quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ayman Al-Zawahri, médico egípcio, agora, o nº 1 da Al-Quaeda com Bin Laden


Osama, Obama e Obrahma

Por Tadeu Nascimento

Prefiro não escrever sobre assunto que é manchete no momento. Primeiro porque torna-se maçante para o leitor abrir o jornal e ver muitos títulos de artigos ou de crônicas sobre o mesmo assunto e que no dia anterior foi repisado nos jornais televisivos e portais da Internet. Segundo porque, muito das vezes, a notícia carece de exatidão. O que poderia causar enganos irremediáveis. No entanto, eis me aqui, a contragosto, a entrar nessa seara, pois observei dois disparates ocorridos nos últimos dias: O casamento do príncipe Willians com Kate Middleton e a morte de Osama Bin Laden. O primeiro foi ofuscado pelo outro. Se não existisse a notícia da morte do saudita (pelos americanos), o casamento na casa de Windsor estaria nas primeiras páginas dos jornais por várias semanas, talvez meses. O leitor, por sua vez, seria iludido com a pompa e outras futilidades da realeza britânica. Mas aí veio o Bin Laden, mesmo morto, estragar (mais uma vez) a festa mais esperada do milênio, cujo barulho, ecoaria por muitos meses se não fosse atropelada pela mídia americana com a morte do terrorista da Al-Qaeda, cujo efeito, na certa, durará décadas. A mídia é maior especialidade dos ianques e nesse quesito, são os melhores do planeta. Se por um lado, durariam apenas meses as baboseiras palacianas dos Windsor, por outro, o da morte do terrorista, uma grande dúvida: o mundo ficará para todo o sempre sem saber a verdade sobre a morte do terrorista da Al-Qaeda, pois não há prova material, uma vez que ninguém viu (a não ser- se realmente aconteceu- os pouquíssimos soldados que levaram e atiraram o corpo de Osama ao mar). Assim como o assassinato do ex-presidente John Kennedy, não se sabe- e não se saberá nunca, sobre a verdade dos fatos ocorridos em Dallas, Texas, em 22 de novembro de 1963, posto que a dúvida se instalou ad eternum sobre o crime. Quem foram os mandantes? Que organização criminosa está por trás do assassinato de Kennedy? Por que Jack Ruby matou dois dias depois, à queima roupa, Lee Oswald, o assassino de Kennedy, fortemente protegido por seguranças, sendo que Ruby padecia de uma doença grave e que ele mesmo, Ruby, sabia que teria poucos meses de vida e que de fato, meses depois veio a óbito, tendo como causa-morte o mal do qual padecia?
Engraçados e contraditórios os ianques: Sandan Houssein foi executado à frente as câmeras, em tempo real para todo o planeta, de forma espetaculosa: um ato que envergonha a raça humana. Fica a dúvida: se Osama Bin Laden foi realmente morto pelos americanos em 02 de maio de 2011, próximo a Islamabad, Paquistão ou mataram-no de araque, pois o saudita, na verdade, estaria morto há muitos meses, talvez anos e por causas naturais, devido a vida inóspita que vivia? E que essa notícia alavancaria a reeleição de Barak Obama, como de fato está ocorrendo? E que o governo americano deveria agir rápido fabricando tal notícia, antes que a própria Al-Qaeda declarasse ao mundo que o seu líder maior morrera em 2001, por exemplo? Seria uma oportunidade perdida por conta dos americanos, se não ousassem na mentira, pois são expert em fabricar notícias? Pois bem, é justamente isso que acredito. Segundo as pesquisas americanas, a aceitação popular do presidente depois da morte de Bin Laden subiu consideravelmente, visto que Barak Obama tornou-se um super-herói, o "El Vingador" do "sofrido" povo americano em face da derrubada das Tôrres Gêmeas em New York, em 11 de setembro de 2001. Mas pairam grandes dúvidas: será que os americanos estão blefando, em face de inúmeras contradições entre a secretária de defesa Hillary Clinton e diretor da CIA, Leon Pannetta e outros porta-vozes da Casa Branca?
Os americanos, como disse, são mestres em inventar acontecimentos. No episódio de 11 de setembro de 2001 não publicaram uma foto sequer do quarto avião que fora abatido no ar sobre o estado da Pensilvânia e tampouco dos estragos na fazenda onde caíram os destroços da aeronave. Muito estranho a relação dos nomes dos passageiros onde constavam 75 % de latinos anônimos. Outro fato do mesmo dia: O outro avião que implodiu contra o Pentágono, como mostram as fotografias e imagens televisivas, são como a de um míssil que teria sido disparado paralelamente ao chão e nunca de uma colisão de uma aeronave, como o governo americano afirmou. Caso fosse um avião, o estrago não seria- como foi, só frontal, sem atingir a parte superior daquele prédio e sim, danificaria uma área bem mais extensa, principalmente o teto do prédio de 5 lados. E o mais intrigante: não se viu pela tv, jornais, um pneu, um pedaço do avião que impludiu contra o Pentágono! Sem o 11 de setembro de 2001, dificilmente o então presidente George W. Bush conseguiria se reeleger. O funesto 11 de setembro de 2001, foi o preço de sua reeleição.
Enquanto uns comemoram o assassinato de Bin Laden, muitos ingênuos esquiam na maionese. Outros, espertos, aproveitam da desgraça alheia para aparecer mais que o rei sol, aproveitando dos inocentes eleitores, como o nobre vereador da cidade goiana de Anápolis, Valmir Jacinto (PR) que pediu em plena sessão plenária, um minuto de silêncio pela morte do companheiro Osama Bin Laden. E pasme o leitor, o nobre edil é formado em matemática, pós-graduado em Estatística, Gestão Pública e professor concursado pela Fundação Educacional do Distrito Federal. E o mais surpreedente: todos vereadores presentes votaram a favor. Qualquer dias desses, o companheiro vereador poderá receber a visita de um companheiro membro da Al-Qaeda e minutos depois a dos agentes da CIA. E por falar em ingênuos ou inocentes, lembrei-me de um vereador de Rio Verde, pela ARENA- época cinzenta da ditadura-, Lazinho Despachante, especialista em cerveja de qualquer marca desde que seja acompanhada por uma branquinha- que num debate acalorado sobre a mudança das casas de mulheres de vida facílima para um lugar mais distante- pois a zona meretrícia se aproximava, a cada dia, mais do centro da cidade-, interveio magistralmente:
- Pela ordem, Sr. Presidente! Sr. Presidente, exijo que esta casa tenha mais respeito com o "meretríssimo" juiz de direito desta cidade, caso contrário o Exército de Brasília vai prender todo mundo aqui!
- Nobre vereador Lazinho Despachante...- disse o presidente da casa legislativa- ...não estamos entendendo o que a Vossa Excelência quer dizer com... Exército de Brasília?.. Estamos discutindo, nobre vereador, sobre a mudança da zona meretrícia de lugar!...
- Pronto! Agora o senhor ofendeu a esposa do "meretríssimo" juiz! O senhor quer levar a "meretríssima" esposa do juiz, pra onde? Ora, senhor presidente, quem é o senhor, para mudar a “meretríssima” para algum lugar? A vossa excelência está criando grande angu com caroço para Câmara Municipal e por isso, vai ser o primeiro a ser preso, porque eu mesmo sou testemunha que senhor ofendeu o “meretríssimo” juiz e agora, ofendeu a mulher dele! Ofender o juiz e sua família é coisa de comunista! É o que tenho a dizer, senhor presidente, senhores vereadores! E tenho dito!

domingo, 24 de abril de 2011

O Fotógrafo da vida

Por Tadeu Nascimento

Cabeça de cronista é uma doidura. Todavia, o cronista é o fotógrafo da vida que retrata qualquer coisa que lhe chame atenção, cuja máquina, não precisa desligar e nem recarregar a bateria. João do Rio, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Sérgio Porto, foram grandes retratistas da vida. Mário Prata e Danuza Leão estão por aí, nos jornais, registrando melhores ângulos do cotidiano. Entretanto, Nelson Rodrigues e Rubem Braga foram imbatíveis. Tudo que vemos de interessante, fotografamos com as nossas lentes multi-neuro-focais-sentimentais e passamos em forma de texto aos leitores. Digo na segunda pessoa do plural- porque- longe de me incluir nesse seleto grupo de olheiros do tempo- não posso me eximir do que faço, para não cair em falsa modéstia, em face do papel, também modesto, de cronista que exerço, o que muito me apraz.
Há poucos meses, em um caixa de supermercado, vi um casal- casados- que os conhecia apenas de nome- já na casa dos setenta- se comunicando quase por telepatia. Mal trocaram algumas palavras. Pensei comigo: será que eles ainda se amam, fazem amor? Ou, ainda, por não terem mais pra onde correr, apenas se toleram? Tornaram-se apenas irmãos? Todavia, apesar da idade, não se aparentam incapazes para o sexo. Mas, outro dia, lamentavelmente, noticiaram-me que ele sofreu um infarto... A esposa estava tentando manter-se equilibrada. Soube que ela está no mínimo atônita, ante a possível perda. Ah, o amor!- falei cá com meus santos protetores-, Nada mais sublime! O que vale o dinheiro ou o poder diante da morte? Eis, a grande armadilha que a lei dos cosmos nos preparou! E que- por outro lado, nada mais é que a beleza da vida. O amor não deveria ser o fim, mas principalmente o meio, a longa estrada que deveríamos seguir para alcançar o fim. É o que temos e o que nos resta: viver a coisa mais preciosa da vida. A fora isso, tudo é supérfulo ou engano. Continuei divagando: como seria o cotidiano daquela senhora depois da morte de seu companheiro? Uma vida insossa, semi-estática diante das telenovelas, com um novelo a tricotar, aguardando a vez de partir desta vida? "A solidão é fera, a solidão devora". E o desamor, meu caro Alceu Valença, um veneno.
De imediato, lembrei-me de minha mãe. Depois que meu pai se foi para outra dimensão, minha mãe perdeu o viço, o brilho do olhar, a alegria pela vida. A vida que ela gostava tanto. As festas, os passos de tango, os vestidos de baile, os seis filhos lindos e bem cuidados. O ciúme pelo meu pai garboso e sedutor, dentro de um terno bem talhado. Tudo que tinha luz, foi-se apagando depois daquele 6 de dezembro de 2005, quando o meu velho partiu para sempre, até se apagar de vez, em 24 de maio de 2010, quando minha mãe despediu-se vida. A casa nº 276 da Rafael Nascimento ficou imensa e fria. Silenciosa e triste. Naquela calçada está faltando ele e naquela mesa (da copa/cozinha) está faltando ela. Rio Verde que não deveria se madurar, madurou-se de vez (contrariando a minha vontade e o verso "Verde que te quero verde" de Federico Garcia Lorca). Muitos frutos foram ao chão. Outros estão brotando nos lares, agora dos netos. Pena que a civilização cristã judaica não nos ensinou a perder. Principalmente a quem amamos. Na religião budista, a morte é apenas o fim de uma tarefa. A tarefa de evoluir o espírito.
Voltando ao casal no supermercado. O marido (empurrou o carrinho de mantimentos) e a esposa, caminharam para o carro. Como também eu havia passado pelo caixa, segui-os de perto até ao estacionamento. Ainda me lembro quando guardavam as compras no porta-malas: ela abriu um dos saquinhos, sem lhe dizer nada, com ternura angelical, rasgou o papel que envolvia a barra de chocolate e a levou até a boca do companheiro pra ele morder...
"O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém" (Reginaldo Bessa- Festival Abertura, Rede Globo, 1975).

sexta-feira, 18 de março de 2011

José Saramago


Se eu tivesse um coração de ouro

Por Tadeu Nascimento

Numa escola bastante conceituada de Goiânia, uma professora passou para os seus alunos do 1º grau, uma tarefa que consistia em dissertar sobre um tema, senão complicado, porém muito interessante: "Se eu tivesse um coração de ouro". Comecei a divagar sobre o tema e conclui que se trata de uma pequena armadilha. Pois, seria o mesmo discorrer sobre "Se eu fosse um bom menino ou uma boa menina". Mais incisivo ainda: "Se eu fosse bom". Imaginei os possíveis textos que seriam escritos pelos inocentes aprendizes. Uns, na certa, diriam que alimentariam aqueles que estivessem com fome; outros, que levariam os pobrezinhos mal vestidos para próprias casas e dariam muitas de suas roupas; outros, que dariam uma casa para cada pobre, etc. Porém, além de interessante, o título é muito intrigante e portanto, cabe algumas observações. Para se ter um coração de ouro não precisa ser rico. Basta ser bom. Bom, na melhor concepção da palavra. Fazer o bem sem olhar a quem. Ser bom sem esperar ser reconhecido por sua bondade. Cometer ações positivas, generosas, sem se vangloriar desses atos. O que a mão direita dá, a mão esquerda não vê. Quando eu estudava em Uberaba e ao buscar todos os meses, a mesada, através do Banco do Brasil, que meu bom e velho pai me enviava de Rio Verde, via o humilde Chico Xavier numa longa fila a receber sua pequena aposentadoria. E na determinada agência bancária, sempre havia muitas pessoas pobres esperando pela chegada do mestre espiritualista. Chico passava por todos eles e os cumprimentava com aperto de mãos e depois os abraçava. Mas ao aperta-lhes as mãos, entregava a cada um, um valor em dinheiro- bem dobradinho- que tirava discretamente do bolso do paletó- para que ninguém visse. Era o cuidado para que não explicitasse a menor ostentação. Vi, não só uma vez, pedintes, estendendo-lhe as mãos como se clamassem por uma ajuda, e o Chico com alguma coisa na mão direita fechada entregava a cada um deles (um valor que não se via o quanto) e em seguida, fechava a mão do pobre cidadão. E assim repetia a mesma ação com outro necessitado. E como num ensinamento de uma aula prática, deixava a lição para que fizéssemos caridade sem vaidade. Sem demonstrar que "somos bonzinhos". Pois declarar-se caridoso é ter lucro sobre o necessitado, além de humilhar o ajudado. Dessa forma, não é caridade; é exibicionismo. Segundo os ensinamentos de Cristo, a caridade é uma oportunidade que o Criador nos dá para evoluirmos. Portanto quem presta caridade deve agradecer ao Altíssimo pela oportunidade de realizá-la.
Seria interessante os nossos educadores ensinassem aos nossos filhos, serem bons no tempo presente, possível, praticável e não num tempo condicional, tipo "se eu tivesse o coração de ouro." Ser bom é a compreensão da evolução humana. Há de se ensinar os princípios morais. Destes fluirão a bondade, o respeito aos semelhantes. Respeitar a vida, os princípios da natureza como meio ambiente nada mais são do que respeitar a terra mãe, os nossos irmãos, os nossos filhos, os nossos netos, a humanidade.
Para ser bom, exige-se ações inteligentes. De nada adianta promessas de boas atitudes, se amanhã mesmo, aquele pedinte ainda continuar na esquina de sua casa. Se nada fizermos para pressionar as autoridades para melhorar os nossos hospitais públicos. Se não cobrarmos dos governantes um futuro descente para nossas crianças, dando-lhes escolas de melhor qualidade; o fim das drogas que arrebentam com a juventude, além de tantas ações que diminuem o sofrimento dos que mais precisam de ajuda. No âmbito particular, devemos nos cobrar o porquê das nossas indiferenças. Por exemplo, de não irmos a um abrigo de velhos, dedicar uma hora de nosso tempo a aqueles que estão no fim da vida e que esquecemos, com certa dose de hipocrisia, que estamos, inevitavelmente, trilhando o mesmo caminho dos idosos. Ser bom é base de qualquer religião. No budismo, um dos principais princípios é a comiseração (dó): ser bom é sofrer com os que sofrem. Contudo, fico com o pensamento de José Saramago, um dos maiores escritores e humanistas do século XX: "Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu é de carne e sangra todo dia".

quinta-feira, 3 de março de 2011


Caetano Veloso


Carta aberta a Caetano Veloso

Por Tadeu Nascimento


Caetano,
Acompanho suas criações, mesmo antes de "Alegria, alegria" que conquistou o 4º lugar, à frente de "Maria carnaval e cinzas" que chegou em 5º, do já famoso Roberto Carlos, no Festival da Record em outubro de 1967. E sua música foi a que mais fez sucesso entre as concorrentes. Mais do que "Roda viva" de Chico, 3º lugar; "Domingo no parque" de Gil, que obteve 2º lugar e "Ponteio" de Edu Lobo, 1º lugar. Todo mundo canta "Caminhando contra o vento/ Sem lenço sem documento..." Tomei conhecimento de sua existência quando ouvi a sua primeira música gravada "Só pra chatear", também de 1967, -antes do festival- na voz de Ronnie Von (que resultou num grande sucesso). Mesmo hoje, poucas pessoas sabem que os versos líricos de "Só pra chatear", "A rosa vermelha é do bem querer/ A rosa vermelha e branca hei de amar até morrer", é de sua autoria. Você foi para mim o John Lennon brasileiro. Lamentavelmente há muito tempo não é mais. Renego o gênio que faz questão de pisar na própria arte. Até suas posições políticas tornaram-se bem diferentes das defendidas por Lennon. Convenhamos, quem criou "Luz do Sol"; "Sampa"; "Desde de que o samba é samba", não pode ser o mesmo quem compôs "Só tenho inveja dos seus orgasmos múltiplos..."(versos da idiota canção "Homem" do álbum Cê), salvo se tiver tido uma crise de inveja das mulheres ou de um egocentrismo exacerbado ou ainda, se passou a se achar um deus, pois não está nem aí para o seu público, aliás, ultimamente só tem feito melodias medíocres, ao estilo Olodum, com a percussão sobrepondo outros instrumentos e para completar, letras de péssimo gosto. E com isso, afronta quem espera meses, ano inteiro, por álbum de qualidade e não um CD com uma "Um tapinha não dói". Seu negócio é criar polêmica, chocar o público. Ora, se você quer dar o troco a alguns críticos, responda-os pelos jornais e/ou TV; porém, não faça seus fãs de idiotas. Vender uma imagem, ou um produto, usando da boa fé das pessoas ...Isto tem nome: estelionato intelectual. Querer gravar uma canção que não é sua, ótimo. Você gravou em tempos idos, a belíssima "Chuvas de Verão" de Fernando Lobo; "Charles Anjo 45" de Jorge Ben, "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos" de Roberto Carlos; o samba enredo "É hoje" (Minha alegria atravessou o mar/ E ancorou na passarela...) dos sambistas Didi e Maestrinho da União da Ilha; e até "Coração materno" de Vicente Celestino que você interpretou lindamente (adjetivo que você usa não raramente) além de outras tantas. Por que então, descer tanto, em termos de qualidade, como o funk "Um tapinha não dói", cara? Certa vez, você disse que gravar Odair José, Fernando Mendes é gritar contra o apartheid social brasileiro. Ora, isso é mera desculpa. Pra você pouco importa se é arte ou não. E nem toda música é arte. Imagine Mozart tocando a ridícula "Florentina" do Tiririca, ou Pavarotti cantando "Pare de tomar a pílula" de Odair José!
Sei que para um simples mortal como eu, é difícil entender um criador, um talentoso artista. Mas como disse Milton Nascimento o artista tem que ir onde o povo está! E não adianta dar chiliques por ter gente questionando as suas criações. Por volta de 1981, você ofendeu Raimundo Fagner. Textualmente você disse: "Fagner é uma merda!" Grosserias à parte, o cantor cearense, a bem da verdade, caiu em qualidade, mas não chegou aos extremos em que você insiste em ficar. E os seus fãs- desde sempre querem o Caetano, lírico ou veemente, mas sensível, não só como letrista, mas como criador de melodias como "Os argonautas"; "London London"; "Terra"; "Podres Poderes"; "Fora de Ordem"; "Meu Bem, meu mal"; "O quereres", "O ciúme" e outras. Houve um tempo que eu tinha todos seus discos. Hoje, depois de ouvir os seus dois últimos CDs, decidi não comprar mais nenhum e ainda faço campanha para ninguém comprar. Desculpe a franqueza, mas é a única maneira que vejo, para você voltar ao estilo de antes.
Caetano, queremos o Caetano de outrora. Não um Caetano que compõe para os pseudos intelectuais que o querem só para eles. Como se eles tivessem exclusividade para entender suas canções. Desafio, pois, quem gosta de últimos trabalhos, mesmos entre os falsos intelectuais, que cante uma música completa dos seus álbuns Cê ou Zie e Zee (que em italiano significa tios e tias- título brega). Ora, boas canções são aquelas que todo mundo canta em reuniões em casa, em barzinhos; debaixo do chuveiro, etc. Decididamente não gosto do Caetano desde milênio. Gosto do outro Caetano. O do século passado.
Mas, cá entre nós, Caetano é Caetano. Ou não.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Roberta e Protógenes

A princesa e o sapo que virou príncipe


Por Tadeu Nascimento


A vida é mesmo surpreendente. Um dia você está por cima e no outro, vai ao chão. Mais surpreendente ainda, quando você estando por baixo, consegue magistralmente- mesmo contando com a sorte- dar volta por cima. Há 2 anos, o delegado federal Protógenes Queiroz por determinação de Juiz federal Fausto de Sanctis, prendeu na Operação Satiagraha o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, juntamente com ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Nagi Nahas, por crimes contra o sistema financeiro e outras ilicitudes. A força econômica de Dantas fez com o STF, através de seu presidente à época, Gilmar Mendes, determinasse a sua soltura. Em pouco mais de 24 horas, o mesmo Juiz De Sanctis determina o mesmo delegado Protógenes a nova prisão de Dantas. O presidente do STF, num fato inédito, manda soltar o banqueiro novamente e arma uma guerra surda contra De Sanctis e Protógenes. Afastaram o delegado do caso e depois das atividades normais da PF. Outro juiz federal, Ali Masloum, começa a perseguir Protógenes e o acusa de quebra de sigilo e outras irregularidades fabricadas. O ínclito delegado passou a viver um inferno zoodiacal. Parecia acabado profissionalmente e ainda correndo perigo de morte. Sua residência foi vasculhada pela polícia federal. Seus filhos e esposa passaram dias difíceis. Mas, o honrado Protógenes, sabendo da repercussão positiva de seu trabalho, vê uma saída diante do imenso problema a enfrentar. Decidiu-se então, candidatar-se a deputado federal. Conseguiu se eleger.
Abre-se parênteses para uma observação. Conheci Protógenes Queiroz em Campos do Jordão em de agosto de 2009. Estava acompanhado de sua esposa de então- uma bela mulher, diga-se. Cidadão simples, solícito, gentil e elegante. Interpelei-o para cumprimentá-lo pela sua coragem e determinação em enfrentar o todo poderoso Daniel Dantas. Conversamos uns 30 minutos. Disse-me que concorreria a uma cadeira de deputado federal pelo PDT ou pelo PCB. Fecha-se parênteses.
Despedi-me acreditando que o delegado seria perseguido até o fim da vida, ou até sofreria um atentado contra sua vida. Acabou se candidatando pelo PCdoB, por São Paulo. Daniel Dantas nutre pelo delegado um sentimento negativo que não sossegaria enquanto não acabasse com ele. Mas aí vem o imponderável destino e impõe o seu jogo. Em meio a campanha eleitoral conhece Roberta Luchsinger e com ela começa um relacionamento amoroso. E com isso, separa-se da primeira esposa. Não seria nada extraordinário o fato de recomeçar uma vida a dois. Acontece que Roberta Luchsinger é a principal herdeira do grupo Credit Suisse, segundo maior banco da Suíça, país que se evidencia não só pelos melhores relógios do mundo, os melhores chocolates, mas também pelos bancos mais ricos do mundo. O parlamentar desconversa o fado de estar envolvido com uma mulher, além de belíssima, ser herdeira de uma fortuna. O relacionamento não é do tipo passageiro, superficial, diz uma amiga de Roberta: o delegado deputado e a futura banqueira estão apaixonadíssimos. E o mais promissor: Roberta espera filhos gêmeos de Protógenes. Segundo a mesma fonte estão se preparando para se casar.
Desejo felicidades aos nubentes, mas gostaria mesmo era de ter visto a cara do todo poderoso Daniel Dantas e a do nada simpático ministro do STF Gilmar Mendes quando souberam que Protógenes se casará com a principal herdeira do segundo maior banco suíço- muito mais rica que Dantas- o que o tornará muito, muito poderoso e que não será nada fácil persegui-lo e que ele realmente é um homem de sorte. E saberão que eles são os causadores da felicidade de Protógenes, pois se não fosse suas perseguições, o sapo que virou príncipe, não seria deputado e provavelmente não conheceria a banqueira. Devem estar mordendo o canto da boca. E o melhor, passarão a acreditar em contos de fadas. Pelo menos na versão masculina.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Praça 5 de Agosto (Rio verde - GO)


Pedro Biriba, Bem-Bem & Cia.

Por Tadeu Nascimento


Toda cidade do Brasil tem seus tipos populares que são aqueles que entendemos por doidos, engraçados ou irreverentes. Na década de 70, em Rio Verde, havia muitos. E o mais popular deles era o Pedro Biriba. Um pedinte que andava pela cidade com um saco às costas e amedrontava a criançada. Feio que nem ele só, de fala enrolada, com seu aspecto mongol, baixinho, andado cambaleante, de barbicha, dentro de um terno tamanho 2 números acima do seu e de chapéu. Além de um pau de vassoura, que muitas vezes lhe servia de porrete, quando alguém lhe fazia alguma zombaria. Seu itinerário era os quarteirões que se estendem da Praça 5 de Agosto até a Praça Major Frederico Jayme (Praça das Palmeiras). Perambulava pelas calçadas da antiga prefeitura, Bar do Milton Jayme, Posto do Darlô (Rui Barbosa), Bar do Hotel Minas Goiás, Bar do Ney (Rua Rafael Nascimento). Pedro Biriba lembrava o personagem Carlitos de Charles Chaplin, só que ao estilo terceiro mundo: brejeiro, tupininquim. Um Carlitos dos pobres. Morreu de velho.
Mané Côco. Este era hilário. Se gabava major do Exército. Moreno escuro, alto e de andado imponente- como sua patente exigia. Trajava um paletó escuro, tipo farda de gala, com muitas medalhas, galões nos ombros, botões dourados, botas, capacete e binóculo pendurado no pescoço. Andava com altivez e elegância com sua inseparável espada... de plástico! Ficava nos cruzamentos com apito na boca e com os braços em movimento controlando o trânsito. Fazia ponto no Bar do Milton Jayme. Ai de quem desobedecesse a sua norma particular de trânsito. Lavrava multa ao infrator na palma da própria mão.
Bem-Bem. Mulato, cabeça raspada, mudo, de beiços grossos e caídos. Andava puxando uma perna. Ficava meses sóbrio. Nesse estado era calmo e humilde. Mas quando se embebedava tornava-se insuportável. Assim era Bem-Bem. Dizia o folclore de Rio Verde que o nome Bem-Bem se devia ao fato de ele ser bem dotado sexualmente. "Ele tem um bem...bem grande!" Acabou virando Bem-Bem. Existia uma história que uma dona de uma casa de prostituição gostava de ter relação íntima com o dito cujo. Mandava seus subalternos buscá-lo, dar-lhe banho e perfumá-lo para passar uma noite com o seu Bem-Bem dotado.
Maria Florista. Parecia uma personagem do filme Hair. À época, não era feia e tinha uns 30 anos de idade. Andava com flores no cabelo, nas mãos e nas estampas da roupa de chita. Não raramente levantava a saia para quem quisesse ver seus pormenores e seus etcéteras. Morava no porão do coreto, na praça da igreja São Sebastião. Num aniversário da cidade, 5 de agosto, época de ditadura, desfilava os alunos das escolas da cidade. No palanque armado na praça 5 de Agosto, às autoridades civis, militares e eclesiásticas (todos os discursos da época eram mencionados tais autoridades), estavam governador/interventor, não sei se era Gal. Ribas Júnior ou Gal. Meira Mattos, o também folclórico prefeito Eurico (Nenzinho ) Veloso, vereadores, o vigário da paróquia, as senhoras impolutas da sociedade. Lá vem subindo a rampa da praça os alunos do Colégio Martins Borges com sua fanfarra eletrizante, sob o comando do prof. Ottoniel Almeida Leão, o encrencado e temperamental prof. Otto (tio paterno deste cronista). Prof. Otto era outro ser folclórico da urbe. Quando lhe chamavam pelo apelido Cocó, ele respondia em alto e em bom som- não importava o lugar- pra quem quer que fosse: "Cocó é ... da sua vó!" As reticências são aquilo mesmo que o leitor está imaginando. Voltando a Maria Florista: No ponto auge do desfile, em frente ao palanque, à frente da fanfarra, os atletas malabaristas, vestidos de branco, entre eles Joãozinho do João Surdo, Waldir e Onildo Proto faziam a pirâmide humana. E na ponta da pirâmide Joãozinho erguia a bandeira do Brasil. Logo atrás, as meninas balizas "plantavam bananeiras" e se exibiam com outras estripulias. A fanfarra repicava seus taróis. Palmas e mais palmas para os atletas e fanfarristas. Eis que Maria Florista, no alto de sua habilidade artística-esportiva, resolve participar do desfile: misturou-se com as moças-balizas e começou a plantar bananeira justamente em frente ao palanque, sob os olhares austeros das autoridades. Só que a nossa heroína não usava calcinha. E nunca se depilava. E tome visão panorâmica e tome risadas cinemascôpicas. A banda marcial desafinou-se; Miranda, o tocador de pratos esquentou as orelhas do tocador de surdo que estava à sua frente; o Cocó ficou irado, o prefeito enrubesceu-se, o vigário fez o sinal da cruz e essa história ficou para sempre. Pelo menos na minha memória.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A imagem diz tudo


Amores encharcados
Por Tadeu Nascimento

São 23 horas desta quinta-feira, a primeira de fevereiro de 2011. Uma tempestade caiu em Goiânia. Foi uma tarde que ninguém deveria ter saído de casa. Nem os guardas de trânsito. A chuva caiu sem avisar. Não deu tempo nem para as cigarras anunciarem o toró que estava por vir. João-de-barro não pôs o bico fora de casa. Sapos, só não se afogaram aqueles que fugiram para Guapó. Se fosse ontem, diria que foi Iemanjá- que é do dia 02 de fevereiro- quem fez tanta água despencar do céu. Nunca vi Goiânia com tamanha chuva. Vale lembrar que a enchente de São José está distante 44 dias. Tal qual um rio, a água que veio do céu, desceu caudalosa pela avenida Goiás (e em outras vias paralelas) procurando o mar. Antes porém, de chegar ao mar, foi se misturar com as águas do córrego Capim Puba que logo se une ao Rio Meia Ponte que por sua vez, desaguará no Rio Paranaíba que cairá no Rio Grande que se misturará com Rio Paraguai que se unirá com o Rio Uruguai e que, por fim, encontrará seu destino na liberdade salgada do Atlântico, lá na divisa do Uruguai com Argentina.
Mulheres levantando vestidos para não encharcá-los ainda mais; sapatos nas mãos. Homens empurrando automóveis e motocicletas. Semáforos endoidecidos. Velocidade de tartaruga nas longas serpentinas de carros. Pisca-piscas ligados. O trânsito em pleno caos. Guardas de trânsito? Nenhum. Não estamos acostumados com caos. Goiânia é uma cidade abençoada por Deus. O criador inventou o planalto central a quem pudesse fazer o melhor uso dele. No meio ao caos, sob uma marquise, um casal de namorados encharcados pela chuva, fazia o melhor uso deste planalto central, se abraçando, fazendo carícias, desafiando a moral e os bons costumes dos conservadores que ali passavam, expondo-se um despudor como o de Romeu e de Julieta em Verona. O amor é belo. O mundo se derretendo e o casal se contorcendo de tesão. Se Noé, ali passasse com sua arca, na certa, levaria o casal filhos de Eros para a preservação da espécie. Acelerei meu neurônios: Imagine os dois enxutos e "secos" um pelo outro!
Se o Rio de Janeiro que é a cidade maravilhosa, tempestades e deslizamentos de morros são uma constância; se a mais rica do país, São Paulo, além da poluição, o trânsito desafia a paciência de jó dos paulistanos, aqui é diferente. Goiânia, se não é um paraíso, é uma cidade ainda prazerosa. Só falta um mar para ser perfeita. Mas, se aqui tivesse mar, nunca seria perfeita, porque teria também deslizamentos de morros, tufões como em Santa Catarina e o custo de vida fatalmente seria muito caro, e o trânsito seria uma doidura. Por fim, se em Goiânia houvesse mar, como disse uma amiga: "Seria tão bom que não ia prestar!" Melhor ser quase-perfeita. Lembrei-me de São João Bosco que em 1883, num sonho, (premonição) viu que o Brasil central seria um dia a salvação do planeta. Mais propriamente onde se situa Goiás.
Voltemos à chuva. Como é bela a juventude! A tempestade é um bom motivo para os jovens extravasarem seus hormônios. Tal qual Jorge então Ben e não Ben Jor na antológica "Que maravilha". Lembra-se? "Ela vem toda de branca/Toda molhada e despenteada/... Com a chuva molhando seu corpo lindo que eu vou abraçar/...A gente no meio da rua do mundo, no meio da chuva/ A girar,que maravilha ". Os corpos molhados de romeu e de julieta do cerrado definiam bem as suas siluetas e intenções no momento apoteótico do "boca com boca" que acabaram por compor um quadro cinematográfico. Talvez de Franco Zeffirelli ou de Federico Fellini com trilha sonora de Jorge Ben Jor. As pessoas que ali passavam – não davam importância à torrencial a chuva que caia- contorciam os pescoços, admirando (talvez invejando) a audácia dos amantes. Chuva? Que chuva?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


Martinho da Vila
"Já tive mulheres de todas as cores... "


Cria da minha costela


Por Tadeu Nascimento


Antes era o nada. Aí, Deus criou o mundo. No sétimo dia, o criador, achando o mundo sem sentido, criou o homem. Mas para Ele o planeta ainda continuava sem graça. Então o Altíssimo entendeu que faltava pimenta. Nesse instante, Deus antecipou Machiavel: tirou do homem uma costela e fez a mulher. E deu a obra por encerrada. Pronto: estava criada a maior encrenca de todo sempre! Desde então, o macho, o homo- mais erectus do que sapiens-, não sabe viver sem a cria de sua costela, como canta Chico Buarque. Vive a cobrar eternamente o que lhe foi tirado no princípio do princípio. Dependência química de costela. É uma cobrança inconsciente, pois, depois de Adão, todo ser humano é gerado na barriga da mulher. E ainda, sob suas costelas. Entretanto, os cromossomos xx não entendem os xy e vice versa. E quase sempre vão às turras. Mas, assim como os homens, as mulheres são tanto quanto culpadas, pois cultivam a cultura machista: filho homem pode bolinar- e outras coisinhas mais- a filha do vizinho. Mas a filha há de se comportar como uma santa! Esse é o entendimento da mãe que age, conscientemente, de acordo com o pai, seu parceiro, que não é nada mais do que um filho da mãe. Conclusão: a mulher é tão machista quanto ao homem. Eis, a raiz dos conflitos! João Batista teve a sua cabeça exposta numa bandeja a pedido de Salomé. Sansão perdeu o cabelo e o tesão por Dalila. Nicéia Pitta pisou na goela de Celso Pitta.
Contudo, nunca entendi, ao certo, os símbolos dos dois sexos. O masculino representado por um círculo com uma seta para cima, tal qual um pênis pronto pra batalha e o feminino, por um outro círculo com uma cruz para baixo. Aí que não entendi. Por que uma cruz e ainda para baixo? Matutei todas as possibilidades. Seria, talvez, para lembrar que Jesus morreu na cruz, e como Ele, os homens seriam por elas crucificados de cabeça para baixo? Ou tal símbolo, representaria que as vidas delas são uma cruz? Nem tanto. Desde o tempo das cavernas as mulheres são mais longevas, posto que os homens sempre se expõem mais aos perigos da guerra e da caça, além de não se extravasarem (e nem desestressarem) como as mulheres com suas menstruações mensais. Todavia, garante a ciência que se trata da instintiva preservação da espécie, tanto que em quaisquer estatísticas de longevidade, de qualquer tempo, o homem vive menos do que a mulher. Insisti na pesquisa e encontrei uma justificatica que ainda não me conveceu: o círculo com a seta pra cima tem relação com Marte, deus da guerra, por isso, a seta (lança). Já o círculo com a cruz para baixo (Vênus), é uma alusão ao espelho de mão que se usava antigamente (com uma cruz abaixo do espelho redondo). Continuo desententido.
A vida é breve. Morre-se de susto, de bala ou vício. Morre-se de quaisquer moléstias. E ainda em pleno século 21, adentrando a Era de Aquário, a era do progresso humano, ainda morre-se e se mata por amor. "A vida é arte do encontro/ Embora haja tanto desencontro pela vida", declarou, viniciusmoraesmente, o poeta da paixão. E não adianta contestar, pois a vida é feita de momentos. É tudo que nos resta. A vida é muito breve para cometermos tolices. Tolices que podem estragar a relação e mais do que isso, quebrar o encanto. Como disse Marcel Proust: "O amor é uma maldição (ou loucura) que só se acaba quando se perde o encanto."
E assim, encanto vai, encanto vem. Martinho da Vila é perfeito quando canta "Mulheres". Então passam por nossas vidas mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores. Umas malucas, desequilibradas; outras confusas, de amor e de paz. Outras, arrogantes como águias na montanha; outras más como serpentes.

Desde os tempos imemoriais os relacionamentos têm sido assim. Quando se imagina que tudo vai bem como um lago manso, eis que se surge uma turbulência e carrega a paz para as profundezas. Até quando há de se insistir nesse desencontro? Até quando as deusas com TPM governarão essa eterna guerra dos sexos? Por fim, querida, cria da minha costela, tanto eu como você, somos todos filhos da mãe!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011


Lampião e Maria Bonita. Este era macho!

Que o quinto sexo vá de retro


Por Tadeu Nascimento
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O mundo está cada vez mais pirado. Esta semana recebi um email de um amigo com o título Ariadna BBB 11 nua na Webcam. Abri o dito cujo. A moça tem um corpo que se não é a oitava, é a nona ou a décima maravilha do Word. Entro num portal de notícias, ela novamente: "Ariadna é transexual!". Êpa, ela não é mulher? Mas eu a vi nuazinha na Webcam! Aquilo é mulher! Com aquele corpo, com os detalhes que eu vi, com esses olhos que ainda se aprazerão muito em ver as minúcias femininas, não é mulher?- perguntei a mim mesmo. Curiosidade mata. Cliquei para ver a reportagem: ela não nasceu ela; nasceu ele. Com o nome de Thiago. Por muitos anos, Thiago fazia xixi em pé. Até que um dia se cansou. Sentado é o must!, decretou Thiago. E cortou o bicho. Indignei-me: meu Deus, não se pode confiar mais nem no que se vê! Daqui por diante, qualquer mulher que eu conhecer e se me interessar, conferirei a carteira de identidade, CPF, CNH, cartão do PIS/PASEP, da UNIMED; número do sapato e prestarei atenção no pescoço. Se tiver gogó ou pés grandes, "tô fora!" Perguntarei se quando criança brincava de médico ou de enfermeira; com espada ou com boneca. E pra não mais me enganar, levarei comigo um polígrafo (detector de mentiras)! Sabe-se lá o que pode estar dentro de sua calcinha! Eu, einh?
Diz a mitologia grega que os soberanos do Olimpo, Zeus e a deusa Heros, escolheram um mortal de nome Teirasias para ele dizer quem sentia mais prazer no sexo. Se o homem ou a mulher. Pra isso o transformou em mulher e nessa condição ficou por 7 anos. Depois novamente foi convertido em homem. Sobre a questão levantada pelos deuses, Teirasias respondeu que a mulher tem prazer sexual 10 vezes maior do que o homem! Talvez, esteja aí a razão dessa transformação maluca.
Caro leitor, quando criança, menino macho, acreditava eu, que havia 2 sexos, que logo depois, passaram para 3 quando fiquei sabendo que existe o homo sexual masculino. Depois a coisa se agravou quando soube da existência das lésbicas, detentoras do 4º sexo. Pensei que o mundo estaria involuindo. E agora, no 3º milênio, surge o tal do transexual. Como se não bastassem o metro sexuais, que não têm nada de metro e sim de quilometros de frescura, embora, se dizem macho. Que o diga o jogador de futebol David Beckhan!
Não tenho nada contra a opção sexual de cada um. Só que não quero ser enganado. Por volta de 1975, em Rio Verde, aconteceu um mini festival de música e um grupo de rock, Os Atômicos, fora convidado a prestigiar o evento. Com eles veio a travesti cantora, Rogéria, que anos depois, se tornou famosa no meio artístico. Um cidadão, metido a garanhão do cerrado, com o seu caminhãozinho tipo 3/4, ao passar à frente do Hotel Campos, viu aquela loira esvoaçante dando sopa na calçada. Não deu outra: jogou seu irresistível charme pra cima da dita cuja que logo abriu-lhe um sorriso. Convite feito, convite aceito. Fulano que era e é pequeno de estatura, dirigiu seu caminhão com sua presa para o córrego das Abóboras, pois na grande Rio Verde de então, não existia motéis. Ali chegando, logo iniciaram a sessão "amor com aço", ou seja, o amasso. De repente, o distinto garanhão, no agarramento nas partes baixas da loiraça, encheu a mão! Deu um salto para o lado e a ameaçou quebrar a cara da sirigaita. A loira engrossou a sua voz de Astolfo (seu nome de batismo ) e endereçou-lhe, no sentido anti-horário, um pescotapa na orelha no que ele rodou que nem pião em alta rotação! De sobremesa, fê-lo levá-la de volta ao hotel, caladinho que nem coruja muda, sem soltar um pio.
Tempos modernos. A vida não está fácil e do jeito que a modernidade caminha, tudo pode acontecer. Receio que daqui algumas décadas estaremos, nós humanos, fazendo amor com robôs. E não serão incomuns robôs homo sexuais pleiteando na justiça a adoção de crianças também gays robóticas. E o juiz- também robô- questionará quem vai ficar em casa dando de mamar para o gayzinho cibernético. Ainda bem que- quando isso acontecer- estarei mortinho da silva, no cemitério São Miguel, lá em Rio Verde, num túmulo, cuja lápide, deverá estar escrito: "Nasci, vivi e morri menino macho!"

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011


Marta e Joseph Blatter


O gênio de pernas depiladas

Por Tadeu Nascimento


A arte morreu. Se não morreu, agoniza-se. Não é necessário que seja especialista (crítico), para saber que nada mais se cria no campo da arte. Estamos de volta à escuridão da Idade Média. Não há mais gênios na pintura, na música, na escultura, na literatura, na dança, no teatro e na sétima arte que é o cinema. Talvez, justamente no cinema, ainda se vê arte nos veteranos Anthony Hopkins, Al Pacino, Robert de Niro e Mary Streep. De novidade mesmo, na arte de interpretar, não há algum com brilho do gênio. Nem Jonny Depp. Na música, nunca mais existiu um criador com a grandeza de um Mozart, de um Beethoven, de um Bach, de um Chopin, de um Tchaikovsky, ou mesmo de um John Lennon. De um Rodan, na escultura. De um Baryshnikov na dança. De um Molière no teatro. Na pintura então, a distância é enorme. Excetuando-se Van Gogh e Picasso que morreram há muitos anos, não surgiu um só homo sapiens que tivesse, mesmo que distante, o talento de Da Vinci, ou de Micheangelo, de Rafael, de Donatello. Até no futebol que considero uma arte menor, não se vê mais craques, muito menos gênios. A gana pela grana, a sedutora mídia e a velocidade da vida moderna, têm logrado da humanidade o direito de fazer arte e de se aprazer com ela. Vive-se mais da enganação. Da mesmice. Da mediocridade travestida de moderna. Evidente que nunca mais existirão outros Tom e Vinicius; Lennon e Mccartney; Mozart e Beethoven; Pelé e Garrincha. A questão é que não se vê- e não se sente- a menor tendência e nem terreno fértil para algum talento. O mundo está marchando errado. Dizer que Andy Warhol foi um gênio da arte moderna é demais para o meu entendimento. Talvez o seja para o polêmico e cada vez mais chato e menos criativo Caetano Veloso. Vale lembrar que o conceito de arte é a expressão do belo. E Caetano, não fez nada de belo nos últimos 20 anos. Na literatura, nas 3 ultimas décadas, o derradeiro dos moicanos geniais foi José Saramago e só. Pois vale mais nesse mundo moderno um Paulo Coelho com seus pleonasmos do que a originalidade de um Machado de Assis. Assim como Lair Ribeiro que faz mais sucesso que Clarice Lispector. A nossa MPB, por sua vez, passa por um interregno tedioso numa cama na UTI. Não surgiu ninguém, absolutamente ninguém. O derradeiro foi Djavan, que a mim, perdeu o lirismo. Chico Buarque enveredou-se pela literatura; e nela, não achou ainda o caminho das pedras da genialidade que em outros dias mais felizes, fizeram brotar pérolas em forma de canções.
A arte parece morta. Todavia, para o nosso júbilo, existe uma mulher, uma alagoana, que salva- embora não seja valorizada como merece- o gênio da raça: Marta que por 5 vezes foi a melhor jogadora de futebol do mundo. Se Marta fosse macho, acredito, seria reconhecida como gênio. Marta Vieira da Silva, nome e sobrenomes tão brasileiros quanto Edson Arantes do Nascimento. A Pelé de saia. Uma Pelé que quando recebe um prêmio da FIFA de a melhor do planeta, como recebeu essa semana da mãos de Joseph Blatter, é uma fêmea de vestido bem talhado, de salto alto, de brincos e maquiada que nem de longe traz consigo os traços masculinos, próprios do futebol. Talento em pernas depiladas. Se estivesse vivo, Nelson Rodrigues, não mais escreveria sobre os imperadores dos gramados, mas ergueria um pedestal imaginário para o talento de dribles rápidos e sutis das pernas roliças de Marta. O escritor Armando Nogueira teceu loas (em crônica) à Marta que continua jogando mais e melhor do que qualquer cabra peludo. E a vida de jogadora de futebol não é fácil. Receber cotoveladas nos seios ou desvencilhar-se delas é tão difícil quanto esquivar-se de chute maldoso nas partes baixas de um craque, do Pelé, por exemplo; mas ela se desvencilha ou suporta muito bem. Contudo, a artilheira sob a impaciência de uma TPM, sob o desconforto daqueles dias, diante da goleira no momento fatal do gol executa e corre para glória, socando o ar como fazia o rei Pelé. Antes, porém, um lençol sobre a quarta-zagueira- que mais parece um trator; mais um drible desconcertante em outra defensora, e em seguida um chute no ângulo com classe é pra ela algo tão simples como provocar um sorriso numa criança quando lhe oferecem um sorvete! Como um exímio joalheiro, Marta fabrica arte. A arte do futebol.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Como eu era feliz!


A Insustentável leveza da vida


Por Tadeu Nascimento


Chega o dia em que você para tudo e faz um balanço do tempo vivido. Pesar o que restou do que ficou. Talvez um patrimônio invejável. Um histórico de conquistas materiais etc. A imensidão de personalidades que passaram por sua vida. Mil mulheres fascinantes. Mas, diante do espelho, você se vê e pesa- outra realidade: os vincos da própria face, os cabelos ralos e dispersos como um cotonete desfiado de um homem que vai deixar a vida à qualquer hora e que não há dinheiro no mundo que evite isso. Deixará o seu patrimônio para seus filhos, talvez para os genros ou até para o Ricardão. Belo retrospecto! Nessa hora a gente se lembra que viemos nus e que ninguém levará um centavo sequer, quando partir. Há poucos dias, ouvi de um amigo médico que nas UTIs, não raramente, pacientes terminais dizem que dariam todo o seu patrimônio para ter mais um ano, 6 meses de vida para fazer coisas que não fizeram na vida." Devia ter amado mais, ter visto o sol nascer!- como cantam os Titãs. Devia ter conhecido Paris, talvez o Tibet, ter curtido a vida! Nesta vida, só trabalhei, doutor!" I'm so sorry, my friend. Is too late! it's over, meu caro!- pensa o médico. Antes que esse dia chegue, é bom que façamos uma autocrítica daquilo que fizemos e/ou que ainda continuamos a fazer. Se realmente gastamos parte de nossa preciosa vida lembrando dos nossos semelhantes, se cuidamos do meio ambiente não só para nossos filhos e netos, mas para humanidade. Se fizemos para nossos pais o que fazemos para nossos filhos. Se as pessoas com quem nos relacionamos só estão conosco pela beleza dela ou pelo nosso dinheiro para nos vangloriarmos para os amigos. Se reservamos um dia por mês para sentarmos numa grama de uma praça para lambermos felizes um chicabom. Se um dia na vida nos preocupamos com os doentes da Colônia Santa Marta ou de São Cotolengo e se fizemos alguma coisa amenizar as dores dos que ali sofrem. Se tivemos um amor daqueles de arrastar a bunda por alguém e de termos chorado a cântaros, num lugar público, por essa pessoa. Se plantamos uma árvore no chão da vida, ou ainda, uma rosa no coração de alguém. Se perdoamos realmente a quem nos tem ofendido. Se só pensamos na barriguinha de tanquinho e esquecemos dos nossos intelectos que estão saturados de gorduras também saturadas de ignorância que saem pelos poros e que apesar disso, continuamos a nos esticar nas academias de ginásticas, sugando- com magrelos canudinhos- o insosso Herbalife, nos iludindo que não nos envelheceremos jamais, e o pior, desprezando o conteúdo das bibliotecas e a sabedoria dos mais humildes. Se nos prometemos, a cada ano novo, ler a Montanha Mágica de Thomas Mann, se nunca lemos nem o Grande Sertão: Veredas, do nacional João Guimarães Rosa. Se a promessa de evoluirmos, adotando uma criança pobre e negra que ficou para o ano-que-vem-que-nunca-chega que- na verdade- perde para a nosso apoio à pena de morte- dispondo assim, da vida como se fôssemos Deus! Se ensinamos aos nossos filhos que não se deve bater nos filhos como fizemos com os nossos. Que Deus é luz e a razão de todos os seres. Que o amor se confunde com Deus. E que o amor é o único caminho. Que o dinheiro é a provação pela qual passamos. É a maior ilusão que se opõe à felicidade. É a confusão que nos apresenta e nos desafia todos os dias. O dinheiro tem um aliado forte e covarde: o medo. Aliam-se para nos governar, pois morremos de medo de ficarmos mais pobres.
Mas, prestando atenção, tudo que há na vida não nos pertence. A natureza que chamamos Deus nos dá tudo como usufruto o que ela tem. O grande lance é saber usar. Quanto tempo que você não presta atenção no céu em busca de uma estrela cadente das madrugadas de cada dia? Quanto tempo você não mergulha num córrego perto e sua cidade, onde você pescava lambaris e bagres e voltava sorrindo pra casa?
Quantos anos fazem que você não busca uma goiaba ou uma manga nas gripas das alturas; que não joga peão na terra vermelha de um chão batido? Que não solta uma pipa ou que não joga uma partida com bolinhas de gude? Ah, você não é mais criança? Mas também não é mais tão feliz! Por onde anda aquele menino que morava tão feliz dentro de você? Onde está aquele menino que sonhava um futuro de paz, tal qual quando você cantava e dançava a ciranda cirandinha sem a ansiedade que hoje carrega no peito? Cadê aquele menino que tomou conta do seu coração quando você deu o primeiro beijo na primeira namorada? Na porta do tempo, amigo, mais um ano novo está batendo. Ainda é tempo de se encontrar. Feliz Ano Novo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010


Palácio Taj Mahal, construido pelo príncipe Shah Jahan para sua amada, a princesa Muntas Manhal

Quanto custa uma paixão


Por Tadeu Nascimento

Você pode usufruir de uma vida calma, sem atribulações, sem grandes problemas, quase sem graça; ou optar por viver uma existência, às vezes conturbada, porém, rica em emoções. A vida é feita de escolhas. Faça a sua. Sendo eu cronista, e lembrando que os cronistas são os retratistas da vida, com as minhas lentes multi-almas-focais, registro pessoas de todos os tipos. Entretanto, as que me chamam, à atenção, são as que morrem de medo se arriscar; de se envolver com outras, de se apaixonar. Outras, as que me parecem assexuadas. Mesmo nesse mundo moderno de hoje, com a liberdade sexual a todo vapor, ainda existem insistentes virgens com mais de 20 anos de idade. Parece mentira, mas não é. Basta se atentar para as evangélicas ferrenhas e constatará que muitas estão ainda invictas -e convictas- pois se dizem felizes, o que não acredito! Outras- não necessariamente luteranas ou calvinistas- com histórias de relacionamento mal resolvidas ou fracassadas, se fecham como um caracol para um novo afair. Trata-se do risco de quebrar a cara mais uma vez. Mariana, nome fictício de uma linda mulher de 35 anos, mais se parece uma moça de 20, ainda virgem, segundo personagens reais- línguas do ofidiário que a circunda-, com poucos namorados no currículo com quem mal teve beijos relâmpagos, sem reticências ou etcétaras, parece não saber que o tempo é implacável. Tenho pena dessa delicada flor que há de murchar-se se não abrir suas pétalas. Sob a desculpa de uma falsa moralidade, está ela perdendo o melhor da vida!
Transitam desapercebidas pelas calçadas da vida pessoas que passam dois, três, cinco anos sem um relacionamento, embora estivessem no auge de suas sexualidades. Não é pelo fato de não serem desejadas, mas sim, por seus conceitos morais arraigados e por isso preferem a solidão a se exporem como "pecadoras" ou imorais. Enquanto, na verdade, o grande pecado é não ser feliz! Assim como vulgar é ser infeliz! Todos infelizes são chatos e todos chatos são infelizes! E com isso se martirizam, se tornam amargas e até insuportáveis. Não estou fazendo apologia ao sexo pelo sexo, mas combatendo a hipocrisia. Uma mulher desimpedida, solitária, sabe muito bem do cotidiano e do caráter do seu interessante vizinho que- por acaso- está nas mesmas condições que as dela e, no entanto, ela se mantém austera como aço, mais dura que uma bactéria resistente. Vai morrer enferrujada (e, possivelmente, ele também)! É do tempo da pedra lascada a máxima segundo a qual "Leva-se dessa vida, somente a vida que se leva e não o que se leva dessa vida!" A vida tem que ser compreendida como uma grande aventura. Assim como muitas das telas do cinema. Aventura é a materialização do sonho. E como disse o poeta Carlos Nejar, imortal da ABL, "Os sonhos são mais definitivos do que a gente".
Uma paixão pode custar decepção, angústias, amarguras, cabelos gris, rugas e até tragédias. Vide Shakespeare que melhor explorou esse assunto. Mas a paixão pode também custar pouco: basta somente soltar os freios da moral e dar uma chance a si mesmo. Isto posto, a paixão faz remoçar, tornam o amantes mais alegres, mais dispostos para vida e principalmente os fazem sonhar sonhos inebriantes. Tenho no meu rol de amigos, um senhor, que embora rico e que poderia se esbaldar pelo mundo afora, andava com os olhos pregados nos mocassins (de tristeza) esperando pela libertadora morte. De repente arranjou um novo amor e como numa reação em cadeia, perdeu peso, tonificou a pele, trocou os inseparáveis mocassins por um par de tênis; mandou a morte baixar noutra freguesia e agora anda de mãos de dadas com a sua distinta, serelepe da vida! Pelo jeito, vai viver mais uma década, fácil, fácil. Nunca é tarde para viver uma aventura de um Montechio por uma Capuletto.
Enquanto a chama arder, conjuga-se, numa miscelânea ilógica, o futuro do verbo viver no mais que perfeito, o infinitivo do mesmo verbo no presente e o presente pra lá do infinito. Paixão é auge dos romances famosos; razão da existência dos poetas e romancistas. Soneto de Vinicius enquanto dure. Romeu Shakespeare Julieta. Anna de Assis Os sertões Dilermando. Elizabeth Taylor Cleopatra Marco Antonio Burton. John Lennon Imagine Yoko. Peter Abelard Castrado Heloise. Príncipe Shah Jahan Taj Mahal Muntaz Mahal.
Como disse na introdução, a escolha é sua.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010


John Lennon e Yoko Ono

Imagine o mundo sem os Beatles


Por Tadeu Nascimento



Paul McCartney está no Brasil emocionando gerações.
A propósito, imagine o mundo, se os Beatles não tivessem existido. Sei que isso é metafísica, coisa que não se questiona. Mas ousemos. Com certeza, seria muito diferente. Possivelmente seria um mundo com menos graça, mais conservador e, acredito, mais belicoso. Pra minha geração, a história se divide em duas eras: a. B e d.B. Antes e depois dos Beatles. Algo paralelo- mas não parecido- com o que pensam os insensíveis analistas políticos. Para estes, a história moderna se divide em antes e depois da destruição das Torres Gêmeas em New York. Para imaginarmos o mundo sem os Beatles, convém voltarmos às décadas de 1960 e 1970. Os rapazes de Liverpool, com seus cabelos ainda começando a cobrir as orelhas, bateram de frente com o conservadorismo (lembro-me dos meus 14 anos- como eu amava os Beatles e ainda os amo!- querendo deixar meus cabelos crescerem e meus pais me mandando de volta ao barbeiro) e inspiraram a juventude do mundo todo a contestar as guerras, as opressões de quaisquer naturezas e ainda provocaram a bandeira a favor da liberdade sexual- que notabilizou Betty Frieddan, quando numa passeata, queimou sutiãns pregando a igualdade entre os homens e mulheres. O movimento irreverente do rock and rool, iniciado por Elvis Presley, ainda limitado nos inocentes requebros (das cinturas, óbvio) dos jovens, ganhou conotação política com os Beatles e os Rolling Stones. A partir daí, o mundo nunca mais foi o mesmo. O Movimento Hippie, fruto da rebeldia contra o alistamento dos jovens americanos para a Guerra do Vietnã, fez com que esses rebeldes ficassem impossibilitados de conseguir documentos que os levassem ao mercado de trabalho. As esquinas das grandes cidades da América do Norte tornaram-se embriões de um movimento anárquico-pacifista que contaminaram o planeta: "Peace and love". Jonh Lennon foi um dos principais porta-vozes desse movimento. E os cabelos foram descendo pelas omoplatas, as roupas passaram a ser coloridas e as flores se tornaram armas. E os Estados Unidos com milhões de desempregados. Milhões de hippies. Enquanto isso, a dupla Lennon-McCartney dava ao mundo canções de amor: "Yesterday", "And I love her", "All is need is love", "Strawberry fields forever", "In my live", "Hey Jude" e dezenas de outras maravilhas que os jovens- que ficavam à margem do sitema capitalista- cantavam (e tocavam violões) nas esquinas. Vieram os festivais de Woodstock (fazenda Bethel, New York, EUA, 1969) onde Joe Cocker tornou-se herói lendário cantando "Whit a litle help for my friend" de Lennon e McCartney (veja no youtube, vale a pena); e o da ilha de Wight (Inglaterra, 1970). A música (o rock), o sexo e as drogas deram o tom de uma nova ordem mundial. Conseguiram: a guerra do Vietnã foi vencida por aqueles que pregavam "Paz e amor"!
Mas o mundo continuou violento. Os Beatles não são mais das canções inocentes. Lançaram o revolucionário album Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band que foi um marco na história da música. "A day in the life" é escolhida- décadas depois- pela revista Rolling Stones, a melhor música dos Beatles. Depois , o Album Branco (Revolution). No ano seguinte, Abbey road e o último em 1969, "Let it be". Tornaram-nos mais contudentes a favor da Paz. Jonh gravou "Give Peace a chance" ( Dêem uma chance à paz). Em março de 1969, enquanto morriam soldados aos montes no Vietnã, John Lennon com Yoko Ono, fazem uma campanha a favor da paz, com o título "Make love, not war", ficando nus (e fazendo amor) por uma semana, em um hotel em Amsterdan. Fotografias de Jonh e Yoko nus ganharam repercussão mundial. Meses depois, John devolveu a medalha MBE (membro do Império Britânico) que ele havia recebido da rainha Elizabeth II em novembro de 1969, em protesto contra o envolvimento britânico na guerra da Biafra e contra o apoio dado aos Estados Unidos na guerra do Vietnã. Lennon foi assassinado em dezembro de 1980 por um fã. Em 9 de outubro de 2010, John faria 70 anos.
Como tudo tem fim, os Beatles se separam em junho de 1969. Em carreiras solo, Lennon gravou a antológica "Mother" e Paul, "Another day". Logo depois Lennon lança o maravilhoso album "God" que traz a faixa "Love". Paul também lança o seu "Raim". George Harrison grava a bela "My sweet lord" e Ringo Star, "I don't come easy". Lennon chega ao ápice com "Imagine" e depois "Woman", duas belíssimas canções.
Os Beatles mudaram o mundo: influenciaram Caetano, Gil (criadores da Troplicália) os Mutantes; Raul Seixas, os Novos Baianos (os primeiros que viveram em comunidade hippie), Roberto Carlos e outros astros tupiniquins. São notórios acordes dos Beatles nas sequências melódicas em canções de outras bandas como Queen (de Fred Mercury), The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd, U2, e tantas outras. É comum ouvir obras dos Beatles executadas por sinfônicas e filarmônicas de todo o planeta. Coisa impensável (principalmente pelos conservadores) nas décadas de 60 e 70.
Decididamente, não dá para imaginar o mundo sem os Beatles.
Ás vezes, penso que os Beatles, sob o comando de John Lennon eram (ainda são) avatares, seres iluminados que vem ao mundo para colocar ordem no caos.
Imagine o mundo sem "Imagine":

"Imagine there's no coutries, ,
I t isnt hard to do,
Nothing to Kill or die for,
No religion too, ,
Imagine all the people
Living life in peace..."
(John Lennon, 1971)

("Imagine que não há nenhum país,
Não é difícil imaginar,
Sem nenhum motivo para matar ou morrer,
E nem religião também,
Imagine todas as pessoas
Vivendo em paz")

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Palmeiras de 45 anos da Praça Major Frederico Jayme (Rio Verde - GO)


Por que me ufano de Rio Verde


Por Tadeu Nascimento



No final do século dezenove, precisamente em 1900, o conde Afonso Celso, filho do Visconde de Ouro Preto, publicou a obra "Porque me ufano do meu país". Como visto, o verbete ufano é pouco conhecido e significa orgulhar-se de alguém ou de alguma coisa. Celso, exalta as riquezas naturais do Brasil a grandeza do seu povo "sui generes" pela sua miscigenação e enaltece os personagens da época, como Pedro II, Princesa Isabel, José do Patrocínio, os irmãos negros André Rebouças (o primeiro negro brasileiro, a concluir um curso superior, tornando-se engenheiro, além de inventor e abolicionista. Rebouças, o mesmo que empresta o seu sobrenome aos viadutos das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo) e Antônio e José Rebouças - também engenheiros-, entre outros vultos da pátria amada.
Ufano-me de Rio Verde não só pelas suas riquezas naturais e agropastoris, mas principalmente, por seus muitos filhos ilustres nascidos ou adotados (por terem bebido e gostado de sua água). Dizia o meu velho pai, prof. Clóvis: "Pai não é aquele que fez, mas aquele que cria!" Assim, me orgulho de minha terra por ter em seu berço homens "sui generes" da envergadura de Pedro Ludovico nascido na cidade de Goiás, mas foi pra Rio Verde exercitar a medicina e e fazer política que o levou à glória de triunfar-se como estadista. Em Rio Verde, se casou e deu à terra vários filhos, entre eles, o nobre engenheiro e governador Mauro Borges. Pai e filho que tiraram o Estado da visão míope do coronelismo de barranco, por décadas dominantes. Pedro, expoente de um dos fatos mais importantes da história de Goiás e do Brasil, a Revolução de 30 e fundador de Goiânia. Mauro Borges, o primeiro mandatário do estado que fez um governo planejado: criou a Secretária de Planejamento, a Iquego, a Metago e outras tantas empresas estatais.
Rio Verde é também de Jerônimo Coimbra Bueno, filho nobre de Rio Verde, foi também um notável governante que urbanizou Goiânia com a criação dos setores Coimbra, Bueno e outros. Deixou uma fundação com o seu nome, mas que infelizmente, não foi valorizada pelos governos posteriores e acabou por encerrar suas portas.
Rio Verde do patriarca meia-pontene Major Frederico Gonzaga Jayme (irmão do senador Luis Gonzaga Jayme), intendente municipal, rábula, médico e dentista amador provedor de uma prole de mais de 100 filhos com suas inúmeras "esposas".
Rio Verde do revolucionário de 30, Oscar Campos, preso com Pedro Ludovico.
Rio Verde de Paulo Campos, de César da Cunha Bastos, de Sebastião Arantes, homens de compreensão universal que dispensam comentários.
Rio Verde do folclórico/humanista ex-prefeito por 3 vezes, Eurico Veloso do Carmo (Nenzinho Veloso).
Rio Verde que adotou os médicos o americano Dr. (Donald) Gordon, criador do Hospital Evangélico um dos maiores- se não o maior- do Centro Oeste; os notáveis médicos Wilson Mendonça, Alcyr Mendonça; o juiz Paranaíba Piratininga Santana, nascido em Catalão, filho do grande goiano, o intrépido Moisés Santana (o único goiano que participou da Guerra de Canudos (4ª expedição), segundo o historiador Humberto Crispim Borges), pai do meu amigo, o juiz aposentado, Moisés Santana Neto, também filho ilustre do meu chão.
Rio Verde do médico, coronel e meu amigo Dr. Walter de Castro, (graças ao Criador, cheio de vida aos 90 anos) fundador do Hospital Santa Maria em Goiânia e um dos antigos donos do histórico Hospital Santa Terezinha da minha cidade; dos primos também excelentes médicos, Edsel Emerich e Júlio Emerich.
Rio Verde de Gumercindo Ferreira, ex-intendente municipal, comerciante de sucesso, boêmio, femeeiro, frequentador do Cassino da Urca no Rio de Janeiro e que, segundo a lenda, teve um romance com Carmen Miranda. Morreu pobre.
Rio Verde dos saudosos amigos professores Ricardo Campos Sobrinho (Tim), Chafick Antônio e Olga Nascimento. Abro um parênteses para relembrar Ricardo Campos Sobrinho, o professor Tim; não bastasse ser um homem extremamente gentil, educado e culto foi o maior carnavalesco e boêmio da cidade. Com seu corpo redondo, vestia-se por 4 dias, de Rei Momo, bebia cerveja em um penico (impoluto, claro) e no primeiro dia , após a festa de momo,, às 15 pras 7, lá ia o prof. Tim, que nunca faltou ao trabalho, subir a Coronel Vaiano para ministrar suas aulas de Ciências no Colégio Martins Borges.
Rio Verde do professor de Português, Sherlock Holmes da Silva (graças a Deus, jorrando saúde!), ex-zagueiro que jogou no Cruzeiro Sport Clube de Belo Horizonte: craque nas duas profissões.
Rio Verde dos grandes carnavais com Tim, Sherlock, Jerônimo Carmo Moraes, Iachid Matomoto, Domingos "Tata" Moni, Ênio e Tão Rattes.
Rio Verde de homens cultos da estirpe de João Ford, de João Proto de Sousa (o inesquecível João Surdo da confeitaria Zig-Zag), do ambidestro e inteligentíssimo Abel Pereira de Castro com suas cabeleira e barba brancas; de Olinto Pereira de Castro, um homem à frente do seu tempo, empreendedor que criou várias empresas e gerou centenas de empregos e cujos filhos investiram positivamente na cidade com lojas de livros, de automóveis, hospital e cinema.
Rio Verde de Rosulino Campos- cuja prole rendeu grandes educadores- que fazia aniversário no primeiro dia do ano e que se comemorava- durante décadas- após a última nota musical do Reveillon, com o sol inaugurando a manhã de um Feliz ano Novo- na sua residência, com muita cerveja com tira-gosto e café com pão de queijo!
Rio Verde de Jerônimo Martins e dos irmãos Orcalino e Evangelino Guimarães, de Nestor Fonseca que dedicaram suas existências à comunidade.
Rio Verde dos escritores Onaldo Campos da obra "Rio Verde histórico" e Oscar Cunha Neto da "Rio Verde e apontamentos para História", trabalhos importantíssimos para a preservação da memória histórica da cidade e de seu povo. Daqui a séculos, as obras de Onaldo e Oscar serão bases de pesquisas de mestrados e doutorados!
Rio Verde das Abóboras, título honrado devido ao fato de ter sido entreposto de abastecimento na Guerra do Paraguai, onde havia, óbvio, abóboras nativas que serviam de referência, para abastecimento das tropas, comprovado pelos documentos de Visconde Taunay;
Rio Verde da Marcha para Oeste de Getúlio Vargas. À época, Rio Verde recebeu como hóspede, por 2 vezes, o representante de Vargas, o ex-revolucionário de 1930 e o futuro ex-governador-interventor de São Paulo, João Alberto Lins de Barros.
Rio Verde do Córrego do Sapo, da Poço da Matinha, da Praça Major Frederico Jayme com suas araras cortando céu entre as longas palmeiras plantadas (e cuidadas para se tornarem frondosas), há mais de 45 anos pelo funcionário da prefeitura, o italiano Palastrino, na administração de Paulo Campos. Rioverdenses, vocês se lembram do Palastrino?
Rio Verde, da minha infância, da minha juventude e que me dará o último descanso.
No meu caso, caro leitor, a máxima "eu era feliz e não sabia" não procede, pois eu era feliz e tinha plena consciência disso.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Mickey Hourke e Kim Bassinger em "9 e 1/2 Semanas de amor"



NO AMOR, TEM QUE HAVER PEGADA

Por Tadeu Nascimento


Tudo na vida, pra dar certo, é preciso vontade. No amor, para mim, esta vontade, está escondida na misteriosa química que atrai os casais. No embate homem-mulher é preciso ter pegada. Caso contrário, o amor esfria e bye-bye o tesão de um pelo outro. É quando o tesão sai pela porta da frente e o amor pela janela. Convém se concentrar nos detalhes. Pra isso o ser humano é dotado de sensores em várias partes do corpo. Na boca, nos lóbulos das orelhas, no pescoço, nos joelhos, etc. Há, pois, de se incendiar os corpos! Não há limites entre os amantes, posto que são governados pela audácia e pela liberdade. Pela luxúria e pela entrega. Prevalece-se a fome de um pelo outro. Que maravilha!
É a melhor parte da vida!
Mas como explicar casais que- aparentemente- entre si, não tem nada ver? Casais, não só contrários, mas, desconexos: mulher bela como homem feio; baixinha com altão; loiro com escurinha; inteligente com desprovida de neurônios; coroa com moça vinte anos mais nova e rapazinho com balzaca. Ela ama MPB, o cidadão, música sertaneja; ele é fanático por futebol, ela adora cinema e teatro . Nesses casos, longe a quetão de interesses escusos do poder do dinheiro, pois conheço gente que trocou a harmonia de uma vida a dois, aparentemente perfeita, sem problemas financeiros, por um relacionamento de uma vida modesta, sem grana, porém feliz. Conheço uma comunista convicta que se apaixonou por um defensor do capitalismo selvagem e ele por ela. Vai entender! Quantos casais se separam e partem em busca da felicidade e acabam encontrando-a em pessoas totalmente diferentes daquelas que sempre sonharam e se unem a esses seres carentes de beleza, de dinheiro e até com filosofias de vida diametralmente opostas? Conheci certa vez, uma madame que deixou o marido e o conforto de sua bela mansão (além de muita grana do banco) para fugir com um caminhoneiro! E com ele, vive, até hoje, numa boléia de caminhão, rodando Brasil afora.
Lembro-me da milionária Patricia Hearst, neta do magnata das comunicações Willian Randolph Hearst (cuja biografia se baseia Cidadão Kane, filmado em 1941 por Orson Welles) que foi sequestrada em 1974 pelos membros do Exército Simbionês de Libertação, se apaixonou por um dos seus algozes (Síndrome de Estocolmo) e passou também a sequestrar e roubar bancos! Não é o máximo, em se tratando de amor? Quem pode explicar esses fatos? Para mim, só resta uma única explicação: a química! Para os místicos, almas afins. Para os materialistas, apenas o par de chinelos que calça o outro. Mas vai se saber o que se rola sob os brancos dos lençóis; o prazer que se exala desses corpos incandescidos; o relaxe, depois de abrandado o fogo que incendeia os seus corpos e por último, o amor- de ambos- saciado!
Mas... se um dia um desses relacionamentos se rompe, por qualquer motivo, só restará o que está gravado a ferro e fogo nas suas memórias e que ficará até os últimos suspiros de suas vidas: a glória de um dia ter sido feliz. Pois se trata de um tempo em que viveram, sob uma perigosa dependência química: a mais bela, porém, a mais alucinógena e a mais voraz: o amor enquanto paixão.