quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


Os amantes


A mania de Zé Ricardo


Por Tadeu Nascimento


José Ricardo estava no seu terceiro casamento. O primeiro foi com Maria Lúcia que o flagrou saindo de um motel com Marinalva, uma ex-namorada. Inapelável. Mas mesmo assim, tentou se desculpar, prometendo nunca mais pisar na bola. Nada adiantou. Ela, de família conservadora, educada em escola de freiras, não admitia traições. Quanto mais com uma ex.
- Quanto tempo você me trai com esta catilanga, seu sem vergonha?
Sem resposta. Fim de uma história. José Ricardo amargou solidão por uns dias e logo saiu à caça, como um leão que acabara de fugir das grades. Surgiram alguns relacionamentos: uns que valiam uma viagem pra Caldas Novas, outros descartáveis, como seringa de injeção. Mas logo conheceu Silvana, mulher despachada, destas da pá virada, autêntica, de poucas palavras e que não aceitava qualquer deslize de José Ricardo. Tudo ao contrário da recatada Maria Lúcia, menos no que dissesse respeito a traição.
José Ricardo casou-se com Silvana em cerimônia em cartório e depois comemoram com amigos e familiares num belo restaurante. Por coincidência, na hora dos cumprimentos, quem surge à sua frente? Ela, a Marinalva!
-Não vai me apresentar sua noiva, quer dizer, sua esposa Ricardo?
Ele, mais do que sem graça, recebeu os votos de felicidades para uma nova vida a dois. Não restando alternativa, apresentou Marinalva à esposa. Dois anos se passaram quando Silvana descobriu que Ricardo tinha um caso com outra mulher, pois encontrou baton vermelho em sua cueca, embora não soubesse de quem. Inapelável. Bye-bye, segundo casamento!
Um ano depois, conheceu Paulinha que era o meio termo entre as duas primeiras mulheres. Porém era muito ciumenta. Casou-se com ela e vive um casamento às turras, sabendo que também não ira durar muito. A causa? A mesma. Sempre outra mulher.
Enquanto Ricardo estava com Paulinha, Maria Lúcia e Silvana se conheceram num salão de beleza e descobriram que foram esposas do mesmo homem, José Ricardo.
-José Ricardo Antunes? Não me diga! Eu fui a primeira esposa dele!
De repente tornaram-se amigas. Afinal tinham algo em comum: o ex-marido. Faziam compras no shopping, saiam para um chopinho, uma visitava a outra e pouco a pouco foram descobrindo a vida íntima de ambas com José Ricardo. Maria Lúcia que fora a primeira esposa, contou à Silvana- em meio uma pizza e chopes num shopping- a causa do fim do seu casamento com Ricardo.
-Flagrei ele saindo de um motel com uma ex-namorada, a Marinalva. Perguntei a ele quantos anos ele me traía com aquela catilanga e ele não respondeu, apenas ficou a se desculpar, e prometendo que nunca mais iria me trair, mas não aceitei. Fui apurar os fatos e descobri que ele tinha um caso com Marinalva por 5 anos, ou seja, desde que nos casamos. Pedi o divórcio.
- Acho que conheço esta tal Marinalva! Mas... deixa eu te contar: o meu caso é parecido com o seu, só que eu não sei com quem ele me traía. Um dia a sua cueca apareceu com mancha de baton...
- Vai ver, foi com a Marinalva!..
- Pois é, acho que conheci esta Marinalva...
- No dia do seu casamento?
- Como você sabe?
- Já vi este filme!..
Mal terminara de falar, avistaram José Ricardo acompanhando uma mulher com jeito de intimidade. Mas o rosto da mulher não era possível de se ver. Ela estava de costas.
-Falando no diabo... olha lá, o filadaputa do Zé Ricardo! Ali... com uma mulher- disse Silvana.
O casal sentou-se num restaurante em frente e a mulher sentou-se de costas para a porta de entrada, de forma que Maria Lúcia e Silvana não viam o seu rosto. Combinaram então as duas, de se sentarem em frente ao casal. Fazendo de conta que iriam se sentar para almoçar, ficaram, antes de se sentarem, tete-a-tete com o casal:
- Jo-sé Ri-car-do!... Ma-ri-nal-va!- gritaram as duas ex-esposas.
- Oi! Vocês juntas? O mundo vai implodir! Esta é uma colega de trabalho...(referindo-se a acompanhante)
- Mas você não toma jeito, num shopping, à luz do dia! Você não toma tipo, não é José Ricardo? Você casou-se pela terceira vez e continua traindo! Você sempre me traiu! Traiu a Ana Lúcia e agora a Paulinha com a mesma Marinalva! Já-já, a Paulinha vai descobrir, se não já descobriu! Mas, já que a história de vocês é antiga, por que você, Zé Ricardo, não se casou com ela?- Perguntou Silvana- com a mão na cintura.
Ora porquê! Porque não teria a menor graça! Não sou homem pra viver sem uma amante e amante é tudo de bom, ponto com ponto br! E Marinalva é minha amante! Se eu me casasse com ela eu teria que arrumar outra amante! Agora, se vocês toparem ser minhas amantes eu me caso com a Marinalva agorinha mesmo!
E Marinalva:
- E vocês já estão convidadas para o casamento!
Inapelável.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010


Luma e o bombeiro

Conselho aos quarentões




Por Tadeu Nascimento


Se você é homem, hétero e tem mais de 40 anos, aceite este conselho que lhe dou de graça: não se envolva (emocionalmente, claro) com mulher de vinte anos, principalmente se for bonita demais ou ainda, o mais arriscado: se for bonita demais com cinturinha de pilão- o que é muito bom- mas, sorry, não é pra você, é muito perigoso. A encomenda, com certeza, vai lhe sair cara demais. Tudo bem, se tem o coração de pedra, mas um dia a pedra poderá se quebrar e aí vai se apaixonar e então, estará no pau da goiaba (do Zé Estevão). A palavra “paz” não fará mais parte do seu dicionário. Pode você ser podre de rico ou virtuoso pobretão. Longe de querer rimar, mas... não haverá perdão. Ao tentar se relacionar com uma deste tipo, você já é um pré-corno! Imagine se você terá um minuto de paz: na faculdade, o colega que se senta na carteira de trás, barulhando no ouvido dela: “Esta noite sonhei que estava fazendo amor com você e que eu tinha levado você às nuvens!” Quando ela for ao banheiro, enquanto você a espera, no seu carro ou tomando o seu chope (que a esta altura estará descendo quadrado), no caminho, sempre terá alguém buzinando na orelha dela: “Hoje à noite vou dar uma festa no meu apê e você é a única convidada!” Um outro, mais atrevido: “Tô pensado em pintar os meus cabelos de vovô pra que você faça um ‘love’ senil comigo!" E quando você a vir assediada, na certa será por homens mais novos e, claro, mais bonitos do que você. E você terá que suportar ou cair na real. Se romper com o relacionamento, será um Haiti se desmoronando na sua vida! Se suportar, você se tornou escravo da juventude alheia e fatalmente, a qualquer hora, será trocado por um boyzinho que fala a mesma língua que ela, o que será sempre pra você... o aramaico ou o grego. Pior ainda, se a inevitável separação acontecer daqui a 5, 10 anos. Aí, meu caro, no mínimo, você sofrerá um infarto ou se tornará um neurótico que nunca mais vai encarar uma relação com uma mulher que poderia gostar de você pelo que você é. Estará condenado a gastar suas horas nos bordéis, em casas de massagem ou em boate fim-de-linha que são os refúgios de cornos e pós-cornos. Em fim, você será um neurótico- não de guerra- mas de fêmea. Será isso que você escolheu pra sua vida? Pensando bem, daqui a dez anos, o que será de você?

Se você é mulher, hétero e tem mais de 40 anos, aceite também este gratuito conselho: não se ache eterna gatinha ao ponto de se envolver com homem de vinte anos, principalmente se for bonito demais ou ainda, o mais perigoso: se for bonito demais com barriga de tanquinho, tipo exibicionista, pois deve ser muito bom para as gatinhas com vácuo na cabeça, mas pra você será uma gelada! É óbvio, se você abrir uma brecha, vai se apaixonar. Eis o inferno na sua vida, onde o capeta vai lhe proporcionar todo tipo de tortura: o de ser trocada, não por uma, mas por um batalhão de mulheres, ainda que vazias, que o tratarão como Apolo e a você como a Maga Patalógica ou como outra bruxa qualquer, viventes de uma selva de cornélias-agudas. Imagina seu gatinho na borda da piscina com um corpo sarado pronto a se mergulhar num banquete de pernas lisas e doces de uma dezena de gazelas no cio. Ah, você sabe o que é isso, você já foi uma delas! Agora é uma onça, a rosnar na borda da piscina. Mas sem dúvida, há sempre um caçador de onça obcecado a amansar a fera que mora em você. Mas enquanto você urra como felina, o capeta arma a sua arapuca! Imagina também, o seu homem dançando no centro de uma roda, na boate, com a camisa aberta (ou pior, sem ela) exibindo os seus trepidantes músculos da barriga de tanquinho e você deslocada, à margem da vida dele- se achando do tamanho de uma ervilha de vergonha- fazendo de conta que nunca viu aquele homem, no maior vexame da sua vida. Será isso que você escolheu pra sua vida? Pensado bem, daqui a dez anos, o que será de você?

Agora, se você, homem ou mulher com mais de 40, insiste no sexo oposto de 20 anos e se- como dizia Vinicius de Moraes na canção "Testamento"- "Você que só faz usufruir/Que tem mulher (ou homem) pra usar ou pra exibir"- vai quebrar a cara! Vide Suzana Vieira. Vide Eike Batista (o homem mais rico do Brasil- segundo ele mesmo- que perdeu a ex, Luma de Oliveira para um bombeiro da Polícia Militar do RJ). Lembre-se que sempre tem uma gatinha inglesa chamada Mal de Parkinson ou um jovem alemão, o Alzheimer, a sua espera. Reze pra se desencarnar antes ou acostume-se a com a idéia de dançar aos domingos, às três da tarde, com as gatinhas ou gatinhos de setenta, oitenta anos no Asilo dos Velhos da sua cidade. Não duvide, é a vida.

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010



Dr. Olegário, o rei das mulatas

por Tadeu Nascimento



Olegário Pena- dos Pena de Araguari- era médico Dermatologista. Seria mais justo chamá-lo de médico mulatologista. Quer dizer, médico especialista em mulheres de pele cor de mate, de lábios carnudos, de dentes grandes e alvos, de tornozelos finos. Bem casado, pai de três filhos, foi um craque na sua especialidade. Um Pitangui das mulatas. Não que evitasse pacientes de pele clara, mas sua fama de mulatologista corria o mundo. Quando ele se referia a morenas de pele cor achocolatada abria um sorriso de felicidade de ganhador solitário da mega sena. "Nasci pra isso, vivo pra isso", era o seu lema!
Mesmo com toda fama e glória, Dr. Olegário mal esperava a "Hora do Angelus" para passar a volta na chave na porta do seu consultório para caçar cabrochinhas de piador fino nos bairros da cidade. Decodificando cabrochinhas de peador fino: segundo o próprio Olegário, são mulatas de tornozelos finos que chegam a ter as peles ressecadas de tão magrinhos."A primeira coisa que reparo- depois da cor- é nas polegadas do peador. Quanto mais fino o peador, maior a cotação na bolsa de valores da minha alegria. Mulata de peador fino é a melhor coisa que existe! É mais quente que fundo de forno! Na hora horizontal, pula mais que cabrita picada por marimbondo!"
Essa paixão por mulata tinha razão de ser. Vem desde o seu primeiro dia de vida. Sua mãe, impossibilitada de amamentá-lo, deixou por conta de Tereza, uma mulata que fora criada pela família que também acabara de dar à luz. Paixão à primeira mamada. Quer dizer, á primeira mulata. Daí por diante, só queria se amamentar nos peitos da trigueira Tereza. De lá pra cá, a idolatria só aumentou. Na infância só conseguia dormir- enroscado numa cabrocha. Na puberdade não desgrudava o olho dos buracos das fechaduras dos banheiros para ver as empregadas, também mulatas, tomando banho. Êxtase total. Nem Casanova, nem Don Juan tinha o prazer de Olegário, quando as vias debaixo do chuveiro. Aliás, todas empregadas que passaram pela casa de Dona Arlinda, sua mãe, tinham cor de canela, caso contrário, fazia greve de fome, não ia à escola e ainda batia-lhe uma triteza de Jeca Tatu. Gostava tanto desta matiz que ao rezar, ainda quando criança, a "Ave Maria", na sua mente surgia uma nossa senhora mulata, quase aos moldes Nossa Senhora da Aparecida. E não era sem motivo que as paredes de seu consultório foram decoradas com quadros de mulatas de Di Cavalcante. Quando rapazinho, trocava idéias, fotografias- através de correspondências- com Sargentelli, aquele das mulatas do Canecão, no Rio de Janeiro. "A mulata, sem trocadilho, é coisa de Buda: é o "meso", o meio termo entre as raças, o equilíbrio entre todas mulheres!" Se Castro Alves era o maior defensor dos negros, eu sou o maior defensor da mulatas, tanto que sugeri a um amigo vereador para ingressar com um projeto de lei para que fosse instituído o Dia da Consciência Mulatícia. Pois se existe o dia da Parada Gay, porque não para o nosso produto exportação nº 1, a mulata, o maior patrimônio nacional!"-argumentava o nobre humanista.
Um dia, surge em seu consultório uma mulata estonteante, de 1,75m, cabelos em cachos, um par de brincos de argolas imensas, uma boca grande e carnuda, dentes que brilhavam como pérolas brancas e, pasmem, olhos verdes como jabuticabas em agosto, cintura de formiga e um par de nádegas criadas em cativeiro, destas que fazem esposa espancar marido, se ele ousar virar o pescoço. E o peador? Ah!..o peador! Era o peador mais perfeito que Deus já criou! Pois bem, a mulata tinha intenção de tirar umas pintas: uma debaixo do seio esquerdo, outra no bumbum e outra na verilha, do lado direito. "Só por precaução, doutor, dizem que pinta pode virar coisa séria, talvez um tumor!"-disse ela com ar de preocupada. Doutor Olegário, num misto de surpresa e felicidade, pediu-lhe que mostrasse então, as tão maldosas pintas. Sem se preocupar, a mulata, tirou o vestido de uma só puxada. Estava sem as devidas peças íntimas! Ei-la absolutamente nua! A um metro de seu olhos! Olegário engoliu seco. Era a coisa mais linda que a vida presenteu aos seus olhos. "Valei-me meu São Benedito!"- clamou em off, Olegário. Ela, mais nua do que Eva- antes de comer a maçã- chegou bem pertinho do médico e apontou para as indeléveis pintinhas. Era a maior homenagem que um homem poderia receber, pensou Olegário. Tentou se controlar. Começou pela pinta do seio. A mão que apalpava começou a se tremular. Ela virou-se para mostrar a segunda, a pinta gordinha, bem ali no auge da curva do bumbum. Olegário suava em bicas. E ela: "Agora, doutor, estou mais preocupada é com esta pinta aqui, a da verilha"- falando e virando-se de frente para o médico que estava sentado à altura da última pintinha. Pronto: enfarto. Ali, diante da apoteose do samba, isto é, da mulata :
-Obrigado, São Benedito, isto que é morrer feliz!-finalizou Olegário.
Morreu com um sorriso largo, ali mesmo, na frente de uma deusa nua, quase negra.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010


Dona Edvirgem em Caldas Novas

Por Tadeu Nascimento

Edvirgem trabalhava no Departamento Pessoal da Secretaria de Educação. Muito tímida e recatada, parecia uma freira franciscana, uma missionária de igreja de crente. Tudo seu era antiquado, até o próprio nome.Trajava-se sempre com um vestido que batia no meio das canelas, cabelos presos em coque e um par de óculos fundo de garrafa que garantiam a indiferença sexual dos homens da repartição. Aliás, era um ser que não era notado por ninguém. Quase não falava, apenas respondia sim ou não. Fazia o seu trabalho e voltava pra casa. Ninguém da Secretaria a viu na rua, num shopping, num bar.
Eis que chega o feriadão da Semana Santa e os funcionários da repartição armaram uma excursão pra Caldas Novas. Saíram quarta-feira depois do expediente com o propósito de voltarem domingo no fim da tarde. Dona Virginha (assim os maldosos da sala se referiam a ela, principalmente Maurinho Língua Preta) estava lá, na penúltima poltrona do ônibus, no recôndito de sua modéstia. Chegando no hotel, cada um foi para o seu apartamento e logo depois foram pra piscina. Virginha, não apareceu. Ninguém notou. Na manhã seguinte, com o sol disposto a arder nas peles de quem ousasse a desafiá-lo, já estavam agarrados nos copos de cerveja, Osvaldo Portela, Chico Barriga, Paulinho Fuxiqueiro, Edilson do Almoxarifado e Mauro Língua Preta. Todos solteiros, melhor, um viúvo, dois divorciados e dois solteirões de fato e de direito. Algumas senhoras subiam a escada que dava acesso às piscinas que ficavam num elevado onde os colegas cervejeiros já estavam fofocando sobre como seriam as siluetas quase nuas das nobres colegas da sala. A Marcela, tanajuricamente esplendorosa, a Silvinha com sua cinturinha de pilão, a Adriana com seu 1,75 m de puro filé, a Roberta com seu marido cara de touro bravo, a Dona Angélica com aquele corpinho de armário desmantelando, a Dona Hortência com seus quatro endiabrados filhos. Todas estavam no prato da discussão. Ninguém se lembrou da Virginha, a assexuada.
Não mais que de repente, sobe as escadas um ser que foi se surgindo aos poucos: primeiro um chapéu branco com uma flor vermelha presa ao mesmo chapéu, depois os cabelos negros e soltos sobre um rosto rosado que se harmonizava com um par de óculos escuros da última moda, a boca- ligeiramente aberta- vermelha (do batom) fazendo par com a flor do chapéu. Continuava a surgir: o pescoço de gazela e suas saboneteiras, depois o colo dos seios, o umbigo, as pernas imantadas com um minúsculo biquini branco sobre um par de tamancos que faziam a trilha sonora da sua estréia. Todo mundo pálido de espanto. Era Afrodite, a deusa da beleza, em carne e osso? Quem será esta musa? A Ava Gardner do cerrado? Quem é essa ma-ra-vi-lha?! Perguntaram uns aos outros, ainda estupefatos. Dona de si, sem olhar para os lados, nariz empinado, ela passou altiva, quase com desprezo perante os reles mortais. Os homens hipnotizados, as mulheres mortas de inveja. Sentou-se numa cadeira virada para o sol e de costas para humanidade ali presente. Assim ficou. Às vezes passava o filtro solar, sempre de costas para a platéia, que se extasiava tamanha delicadeza com que escorregava o creme nas nádegas, nas coxas, nas saboneteiras. Ninguém ousou assediá-la, todos se achavam ridículos diante de tamanha beleza. Tomou um suco de abacaxi com hortelã. Abriu um livro e duas horas depois se levantou e se direcionou para escadaria e desapareceu.
À noite, o assunto era a deusa misteriosa. Depois de muita conversa, alguém perguntou por Edvirgem. "Edvirgem ficou no apartamento, lendo"-disse Dona Aurora, a mais velha da excursão. No outro dia a história se repete e a deusa retorna à área das piscinas, senta-se de costas para todos, se bronzeia, bebe seu suco e desaparece. Quem é ela? Em qual ao apartamento ela está? "Nem o gerente sabe! Eu perguntei a ele."- respondeu Edilson do Almoxarifado. A história se repete na manhã de sábado.
Veio a noite e o Forró do Sábado de Aleluia também. Todos no salão. Quem aparece como numa mágica? Ela! Belíssima! Com um vestido colorido com um palmo acima dos joelhos, uma flor nos cabelos e pra surpresa de todos, foi em direção a mesa dos servidores da Secretaria da Educação.
-Boa noite, Seu Osvaldo! Boa noite, seu Chico! Boa noite, seu Paulo! Boa noite, seu Edilson! Boa noite, seu Mauro!
Parece que é Edvirgem- Todos pensaram- novamente pálidos de espanto.
-Vocês não estão me reconhecendo? Sou a Edvirgem, a Virginha como todos vocês me chamam!
Todos mudos. Quase retardados.
-Com licença, vou dançar!- Virou-se pra pista enquanto todos olhavam o seu andar esfuziante e rebolante como uma potranca livre no campo. Passa-se alguns minutos, ei-la pendurada nos beiços de um loiro. Meia hora depois, dançando enroscada nas pernas de um moreno que se contorcia todo. Outro tempo igual, ela mordendo os lábios de um boyzinho que passava a mão abaixo dos seus quadris enquanto ela parecia deliciar-se com a audácia do moleque. Fim de festa. Edvirgem chega bem perto dos colegas de trabalho e decretou:
-Seus incompetentes! Seus Brochas!
Segunda-feira na repartição. Dona Edvirgem, com seu vestido batendo abaixo dos joelhos, de coque, óculos fundo de garrafa- agora, ex-Virginha- foi a última a entrar na sala. Silêncio total. E Edvirgem:
-Bom Dia!
Silêncio absoluto. Silêncio absoluto. Absoluto.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010


A bela Heloisa

Abelardo e Heloisa


Por Tadeu Nascimento





Heloísa estava toda-toda orgulhosa de si: acabara de receber o seu diploma de odontóloga. Vinte e três anos, loira, olhos verdeados, bunda empinada e sol-tei-ri-nha da silva. Os pais vivem no interior e ela não mais reside em pensionato, mudou-se para um apartamento alugado de dois quartos em setor nobre da cidade. Único probleminha era acertar no trabalho. Trabalhar em uma clínica odontológica ou associar-se a um dentista já estabelecido, com clientela, dividindo o lucro até conseguir comprar o seu consultório. Aí sim, tudo estaria perfeito.

Quis o destino que Heloísa conhecesse Dr. Abelardo Prata. Profissional com 30 anos de experiência, professor em faculdade, estaria interessado em ceder um turno, no seu consultório, a outro profissional. Divorciado, com idade rompendo o “meio dia para tarde” era especialista em tratamento amoroso e coisas afins em pós-balzaquianas convictas e conscientes. Sabia que não tinha mais habilidade comunicativa com as mulheres cheias de brilho da juventude, embora tivesse a ilusão de que poderia disputar com qualquer rapaz de 20 anos. A questão é a aparência de sessentão que não ajuda. Sem chance. Restava-lhe trafegar nos terrenos um pouco mais acidentados das rugas, lombadas e planícies longas e sem curvas das mulheres de 50.

Para Heloísa o trabalho se encaixou bem. Para Abelardo não era bem assim. A graciosidade da nova sócia estava lhe tirando o sono. Aquela pele rosada, a boca com um batom também cor de rosa, contrastando com um sorriso imensamente branco, a blusinha branca, a calça também branca, transparecendo a minúscula calcinha angelicamente branca. Tudo fincado nas sandálias de salto 8 cm também brancas que sustentavam dois pesinhos tamanho 36, com unhas perfeitamente pintadas em tom rosa. Uma combinação celestial. Seria um anjo de férias trabalhando em sua companhia, ou seria o capeta desafiando a sua libido?

Os dias se passam, mas a fixação de Abelardo por Heloísa não passa. E aumenta a cada dia. O máximo foi conseguir levá-la para almoçar num restaurante “por quilo” e após três meses, tomar um chopinho no bar mais badalado da cidade. O cérebro de testosterona de Abelardo arquitetava: era preciso urgentemente levar Heloísa para cama! Abelardo virava a noite rolando na sua king size pensando em Heloísa. Ela, nem tium. Quando ele insinuava alguma coisa relacionada a sexo, ela escorregava que nem enguia.

Certo dia foi trocar idéia com Renatinho, seu sobrinho, um mala de primeira grandeza: pediu-lhe a receita de como levar Heloísa pra sua cama king size com lençol branco de 300 fios de algodão egípcio legítimo, cheirando a alfazema, sob a meia luz de um abajur sobre o criado mudo.

-Simples, tio: leve ela a um barzinho ou choparia e dê a ela duas margaritas e uns três chopes! Ela vai gostar muito e sem perceber, vai levantar vôo! Depois me conta! A mistura é fatal! Ela vai subir que nem sputinik! Vai sair dali tontinha, querendo colo! Mas, nem pense em levá-la pra casa dela, parta direto pra sua king size! É batata!

Não é que o malandro acertou! Às duras penas, Abelardo levou Heloísa, num fim de tarde de uma sexta-feira, a uma choparia. Fez o que o professor de bico-doce ensinou: Duas margaritas e três chopes. A cabeça de Heloisa começou a rodar e Abelardo, bom aluno, levou a presa para a king. Tudo aconteceu com o Don Juan da última decadência queria.

Quando no outro dia, Heloisa acordou, se deparou num quarto que nunca vira, uma cama que nunca se deitou, nua e tendo ao seu lado um homem com quem nunca dormiu, além do mais, o seu sócio, a última pessoa do mundo com quem dormiria. Queria morrer! Que latada! Aos poucos foi se lembrando da noite anterior e viu que caíra numa armadilha. O ódio ferveu-lhe no sangue!

Abelardo foi acordado à tapas:

- O que você fez comigo, seu filadaputa? Quando meu pai souber o que você fez comigo você estará perdido! No mínimo mandará te capar, seu infeliz!

Abelardo, já acordado, em segundos viu em que gelada entrou. Lembrou de um outro Abelardo que- por fazer amor com uma outra Heloisa, em Paris, no século XII- teve seu pênis cortado no toco! Que sina tem os Abelardo, pensou o garanhão pós moderno. Na segunda-feira não foi trabalhar, apenas deixou uma carta para Heloisa, dizendo que estava se aposentando e mudando de país. Possivelmente para o Iraque ou Afeganistão, onde correria menos perigo. Talvez tornasse membro da Al-Qaeda ou do Talibã. Difícil será tirar burka de Samira, mas Salim Abelardo dá um jeito! Salamalek!

Com a inteligência feminina não se brinca! Doutora Heloisa, com seu sorriso cor de rosa, agora dona de seu próprio negócio, mora numa cobertura e é facilmente encontrada nos fins de semana nos melhores bares da cidade, apreciando uma, duas margaritas. Alá seja louvado! Salamalek!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mariana antes de ir ao banco


Mariana e o papagaio


Por Tadeu Nascimento


Quando se casou com José Arnaldo, Mariana era magrinha, magrinha. Cinco anos de vida sob o mesmo teto, Mariana passou da condição de vareta para mulherão. Cinturinha fina e uma traseira abençoada. Por onde passava não havia homem na qualidade de macho que não virava o pescoço em movimento de meia rotação. Zé Arnaldo, no entanto, continuou com o mesmo corpo atlético de solteiro que preservava às custas do futebol de salão às terças, quintas e domingo. Metido a garanhão da periferia, suava sua musculatura – a bem da verdade- nas terças e quintas nos lençóis dos motéis perto do ginásio de esporte que fica a uma quadra do trevo da cidade, onde quase ninguém poderia dizer se ele de fato estava ali a correr atrás de uma bola.

Em casa vivia um casamento conflitante e desgastante, pois não aceitava que homem algum desse uma olhadela sequer, mesmo que sutil, no andado esfuziante de Mariana. Com receio de perdê-la, Arnaldo começou a implicar com a consorte:

- Você precisa emagrecer! Você está ficando redonda!

Chamar uma mulher de gorda é a maior das ofensas! Chamá-la de horrorosa, preguiçosa, chata ela suporta e até releva, mas uma pequena insinuação- por mais carinhosa ou delicada que seja- que a lembre que ganhou cinco quilinhos nos últimos dois anos... Pronto, está declarada a terceira guerra mundial! Fecha o semblante, arma o bico, fica de mal, quando não cai em prantos. E à noite nem tente cutucá-la com intenções genéricas ou específicas porque você pode ouvir coisas do arco da bruxa:

- O que você quer com uma gorda? Vai atrás de Gisele Bundchen, quem sabe ela abra aquelas pernas de bambu pra você!

Voltemos ao consórcio de Arnaldo Mariana. Todos os dias, Arnaldo humilhava a esposa:

-Você está virando um torresmo de tão gorda!

Na verdade, Mariana não estava gorda, aliás havia emagrecido um quilo e meio na última quinzena. A questão residia no seguinte: por onde Mariana fosse, todo macho parava para apreciar o excesso de gostosura que ela carregava no corpo. Com receio de ser apelidado de corno, Arnaldo queria que Mariana voltasse ao que era: magricela e sem o menor atrativo. Pois já bastava o papagaio do vizinho que ficava sobre o muro o dia inteiro a chamar Mariana:

-Gostosa! Ô Gostooosa! Curupaco! Ô Gostooosa!

E todas as vezes que Arnaldo punha seus pés de garanhão no quintal, o louro de imediato o insultava:

-Corno! Ô, Cooorno! Ô Cooorno! Curupaco!

Mariana trabalhava com o marido no supermercado de ambos. Era ela quem fazia os serviços de banco como pagar duplicata, fazer depósitos, enquanto Arnaldo descarregava mercadorias, fazia as compras etc. Para se chegar ao Banco do Brasil, Mariana passava na calçada das Casas Pernambucanas, onde um vendedor sempre lhe fazia um gracejo:

- Gostooosa!

Ela- que era tão ofendida pelo marido- pensava: posso ser gorda para o babaca do Arnaldo, mas tem gente que gosta muito do meu corpão!

Todos os dias o vendedor estava a postos, ali, na espera, para adjetivá-la com nomes bem ao contrário dos que saiam da boca de Arnaldo. De repente se deu conta que necessitava daqueles elogios. Questão de auto estima. Uma noite chegou a sonhar com o vendedor na sua cama chamando-a de “Gostooosa!” Mas a dura realidade era outra: quem dormia ao seu lado era quem a destratava: “Gorda!”, “Torresmo!” “Redonda!”

Na hora do almoço, Arnaldo volta à carga:

- Está caindo!

- O que está caindo, Arnaldo?

- Sua barriga... pra fora calça!- disse Arnaldo dando uma gargalhada sarcástica.

Mariana soltou a frigideira no fogão, se dispôs a chorar e escafedeu-se para o quarto.

Uma hora depois, já no trabalho, pegou as duplicatas, o dinheiro e um talão de cheques e disse:

- Vou fazer serviço de banco! E acho que vou demorar!

A caminho do banco, se via ele, o vendedor de panos. Então disse pra si mesma: “É agora!” O vendedor já ia repetir o mesmo elogio quando Mariana tomou-lhe a frente:

- Você me acha mesmo gostosa?

O vendedor surpreso, gaguejou:

- A Se-nho-ra-me-des-cul-pe...

- Acha ou não acha?- deu ela um xeque-mate no vendedor.

-A-Acho!..

- Então, às seis em ponto, eu passo aqui com o meu carro, para você comprovar se me acha mesmo gostosa!- arrematou Mariana.

Mariana chegou em casa às onze da noite. Quando Arnaldo quis questionar onde ela estava, ela fulminou:

- Estava num motel com um rapaz que me acha gostosa!

Silêncio sepulcral. Arnaldo perplexo, mudo. Foi pra sala pegou uma dose de uísque, sentou-se no sofá e ali ficou.

No ouro dia, quando Arnaldo pôs os seus pés de machão no quintal, ouviu do papagaio do vizinho:

- Eu não te disse, seu corno! Eu não te disse, seu corno! Curupaco! Ô Coooorno! Ô Cooorno! Curupaco.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010



A Revolução Francesa



A beleza histórica da Revolução Francesa


Por Tadeu Nascimento

Em 2001, o escritor e então conselheiro do TCE-GO Eurico Barbosa presenteou-me com a coleção “Os Grandes Processos da História”, 10 volumes, do francês Henri Robert. Trata-se de uma obra voltada quase que totalmente para a Revolução Francesa. Uma ótima sugestão para quem tem paixão por História. É interessante, não só pelos detalhes daqueles efervescentes dias, como também a herança de muitas das palavras criadas durante a Revolução, tais como assembléia, comitê, convenção, comício etc. Além de esquerdista e direitista, qualificações que vieram da “Convenção”, onde julgavam os traidores da pátria. Sentar-se à direita da mesa diretora era se manifestar favoráveis a nobreza, mais precisamente à corte de Luis XVI e à esquerda, os defensores do povo. O termo “descamisados” usado por Fernando Collor na sua campanha a presidente não passa de um plágio fajuto do termo “sans-culottes” (sem calções- roupas próprias para o frio), do povo francês. O termo “pés descalços” usado por Evita Peron, na década de 50, também é plágio do mesmo termo sans-culottes, gesto que a tornou a mulher mais famosa da história da Argentina. Mais ainda interessantes foram os detalhes que ocorreram naqueles 10 anos da Revolução.

As causas da Revolução Francesa: primeiramente a construção do Palácio de Versalles por Luis XIV que durou 40 anos que consumiu os poucos recursos dos franceses através de impostos escorchantes. Depois, A Guerra dos 7 anos com Inglaterra e por último, o envio e manutenção de tropas francesas comandadas por Lafayette na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América contra os ingleses. Não vou aqui descrever fatos mais do que sabidos. Tratarei aqui de detalhes e/ou curiosidades extraídas desta e de outras obras que quase todos os historiadores deixaram de lado.

A esconjurada Maria Antonieta (filha de Maria Tereza da Áustria) ainda criança franzina se tornou-se rainha aos 16 anos, caiu em desgraça por demorar dar um filho a Luiz Capeto (Luis XVI), que tinha fimose, o que impedia a conjunção carnal. A consumação só foi possível depois que um médico austríaco M. Lassone cortou-lhe “os freios”. Mas já era tarde, as cassandras do poder já infernizaram a vida de Maria Antonieta. Isto está em “Le Cabinet Secret de L’Historie” de Dr. Cabanés. A versão popular de que ela teria dito: “Marido, o que as pessoas do povo tanto quer? E o rei respondeu: “Querem pão, mulher!” E a rainha: “Então, dê-lhes pão!” E o rei: “Mas não tem pão, Maria!”e a rainha: “Ah, que eles comam brioches!” Trata-se apenas de uma lenda; uma acusação vil a quem não tinha culpa da miséria que o povo vivia naquele histórico ano de 1789.

Quase todas as sessões da Assembléia Nacional, o revolucionário Marat (Jean-Paul Marat), médico franco-suíço que se revelou um grande jornalista com seu jornal L’Ami du Peuple (O Amigo do Povo) era exposto a julgamento e se condenado, a pena seria capital e para o dia seguinte, ou seja a execução na guilhotina (instrumento inventado, pasmem, por um médico, Dr. Guilhotin). Acabava que, quem o acusava era quem parava no patíbulo, nas mãos do carrasco. Por força do destino, Marat foi assassinado por uma mulher que acreditava que o revolucionário era o culpado de tudo. Chamava-se Charlotte Corday. Marat estava se lavando em uma banheira de madeira. O jornalista precisa se banhar duas vezes ao dia em produtos químicos para se curar das feridas adquiridas nas ruas subterrâneas de Paris quando fugia da polícia do rei. Charlote pede para falar com revolucionário pois viera fazer uma denúncia. Marat autorizou sua entrada no quarto. Ela então pediu para lhe falar junto aos ouvidos, para que ninguém os ouvisse. Inocente, Marat permitiu que se aproximasse. Quando ela chegou perto, cravou-lhe um punhal no coração. Charlotte Corday logo depois foi decapitada. Marat, grande debatedor, atraia todas acusações para si, o que tirava do foco de acusações os deputados líderes Danton, Demolins, Robespierre. Mas com a sua morte todos as lideranças perderam suas cabeças. Era a Revolução engolindo os próprios filhos.

La Marseillaise. Composta pelo capitão Claude Rouget de Lisle inicialmente com o nome de Canto de Guerra para o Exército do Reno que enaltecia a Revolução. A canção fez tanto sucesso, pois deu brios à tropa que soou, emocionou. Espalharam então muitas cópias que acabaram por chegar a Marselha. Dali os soldados marcharam cantando essa canção poderosa e a França fez coro e o povo, cantando, invadiu o palácio das Tulherias. Logo a canção passou a se chamar “A Marselhesa” e se tornou o hino nacional francês em 1795. Ironicamente Rouget de Lisle não era partidário da Revolução, pelo contrário, era fiel à coroa. Sua mãe o criticou duramente por sua canção ter sido estímulo à Revolução. Foi preso e só não perdeu a cabeça porque Robespierre a perdeu antes em 09 Termidor, ano III (27 de junho de 1794). Rouget morreu na miséria em 1836, com 76 anos. Quando ele dizia que era o autor de “A Marselhesa” riam na sua cara. O leitor que nunca ouviu “A Marselhesa”, sugiro que a ouça na voz de Edith Piaf. Vale à pena.

Danton, o deputado, o grande tribuno, o titã de aço- como descreve Henri Robert- quando acusado de traidor, no interrogatório perguntaram-lhe a sua idade:

-Trinta e três anos, a idade do sans-culotte Jesus Cristo, a idade crítica para os patriotas!

-Nome e endereço!- cobrou o inquisidor.

-Chamam-me Danton. Revolucionário, representante do povo. Minha residência? Dentro em breve, o nada! Depois o Panteão da História!

Condenado a morte, por tentar restabelecer a monarquia, o que não era verdade, no patíbulo, minutos antes de ser executado, juntamente com Camilo Demolins e Heraut de Séchelles. Danton, dono de uma cabeça imensa, cabeça de leão, com uma voz poderosíssima que se fazia ouvir por três quadras, quis abraçar Heraut de Séchelles, que devia ir antes dele. O carrasco impediu-o. Danton então, esbravejou:

-Imbecil! Impedirás que as nossas cabeças se beijem no cesto?

A Revolução Francesa foi um grande salto da humanidade na sua própria evolução.

O historiador inglês Eric Hobsbawm em sua obra “Ecos da Marselhesa” defende que felizmente a Revolução Francesa ainda está viva, pois a Liberdade, Igualdade e Fraternidade e os valores da razão e do Iluminismo são mais necessários do que nunca, na medida em que o irracionalismo, a região fundamentalista, a barbárie, estão mais uma vez avançando sobre nós.

Ao amigo Eurico Barbosa, minha gratidão.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


A imagem diz tudo

A arte de ser cobaia



Por Tadeu Nascimento



A verdade de ontem pode ser um grande engano, amanhã. Leio sobre o Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA). A pessoa “portadora” deste distúrbio tem dificuldades para se concentrar- pois é dominada pela distração-, é desorganizada, tem dificuldades de aprender com erros passados, carece de previsão lógica, tem alterações de humor mais do que as pessoas, digamos normais (até porque, “de perto”, ninguém é normal). E quanto mais se exige dela mais atenção, mais sua condição piora. Trata-se de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal que impede a pessoa de concentrar, cuja causa é a deficiência de uma substância (neurotransmissor) chamada dopamina. Antigamente estas pessoas eram compreendidas como lerdas, preguiçosas, e até desparafusadas. E que caiam no choro quando gritassem com ela, pois não sabem viver sob pressão. Hoje, além de medicamentos como a “tirosina” e o “gingko biloba” que ajudam a aumentar o fluxo de dopamina, os cientistas descobriram que crianças portadoras de DDA que ouviam Mozart, mais precisamente o concerto para piano nº 21, “O Casamento de Fígaro” e o concerto para flauta nº 2, “Don Giovanni” ajustavam suas atividades cerebrais ao ritmo dos compassos das músicas que resultavam numa melhora de concentração, controle de humor, diminuição de impulsividade e aumento de habilidade na convivência social. Portanto, gritar, dar bronca não ajudam, só prejudicam. Estas descobertas foram publicadas no Internacional Journal of Arts de Medicine em 1995.

Verdades de ontem. Há poucas décadas, era incontestável que o doente deveria se internar num hospital para se curar e muito das vezes sem receber visitas. A medicina moderna entende que o paciente deve ficar o mínimo de tempo em uma maca hospitalar. Não só pelo risco de infecção, mas também pelo ambiente deprimente, próprio de casas de saúde. O afeto e o amor dos familiares são remédios importantíssimos para ajudar na recuperação desses pacientes.

O caso Viagra. A princípio, era vendido somente sob prescrição médica. A história é sempre a mesma: certos pacientes hipertensos eram medicados com substâncias a base de nitrato. Geralmente pacientes com mais de 60 anos. De repente estes cidadãos amanheciam contentes e com o ego do tamanho de uma jaca, cantando “Eu vou pra Maracangalha, eu vou de chapéu de palha, eu vou...” Estes pacientes confidenciavam aos seus médicos que estavam muito felizes , que faziam- ou que queriam fazer- coisas que até se ruborizaria. Os médicos começaram a invejar a condição erótica de seus pacientes. “Ora, se eu, que sou mais novo, estou rateando, porque será que estes velhinhos estão literalmente matando à pau?” Algo está errado! Ou melhor, está certíssimo! Precisamos pesquisar!” Pouco tempo depois lançaram ao mercado o Viagra e, em seguida, os seus similares. Todos com tarja preta, isto é, vendidos somente sob prescrição médica, pois havia o risco de mal súbito por associarem o Viagra com outros remédios para hipertensos. Mais uma surpresinha: os pacientes usuários do Viagra melhoraram suas condições coronarianas! Acredita-se que a causa é proveniente da auto estima. Logo os cientistas baniram a tarja preta e liberaram o Viagra, que ao meu ver, foi a maior invenção ou descoberta- depende do ponto de vista- depois da roda. Aliás hoje a roda gira mais redonda do que nunca, graças ao Viagra! Em agosto de 2010 cessa os direitos de exclusividade de fabricação do medicamento pela Pfizer. A partir de então, por força da concorrência, o Viagra custará ao consumidor o preço de um Dorflex.

Ser cobaia é mais importante que a vã filosofia e a psicologia imaginam. Como é que os cientistas descobriram que um cálice de vinho, em jejum, diariamente, faz bem para o coração? Ora, só se for pelo fato de um dos seus pacientes ter sido alcoólatra. Quem se arvoraria beber vinho de manhã, tirante o vigário na missa das sete? Antigamente não tinha perdão para qualquer bebida alcoólica. O álcool era o vilão, o demônio. Demoraram um tempão, mas enxergaram o lado benéfico da hidroxila. Então exaltaram o vinho e logo depois a boa nova da defesa da tese de que a cerveja faz um bem danado ao coração. Daqui a pouco, hão de defender uma caipirinha regularmente, pois ela ajuda o cidadão romper a casa dos 100 anos. Viva Oscar Niemayer que fuma e bebe e que completou 102 anos no dia 16 de dezembro!

O que mais mata, caro leitor, é o estresse, é o deixar de sonhar, é a incapacidade para amar e de ser amado. Feliz Natal.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


"A Face Oculta das Nádegas"



A Influência do Bumbum na humanidade


Por Tadeu Nascimento



Dizia Rubem Braga que a diferença entre crônica e artigo é que a crônica é contar um caso e o artigo é explicar o caso. Na prática a diferença é pouca, pois não sei limitar o que é um, o que é outro. O fato é que quando quero escrever uma crônica, acabo escrevendo um artigo. Pesquisando a respeito, conclui que não existe crônica sem explicação. Indiretamente o cronista explica o caso. Digo isto porque me considero cronista e não articulista. No meu conceito, articulista é aquele que escreve coisas com carga de notícia, que se preocupa em informar ao leitor coisas boas e ruins. Mais ruins, do que boas. Já a crônica é algo leve, sem a rigidez da notícia. Abre-se o jornal e lê-se críticas ao presidente, ao governador, ao senador, ao prefeito e ainda os acontecimentos políticos. Tudo isto é artigo. A crônica é o recreio, a pausa, o relaxe entre a dureza da notícia e as farpas daqueles que de um modo ou de outro, brigam pelo poder.

Entre o escândalo dos Panetones dos Demos de Brasília e o palavrão do presidente, dizendo que vai tirar o povo da merda, uma reportagem chamou-me a atenção que resultou nesta crônica. Trata-se de um livro e de um documentário – ambos com o mesmo nome- que foram lançados no último dia 9 de dezembro em Paris e que levam o título de “la Face Cacheé des Fesses”. A editora está investindo pesado e espera faturar muito “argent” (grana) com as obras.

Caros leitores, numa tradução livre, o referido título significa “A Face Oculta das Nádegas”, cuja pretensão é demonstrar a influência da bunda na humanidade. Isto mesmo, sem hipocrisia e direto ao assunto: os autores concluíram, depois de 18 meses, uma investigação séria e ao mesmo tempo engraçada. Começa por uma referência a revista semanal “L’Express” que descreveu o bumbum como a parte mais subversiva da anatomia humana. O livro cita também Jean Paul Sartre, o grande filósofo do existencialismo quando cunhou esta máxima: “A pátria, a honra, a liberdade nada existe: o universo gira em torno de um par de nádegas!” A imprensa francesa comenta que o lançamento deste livro e também do documentário são as melhores obras deste fim de ano. São a cereja do bolo natalino e que ambos vão dar o que falar.

Tem razão os autores do livro. É grande a influência do bumbum na história da humanidade. Aliás, sempre pensei nisso. Cleopátra, que segundo uma moeda antiga de Roma- que traz sua face- prova que era uma mulher feia. Mas como pode uma mulher feia fazer curvar-se o homem mais poderoso do mundo que era Julio Cesar e ainda fazer de Marco Antônio seu amante e vassalo ao ponto de se matar por ela, a rainha morena do Egito? Imagine os habitantes de Roma que era o centro do Universo daquele tempo, indagando o que tinha a mulata do Nilo que as branquelas romanas não tinham? O que fez ela para Julio Cesar se apaixonar? E depois com o seu amigo general Marco Antônio acontecer o mesmo? Os gregos fizeram a maior guerra do mundo contra os troianos, onde morreram mais de 100 mil homens, por causa da princesa Helena que o príncipe troiano Páris raptou. Com milhares de mulheres aos seus pés por que estes homens poderosos se curvaram por estas duas mulheres?

O rei Luis XIV construiu o Palácio de Versalles para encantar a voluptuosa Madame Pompadour, que segundo os historiadores tinha um furor...Napoleão Bonaparte também deu um palácio para Josephine que o traia constantemente. O príncipe Shah Jeahan construiu o magnífico Palácio Taj Mahal para abrigar sua amada, a princesa Mumtaz Mahal. É o poder que certas mulheres tem que faz a humanidade andar pra frente.

Aqui do lado de baixo do Equador, mais precisamente na terra do Pau Brasilis, onde miscigenação fala mais forte e que o negro tem sua contribuição importante com seu “gen” africano, mais precisamente da nação dos Akibundos- daí a origem da palavra bunda, pois as negras escravas tinham traseiros avantajados- deixou-nos de presente a fama de termos as mulheres mais sensuais do planeta. Com isto, restou uma verdade: todo mundo tem nádegas mas nem todo mundo tem bunda. Quando se refere a bunda, há de se compreender um complexo de curvas que começa na cintura e termina nas coxas. A bunda propriamente dita é o núcleo, e sozinha não faz verão. Quando Luis Gonzaga compôs “Cintura fina, cintura de pilão” queria ele dizer que para ter nádegas bonitas é preciso, antes de tudo, ter cinturinha de pilão. Assim como a formiga tanajura, para ter volume nos glúteos é preciso ter cintura. Garrincha- que nunca foi Mané- jogou para escanteio o Botafogo pra ficar, digamos, com o par de nádegas de Elsa Soares, que tinha um vozeirão e uma silueta mais poderosa ainda.

A atriz Juliana Paes, com seu 98 centímetros de quadril, comprovou que o talento da cintura para baixo tem mais valor que o talento do pescoço para cima e para o deleite dos telespectadores, mostrou a sua belíssima retaguarda- nua- na praia numa novela global- que a fez famosa e rica, a custa do quê mesmo? Da bunda. Fernando Collor e a sua frase que nunca foi publicada: “Meu reino por um par de nádegas da Tereza Collor!” Perdeu o reino. Por causa de um frontispício do par de nádegas de Lilian Ramos, o insosso Itamar Temperamental Franco, o presidente pão de queijo, cantou todos os sambas enredo de todas escolas de samba no carnaval do Rio de Janeiro.

Loucos ou não. Por causa de um traseiro moreno de uma plebéia, o Príncipe de Gales, Eduard VIII, filho de Jorge V, abdicou-se do trono da Inglaterra para viver com a fogosa Wallis Simpson em 1936. Charles, o atual Príncipe de Gales trocou a angelical princesa Diana Spencer pelos segredos da sem-bunda Camila Parker. Eduard pode ter sido louco, mas não foi tantã como seu parente Charles que entende mesmo é de caneta Parker e não entende nada de...bundas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Júlio César


O ano bissexto e o roubo de 10 dias do calendário


Por Tadeu Nascimento



Parece uma história absurda, mais não é. O Papa Gregório XIII- o homem que mandava em todos países católicos- inclusive nos reis desses países- determinou, que o dia seguinte ao dia 4 de outubro de 1582 não fosse o dia 5, e sim dia 15. Que suprimissem 10 dias daquele ano e três anos bissextos em cada 4 séculos seguintes. Razão da rapinagem: o ano solar, por séculos, era composto por 365 dias, ao passo que na verdade, o ano sempre teve e tem 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos. Se continuasse a persistir o ano de 365 dias exatos, ao cabo de muitos anos -na Europa- o inverno cairia em junho e o verão em dezembro, características do hemisfério sul. E a permissividade da festa pagã do carnaval cairia em cheio na semana de contrição da Paixão de Cristo. Com estas mudanças iniciava-se, pois, o Calendário Gregoriano. A Inglaterra se rendeu ao calendário papal somente quando suprimiu os 10 dias em 1752 (de 03/09/1752 a 13/09/1952). A Rússia, por ser uma nação ortodoxa, só suprimiu os 10 dias depois da revolução bolchevique em 1918 (31/01/1918 a 14/02/1918). Abemos papa!

A princípio, o calendário fora instituído de forma arbitrária por Rômulo, fundador de Roma, que não era astrônomo e sim um grande guerreiro. À parte disto, as palavras calendário e almanaque são, neste contexto, sinônimas, embora de origens diferentes, acabam tendo a mesma finalidade, pois a primeira vem de “calendas” que para os romanos significava o primeiro dia de cada mês e a segunda, procede dos termos árabes “al” e “monach” que em português significa “a conta”. O ano era composto de 304 dias divididos em 10 meses, uns de 20 dias e outros de 55 dias, o que deveria ser uma balburdia. E tinha o seu inicio em 1º de março, homenagem ao deus Marte, de quem Rômulo acreditava ser descendente. O segundo mês homenageava-se Aprilis, um dos nomes da deusa Vênus, o terceiro, a Maius, de Maia, mães do deus Mercúrio, o quarto a Janius, de Juno, outra deusa da mitologia romana. Daí provém os nomes de março, abril, maio e junho que se conservam até hoje. Os nomes dos meses restantes eram Quintilis, Sextilis, Setember, Octuber, November e December. Em suma, a primeira metade do calendário era em homenagem aos deuses de então e a segunda metade- por falta de imaginação ou por escassez de deuses- os cinco meses restantes, foi nominada por ordem numeral.

Um rei de Roma chamado Numa Pompílio reformou o calendário, acrescentado-lhe os meses Janeiro (de Janus, o deus de duas caras) e Febrarius (de Februs, deus da morte). Os meses de Marte, Maius, Quintilis e Octuber tinham 31 dias e o restante 29 dias. Portanto, faltavam 10 dias para que o ano civil estivesse de acordo com o ano solar inventado pelos egípcios. Júlio Cesar, 44 anos antes do rabino de Nazaré trazer as Boas Novas, suprimiu o mês Quintilis e no lugar deste inseriu o mês Julius (com 31 dias) em homenagem a si mesmo. Com a morte de Júlio Cesar ascende ao poder o seu sobrinho Otávio que se nominou Otávio Augusto. O nome Augusto refere-se à divindade. O sucessor de Júlio, o imperador Otávio Augusto disse ao seu próprio umbigo: se eu sou divino, também mereço um mês no calendário! Impôs então, o mês de Augustus que viria a ser Agosto (também com 31 dias, para não ser menos prestigiado do que Júlio Cesar), que empurrou então os meses seguintes para frente. Por isso o mês de setembro, refere-se ao mês 9 e não ao numeral 7; outubro, refere-se ao mês 10 e não ao numeral 8; novembro, refere-se ao mês 11 e não ao numeral 9; dezembro, ao mês 12 e não ao numeral 10. Como é sabido o ano tem 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos. Portanto seria impossível conviver com esta inexatidão de tempo. Com isto o calendário estava adiantado em 10 dias em 1582 e por conseqüência o carnaval tendia alcançar a Páscoa que tinha por base o equinócio (quando o dia e a noite tem a mesma duração) de março, o que seria um contra- senso. O Primeiro Concílio da Igreja, o de Nicéia, no ano de 325, determinou que a Páscoa seria celebrada no domingo seguinte a lua cheia, após o equinócio da primavera do hemisfério norte, podendo ocorrer entre 22 de março e 25 de abril. Para resolver a questão- por ordem do santo papa Gregório XIII- suprimiram os 10 dias referidos e acochambraram o calendário mantendo o tão importante ano bissexto.

Ano bissexto. Em 4 em 4 anos, um seria de 366 dias. Muitos entendiam e ainda entendem que é bissexto o ano quando este tem 366 dias, justamente por conter dois números 6 no numeral 366. Ledo engano. A origem do termo ano bissesto é outra. Os romanos contavam os dias do mês de uma forma muito estranha. Júlio Cesar determinou que este dia a mais, fosse inserido entre os dias 23 e 24 de fevereiro, portanto seis dias antes de março. Séculos depois, com o calendário gregoriano, estabeleceu-se que seria o dia seguinte ao de 28 de fevereiro. Mas na Roma Antiga não se dizia dia 24 de fevereiro e sim, o sexto dia das Calendas de Martius, ou seja, seis dias antes de 1º de março. Com a inserção de mais um dia, o segundo sexto, explica-se, pois, o ano bissexto (antediem bis-sextum Calendas Martii). Se o imperador tivesse determinado- por exemplo- que seria no dia 25 este dia a mais, o ano de 366 dias não se chamaria de bissexto e sim de “biquinto”. Ave Cesar!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ela, depois de ingerir a Flibanserina


O Viagra feminino: o bicho vai pegar

Por Tadeu Nascimento



Flibanserina é o nome da fera, isto é, da substância (principio ativo) que vem aí para apimentar o planeta. Ela vem para salvar as mulheres da tristeza do TDSH (Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo). Após uma década do lançamento do Viagra, está em fase final de testes a versão feminina do medicamento que revolucionou o comportamento sexual masculino tratando problemas de disfunção erétil. Já apelidada de Viagra Cor-de-Rosa o produto chega às drogarias no começo de 2011 com a promessa de virar de pernas para o ar o comportamento sexual das mulheres. Se o Viagra original aumentou a temperatura corporal dos homens, imagine agora com a parceira turbinada. Será como milho de pipoca em panela quente.

A descoberta ainda carece de aprimoramento. Mas daqui alguns anos o bicho vai pegar! Desenvolvida pela indústria farmacêutica Boehringer Ingelheim a nova pílula aumenta a libido agindo diretamente no cérebro. Não vai dar para quem quer. A empresa detentora da patente, a Boehringer, está com a expectativa de faturar muito mais que as cifras obtidas com a comercialização do Viagra e similares, ou seja, a Flibanserina (que deverá receber um nome comercial adequadamente sugestivo) deverá render aos cofres da empresa mais de 2 bilhões de dólares por ano!

Enquanto isso fico a imaginar algumas conseqüências quando esta tal de Flibanserina sentar praça na jurisprudência. O cidadão na peleja para levar a presa ao seu abatedouro esbarra na negativa da fêmea que se escorrega quem nem enguia. Ele espera então a durona ir banheiro e derrama duas doses (dilui as pílulas) da Fliban no seu copo. Meia hora depois a imbatível (preste a ser abatida) se manifesta: “Tô com um calor! Que vontade de tomar um banho! Você mora aqui por perto? No seu apê tem banheira, ‘morzinho’? Paga a conta, está me dando uma zueira!” E o mais interessante: e se a distinta, por natureza, tiver a quentura de um Vesúvio e que só estava se fazendo de difícil? E se ela ingeriu uma pílula no banheiro? Aí, meu caro, ninguém segura: vai voar caco de paralama, de pára-choque, de rebimbeta da parafuzeta e até de retrovisor.

A coisa é séria, leitor. O laboratório deverá alertar para as reações adversas. Exemplo: que é extremamente perigoso o uso da Fliban por mulher feia, senão eu não sei o que vai acontecer! Às hipertensas, não consumir com bebidas alcoólicas, principalmente uísque, sob o risco de se implodirem. Hiper dosagem pode causar infarto. Não nas mulheres, mas nos seus homens na hora H. As doidas, só com acompanhamento do médico psiquiatra e ainda com camisas de força. Sapatão então, nem pensar: vão arrancar as mulheres dos homens! E os gays? Os gays que vão baixar em outra freguesia ou esperar a invenção do Viagra arco-iris!

É sabido que os rapazes, nas boites, estão turbinando suas libidos tomando energéticos com Viagra. Dizem que até as mulheres estão tomando. E agora com este aditivo cor-de-rosa? A rapaziada terá que ingerir doses para elefante para fazer frente às leonças que estarão à caça. Mas também surgirá a lenda do efeito inverso nos homens e com isso, os machões estarão preocupados em não afinar a voz e beberão somente suas próprias bebidas e se portarão como cães de guarda a vigiar seu copos.

Situações nos lares. O marido para esposa que está assanhada: “Que isto mulher, tomou Fliban?” A esposa que encontrou um comprimido de Viagra no bolso do marido: “Por acaso, com quem você está usando Viagra? Resposta do marido: Claro que é com você, Bemzim! Depois que você passou a usar este tal de Fliban, só tomando o ‘Azulim’!”

Pelo andar da seriema, já devem estar escolhendo o nome para batizar esta substância. Como no caso dos estimulantes masculino Viagra, Cialis e Levitra eu lanço aqui a campanha para escolher o nome para este produto que vem para dar cor à vida de muitas mulheres. Sugestões: Mileva (à loucura), Supita (que eu preciso), Malagueta (para temperar), Stupim (pra explodir) e Nitro (alusão a nitroglicerina). Porque o importante é ser feliz.

Só de pensar que na Idade Média o prazer era coisa do capeta no corpo das mulheres, causa-me vergonha de que um dia fomos tão ignorantes.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Os bem casados: The spirit and ectasy


Os bem casados

Por Tadeu Nascimento

Tem pessoas que são predestinadas a viver uma com as outras por longos períodos para construírem juntas histórias de glórias. Separadas, teriam destinos bem diferentes dos trilhados na vida real e ninguém saberia dizer se teriam sucesso ou não em suas carreiras solo. Juntas se completariam umas às outras como aconteceram a alguns pares de cabeças pensantes que ajudaram a humanidade a seguir adiante. Não estou falando de matrimônios, de casais que conjugam o axioma “felizes até que a morte os separe” e sim de pessoas sem enlaces matrimoniais, sem filhos entre eles, mas que conseguiram unir suas almas em prol de um determinado fim. Poucos sabem, por exemplo, que o famoso automóvel Rolls-Royce leva o nome de seu dois criadores, no entanto dá- se a impressão que se trata de uma única pessoa. Os ingleses Charles Stewart Rolls e Frederick Henry Royce criaram em 1906 o automóvel mais cobiçado do mundo (a Presidência da República possui um, ano 1953, doado pela rainha Elizabeth II ao governo de Getúlio Vargas, usado desde então nas posses de presidentes e Erasmo Carlos, na década de 70 se orgulhava em possuir um). Foram tão felizes nas suas cumplicidades que alem de carros, a empresa fabrica turbinas para o novo Airbus A 380, maior avião comercial do mundo. O símbolo da marca é uma escultura de uma sofisticada lady com asas, chamada de The Spirit of Ectasy”, que fica sobre o capô, presa por um cabo de aço ao radiador que a protege de “colecionadores” larápios. Hoje a Rolls-Royce pertence ao grupo BMW.

É também o caso da união bem sucedida de Wilhelm Maybach e Gottlieb Daimler criadores da Mercedes-Benz. Estes alemães inventaram o primeiro verdadeiro automóvel (1885), cujo motor era criação do amigo Karl Benz (considera-se Karl Benz o inventor do automóvel moderno). Antes dele era apenas uma engenhoca fabricado por Henry Ford que foi o primeiro a fabricar em escala industrial. Maybach e Daimler logo inventaram a corrida de velocidade e patrocinaram o cônsul austríaco Emil Jellinek para pilotar o carro. Este pintou no carro o nome da filha Mercedes. Houve um terrível acidente e os fabricantes resolveram homenagear o piloto e o construtor do motor batizando o invento de Mercedes-Benz. Uma curiosidade: a estrela de três pontas dentro de um círculo, símbolo da marca, representa as três maiores forças do planeta: terra, ar e água. A Marca da estrela continua viva, embora o controle acionário tenha mudado de mãos. Hoje a Mercedes-Benz é dirigida pela Volkswagen.

Outro enlace famoso é o dos inventores do revólver Smith&Wesson mais conhecido no Brasil como “Shimitiuesson” ou simplesmente “Shimite”. Horace Smith e Daniel Baird Wesson inventaram o revolver de repetição em 1857, depois de terem inventado, três anos antes o cartucho metálico. Com o evento da Guerra Civil americana foram estimulados a inventar o calibre 44. Em 1873 Smith se aposenta e Wesson compra a sua parte na sociedade e dá continuidade a fabricação da arma mais famosa da história. Em 1944 o seu sucessor cria a Magnum 44, imortalizada no cinema por Clint Eastwood nos filmes de Dirty Harry. A empresa passou a fabricar também lanternas, calçados para soldados, relógios e uma ampla linha de facas e canivetes.

Outro “casamento feliz foi o do polaco Antony Patek com o francês Adrien Philippe. Criaram em 1933 a mais famosa marca de relógios de pulso do mundo: Patek Philippe. Esta dupla conquistou mais de750 prêmios, incluindo 187 primeiros lugares. A apreciação de qualidade destes relógios é unânime: monarcas, presidentes, papas e milionários ostentam em seus respectivos pulsos a marca da Cruz de Calatrava (símbolo da Patek Philippe). É bom lembrar que o brasileiro Santos Dumont foi o inventor do relógio de pulso. Cansado da falta de praticidade dos relógios de bolso quando da necessidade de saber o tempo acima do chão enquanto manejava seus inventos, Dumont encomendou ao seu amigo Louis-Francois Cartier um relógio para o pulso. Voltando a qualidade de relógios, os dez mais valiosos do mundo são da marca Patek Philippe. O “Supercomplication” de 1933 é avaliado em 11 milhões de dólares, o equivalente a 7 milhões de euros (19 milhões de reais)- o mais caro do mundo e está exposto no museu Patek Philippe em Genebra. Na outra ponta, os relógios da Patek de preços mais acessíveis ficam em torno de 11 mil euros (26 mil reais).

Assim como na vida marital (homens e mulheres casados ou não) são raros os relacionamentos duradouros. Restam Roberto e Erasmo Carlos que ano após ano, vem batendo recorde, com mais de quatro décadas de casamento musical (todas suas músicas são de autoria da dupla). Uma parceria tão bem sucedida que dificilmente um dia será superada. Lennon e McCartney, por exemplo, foram muito felizes por 15 anos, mas a máxima “dreams is over” infelizmente não deixou.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Bêbado ensinando como fazer poesia a Carlos Drumond
Morri ? Assim como ?


Por Tadeu Nascimento

Já havia girado o ponteiro da meia noite- o que garantia que 1º de novembro, Dia de Todos os Santos, já havia se findado e , portanto, já era segunda, "Dia de Finados"- quando chegou a notícia que Ademir Gonçalves, mais conhecido como Tufão, abotoou o paletó após um acidente de carro na Br-153, perto da cidade de Santo Antônio da Platina, Paraná. Familiares e amigos reconheceram o corpo no necrotério e o sepultamento fora marcado para o mesmo dia. Justamente no dia dos mortos. Que azar, foi morrer logo neste dia! O desastre foi muito feio. A família ficou dividida quanto ao reconhecimento de Tufão. " Eu e meus tios ficamos em dúvida, mas outra tia minha e quatro amigos dele reconheceram o corpo, então o que iríamos fazer?" disse depois, a vendedora Rosa Maria, sua sobrinha. A polícia ligou para funerária para a retirada do corpo da pista e o proprietário Natanael Honorato, vendo que ali iria render uma boa grana tratou de colocar o corpo do distinto bem arrumadinho no caixão.
O corpo foi liberado às 6 horas da manhã. A família já estava no velório que ficava ao lado cemitério que já começava a se encher de vistantes, próprio para data de Finados. A mãe, no entanto, olhava para o corpo no caixão e achava tudo muito estranho e não acreditava que quem ali estava era Tufão. Tufão nunca usou paletó, muito menos gravata e aquele terno ficaria melhor num defunto mais gordo. Por volta do meio dia, o verdadeiro Tufão apareceu na porta velório em carne e osso- mais pinga do carne e osso- cambalaente de tontura como um semi-morto, com a "roupa de anteontem" e cheirando a gambá causando o maior alvoroço. Mas daí pra frente a noticia carece de exatidão. Sonegaram aos leitores dos jornais e internautas detalhes da confusão. Mas dá para imaginar o acontecido: Por exemplo, o dono da funerária "Cansei desta Vida", embora acostumado com defundo, segurou Tufão pela camisa e gritou:
-Você que é o Tufão?
-A seu dispor- repondeu Tufão, com bafo de engenho lá de Pernambuco .
-Tufão, você morreu!-determinou o funerário.
-Quem disse que eu morri!
-Eu! Eu entendo de morto mais do que ningúem! Você mooo-rreeeeu!
-Morri? assim como? Eu não morri não, graças a Deus! Eu só tava tomando umas!-sacramentou.
E o Tufão ao olhar a mãe chorando, gritou:
-Tira este cara daí, que este lugar não é dele! Este morto é um impostor! Esse cara está gastando as lágrimas de minha santa mãezinha! Eu sou o verdadeiro morto!
A debandada foi geral. Gente trombando com quem estava saíndo. Quem estava chegando correu sem saber do quê! Pânico geral.
Acontece que na noite do acidente, Tufão estava no restaurante Auto Posto Platina que fica pertinho do lugar do acidente. "Ele passou a noite toda bebendo pinga com os amigos", confirmou Rosa, sua sobrinha. Diante da "certeza que ele era o morto, o jeito foi providenciar o velório, continuou Rosa.
Em entrevista a jornalistas, o agente funerário Honorato, disse que o reconhecimento do corpo foi feito com muita emoção: " foi uma choradeira danada. Até eu chorei. Chorei por que faz parte da encenação. Eu nem conhecia o Tufão, muito menos o outro morto. São ossos do ofício, aliás na minha profissão o que mais tem é ossos! Pois é, em dez anos de profissão, nunca vi coisa igual! Agora fiquei no maior preju! Depois de esclarecida a dúvida de identidade do morto, a familia saiu do velório e foi pra casa e nem quis saber de conversa comigo. Nenhuma das duas familias pagou pelo meu trabalho. Nós ofeferecmos 24 horas de café, chá, lanche, cachaça, sem falar do caixão do sepultamento e o choro que eu derramei em cima do outro morto. Tudo ficou por R$ 1.300,00 que saiu do meu bolso, fora o choro chorado que não foi calculado. O choro é à parte, o cliente paga se quiser, é uma gratificação!"
Tufão também ficou no prejuízo. Mal soube da "morte" de Tufão o dono do barracão jogou as roupas e o colchão do então "defunto" no quintal e ateu fogo. Após ter virado celebridade Tufão declarou: "Não fui eu quem arrumou esta confusão!Tava de boa no meu cantinho, não pertubando nin-guém-nin-guém! Me mataram e quase me enterraram!" Já pensou, eu com documento de morto! não poderia nem votar na eleição; morto não vota! Nem o INSS iria me atender! Agora eles que se virem para me dar o de vestir, o de comer e o de beber- disse Tufão aos jornalistas- e aliás, agora é que eu não paro de beber mesmo. Todo mundo vai querer falar com um morto-vivo: fiquei famoso, saí até na Globo! E é lógico que todo mundo vai querer pagar uma cangibrina pra mim! Acho até que vou cobrar pelo autógrafo!"
Passado o mal entendido, abraços mil, tapinhas nas costas, alegria, alegria e que bom você não morreu, "eu sabia que você não morreria tão cedo!" Tufão chegou aos ouvidos de sua mãe e disse: "A senhora disse sempre que a pinga ia me matar! A senhora tava totalmente errada: a pinga me salvou! Se eu não estivesse bebendo eu estaria morto junto com aquele outro. Resolvi ficar pra tomar uns goles e aquele cara foi pegar a estrada. Sabe pra onde? Pra i-gre-ja! Quem mandou ele ser crente e "num" gostar de beber! Agora, quero que a senhora faça um brinde comigo!"
-Um brinde à pinga!
-À pinga!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009
Perón, Getúlio, Lula - Emir Sader



Quando acusou Lula de uma espécie de neoperonista, FHC vestia, em cheio, o traje da direita oligárquica latinoamericana. Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e impuseram lideranças nacionais com amplo apoio popular.

Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.

Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram contemplados de maneira significativa.

Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.

A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos.

Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos – La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio.

Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.

Mas os fantasmas continuaram a asombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder – lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil.

O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA.

O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo – Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil – convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.

No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964.

Perón, Getúlio e, agora, Lula, tem em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista, carismático, autoritário, líder dos ”cabecitas negras”, dos “descamisados” (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões.

É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados.


Postado por Emir Sader

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mineirinho sedutor

Ainda os melhores e os piores amantes do mundo

Por Tadeu Nascimento

Na última quinta-feira, 05 de novembro, escrevi neste Diário da Manhã a crônica “Você se considera um bom amante?” que faz referência a uma pesquisa sobre os melhores e os piores amantes do mundo realizada pelo site One Poll, na internet, cujo resultado foi o seguinte: os piores amantes do mundo: em 10º lugar, os russos (muito peludos); em 9º, os turcos (suam demais); em 8º, os escoceses (muito grosseiros); em 7º, os galeses- País de Gales (muito egoístas); em 6º, os gregos (muito sentimentais); em 5º, os americanos (muito brutos); em 4º, os holandeses (muito dominadores); em 3º, os suecos (muito afobados); em 2º, os ingleses (muito preguiçosos) e em 1º lugar, os alemães (muito fedorentos). Os melhores do mundo: em 10º, os canadenses; em 9º, os dinamarqueses; em 8º, neozelandeses; em 7º, os australianos; em 6º, os sul africanos; em 5º, os irlandeses; em 4º, os franceses; em 3º, os italianos; em 2º, os brasileiros e em 1º lugar, os espanhóis. Os jornais e portais eletrônicos publicaram centenas de comentários de leitores e internautas, alguns interessantes. Um internauta me enviou o seguinte email: “Os espanhóis estão à frente porque a pesquisa foi patrocinada pela Telefônica e pelo Banco Santander (Rafton, Rio de Janeiro). Então imaginei, ou melhor, inventei algumas opiniões de fictícios leitores:
“Os espanhóis em primeiro? Jamais! Eu conheço!” (Lolita, de Barcelona);
“É, pensando bem, o melhor é investir no amante nacional, já que as passagens para Espanha estão os olhos da cara...” (Mariazinha de Araguari);
“Finalmente um vice-campeonato do qual podemos nos orgulhar e de quebra ganhamos da França” (Ronaldo Verdadeiro Fenômeno, Cobrobó- BA);
“Os franceses só sabem fazer biquinho: ‘merci beaucoup’, ‘Ronaldô Fenomenô, ‘Chico Buarquê de Holandê” (Severino Franco- PE);
“Os americanos gostam em primeiro lugar, de money, depois de money, depois de money e depois de money. Bem diferente de mim: primeiro eu gosto de mulher, depois de mulher, depois... tudo de mulher, de cabo a rabo! Entendeu? (Nenzim Bico Doce, Orós- Ceará);
“Os Russos são muito peludos? Agora sei a origem do Tony Ramos” (Mariana- Beozonte);
“O que faltou pro Brasil estar em 1º? Aí galera, ‘vamo’ trabalhar mais pra melhorar no ranking...” (Neguinho do Arpoador, RJ);
“Uai, não têm argentinos? Ah,ah, ah!” (Gerson, Vitória- ES);
“Acho que os argentinos ficaram a dançar tango: hermano com hermano!” (Zé Perfeito- Alegrete, RS);
“Os espanhóis são tão bons que importaram nossas garotas de programa para aprenderem o bê-a-bá do ‘fuque-fuque, inheque-inheque’! (Luis Gomes- Brasília);
“Ah, entendi!... Os espanhóis são os melhores amantes do mundo porque dormem com touros, coisa que ninguém consegue! Ah bom!” (Vivaldo Vivaldino da Silva- Recife);
“O espanhol não está com esta bola toda não!” Experiência própria! Dá-lhe Brasil! (Cidinha do Pelô- Salvador, BA);
“O nome Picasso é a prova cabal que os espanhóis precisam de auto-afirmação. Eles precisam se convencer que são do ramo! (Manoel Joaquim das Couves- Lisboa, Portugal);
“Há controversa: o touro disse que o espanhol é uma delícia!” (Pierre Gasteau- Paris, France);
“Acho que tô precisando de um grego...” (Solange- Tatuapé, SP);
“O americano é puro barrigudo: McDonalds e Coca-Cola dia e noite...(Carol- Miami, EUA);
“Os espanhóis compram tudo no supermercado. Até as pesquisas (Alfacinha- Porto, Portugal);
“E os portugueses? Em que lugares eles ficaram, Joaquim? Resposta de Joaquim: a pesquisa era para saber quem são os melhores amantes do mundo e não os mais inteligentes do mundo, ora pois! (Joaquim do Alpendre Netto- Coimbra, Portugal);
“Nasci no Brasil, sou descendente de espanhóis e italianos e minha família viveu na França! Sou 1º, 2º, 3º e 4º lugar! Ninguém me supera! he, he, he!(Arieh);
“O Brasil em segundo lugar? Brasileiras que quiserem colocar o Brasil em primeiro, falem comigo! he, he, he! (Arthur Ottoni);
“Entre os brasileiros, em 1º lugar, os goianos (eu sou o melhor!)- Jerônimo Gomide;
Um outro contestando Jerônimo Gomide:
“Este Jerônimo é um cascateiro, vai ver é espanhol. Melhor amante do mundo é mesmo goiano, só que de Inhumas e que por acaso sou eu!” (Chiquinho Silva).
Como se vê o assunto é mesmo instigante. Não há modéstia no campo da performance sexual. Ser modesto é se comprometer, cair no ridículo...
Depois desta pesquisa ampliou-se- pelo menos na minha imaginação- o entendimento da frase “Hay que endurecer pero sine perder la ternura jamas! (Ernesto Che Guevara). Êpa, mas esse cara é argentino!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Amante Don Juan

Você se considera um bom amante?


Por Tadeu Nascimento



Você se considera bom, razoável ou ótimo amante? É claro que ninguém se acha péssimo amante. Uma pesquisa realizada no site One Poll (só buscar no Google) com 15 mil mulheres de 20 países diferentes para saber quem são os melhores e os piores amantes do mundo constatou o seguinte: os piores – 10º lugar, os russos (muito peludos); 9º, os turcos (suam demais); 8º, os escoceses (muito grosseiros); 7º, os galeses – País de Gales (muito egoístas); 6º, os gregos (muito sentimentais); 5º, os americanos (muito brutos); 4º, os holandeses (muito dominadores); 3°, os suecos (muito afobados); 2º, os ingleses (muito preguiçosos); em 1º, os alemães (muito fedorentos). Como se vê, a ordem é decrescente, ou seja, os piores do mundo – segundo a pesquisa – são os alemães.

Agora, os melhores amantes do mundo: em 10º lugar, os canadenses; em 9º, os dinamarqueses; em 8º, os neozelandeses; em 7º, os australianos; em 6º, os sul-africanos; em 5º, os irlandeses; em 4º, os franceses; em 3º, os italianos; em 2º, os brasileiros; em 1º, os espanhóis.

O leitor concorda com esta classificação ou – como todo brasileiro – não aceita a condição de vice-campeão? Contudo, algumas observações têm de ser registradas. A primeira delas: a pesquisa traz os defeitos dos piores amantes do mundo, mas não traz as virtudes ou qualidades dos melhores. Deixaram para o internauta deduzir. Segunda reflexão: por que não somos os melhores, e, sim, os detentores do 2º lugar? O que faltaria para sermos os campeões? Ouso pensar que os espanhóis são os melhores porque importaram nossas garotas de programas e, com isto, tornaram-se experts no assunto. As “dadivosas” da terra de Picasso – em grande parte – são brasileiras. É só elas regressarem para o Brasil e esperar um tempo que os espanhóis vão amargar a segunda divisão.

Outra observação: os quatro qualificados como os melhores. Os espanhóis, os brasileiros, os italianos e os franceses são de origem latina, sangue quente. Não é à toa o antigo título “latin lovers”, pois o verbo seduzir está entranhado no DNA deles. Os latinos, em geral, pensam menos em poder, em grana e em guerra; eles têm mais o que fazer do que ficar se atracando com os outros em campo de batalha. A prioridade é outra, todos nós sabemos. Ao contrário dos alemães, que já fizeram duas guerras mundiais, dos turcos, que foram seus cúmplices nestas duas guerras, dos ingleses e dos americanos, que insistem em dominar o mundo invadindo outros países (vide Malvinas e Iraque), adoramos viver romances. O resultado da pesquisa tem fundamento: os russos são peludos pelo fato do clima da Rússia ser gelado. Os turcos suam muito porque comem muito quibe com cebola. Os escoceses são muito grosseiros porque bebem muito uísque e ficam valentes. Os americanos são abrutalhados porque – além de descendentes de ingleses – só pensam em guerra e em grana. E os alemães são muito fedorentos porque comem muita batata com repolho fermentado. Só eles mesmos para se suportarem. Já os 10 melhores amantes do mundo não têm os defeitos dos outros – pelo menos com tanta intensidade – e adoram o sexo oposto e investem nisto. Repare o leitor que todos os dez melhores amantes em questão são menos dominadores do que os dez piores do mundo. Há centenas de tratados que garantem que a violência tem relação direta com a performance sexual. A violência é uma das causas da incompetência sexual e vice-versa. A obsessão pelo dinheiro também é outra causa. Como disse o escritor goiano Brasigóis Felício em uma crônica antiga: “Quem não ama fica rico.”

O brasileiro tem na sua gênese a síntese de três raças – a branca, a negra e a indígena que o faz um povo sui generes. Não há um povo parecido. Deu na Globo.com: brasileiros gastam horas com “virada de pescoço”. Não é o máximo? Como dizia o professor Clóvis, meu pai, basta a mulher ter o “andado miudinho” para que todo homem vire o pescoço. Pisado miudinho é quando a mulher pisa com o calcanhar do pé direito rente aos dedos do pé esquerdo, depois, o pé esquerdo com o calcanhar à frente dos dedos do pé direito, provocando na musculatura glútea traseira o subir e descer mais lindo do mundo.Tal qual as manequins na passarela, só que com mais naturalidade. Quanto à questão de valentia, faz-me lembrar uma piada do mineirinho. O mineiro, como se sabe, é o povo mais sabido do Brasil. Encontraram-se em Brasília um gaúcho e um mineiro. E o valente gaúcho dispara: “Lá no Rio Grande todo mundo é macho!”E o mineirinho (com seu jeito simplório) dá o troco: “Pois é, lá em Minas a metade é mulher, e nóis gosta muito!”