cordel ainda enaltecem esses personagens-heróis, resistindo as enxurradas de informações da era da informática e com isso, alimentam sonhos de milhares de brasileiros do nordeste e até de outros milhares da maior cidade nordestina do mundo, São Paulo. Eis a razão da novela. Assim como na literatura de cordel, os autores abusaram da liberdade de misturar personagens, países e épocas, compondo um grande mosaico. Melhor, uma colcha de retalhos bem nordestina, alinhavada com o melhor da ficção literária e da história universal. É de se lembrar, por exemplo, os versos de poesia de cordel que se transformou na belíssima canção "Mulher nova bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor", onde o autor, o poeta pernambucano Hotacílio Patriota, costura num balaio poético atemporal os personagens mitológicos Helena de Tróia, Páris, Heitor, Menelau, (Ilíada de Homero), o imperador Alexandre o Grande e sua amada Roxana, o poeta Cervantes e os cangaceiros Lampião e Maria Bonita.

Na Cordel Encantado, por sua vez, existem além de um herói sertanejo aos moldes do rei do cangaço Capitão Virgulino Lampião (Capitão Herculano, também com o título rei do cangaço) com seu bando, o mocinho (Jesuíno, filho do Capitão), a princesa (Açucena), outras figuras, bem próprias do interior brasileiro, como um prefeito medroso e corrupto com sua esposa que tem fogo nas partes pudentas; um hilário delegado metido a valente que treme só de ouvir a palavra cangaço; um coronelzinho idiota, perverso como o cão, bem aos moldes existentes ainda hoje nos rincões do Brasil; uma bela moça que encarna um jagunço numa nova edição da doce e valente Diadorim da obra Grande sertão veredas de João Guimarães Rosa, tal qual a personagem interpretada por Bruna Lombardi- aliás, o cangaceiro Fubá/Doralice (Natália Dill) lembra muito o jagunço Reinaldo/Diadorim (Bruna) com os mesmos cabelos curtos e óculos redondos- da série global de mesmo nome, onde o personagem precisou travestir-se de jagunço macho para entrar no bando de Hermógenes para vingar seu pai, Joca Ramiro. A figura do Antônio Conselheiro (Canudos), ícone no nordeste, empresta sua estampa ao personagem Profeta na novela. Assim também, os autores exploram o personagem do mascate árabe, viajante do nordeste (coisa comum por lá) que tem uma esposa em cada cidade, tal qual Seu Que-Qué (Ney Latorraca), personagem caixeiro viajante da minissérie Rabo de Saia da mesma Globo na década de oitenta. Se não bastasse tanta ousadia de imaginação, os autores atravessaram o Atlântico literário e pescaram O homem da máscara de ferro e o Conde de Monte Cristo do francês Alexandre Dumas. A história se passa nos séculos dezenove e vinte. Um rei europeu da fictícia Serafia do Norte que instalou sua corte na pequena Brogodó em busca de sua filha que fora entregue a um casal do sertão com intuito de livrar a criança do perigo quando procuravam um tesouro escondido. Tal garboso rei se apaixona por uma mulatinha e promete levá-la para seu reino. Somente na literatura de cordel é possível uma história de capa e espada com cangaço! E ainda permeada com muito humor. E tome realidade com ficção e vice-versa! E no meio disso tudo, como não poderia de ser, claro, o enredo de um triângulo amoroso que envolve o mocinho Jesuíno, a doce princesa Açucena e o perverso coronel Timóteo.

Cordel Encantado foi filmado em duas cidades da região do São Francisco, de nomes bem próprios do lugar: São José do São Francisco (Sergipe) e Olho d´Água do Casado (Alagoas), locais que outrora foram rotas do cangaço. Nos primeiros capítulos o cenário foi no castelo de Chambord, construído por Francisco I no fim da Idade Média, na França. Cordel traz ainda uma bela trilha sonora interpretada por Gilberto Gil, Zé Ramalho, Lenine, Maria Gadu entre outros. É um dos melhores trabalhos de entretenimento da emissora.



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

John Lennon


O mundo precisa mesmo é de poetas

Por Tadeu Nascimento

Às vezes fico a imaginar, se John Lennon estivesse vivo, quantas coisas belas ele estaria criando. Quantas maravilhas do ex- beatle, tipo "All your need is love" estaria nos encantando. Não há gente que absorve mais os ensinamentos do Cristo que os poetas. Ah, os poetas. Parafraseando Lennon, diria eu que "Tudo que o mundo precisa mesmo é de poetas. Não há classe que prega mais o amor do que os poetas. E Cristo, foi o maior deles. Além do que, sua própria vida foi o mais lindo poema de amor. Cristo veio ao mundo para nos tirar da armadilha do caos, que nada mais é do que ignorância espiritual, pois, o mundo sem amor seria o próprio caos. E grande parte da humanidade não percebe. E no topo do mundo dos ignorantes existem aqueles que acreditam que podem comprar tudo, até o amor. E pelo poder, propagam as mais terríveis guerras. Só que eles não sabem o que é amar. Pois amar não é comprar, ao contrário, é doar. Doar sempre. Tudo que puder. O poeta de Nazaré quando disse "Dê tudo aos pobres e me siga" demonstrou o seu grande amor a humanidade. Poesia pura. Sentimento de mais alta nobreza. Sabemos, óbvio, que não temos a nobreza do Cristo, mas eis aí, o caminho para paz no mundo. Dê uma chance a paz! (Give chance a peace!), disse Lennon numa canção. Por isso, às vezes, desconfio que os poetas são enviados de Deus. São avatares, aqueles que vem ao mundo para por ordem no caos. E talvez por terem cumprido seus destinos, partem logo dessa vida. O amor de Castro Alves aos nossos irmãos negros é de uma beleza infinda: "Oh, senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, Senhor Deus/ Se é loucura... se é verdade/ Tanto horror perante aos céus..."- se referindo aos escravos morrendo aos montes, nos porões dos navios repletos de escravos. Castro Alves morreu aos 24 anos! Como pode um menino- ainda aos 19 anos criar "Navio Negreiro"- ter tamanha genialidade? Tanto que em "Mocidade e morte", um de seus versos é: "Eu sinto em mim o borbulhar do gênio". Imagine, se ele tivesse vivido 50 anos!
Mas por que tantos poetas deixam a vida prematuramente? Acredita-se que não é só pelo álcool, drogas, AIDS, bala de revolver... mas por viverem com intensidade cada dia e principalmente por dar fim o cumprimento de seus destinos que é chamar atenção da humanidade para o mais sublime: o amor. Depois de deixarem o seus recados se mandam para eternidade! Assim foi com Álvares de Azevedo (álcool) aos 19 anos; Gonçalves Dias, (naufrágio), aos 21; Noel Rosa- também aos 24 anos por complicações pulmonares (boemia) aos 24; Cazuza aos 32 anos (AIDS), Renato Russo (AIDS) aos 36; Gonzaguinha (E a vida, o que é / Diga lá meu irmão/ É um sopro da criação- acidente automobilístico) aos 45; Jessé (Se um veleiro repousasse na palma da sua mão- acidente automobilístico) aos 40; Raul Seixas (alcoolismo e diabetes) aos 40; Jim Morrison (drogas) aos 27, Luigi Tenco (Ciao, amore, ciao)- suicídio aos 27; John Lennon (assassinado) aos 40. E o mais talentoso de todos poetas da humanidade, Jesus, o Cristo (assassinado na cruz) aos 33 anos. Todos, em menor ou maior grau, defenderam o amor. O amor que deveria ser a razão de tudo na vida.
Mas, o que é ser poeta? Pra muitos, poeta é um ser sonhador, visionário, tolo. Tolos sãos eles que passam a vida babando pelo dinheiro e que só fazem sexo por não saberem fazer amor! Depois babacas são os poetas! Poetas- segundo os melhores dicionários- são aqueles que despertam o sentimento do belo. E nada mais belo que o amor. E, no fundo, eu gostaria de ter o talento desses insanos! E com certeza eu seria mais um a ajudar o mundo a ser menos infeliz.Há quem ache o amor piegas, cafona, coisa de lunático. Mas o que você sente por seus filhos cara-pálida? O amor é uma bobagem?! Pois então, me apresenta algo melhor! O amor, homem de gelo, ainda é o maior barato da humanidade! O amor não tem cor, não tem credo, não tem pátria, não tem cifras!
O amor é um fogo que arde sem se ver/ É ferida que dói e não se sente/ É um contentar-se descontente...(Shakespeare).
Daí, o meu modesto entendimento que os poetas são os verdadeiros apóstolos de Cristo.

domingo, 31 de julho de 2011


Saudosista? Quem? Eu?

Por Tadeu Nascimento





Estamos invertendo os valores. Elevamos o fútil, o decartável e desprezamos as pessoas autruístas. Nada mais ímbecil e descartável que o Big Brother que já vai para 12º ano. Mais interessante era- embora com alguns erros- o Show do milhão do Sílvio Santos. Por que não reeditá-lo? Voltando mais no tempo, havia um programa na TV Record, "Essa noite se improvisa" no qual se disputava quem sabia mais de música. O apresentador Blota Jr. sugeria uma palavra e o participante cantaria uma canção que tivesse tal palavra. Chico Buarque foi o melhor até ser desbancado por Caetano Veloso. Longe do banal "Qual é a música" do Sílvio Santos. Mesmo sendo um chato, Flávio Cavalcante apresentava "Um Instante Maestro" na extinta TV Tupy que tinha um corpo de jurados formado por Sérgio Bittencourt, Fernando Lobo, entre outros compositores.
Não tenho nada com a vida alheia, mas o comportamento humano sempre me intriga. O que leva, por exemplo, centenas de cidadãos participarem de encontros de motociclistas, uma vez que não podem, enquanto ali estiverem, beber sequer uma cerveja? Para se exibirem com suas máquinas potentes sobre duas rodas? Viagem do Brasil ao Chile: "Pronto, chegamos! E agora? Voltemos!" E é só! Nos Estados Unidos e na Europa, muitas dessas máquimas que saem em comboio são emolduradas com mulheres peladas na garupa, pilotadas (as máquinas) por barbudos, barrigudos, carregados de tatuagens? Pra quê? Não seria melhor estarem nus em lugares mais apropriados. Como disse, são coisas que apenas me levam a pensar, mas são problemas de cada um. Se assim, se sentem felizes...
O que levam as montadoras de carros colocarem no mercado automóveis que podem alcançar 260 Km/h se é proibido nas estradas e nas ruas do mundo inteiro imprimirem velocidades acima de 120 Km/h? Aliás, as provas automobilísticas de velocidade são coisas que não me convencem. Não se trata de competições entre atletas, mas sim, entre máquinas. Melhor, são competições que buscam a mais rica escuderia da temporada e claro, faturar milhões de dólares com as transmissões televisivas, como acontece no circo da Fórmula Um. O piloto pouco interfere no resultado. Se assim não fosse, Ayrton Senna, no começo de carreira não teria saído da Tollerman para competir com a McLaren. Na Tollerman nunca seria campeão do mundo. E o telepectador, ali de bobo, assistindo os carros completarem o mesmo trajeto mais de 50 vezes! Quando Senna morreu, vítima deste esporte que nunca foi esporte, mas uma sandice, o governador Paulo Maluf tripudiando em cima do falecido Senna, em busca de votos, armou um outro circo que levou centenas de milhares de pessoas a acompanhar o carro de bombeiro que levava o corpo de Senna. Morre Tom Jobim e a mídia nem tium. Morre Darcy Ribeiro e se repete o mesmo desprezo. Morre Jorge Amado, idem.
Há de se perguntar, então, o que seria bom, o que eu gostaria que estivese sempre em voga, sempre na moda. Fácil: gostaria, sim, da volta- e que durassem- dos tempos dos festivais da canção como os da Record nos 60, 70. Que revelassem outros Chicos, Caetanos, Gilbertos Gil, Vandrés, Edus Lobo que emocionavam o Brasil inteiro. Época de ouro que se espalhou como febre por todo o país. Os festivais universtários de música popular eram eventos corriqueiros. A bela canção Vila Operária, regravada décadas depois pelo goiano Marcelo Barra, foi ganhadora do Festival Universitário de Goiânia- se não me engano- em 1967.
Saudosista, quem? Eu? De fato, sou sim! E daí? Quem não o é? Quem não gostaria de volta o futebol arte de 30 anos atrás? Pois, gostaria sim, da volta dos ponteiros no futebol. Dos dribles. De novos pelés, de novos garrinchas, de novos joãozinhos do Cruzeiro. Aliás, fiquei imensamente feliz com o primeiro gol de Neymar contra o Flamengo. Gol de Pelé em dia muito abençoado. Gol de placa: driblou 6 marcadores e estufou a rede. Coisa raríssima hoje em dia. Quem não gostaria de ver novos centravantes habilidosos que jogavam de costa para o gol, como Reinaldo do Atlético Mineiro? De um outro Romário? De grandes cobradores de falta como Nelinho do Cruzeiro e Éder do Atlético de Minas. Do futebol arte do técnico Telê Santana? De novos Joãos Saldanhas como comentaristas. De Nelsons Rodrigues e Armandos Nogueiras com suas crônicas geniais.
Gostaria sim, de grandes programas de humor na TV como a Família Trapo. De ver novos Ronalds Golias, novos Viva o Gordo. De gargalhar com novos Azambujas, novos Albertos Robertos, novos Justos Veríssimos.
Gostaria sim, de novos Beatles, de novos Jonhs Lennon, de novos George Harrison, de novos de novos Cazuzas, de novos Renatos Russos.de novos Rauls Seixas. De novos Gonzaguinhas, de novos Vinicius de Moraes.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

"Jesus Cristo"
O anarquista maravilhoso

Por Tadeu Nascimento


O escritor Alaor Barbosa há pouco tempo escreveu, no Diário da Manhã, uma crônica/artigo sobre a obra "Cristo, o maior dos anarquistas" de Aníbal Vaz de Melo. Eu tinha- tenho- o citado livro em minha humilde biblioteca. Achei, pois, muito interessante as palavras do escritor goiano. Busquei de pronto o dito volume e comecei a lê-lo. Extraordinária obra. Um dos melhores livros que meus olhos e cérebro, tiveram o prazer de conhecer. Livro fora de circulação, mais ainda, raro, chegando ao valor de R$800,00 nos sebos de São Paulo e Rio de Janeiro. O que li, é a 3ª edição pela Gráfica Editora Linotype. 1956.SP. Antes de eu adentrar e expor o meu ponto de vista sobre a obra, vale aqui lembrar o que significa anarquista. Segundo o Aurélio: anarquista é aquele que é contra a ordem estabelecida. Em um segundo significado, aquele que é afeito a bagunça. Este último, não se refere a obra citada e muito menos ao personagem Cristo. Trata a obra, ao contrário, de um Cristo humano, maravilhoso, que vai contra a ordem estabelecida da época- o capitalismo do Império Romano e os dogmas do judaísmo. O autor vai a fundo ao esmiuçar as verdades defendida pelo Nazareno que vão contra tal ordem, o que torna o livro muito interessante.
Eis, pois, algumas das preciosas verdades: a família de sangue. Quando alguém disse ao mestre da Galiléia :" Eis que estão lá fora tua mãe e teus irmãos!" Jesus respondeu: "Quem é minha mãe, quem são meus irmãos?" E, estendendo as mãos para seus discípulos, continuou. "Eis aqui a minha mãe e meus irmãos, porque qualquer que fizer a vontade do meu pai que está nos céus, este é meu irmão e irmã e mãe!" Cristo, disse o autor, renegou nessa passagem impressionante a família da carne, a família legal- pelo imenso amor à família natural, à família humana. "Cristo não podia limitar o seu amor à família de sangue ou à família legal; esse amor que extravasava, que transbordava para além dos confins do tempo e do espaço".
Outras máximas contra a ordem estabelecida estão nos capítulos "Cristo, o divórcio e o amor livre" e "Cristo e as pecadoras". Jesus nunca foi contra o divórcio, ao contrário, pregava o amor livre! O falso moralismo da igreja romana e da sociedade, visando não dispersar o capital, oriundo, muito das vezes da junção de duas famílias- e o temor de ver filhas prostituídas, faziam com que repudiassem (e ainda repudiam) o divórcio. O casamento que deveria ser a união de almas afins e da mesma vibração, tornou-se transação comercial. O dia que o amor deixar de ser um negócio, em que a mulher (ou homem) não se vender por um automóvel, por uma mansão, o amor será algo sublime e divino e que destruirá todas hipocrisias do regime capitalista. O divórcio não vem trazer a separação do que está unido, e sim, legalizar o que já está separado". Quanto ao capítulo que se refere as pecadoras, Aníbal V.Melo, cita Júlio Barcos que diz: "Não é concebível a existência das mulheres honestas sem a multiplicação das desonestas. Suprimi as meretrizes e vereis homens se transformarem em hordas de orangotangos que violariam até crianças e as velhas!" Eis a razão dos prostíbulos serem chamados de casas de tolerância. Por outro lado, as prostitutas, são as únicas amigas dos vagabundos, dos deserdados, dos maltrapilhos párias enxotados da sociedade. Os magistrados desprezam-nas de dia, e à noite vão procurá-las pelas esquinas, como mendigos. Jesus disse a Simão: "Vês esta mulher?- referindo-se a Maria de Madalena- Entrei em sua casa (a de Simão) e não me deste água para lavar os pés; e ela, pelo contrário, regou-os com suas lágrimas e enxugou-os com seus cabelos. Não me deste um ósculo; e ela, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. Digo-te, pois, que muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou." Quando do episódio do apedrejamento de Maria de Magdala, disse Jesus àqueles que atiravam as pedras: "Homens de pouca fé e coração de pedra, antes fosse todos os vossos pecados, como o dela, os pecados do amor e não do ódio!''
Mais uma verdade contra a ordem estabelecida: "O nacionalismo e o preconceito racial". A terra pertence a toda humanidade e não há raças, há almas! E as guerras, todas elas, são fraticidas. Pobres soldados iludidos defensores da pátria que não passam de inocentes a fomentar as fábricas de armas que enchem os bolsos dos seus belicosos fabricantes! Não há cerca moral que possa separar os homens e terra é a pátria de toda humanidade. Jesus causou surpresa a mulher Samaritana, quando ele pediu água à filha de um povo inimigo que o povo judeu odiava." Como sendo judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?!- indagou, a mulher.
Outra verdade: "Cristo e o heroísmo do desertor". Não se trata aqui da vergonha da covardia, mas sim, amor à vida do seu semelhante. Qual a diferença entre quem mata um cidadão na rua e aquele que mata no campo de batalha? Cômica, se não fosse irritante e desprezível, a moral da sociedade burguesa que briga pelo petróleo ou por mina de ouro enquanto os filhos da pátria, na grande maioria, filhos de trabalhadores, servem de bucha de canhão. As mães dos soldados de ambos lados da batalha, ficam na saudade a chorar lágrimas de sangue pelos filhos mortos, enquanto os fabricantes de guerra degustam champanhe e caviar. A sociedade repudia o assassinio ordinário das ruas e premia com medalhas o homicida de guerra! Tudo por conta do vil metal. Cristo, por sua vez, nunca tocou em uma só moeda! Mãos que curavam, que abençoavam, que pregavam a savação, jamais tocariam em dinheiro.
Não há registro no Novo Testamento que o Rabi da Galiléia tenha tocado em um só dinheiro! Tinha, pois, o mestre, o maior desprezo ao dinheiro. Aliás, Cristo não possuia propriedade. Dê tudo aos pobres e siga-me, disse Cristo a um cidadão que lhe perguntou como alcançar o céu para estar junto a Deus.
A alma romântica e poética de Cristo. Ele não foi simplesmente o maior revolucionário humano. Foi também um dos mais inspirados artistas da humanidade!- "A sua vida constitui o mais maravilhoso dos poemas, e nada existe, em todo céu da tragédia grega, que se possa equiparar ao temor e piedade desta vida"- disse Oscar Wilde.
Cristo, ao ir contra a ordem estabelecida, estava defendendo tão somente, a instituição do amor. O amor entre os homens.